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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Autoeuropa perde T - ROC descapotável

Volkswagen anunciou que o irmão mais novo do modelo que está a ser produzido na fábrica de Palmela será produzido na Alemanha. O investimento para modernização está em marcha em Osnabruk no montante de 80 milhões para que a produção se inicie em 2020 .

É uma forma pacífica de deslocalizar a produção da Autoeuropa já que o actual modelo está em produção em 2018 e 2019 e, naturalmente, a produção do mesmo modelo mas descapotável , teria continuidade em 2020 com o investimento previsto.

Mas a luta heróica e as greves deixaram rasto e pagam-se como a CGTP bem sabia ao exigir ao governo que colaborasse no planeamento com a marca alemã. Numa empresa privada como se alguém acredite que tal seja possível.

E a deslocalização não é, necessariamente, andar com as máquinas às costas... 

A Autoeuropa e os call centers

Este tipo de investimento( call centers) chamado de " tenda do beduíno" levantam a tenda ao menor sinal de ameaça ao seu modelo de negócio e margens previstas, abandonam o país sem qualquer custo. Não investem praticamente nada . Mas o governo rejubila .

Uma Autoeuropa tem maior dificuldade em "levantar a tenda", demora mais tempo mas também é possível. De certeza que os gestores da Volkswagen já iniciaram os estudos para a transferência de parte da produção deste novo modelo para outra fábrica que tenha, neste momento, capacidade de produção ociosa.

Mas o governo faz de conta que não é nada com ele.

PS : Expresso - Luis Todo Bom

A CGTP vive num tempo diferente da Autoeuropa

Exigir ao governo que negoceie o plano estratégico com o Grupo alemão empresa privada . Afirmar que  a fabrica não precisa de trabalhar aos sábados e apesar de pensar assim exigir aumentos de salários e outros benefícios . Como se a empresa não tenha concorrência e como se não haja milhares de profissionais que trabalhem não só aos sábados mas também aos domingos.

Pensamos logo nos hospitais, nos transportes e em todas as actividades que alem dos sábados e domingos trabalham a noite.

Em vez de tapar os olhos os sindicatos deviam estar a discutir como vão enfrentar a inevitável menor necessidade de trabalhadores num futuro próximo com a chegada em forca dos robots que farão grande parte das tarefas que são hoje asseguradas pelos trabalhadores menos qualificados. E não só na industria automóvel.

Esse futuro vem ai quer a CGTP queira quer não queira . 

Um caso exemplar é Arménio Carlos, o secretário-geral da CGTP, que por vezes vive numa Idade Média do pensamento. Em Dezembro, recorde-se, escreveu no Público uma prosa em que defendia que "é altura de o Governo português assegurar as condições necessárias junto da multinacional para que a Autoeuropa seja parte integrante desta nova fase da estratégia produtiva (de carros eléctricos) da VW". Tudo em nome do "bem dos trabalhadores, do emprego e da economia do país". É um sentimento comovente, mas irrelevante.

Copiar as exigências sindicais alemãs na Autoeuropa

Na Alemanha rica e de pleno emprego os trabalhadores da indústria estão em luta para melhorar as suas condições de trabalho. Querem mais tempo para a família e um aumento salarial de 6% . Os sindicatos na Autoeuropa agarraram a boleia como se o mercado de trabalho e a economia fossem iguais nos dois países.

Os outros países da Zona Euro e da UE há muito que pressionam a Alemanha a aumentar os salários. As suas economias têm no mercado alemão o seu principal cliente e mais dinheiro na mão da população é positivo para toda a Europa. Acresce que a Alemanha apresenta contas externas enormemente positivas em relação à maioria dos países o que numa zona de moeda única não é saudável.

Todas as razões, pois, para apoiar as reivindicações laborais na Alemanha. E , claro, a Alemanha não corre o risco de ficar sem indústria automóvel .

