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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A austeridade está presente e vai agravar-se

Em média cada português está a sofrer uma redução no rendimento de 344 euros/mês.

Os inquiridos justificam esta quebra de rendimentos às consequências diretas da pandemia: despedimentos (29,1%), layoff (17,3%), obrigatoriedade de paragem de atividade (17,6%) e quebra na procura no ramo de trabalho (17%).

António Costa aqui atrás dizia que não haveria austeridade mas haveria dor. A austeridade é apanágio do governo de Passos Coelho. Mas os portugueses já a sentem na pele .

Face à profunda crise provocada pela covid-19, um em cada quatro portugueses (24,4%) afirma já ter reduzido gastos, estando mesmo a poupar dinheiro: 61% deixou de frequentar restaurantes, 53% já não compra roupa nem sapatos, 48% não sai à noite e 36% deixou de frequentar ginásios.

Relativamente aos receios para o futuro, destacam-se a perda de rendimentos (45%), a incerteza quanto ao futuro (45%), contrair covid-19 (41%), ficar sem emprego (24%) e contagiar terceiros (23%).

Já há muita gente a pagar a austeridade

Empresas em lay off, trabalhadores a receberem só uma parte do salário. Já há gente a pagar a austeridade.

À medida que a poeira assenta verificamos que as medidas de apoio à quarentena e as medidas de relançamento económico estão já a ser pagas por uma desvalorização salarial (através do lay-off) e do desemprego. Vai seguir-se um muito provável aumento da carga fiscal sobre o trabalho. É que o apoio da União Europeia continua condicionado à austeridade orçamental. As palavras mudaram mas as políticas permanecem.

O tão propalado e necessário aumento do investimento em saúde já está comprometido pela regra de contratação da função pública "sai um, entra outro" que não permite o reforço de efetivos.

Impostos, taxas, taxinhas e contribuições é um fartar

Só há austeridade quando há corte na despesa ou aumento nos impostos diz quem jura que não haverá austeridade . Mas haverá dor diz o PM que é um contorcionista no discurso.

Há dois meses que há cerca de 400 000 desempregados todos eles a viverem com um salário reduzido. Corte na despesa. Agora vem aí a primeira das contribuições para amenizar a "austeridade", desculpem, a dor. Aumento nos impostos.

António Costa tem o direito a esta oportunidade de governar em crise . Sem austeridade mas já sabemos que vai ser com dor e com contribuições.

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António Costa : não haverá austeridade mas haverá dor

Palavra dada palavra honrada. Não haverá austeridade mas haverá dor. Parece que para o primeiro ministro não é a mesma coisa já para os contribuintes, desempregados, famílias e empresas...

"Não passaremos esta crise sem dor" como não se passa crise nenhuma sem austeridade, como sempre foi óbvio pese as ardilosas palavras do mestre Costa.

E se Costa quisesse até podia dizer, em abono da verdade, que um país pobre, refém de um estado tentacular que amordaça a iniciativa privada de criação de riqueza, passará por todas as crises presentes e futuras. Só escapará sem austeridade e sem dor quando o país acarinhar o empreendedorismo . Com lucro.

O Primeiro Ministro vem agora dizer que é necessário industrializar o país, após quatro anos de braço dado com os partidos que odeiam a iniciativa privada e o lucro, como se os impostos tivessem outra origem .

Contrariamente ao discurso corrente quem vai fazer sair o país da crise são as empresas, não é o estado. Nesta primeira fase em que foi necessário suster o primeiro embate, o estado usou a sua dimensão e peso agora, é necessária a criatividade, a inovação e a capacidade de criar riqueza, postos de trabalho, fomentar as exportações, atrair investimento.

O estado pode ajudar saindo da frente, sendo amigável para com as empresas, beneficiar fiscalmente quem trabalha. 

A austeridade deve tocar a todos

Fazer recair a austeridade sobre o sector privado é profundamente injusto. Não só porque o sector público já goza de privilégios que o sector privado não tem, mas também, porque a austeridade distribuída por um número menor de pessoas é maior.

O economista João César das Neves lamentou que nesta fase se estejam a discutir aumentos salariais para 2021. “ Acho que não é altura para falar nisso. É uma tolice. Claro que está tudo a colocar-se, isso já são jogadas, mas que não mostram grande elevação de valores. No meio desta confusão, estarmos a falar disso não me parece nada razoável. Mas isso só mostra o poder que esses grupos têm. Esse é o drama que nos deu cabo do Orçamento durante décadas e que é estrutural na economia. Essas entidades têm o poder e a arrogância do poder, o que é extraordinário. O país está com uma epidemia, as pessoas estão a morrer e há uns senhores preocupados com o seu bolsinho no próximo ano. É incrível”.

