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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O preço da derrota autárquica do PCP

O IRC vai ser alargado de 7% para 9% e é o preço da derrota autárquica do PCP e do BE.

Bem pode o ministro da Economia dizer que são apenas algumas empresas. É verdade. Serão algumas dezenas, as empresas que lucram mais de 35 milhões de euros por ano e que vão pagar cerca de 30% de IRC. Mas não nos iludamos. Este é o número que empresários e gestores conferem quando decidem onde fazer investimentos. Porque a atracção de investimento produtivo dirige-se a grandes projectos, daqueles com dimensão suficiente para optar entre Portugal ou a Hungria, entre a Espanha ou a Roménia. Já agora, olhemos para algumas das taxas de IRC na Europa (já nem é preciso falar dos 12,5% da Irlanda): Hungria, 9%; Chipre, 13%; Lituânia, 15%; Polónia e República Checa, 19%; Reino Unido, 20%.

Dizer que o aumento de IRC é apenas para um pequeno conjunto de empresas sem acrescentar que esse pequeno conjunto é precisamente o alvo da mítica atracção de projectos de investimento é não contar a verdade toda.

À lupa as coisas são bem diferentes

Já se sabia que no global o PSD perdeu 1 177 votos em relação a 2013. Mas os números vistos à lupa revelam- se ainda mais interessantes .

Nas duas principais cidades do país, o PSD perdeu 35.214 votos. No entanto, em concelhos como Sintra, Gaia, Cascais, Loures, Braga, Matosinhos, Amadora e Almada, os sociais-democratas conseguiram arrecadar mais 43.387 votos. Em apenas dois destes - Cascais e Braga - o PSD venceu as eleições, nos dois casos em coligação com o CDS. Nos restantes municípios, o PSD não venceu as eleições, mas também não perdeu votos. 

 

Apoiar as ditaduras comunistas não custa votos ?

Jerónimo de Sousa acha que a culpa é dos outros.  "“Vimos uma intervenção do PS a desenvolver uma ação a partir dos seus candidatos e alguns dirigentes partidários, particularmente concentrada em municípios de maioria da CDU, de ataque à gestão da CDU baseada em argumentos falsos e muitas vezes ofensivos”, garantiu.
Já em relação ao BE, segundo o secretário-geral comunista, houve a “opção de fazer da redução da influência da CDU o seu objetivo principal, não olhando a meios para, por via da falsificação e mesmo da calúnia, denegrir a CDU e o poder local”.

O que é certo é que o partido comunista obteve o pior resultado de sempre em eleições autárquicas passando de 34 para 24 presidências de municípios e perdendo mais de 63 mil eleitores, ficando-se pelos 489.189 votos. Almada (Setúbal) e Castro Verde (Beja) foram dois dos municípios que estavam sob a sua liderança desde 1976 e que passaram para a alçada socialista. 

Certo é que a Jerónimo de Sousa é permitido dizer que o resultado das autárquicas, o pior de sempre do PCP, não pode ter nenhuma leitura a nível nacional. Por seu lado, Pedro Passos Coelho, que sempre defendeu que não se podia fazer leituras a nível nacional das eleições de domingo, foi engolido pelas análises imediatistas a seguir ao ato eleitoral. É certo que o PSD levou um banho monumental em Lisboa e no Porto, tendo ainda perdido oito câmaras - menos duas que o PCP - mas, no cômputo geral, teve apenas menos 1177 votos do que em 2013.

No PSD demitiu-se Passos Coelho no PCP não muda nada a começar pelo discurso .

Jerónimo ataca violentamente PS e BE

Foram todos contra um segundo Jerónimo. A hostilização do PCP por parte dos outros partidos foi a culpada do tremendo desaire eleitoral.

Sabe-se que a linha dura mais ortodoxa dentro PCP esteve contra a solução conjunta e Jerónimo de Sousa perante a perda de dez câmaras, bastiões autárquicos do partido, vê-se agora na necessidade de conter a natural reacção dos seus camaradas.

PS e BE tentam a todo o custo vender a ideia que o PCP não perdeu, na tentativa de apaziguar os ânimos comunistas. As contas e as interpretações dos resultados chegam ao ridículo.

Jerónimo diz que votaram no PCP 500 000 eleitores mas estas contas não valem se forem aplicadas ao outro perdedor o PSD que obteve 1 600 000 votos. E o BE que não obteve nenhuma presidência de câmara apresenta como grande feito o ter nomeado um vereador em Lisboa.

E a quadratura do círculo está montada : para o PS a maioria absoluta é apenas um sonho, não mais que um sonho, vai precisar de votos à esquerda - não pode hostilizar PCP e BE. Se os partidos da esquerda acharem que o negócio não é bom para eles, então o PS vai precisar de acordos à sua direita .

Pois é, caro Jerónimo, quem tem amigos destes não precisa de inimigos e por isso a CGTP já tem os tambores a rufar...

Marcelo está a ser irritante com o governo

O Presidente da República vai deixando cair o que pensa publicamente como quem não quer a coisa. Até às autárquicas estamos estáveis a seguir temos que fazer contas. Bem pode vir dizer depois que não está a anunciar a queda do governo.

Face à evolução da situação só um milagre é que não porá Marcelo e Costa em confronto. Os sinais da economia são maus demais e os avisos de Bruxelas não deixam dúvidas. Os maiores críticos já ameaçam que as sanções são mesmo para aplicar. Ora, Marcelo, não pode deixar-se arrastar para uma eventual situação negativa abraçado ao governo, tem que estar o menos possível condicionado para tomar decisões nacionais e difíceis.