Os trabalhadores e o sindicato alemão justificam os seus pedidos com o crescimento económico do país, o mais rápido em 6 anos, e no recorde que se verificou na diminuição da taxa de desemprego.

Não há como comparar as duas situações .Mas pressente-se o argumento que aí vem. Trata-se do mesmo grupo empresarial. Para trabalho igual salário igual. E a qualidade é a mesma.

Tudo o resto ( ai, a solidariedade com os pobres que nós temos mas eles não têm) esquece-se .

 

A UGT contra unicidade sindical na Autoeuropa

secretário geral da UGT avisa trabalhadores sobre a perda de paciência dos alemães e acusa os sindicatos afectos à extrema esquerda de quererem dominar o diálogo na fábrica de Palmela.

Foi uma enorme luta liderada por Salgado Zenha que os democratas travaram para impedir a unicidade sindical que mais não é que a existência de uma voz única. (não confundir com unidade ). O regresso da unicidade sindical é mais um prejuízo colateral da proximidade da extrema esquerda ao poder.

Para Carlos Silva, “há uma tentativa de controlar uma comissão de trabalhadores, de controlar uma voz única, um pensamento único dentro da Autoeuropa”. “Espero que [os trabalhadores] consigam reagir dessa pressão que vem de determinados lados da esquerda radical deste país”, declarou.

Os inimigos da liberdade estão sempre à espreita

Na Autoeuropa agora são os aumentos salariais

Quando não se quer chegar a um entendimento qualquer argumento serve. Agora a Comissão de Trabalhadores quer um aumento de salário de 6% que é o dobro do proposto pela administração da fábrica.

Isto quando a inflação não chega aos 2% mas os sindicatos querem somar-lhe o que prevêem de aumento da produtividade tendo em conta o número de viaturas fabricadas com o novo horário de 24h, incluindo o sábado e com descanso ao domingo.

Se os salários estivessem relacionados a um prémio extra segundo os objectivos alcançados esta questão não se colocava. Objectivos negociados, alcançados, e os trabalhadores receberiam o combinado. Mas este esquema conhecido há tanto tempo nunca vingou nesta e noutras empresas por cá. É que aumentar o salário é uma forma de ganhar mais no presente e no futuro sejam quais forem as condições económicas e financeiras da empresa.

Transforma-se um custo variável num custo fixo. No fundo é tentar que o processo salarial usado nas empresas do estado e na própria administração pública seja adoptado nas empresas privadas que, ao contrário das públicas, vivem em mercado concorrencial.

E a Autoeuropa vai-se desgastando e perdendo credibilidade neste conflito sem fim à vista . Qual será a exigência que se segue ? 

A Autoeuropa pode passar a receber os restos das outras fábricas do Grupo

E com isso ter que despedir 2 000 trabalhadores. António Chora, ex-coordenador da Comissão de Trabalhadores, avisa. Até 2020 os investimentos estão feitos mas a partir dessa data a fábrica de Palmela pode não receber mais nenhum modelo para produção. 

Até 2020 António Chora não antevê esse risco. Mas depois disso, se voltasse a fabricar apenas modelos de nicho, como monovolumes ou descapotáveis, a produção em Portugal encolheria de 240 mil estimados em 2018 para 100 mil carros por ano e seriam dispensados os cerca de dois mil trabalhadores contratados para atender às encomendas do novo modelo T-Roc.

Em declarações ao DN, o homem que em Janeiro de 2017 passou à reforma afastou a eventualidade de haver uma deslocalização da produção para outros países nos próximos dois anos. "Mas a Volkswagen pensará duas vezes antes de escolher modelos de grande produção para a fábrica se se mantiver o actual conflito", advertiu.

Os sindicatos da Autoeuropa e o governo chegaram a acordo : pagam os contribuintes !

As crianças merecem tudo até uma creche para que os pais possam trabalhar aos sábados. Nada a dizer . Mas quando esta creche é o resultado da "greve histórica" e das manifestações dos sindicatos na Autoeuropa lembra a "montanha que pariu um rato ".

