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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A reforma da Zona Euro está a ganhar corpo diz Centeno

A crise ficou para trás mas deixou lições que estão agora a ser implementadas na reforma da Zona Euro

Para Mário Centeno não poderia ser de outra forma uma vez que em Junho há a cimeira do euro onde "é preciso tomar decisões". Esta quinta-feira o Eurogrupo vai continuar a discutir a reforma da Zona Euro, focando-se nas alterações necessárias para tornar o Mecanismo Europeu de Estabilidade "mais eficaz na gestão de crises". Vários responsáveis europeus têm dito que é preciso aproveitar a actual expansão económica para reformar a Zona Euro, preparando-a para novas crises

Centeno diz o impensável num governo de esquerda

Compensa colocar o ladrão a guardar a cadeia .

O Governo "está obcecado em garantir a estabilidade da trajetória financeira e orçamental portuguesa".

Este governo tem esta virtude . As suas políticas são a continuação das políticas do governo anterior e seguem a par e passo as directivas de Bruxelas.

Bem podem, PCP e BE, rasgar as vestes mas o que Centeno nos disse e a forma como nos disse não deixa dúvidas. Contas públicas equilibradas. Diminuir o défice e a dívida.

E a degradação da qualidade dos serviços públicos diz o resto. O país não produz o suficiente . Andamos durante décadas a viver acima das nossas possibilidades

O resto são narrativas .

Daniel Bessa e a visão medíocre de Centeno

É tudo poucochinho . Em 27 países temos 19 a crescer mais do que nós.

Não há uma visão de futuro, não há uma única reforma . Quando o presente ciclo de crescimento da economia cessar o país estará no mesmo lugar medíocre.

De novo, o tema das exportações, que o economista considera como a “maior reforma que se fez em Portugal“. ( pelas empresas privadas tão mal tratadas pelo governo)

“O fator de arrasto é a economia europeia mas a rede são as exportações. Se eu não tiver exportações de pouco vale…”, adianta.

Mas logo a seguir volta a falar em mediocridade. “Portugal está muito melhor, temos hoje mais exportações, mas de novo é medíocre”. E dá os exemplos da Áustria, Hungria, República Checa. “Tudo a exportar mais do que nós, mas estamos muito contentes com os nossos 40%”.

Há quem não vá na narrativa de António Costa, a das sucessivas vitórias históricas.

Centeno avisa PCP e BE - não vamos colocar em risco o já alcançado

O ministro das Finanças avisa que não haverá mais despesa, confirmando assim que a redução do défice e consequentemente a redução da dívida vão continuar a ser os objectivos prioritários.

É um aviso para os partidos à esquerda que querem aumentos de salários na Função Pública e, ao mesmo tempo, progressões na carreira. É incomportável financeiramente .

Mário Centeno também não deixa dúvidas quanto aos factores que permitiram o controlo das contas públicas. Dos 1 000 milhões reduzidos, 800 milhões devem-se à redução dos juros da dívida ( mérito do Programa de Compra de dívida pelo BCE) e do crescimento da economia ( mérito do ambiente favorável da Zona Euro) um e outro factores não controláveis pelo governo .

Mário Centeno enaltece, num artigo de opinião publicado no Público, os feitos conseguidos nas contas públicas portuguesas, salientando que o "défice ficou 1.000 milhões de euros abaixo do previsto há um ano no Programa de Estabilidade", realçando que "metade deste resultado deveu-se à menor despesa em juros, a outra metade foi possibilitada pelo crescimento económico."

O ministro das Finanças sublinha que "temos que nos preparar para o futuro. Não podemos perder mais uma oportunidade" .

A impossibilidade de Centeno

O défice foi conseguido à custa do aumento da receita a despesa até subiu.

É quase doloroso ver um economista competente tentar demonstrar que reduziu impostos, aumentou rendimentos e desceu o défice. As razões indicadas para a impossibilidade são três: "Em primeiro lugar, a economia teve um desenvolvimento muito acima do projectado (...) O peso dos juros no PIB ficou em 3,9%, o mais baixo desde 2010 (...) O terceiro grupo de razões tem que ver com alguns impactos que tínhamos previsto e que depois não se materializaram", citando aqui o adiamento para 2018 das despesas com os lesados do BES. Ora, como vimos, a primeira é frágil, a segunda temporária e a terceira, essa sim, meramente contabilística. Nada disto é estrutural.

