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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Os Jacarandás não faltaram ao encontro

Aí estão os santuários a explodir de cor.  Na Avenida D. Carlos em S. Bento, nos jardins de Belém, no Largo do Rossio e, ora essa, aqui nas Olaias, os Jacarandás não faltaram ao encontro anual. Ali na 5 de Outubro as árvores estão prenhes de vigor mas ainda não se vê a tinta lilás que daqui a uns dias pintarão o ar e o chão.

Por esta época é ver os amantes de nariz no ar à procura dos primeiros sinais. Autênticas romarias aos lugares de praxe. Aproveita-se o passeio para almoçar e passar parte da tarde naqueles lugares ídilicos. Cá por mim, leio o título da capa do jornal e adormeço profundamente. Nunca fui incomodado. Dizem os gentios da América do Sul ( Argentina e Equador , berço dos jacarandás ) que até os carteiristas ficam manietados.

Os Lisboetas, é que se irritam por terem de andar com balde e esfregona para limparem os carros que estacionam à sombra. Mas se quiser saber mais siga aqui o "roteiro científico".

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Mas é desagradável pedir dinheiro em ano de eleições, não é?

O medo é que os que irão beneficiar dos passes se zanguem e fujam com o voto ? É que aumentar em 1 euro o custo de entrada em Lisboa ( e Porto) de cada um dos 370 000 carros diários resolve o financiamento da medida, evitando que os contribuintes do interior não beneficiários, assumam os custos .

É fácil de implementar, é mais justo e mais eficaz mas tem o poderoso inconveniente de afugentar votos .

E outra medida fácil de implementar e bastante justa é aumentar o custo do parqueamento dentro de Lisboa. Mas lá está tem o mesmo inconveniente. Pode afugentar votos.

Porque ir pedir mais dinheiro directamente às centenas de milhares de pessoas que todos os dias levam o seu carro para Lisboa e para o Porto é uma coisa muito desagradável em ano eleitoral. Ainda que sejam precisamente estes que se querem cativar para o transporte público, também são estes que se querem cativar para o voto nas próximas eleições.

É muito mais discreto fazê-lo através do Orçamento do Estado, onde populações que nem sabem o que é um transporte público e pagam impostos como em todo o país vão contribuir para políticas locais que são necessárias mas que não deixam de ser locais.

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Afinal as máquinas importadas são carros

A tendência é má e acentua-se pese as maravilhas que nos vendem.

A economia portuguesa desiludiu no segundo trimestre face às expectativas, apesar de ter acelerado face aos primeiros meses do ano. O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta sexta-feira, dia 31 de Agosto, que o PIB cresceu 2,3%, em termos homólogos, e 0,5%, em cadeia. O principal contributo para esta aceleração foi dado pela procura interna, dentro da qual se destaca o consumo privado. O investimento deu um menor contributo.

Um cheque de pobreza e um carro de 25 000 euros à porta

Receber um cheque da Segurança Social de rendimento mínimo e ter um carro de 25 000 euros ( ou outros bens) é uma flagrante injustiça.

Porque o subsídio mínimo é pago por quem trabalha que, na maioria dos casos, não tem, nem nunca terá, folga para comprar um carro de 25 000 euros. Ora, a maior injustiça de todas é que quem trabalha tenha menos dos que não trabalham. Injustiça é trabalhar e não ter uma vida acima da pobreza.

Para receber o cheque do subsídio mínimo, manda o bom senso, é preciso vender o carro e pagar as dívidas ou comprar os eléctodomésticos que faltam lá em casa ou os livros para a escola dos filhos.

Esta questão está a ser usada numa aparente divisão ideológica entre esquerda e direita, mas quando um político de esquerda está a dizer que não faz mal alguém com um património em bens móveis de 25 mil euros receber uma prestação social para os pobres está a esquecer que quem paga impostos para sustentar esse subsídio são maioritariamente pensionistas e trabalhadores, que dificilmente terão meios para ter um carro com um valor tão alto.

O dinheiro das prestações sociais não é elástico e subsidiar quem efectivamente não precisa é um erro. O Estado deve ser solidário, mas não pode desbaratar o dinheiro dos contribuintes.

Já estamos a reverter a compra de carros

Deve ser esta a tal reversão do empobrecimento. A venda de carros ultrapassou os 231 000 e é a maior dos últimos cinco anos. Como o dinheiro da reversão prometida pelo actual governo ainda não chegou aos bolsos dos funcionários públicos e dos pensionistas , isto quer dizer que já estamos a gastar por conta.

Nada que não se esperasse. Aumentar as importações é o único efeito certo das medidas tomadas por António Costa. E como comprar carro não é propriamente a prioridade dos que ganham o salário mínimo e não é com um aumento de 25 Euros/ que o podem fazer, então quem os está a comprar são os que se queixam que nos últimos anos foram muito penalizados.