Sem problemas graves com Bruxelas( orçamento para 2017) o prazo de validade são as autárquicas.

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E a economia deixa chegar às autárquicas de 2017 ?

Marcelo aponta as autárquica de 2017 como o momento de fazer o ponto da situação. Até lá estabilidade é precisa. De acordo. Agora é necessário que a economia deixe.

Hoje Bruxelas avisou que "há muitas razões para as sanções" e a Moody´s não acredita no défice abaixo dos 3%.

O Presidente diz que o infortúnio do governo não beneficia ninguém o que é verdade. O problema é que isso devia ser dito a quem anda a fazer de conta que não percebe que até aqui a economia vai de mal a pior. E fechar os olhos não significa estabilidade como já vimos com os governos de José Sócrates. Muitos gritavam que o rei ia nu mas a multidão festejava.

Marcelo não pode ( nem deve) dizer outra coisa, o problema  é, se António Costa vai estragando ( distribuindo o que não há para distribuir) para se manter no poder e governar para as eleições. Aumentar salários à função pública e aos pensionistas bem como repor as 35 horas ( também à função pública) não são exemplos de medidas  eleitoralistas ?

Depois o BCE já avisou que o programa de compra da dívida está a chegar ao fim o que alavancará as taxas de juro da dívida 2,2 p.p para cerca de 5,5%. E com este desastre chegamos às eleições autárquicas estáveis?

As derrotas são mais importantes que as vitórias

Voltam as primárias nas escolhas dos candidatos autárquicos. No PS Francisco Assis já o tinha proposto. Agora é Passos Coelho. E esperemos que se avance por aí fora numa maior abertura à sociedade civil. Como a candidatura de independentes nas legislativas e a abertura das listas partidárias.

Proximidade e responsabilidade é o que mais precisamos para que o país saia desta teia que nos tolhe há trinta anos.

A introdução de primárias não é inovadora. Na corrida para a liderança do PS, Francisco Assis propôs primárias abertas à sociedade civil para a escolha de candidatos do partido, tal como sucede nos Estados Unidos e mais recentemente em França. Já o actual secretário-geral, António José Seguro, admitiu a realização de primárias para a eleição de autarcas, mas apenas para militantes. O assunto causou polémica entre os socialistas.

É, claro, que os neoconservadores se vão bater contra toda e qualquer ideia nova que possa mexer na situação. Não vá algum morto ganhar vida no cemitério que defendem.

O PS tem mesmo razões para celebrar ?

Expresso : (...)a AD ficou encostada ao PS na pior altura possível para o governo - estamos mesmo no meio do ajustamento, o momento em que os indícios de boas notícias ainda não cobrem a dor dos últimos anos. Neste cenário, a questão nunca passava por saber se o PS iria vencer. Claro que iria vencer com PSD e CDS a perderem votos devido à dureza governativa. A questão era outra: quantos votos iria o PS recuperar? Em relação ao período pré-troika (2009), já vimos que o PS perdeu 270 mil eleitores. 

E em relação às legislativas de 2011? Só recuperou cerca de 240 mil (de 1.566.347 para 1.809.708). Não é muito depois de dois anos a cavalgar a onda populista mais fácil da história. O PS devia ter goleado, mas só ganhou por 2-1. Se eu estivesse sentado no trono do Rato, estaria preocupado em relação às eleições de 2015. Se o país sobreviver às últimas avaliações da troika, se o país estiver realmente numa nova rota de crescimento, a AD poderá superar o PS em 2015. Se as duas premissas deste raciocínio desaparecerem em chamas (novo ciclo económico e sobrevivência às avaliações), o cenário para o PS será ainda mais negro: receberá nos braços um país já no segundo resgate. Então, ainda estão com vontade de comemorar?


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/o-ps-devia-ter-goleado-ganhou-por-2-1=f833353#ixzz2gZ2hNmtn

Palavra? Uma nova relação de confiança ?

Para quem está na oposição num momento tão difícil, a leitura dos votos a nível nacional não pode ser mais fraquinha. Diz Seguro que "há uma nova relação de confiança entre os eleitores e o PS". Em termos autárquicos não há dúvida nenhuma que o PS nos próximos doze anos vai dominar a política local, mas em termos nacionais está muito longe disso.

PSD + CDS estão praticamente empatados em número de votos com o PS. E o PS não tem com quem coligar-se. Talvez com o provável novo partido que os independentes venham a criar. Seria uma boa solução para o afunilamento que a vida partidária está a cavar com as suas próprias mãos.

O que vai influenciar decididamente, as eleições legislativas em 2015, vai ser o resultado das políticas que este governo está a aplicar. Se lá chegarmos com o país a crescer, o desemprego a descer e os juros da dívida a permitirem pagar aos credores, o PS estará muito longe da vitória.

E se essa situação é boa para o país também é boa para mim. É por isso que desejo que este governo tenha êxito!

Estes votos vão Rio acima ?

Ali do Blasfémias :

Face às eleições autárquicas de 2009, ontem e relativamente a votos:

 

O PSD e o CDS perderam 7% de votos;

 

O PS perde 1% de votantes;

 

A CDU sobe 1,5%

 

Os ind. sobem 2,8%

 

e o BE desce 0,5%

 

Os votos em branco sobem de 94.627 para 192.832

 

e os votos nulos de 68.907 para 146.836

 

A abstenção cresceu em 538.334 eleitores não-votantes.