As cativações de Centeno fecham serviços nos hospitais do SNS

As cativações de Centeno foram longe demais e a realidade está aí e não pode ser desmentida. Há hospitais centrais de referência a fechar serviços por falta de enfermeiros e de equipamentos. Os 600 enfermeiros em falta só entram em Março para que as contas de 2017 batam certo. A austeridade tinha acabado.

A falta de enfermeiros nos hospitais atingiu este ponto de ridículo e a razão é simples de entender: sem nada que os incentive a ficar, optam por sair para unidades privadas ou mesmo para centros de saúde, onde as condições financeiras, de trabalho ou a qualidade de vida que adquirem compensam bem mais do que ficar. É um caso sério que alguns dos maiores hospitais do país já ponderem fechar serviços fundamentais, como a ginecologia e a obstetrícia, porque não têm profissionais suficientes para os garantir. E é um problema que tem de ser resolvido rapidamente e ao mais alto nível. Não criando barreiras à mobilidade e possibilidade de escolha destes profissionais, mas antes garantindo-lhes condições que assegurem que compensa ficar. O que inclui dar prioridade à contratação de meios suficientes para que todo o sistema não torne a colapsar daqui por um par de meses.

A despesa não pode crescer mas não é o governo que diz que estamos a crescer no PIB como nunca ? E se tal não é verdade não há que estabelecer prioridades que afectem menos os cidadãos ?

Os incêndios e os hospitais onde se morre é que são as prioridades para efectuar cativações enquanto se aumentam salários e pensões ?

Deitar os foguetes e apanhar as canas

EUROGRUPO | CENTENO A eleição do ministro portugués para a presidência do Eurogrupo tem sido festejada como uma grande vitória. E, nomeadamente, uma grande vitória da diplomacia portuguesa. Mas não foi, nem é. Sendo honrosa, ela resultou de um quadro de desistências, tipo dominó.

Primeiro facto: para reequilibrar o peso do norte e centro da UE, ficou entendido que o substituto do holandês do vinho e gajas deveria ser, agora, um ministro das Finanças dos países do sul. Os ministros mais falados como candidatos fortes foram os da França e Itália. Mas, dadas as conjunturas internas desses países, eles recusaram. Chegou então a vez do ministro espanhol.

Mas Madrid considerava relativamente irrelevante a função e queria mesmo ( e quer) a mais decisiva posição de vice presidente do BCE. Guindos desistiu também. Restava Lisboa ou Atenas. Esta era uma candidatura impensável, depois de tudo o que a Grécia do Syriza representa. Hipótese riscada.

Restava Portugal, que havia recuperado respeitabilidade com os dois últimos governos e, em Bruxelas, beneficiava do discurso anti-geringonço de Costa e da política realista de Centeno. Ficou este, por exclusão de partes. Sorridente, sabedor, dupla face, foi considerado um intérprete possível e aceitável da visão do eixo Berlim-Paris. Por exclusão de partes. Bastaria ir lendo a imprensa do país vizinho para ir seguindo o caso. Com a nossa não chegávamos lá...

 
 
 

Centeno foi escolhido porque executou a austeridade desejada por Bruxelas

Trocado por miúdos

Por : José Eduardo Martins

Centeno foi escolhido, afinal, por ter os resultados de consolidação que Bruxelas estima e que só não se chamam austeridade porque a onda de crescimento, na Europa, disfarça e o ministro cativa. Muito

A escolha de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo foi, fora das redes sociais, a vitória portuguesa menos celebrada de sempre.

O feito vem, afinal, forçar várias clarificações e, mesmo que delas todos tenham fugido a correr, desta vez não há como não reparar em, pelo menos, três coisas:

Trocado por miúdos, nada de essencial vai mudar na União Europeia, a maioria de esquerda não existe e a direita tem de mudar de vida.

Na Europa, o impulso juvenil do Presidente Macron, reclamando mais entrega de soberania em torno de mais partilha de risco, ficou sem resposta. Nada importante vai mudar nos problemas estruturais da União Económica e Monetária (UEM).

Se o PPE, leia-se Angela Merkel, permite a eleição de mais um ministro das Finanças socialista, agora do Sul, é porque até podemos avançar no Fundo Monetário Europeu (pouco acrescentando ao Mecanismo Europeu de Estabilidade que os alemães já aceitaram) mas nada de partilha de risco, mais transferências ou convergência real.