Os sindicatos em assembleias onde compareciam 500 dos 5 000 trabalhadores recusavam os acordos conseguidos pela administração da empresa e a comissão de trabalhadores, e exigiam ao governo que negociasse com o Grupo alemão a estratégia para a produção futura dos modelos eléctricos, exibindo uma petulância que roçou o ridículo.

Não só pelo que a empresa representa para o país em termos de PIB, exportações e emprego mas, também, porque a Volkswagem jamais  aceitaria jogar os seus princípios e regras com sindicatos que visam objectivos políticos. Não cedendo a AutoEuropa reduziu o problema a uma creche que a Segurança Social paga ( os contribuintes pagam).

Os sindicatos ( da CGTP) julgam que salvaram a face com a esmola mas na verdade sofreram uma derrota histórica. O secretário geral da UGT, sensatamente, veio criticar a CGTP por andar a brincar com  o emprego de milhares de trabalhadores e a confirmar a batota que se fazia nas assembleias gerais de trabalhadores.

A táctica é mais que conhecida e até as palavras e a entoação são as mesmas. Todos nos lembramos e a memória não se apaga com ridículas demonstrações de força que não se possui .

A Autoeuropa é uma empresa privada não depende do Estado. E o governo paga a creche a estas crianças filhas de trabalhadores bem remunerados o que não faz com as crianças de trabalhadores menos afortunados.

Os sindicatos a aprofundar a desigualdade.

Vinte trabalhadores e suas famílias numa grandiosa manifestação na AutoEuropa

Secretário Geral da UGT tirou o tapete à CGTP denunciando que os famosos plenários dos trabalhadores não albergam mais que 500 dos 5 000 que trabalham em Palmela. Carlos Silva teve a coragem de denunciar uma manipulação clássica do PCP e seus derivados coisa que não vi nenhum jornalista fazer. Deve ser o tal jornalismo de investigação.

"Não posso estar a depender dos meus pais, ou dos pais da minha esposa, para tomarem conta dos meus filhos. Uma das coisas que me fez mudar para a Autoeuropa há 20 anos foi exactamente isso: trabalhar de segunda a sexta-feira. O sábado e o domingo era para estar em casa com a família. Se viesse trabalhar era remunerado por isso", justificou.

Que dirão a isto todos os que andam uma vida a trabalhar aos sábados e aos domingos como os médicos e os enfermeiros, os bombeiros e a maioria dos trabalhadores na actividade privada ?

Grande argumento como se fosse caso único os avós tomarem conta dos netos quando os pais estão a trabalhar.

O que está em risco na AutoEuropa é uma parte de 40 mil milhões de investimento

investimento das grandes empresas de automóveis em todo o mundo para lançar e construir os novos modelos de viaturas eléctricas é gigantesco. É justamente nesta altura que os sindicatos na AutoEuropa destroem a paz social que sempre existiu na fábrica de Palmela .

A Volkswagen é a fabricante com o maior volume de investimento projectado – 40 mil milhões de dólares até 2030. A Daimler tem planeado um investimento de 11,7 mil milhões de dólares para lançar 10 carros totalmente eléctricos e 40 híbridos.

Fontes das marcas automóveis disseram à agência de notícias que uma fatia considerável deste investimento tem o mercado chinês como destino, pois o Governo deste país impôs quotas para os automóveis eléctricos a partir de 2019.

É, claro, que estas decisões de investimento fogem à esfera de influência dos governos dos países onde se encontram instaladas as fábricas periféricas dos Grupos. As fábricas são escolhidas segundo factores bem definidos e que a AutoEuropa conhece muito bem o que a levou a ganhar a produção do actual modelo em linha de produção. Após vinte anos de qualidade, cumprimento de prazos e competitividade.

O actual braço de ferro da CGTP com a administração da fábrica está a deitar tudo fora pelo esgoto.

A própria UGT também já avisou