Assistimos desde 2013 a uma retoma do mercado após a fortíssima queda ocorrida nos anos de 2011 e 2012, não se tendo verificado ainda a recuperação para valores considerados normais para a dimensão do país" .

Ainda assim, desde 2010 – quando foram vendidos 272.754 automóveis e antes da chegada da troika a Portugal – que não se registavam dados tão positivos.

As vendas de automóveis em Portugal subiram 24% em 2015 face a 2014. No total do ano foram comercializadas 231.645 unidades, entre ligeiros de passageiros, comerciais e pesados.

A venda dos ligeiros de passageiros indica-nos que o empobrecimento dos cidadãos não atingiu a calamidade que nos querem impingir. Os comerciais e pesados indica-nos que a actividade económica não se afundou como nos querem fazer crer.

Será por ser assim que a oposição foi derrotada nas eleições ?

E nós temos culpa que eles produzam carros a que não resistimos?

Já estamos a puxar pela economia da Zona Euro. Compramos carros a granel. Estamos a voltar ao tempo, de que não temos culpa nenhuma, de comprarmos os submarinos e tudo o que os Alemães precisavam para manter  a sua economia à tona de água enquanto a nossa afundava.

Ainda mais curioso é que são os países que estão a sair de programas de austeridade que mais automóveis compram. Mercedes, BMW e Audis...todos importados, evidentemente.

Mas o que leio aqui ainda me baralha mais: Economia portuguesa a "puxar" pela Zona Euro ? Quem diria...

"Deveremos assim concluir que a economia portuguesa, apesar da sua considerável pequenez e das imensas dificuldades com que ainda se defronta para poder crescer de forma sustentada, está já funcionando como uma das (poucas) “locomotivas” da zona Euro, promovendo a procura interna e tentando assim combater os fantasmas da deflação e da estagnação económica que tanto assustam os “media” e os “opinion-makers”…

Pois, assim seja, mas a importar automóveis?

Já comprou o seu Jaguar ?

Aumentam as vendas de carros de luxo. Portugal regista a quarta maior subida. Aliás, é curioso  ver quais foram os países onde se registaram maiores acréscimos de vendas de carros. Mercedes, BMW e outros baratinhos.

Por outro lado, houve fabricantes em contraciclo com a retracção na procura, como foi o caso de marcas de luxo como a BMW ou a Mercedes, que assistiram a subidas de 9,5 e 8,9%, respectivamente. O maior acréscimo foi, aliás, protagonizado pela Jaguar, que subiu 59%, tendo vendido 943 unidades em Agosto (um ano antes tinha comercializado 593).

A verdade é que para alguns de nós sem gastar dinheiro isto não dá gozo nenhum.

Tinhamos que ser inventados

Hoje fui à inspecção do veículo. Preparei o carro ontem na oficina, mudança de óleo, filtros, travões , verificação electrónica, enfim gastei uma nota negra, para além da apresentação impecável, lavado por fora e por dentro, motor...

Lá fui a matutar se me iam chatear com alguma coisa de última hora. Não havia quase ninguém ( suspeito que a crise também chegou às inspecções anuais obrigatórias). Ao meu lado, mas em fase mais adiantada, estava um carro a cair de podre a ser inspeccionado. Com mais conselhos aqui, uma palavrinha ali, o carro ia avançando com alguma nobreza, diga-se. Quando cheguei ao fim da inspecção já o velho carro e proprietária estavam na fase da ouvir o veredicto. Que sim, pague na secretaria e pode ir embora, enquanto lhe entregavam os documentos e o selo de aprovação.

Depois veio a fase que só podia ter acontecido neste país sem igual. O velho carro, inspeccionado e autorizado a rodar nas estradas não arrancou...

Ainda vi pelo retrovisor os inspectores a empurrarem-no...

 

 


Se cortam não vale a pena se não cortam...

Cortar nos carros e nos motoristas das administrações das empresas públicas é uma medida, antes de tudo, higiénica. E é uma poupança. É cortar num abuso. Junte-se todas as mordomias de todas as empresas públicas e corte-se a sério e logo veremos que não é só simbólico. Para mais em empresas que vivem de subsídios com enormes prejuízos.

...Contudo, feitas as contas a 18 das maiores empresas tuteladas pela Economia, descobre-se um potencial de poupança nunca superior a 3 milhões de euros. Nestas 18 empresas encontra-se um total de 72 viaturas para outros tantos administradores. Em média, cada um destes automóveis custou 42 mil euros aos cofres públicos, para uma factura total de 3 milhões de euros, aos quais acrescem mais 3700 euros anuais de custos em combustível, em média por viatura, em 2011 ou 2012 – há empresas que ainda não tornaram públicas as remunerações e regalias de 2012 dos seus gestores, tendo o i usado valores de 2011 nesses casos.

Isto é pouco? E não acrescem os salários dos motoristas, e a manutenção dos veículos ? E não compram um carro todos os anos ? É pouco? E os seguros ?