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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Para crescer 3% precisamos de 900 000 imigrantes

É o presidente do CES Correia de Campos que o diz em plena Assembleia da República. Este número dá bem a ideia dos anos que ainda serão necessários para que a economia se mostre capaz de pagar a dívida. Criar emprego a este nível só com investimento, muito investimento público e privado que não há . Chamar investimento estrangeiro é cada vez mais fundamental. Mas isso faz-se com um estado amigo das empresas, com estabilidade fiscal e com baixa de impostos, tudo o que este governo não faz.

Aliás, a primeira coisa que fez foi rasgar o acordo com o governo anterior sobre a redução da taxa de IRC sobre as empresas. Depois reverteu as privatizações das empresas de transportes que tinham sido entregues ao capital privado extrangeiro. Como se vê só ajudas ao aumento do investimento estrangeiro.

Não é por acaso que as previsões para o crescimento nos próximos anos não sejam superiores a 1,4% em 2016, 1,2 % em 2017 e 1,4 % em 2018. Bem longe, portanto, dos 3%.

A ferro e fogo

Por acordo entre os dois maiores partidos o Presidente da Assembleia da República era indicado pelo partido mais votado. Foi assim até Outubro passado. Nessa altura o PS com a ajuda do PCP e do BE impôs Ferro Rodrigues.

Ora sabe-se bem que quem com ferro mata com ferro morre e desta vez quem pagou foi Correia de Campos, ex-ministro da saúde, demitido por Sócrates face às mudanças (boas) que estava a introduzir no SNS mas que não agradavam aos sindicatos e ao PCP.

Apesar do acordo PS e PSD - são necessários 2/3 dos deputados - vários deputados ( de ambos os partidos ou só de um deles?) roeram a corda e não votaram Correia de Campos para Presidente do CES . O que parecia pacifico mostrou-se afinal ser uma guerra surda . BE e PCP não votaram e o PS ficou nas mãos do PSD senão mesmo nas mãos da facção bloquista do partido socialista que não gosta de socialistas moderados como é o indigitado.

Agora vamos ver no que dá a nova ronda depois do PSD ter mostrado que o governo não deve contar com a posição de conforto com que tanto sonha. Hoje apoia-se no BE e no PCP amanhã no PSD e no CDS. Não está fácil.

Percebe-se o incómodo do Prof Correia de Campos

Correia de Campos é dos políticos que mais sabe de políticas da saúde. Causou-me repulsa ver como foi apeado do poder pelas corporações organizadas no Serviço Nacional de Saúde.  Que estão e estarão contra as mudanças necessárias a introduzir no SNS.  Estive do seu lado. Era ele que tinha razão.

Desta vez borrou completamente a pintura. Tendo sido ministro de um governo que tanta obra pública desnecessária fez  e tanto dinheiro esbanjou, aponta o porto de contentores do Barreiro como um exemplo das prioridades (erradas) deste governo. Corta na saúde para fazer um porto desnecessário.

A verdade é que ainda não se gastou um euro no tal porto de contentores e, se a obra for mesmo para a frente, será a única obra pública lançada de raiz pelo actual governo . 

Foi por causa dela que os hospitais tiveram problemas financeiros, diz o Correia-de-Campos-do-governo-Sócrates.

PS : e não deixem de ler o texto no 31 da Armada seguindo o link

antonio-correia-de-campos.jpg

 

SNS - Correia de Campos também quer a mudança

Não, não. Eu estou a coligir as informações veiculadas na imprensa. Há margem para, no máximo, umas duas ou três centenas de milhões de euros. Não há mais margem que isso. Agora é possível fazer coisas que trazem contenção de despesa. Por exemplo, a impossibilidade de acumular funções no sector público e privado, essencial para pôr os hospitais a funcionar integralmente da parte da tarde.

Como é que isso pode ser feito?

Não é preciso fazer nada drasticamente, mas por etapas. Outro exemplo: os lugares de directores de serviço no público têm de ser preenchidos por pessoas em dedicação exclusiva. Segunda regra: todo o treino dos médicos é realizado em dedicação exclusiva.

Isso não criaria uma rebelião do sector?

Se fosse há dez anos teria criado. Hoje não. Uma das vantagens da situação que temos é ter oportunidades para fazer reformas. Eu não me atreveria a dizer isso há dez anos.

Porque não se atreveria a dizer isto há dez anos?

Porque isto é um problema altamente político e os organismos de representação profissional dos médicos valorizam muito, mitificam até, a prática privada. Acham que devem ter pulso livre, mas acham também que têm direito a um ordenado gordo no sector público.

Qual a solução, nesse caso?

A administração do hospital não comanda a despesa. Quem o faz são os directores de serviço e paradoxalmente não decidem nada dos recursos. Têm de aceitar os médicos que lhes colocam no serviço. Nem sequer mandam nos enfermeiros. Ao fim e ao cabo não são senhores do destino dos seus serviços e têm de ser. É necessário mudar a gestão intermédia dos hospitais, olhando para o exemplo bem sucedido das unidades de saúde familiares.

Tem quase um programa alinhado. Hoje era mais fácil ser ministro da Saúde do que quando esteve na pasta?

Penso que foi muito difícil o actual ministro começar a ser ministro da Saúde num tempo em que essa era tida como uma área com dinheiro muito mal gasto. Foi certamente muito difícil ao ministro Macedo arrancar, mas ele tem um registo de cuidado e precaução e defesa de interesses do cidadão. A partir de agora, para ele, paradoxalmente, vai ser mais fácil que para os outros ministros, que não fizeram as reformas. O Ministério da Saúde vai resistir melhor ao agravamento da crise, na história do corte dos 4 mil milhões, que outros ministérios.