Dito de forma mais simples, isso significaria transferências de recursos que nenhum dos eleitorados do Norte da Europa aceita. É assim a vida: de uma lógica vestefaliana pouco contrariável, aliás.

Em breve se perceberá tudo isto ao mesmo tempo que, esgotadas as reversões e confrontado com as escolhas sérias, se revela com clareza o logro desta aparência de maioria.

O nosso ministro foi escolhido, afinal, por ter os resultados de consolidação que Bruxelas estima e que só não se chamam austeridade porque a onda de crescimento, na Europa, disfarça e o ministro cativa. Muito.

Tanto que o novo paradigma de maioria fica conhecido por originalidades nunca antes reclamadas de esquerda, como fazer desaparecer o investimento público e aumentar a receita fiscal por via dos impostos indiretos.

Não admira, mesmo nada, que a maioria não tenha festejado a escolha. Ela ilustra que não são a maioria que dizem ser.

Vale a pena aprofundar o pensamento dos parceiros da maioria parlamentar, sobre a União e o Euro, de que o Eurogrupo é só um acidente:

Escreve José Manuel Pureza, do BE: “O resgate da democracia passa hoje por uma rutura com a prisão em que a União Económica e Monetária se tornou. Sem essa rutura, a substituição da Troika pelas instituições europeias, sendo simbolicamente importante, é algo que conhecemos bem: alternância sem alternativa.”

Mais claro, João Ferreira, do PCP: “A adesão ao Euro foi um desastre e a permanência é um desastre. Recuperar a soberania monetária é recusar esta sentença… O abandono do Euro não será nenhuma varinha mágica, mas é necessário para recuperar do atraso, da estagnação e da dependência… O Euro e a União Económica e Monetária são um obstáculo ao desenvolvimento. Um obstáculo que tem de ser removido.”

Enquanto isso, o PM vai a Bruges abrir o ano letivo do Colégio da Europa, com um discurso oficial sobre a importância de concluir a UEM e oferece o empenho de Portugal para a coisa, repetindo tudo o que o PSD escreveu em 2015.

A maioria de esquerda é como a anedota do alentejano que se acha casado por amor já que não tem interesse nenhum na mulher. Se não estão de acordo sobre ficar ou não na União e no Euro, estarão de acordo sobre o quê, afinal?

Mas a direita tem pouco de que rir... Depois de dois anos em que não antecipou os efeitos do crescimento que lançou. Mais ou menos artimanha, a consolidação está aí. E precisa falar de outra coisa. Infelizmente não tem sido o caso.

(Artigo publicado na VISÃO 1293, de 14 de dezembro de 2017)

Centeno avisou da subida da taxa de juros

Avisou no inicio da discussão do orçamento na tentativa de acalmar as exigências do PCP e do BE. E a renegociação possível é a que está a ser feita. Prolongar prazos e trocar dívida mais cara por dívida mais barata.

Mas como ninguém quis ouvir agora que vem aí uma subida de juros substancial Portugal não está preparado para enfrentar o embate. Agora é só procurar um culpado.

Depois da verba orçamental mais elevada, a da saúde - oito mil mlhões de euros- vem a verba dos juros da dívida . sete mil e quatrocentos milhões. O pouco dinheiro que sobrou devia ter sido dirigido para a redução da divida porque não há a mais pequena dúvida. Sem uma redução significativa da dívida pública a economia não cresce o suficiente.

E é por isso que estamos novamente a empobrecer, a divergir da Europa, crescendo menos mas mantendo a segunda mais alta dívida da União Europeia e a pagar juros mais altos com excepção da pobre Grécia ( não se deu o milagre). 

Centeno foi nomeado para Presidente do Eurogrupo. É bom, mas desenganem-se os que acham que mudará a natureza das coisas. No entanto, desde há umas semanas o Doutor Centeno tem alertado para o período de subida de taxas de juro que se aproxima e para a necessidade de reduzir a divida pública. Ótimo! Foi pena já ter desperdiçado três Orçamentos do Estado sem consolidação estrutural e sem aproveitar este período de alguma bonança económica. Como provavelmente não o fará em 2019, dado o ciclo eleitoral, dificilmente o Doutor Centeno terá contribuído significativamente para melhorar a nossa posição orçamental e económica.