Lembre-se que este ano já houve aumentos salariais para os funcionários públicos.

Chamem-lhe o que quiserem mas vamos ter (mais) austeridade

Até já começou com gente no desemprego e com o rendimento reduzido. É mais despesa e menos receita. Défice e aumento da dívida. Chamem-lhe o que quiserem.

Acontece que a fragilidade da nossa recuperação e consolidação orçamental fazem com que a nossa capacidade de intervir na economia para promover a retoma económica seja limitada. Foi isso mesmo que reconheceu o ministro da Economia quando disse que não tínhamos condições para dar os mesmos apoios que outros países e que "mais despesa hoje são impostos amanhã". Também podia ter dito: "mais dívida hoje são impostos amanhã".

Não temos almofada financeira para enfrentar a crise. Teria sido necessário reduzir a dívida, fortalecer o crescimento do PIB e segurar o aumento dos impostos. Nada disso foi feito.

O que fazer agora ? Aumentar a dívida. 

 

Diga o que o PM disser claro que haverá austeridade no privado

Certinho, certinho, os mesmos de sempre vão pagar mais impostos, chame-lhe Costa o que quiser, mas para quem tiver menos rendimento é austeridade.

O sector público, onde estão o grosso dos votantes do PS, PCP e BE, mais uma vez vão escapar ao prejuízo. Eles que já gozam de privilégios.

  1. Diga o PM o que disser, claro que haverá austeridade no sector privado.
  • Quem perder o emprego vai sentir austeridade. E desemprego é sempre no sector privado, não no Estado.
  • Quem está em lay off sente austeridade. Temos menos poder de compra.
  • Quem vir o seu salário reduzir-se sentirá austeridade. Ganha menos.
  • Quem vier a pagar mais impostos sentirá austeridade. E o mais provável é que o Governo aumente mesmo os impostos. Aposto singelo contra dobrado.
  • Para estas pessoas, dizer que não haverá austeridade é quase ofensivo.

 

  1. No sector público será diferente.. Aí não haverá nem cortes de salários na função pública, nem cortes de pensões. Não é uma escolha do PM. Não é exigível nem recomendável pelos especialistas.
  2. Primeiro: porque esta crise é radicalmente diferente da anterior. Não é uma crise de desequilíbrio orçamental. Logo, não é preciso uma austeridade de ajustamento no Estado.
  3. Segundo: na crise anterior os credores exigiram austeridade. Nesta crise, os empréstimos a contrair não terão essa exigência.
  4. Terceiro: esta crise é excepcional e irrepetível. Exige um novo pico de dívida, é verdade. Mas esse é um encargo excepcional. Pagar-se-á ao longo de 30, 40 anos, com pequenas poupanças, ano a ano.
  5. Posto isto, o importante era que o Governo garantisse uma distribuição equitativa de sacrifícios entre o público e o privado.

 

O aumento dos funcionários públicos é insultuoso para quem perde o emprego

O Bloco de Esquerda e o PCP exigem que o aumento dos salários da função pública se mantenha sabendo  ambos que a austeridade que aí vem é inevitável.Mas com aqueles partidos já sabemos que a austeridade é para os outros, para os que criam riquesa e pagam impostos.

Costa espera, agora, que a esquerda esteja com ele também nas ‘vacas magras’ que esta pandemia está e vai criar com particular violência. Não a terá. Catarina Martins já o disse com clareza e o PCP nem precisa de dizer. Pelo contrário falam de aumentos de salário em 2021 como se o mundo não estivesse a passar por nada de especial. O Bloco e o PCP, já se sabia, são daqueles que só ficam na festa enquanto há comida e baile; saem antes de ter de se limpar e arrumar a sala.

O Bloco de Esquerda não aceita solidariedade interna

Para isto nos remete a conversa da treta do Bloco de Esquerda. Há solidariedade da União Europeia mas quanto há solidariedade entre os que manterão salários (funcionários públicos ) e as pensões e os que perderão rendimentos e salários aí já fia mais fino . Só se não houver austeridade, leia-se corte nos rendimentos .

Conversa populista do piorio. Como é que o Estado com a quebra da receita dos impostos aguenta 150 000 desempregados que são quantos já estão inscritos no Fundo de Desemprego ? A solidariedade é só Europeia ? Para um partido anti- Europa é quase comovente esta posição política.

Com uma sombra no optimismo ( espero não ter sombras no pulmão) a verdade é que o melhor mesmo é estarmos preparados para sofrermos a austeridade que se impõe para haver a solidariedade interna que se exige.

O Bloco de Esquerda diz tudo o que for preciso para enganar os pobres coitados que não sabem mais.