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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A amizade já não é como era

Os juízes da relação não acreditam minimamente na narrativa da amizade. Dizem que se trata de esquemas de ocultação de provas . São muito duros estes juízes.

Os registos do hotel dizem inclusive que os pagamentos foram feitos “em numerário, por vezes de quantias próximas dos 10 mil euros”. No total, entre 2009 e 2014, as facturas indicam que Sócrates terá gasto com viagens e estadias (para si e para a família e amigos) 350 mil euros.

Facturas que eram primeiramente passadas em nome do próprio e depois substituidas por outras facturas em nome do amigo. Pelo meio havia uma nota de crédito a anular a primeira.

Trata-se, segundo o semanário Sol, de um acórdão “muito duro”, que liga o ex-primeiro-ministro à prática reiterada de ocultação de provas. O caso dos quadros é outro exemplo. Segundo o Sol, Santos Silva adquiria quadros valiosos à galeria de arte de Lisboa Antik Design, quadros esses que estavam depois na casa de Sócrates e aí inventariados durante as buscas ao apartamento na Braancamp. Mais tarde, de acordo com relatos feitos pelo procurador Rosário Teixeira à Relação, algumas dessas obras foram “deslocadas para a casa da empregada da mãe” de Sócrates.

Ainda há quem ande muito zangado com a prisão preventiva.

AMIZADE UMA RELAÇÃO CULTIVADA - Prof Raul Iturra

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 Os dias que vivemos são tristes e de miséria. Pensemos melhor nas relações emotivas e simpáticas que juntam seres humanos.
Escrever sobre um sentimento, não precisa citações. A amizade é uma   afeição recíproca entre duas pessoas que cultivam boas relações. É a sinceridade entre essas duas pessoas que sabem partilhar sentimentos e calar. Numa palavra, é a confiança mútua entre pessoas de qualquer idade que sabem tomar conta uma da outra, sem entrar pela vida privada do outro. É um sentimento de nunca abandonar a pessoa por quem se sente afectividade. Foi, na Grécia clássica que, pela primeira vez, através de Aristóteles, definido o conceito amizade. Os motivos da Amizade diferem em espécie, como, também, diferem as respectivas formas de afeição e de amizade. Existem três espécies de Amizade, e igual número de motivação do afecto, pois na esfera de cada espécie deve haver afeição mutuamente reconhecida.
Aqueles que têm Amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade:
1) Utilidade: a Amizade existe na medida em que se recebe um bem de outra pessoa. Incluindo, esta categoria, o prazer: isto é, desenvolve-se a Amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude do seu carácter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim, aquele cujo motivo da Amizade é a utilidade ama os seus amigos pelo que é bom para si mesmo; aquele cujo motivo é o prazer fá-lo pelo que lhe é prazenteiro; nunca o é em função daquilo que é a pessoa estimada, mas na medida em que ela lhe é útil ou agradável. Essas Amizades são portanto circunstanciais.
A fonte desta ideia é o livro Ética a Nicômaco de 333 antes da nossa era, versão francesa de 1992, Presses Pocket, Paris. Texto que define não apenas uma intimidade entre duas pessoas, bem como o interesse ou o despertar da simpatia de outra pessoa em nós, ou de nós em outra pessoa (atitude recíproca), relação nunca abandonada, onde nada se espera há excepção da mútua confiança.
Para falar de amizade muitas palavras há para serem usadas, é todo um tratado como os dos filósofos ou o interessante livro de Marguerite Yourcenar:  O tempo, esse grande escultor, 1994 (1ª edição), 2006 (2ª edição), publicado pela Difel, Paris e Lisboa, que defende a ideia que serve de entrada a este corto texto.
O que mais esperamos da amizade é a companhia, a simpatia, o não abandono, o sermos precisados e visitados pela pessoa ou pessoas em quem depositamos confiança, sem erotismo no meio. É o que eu espero dos outros: a solidão nada esculpa, nada entrega. É o tempo que nos oferece a emotividade da afeição. Como (quase) todos os meus denominados amigos que, foram esculpidos durante um tempo, até se lhes acabar a necessidade, entregando, agora, a sua confiança a outros mais necessários para os seus objectivos. É o neo-liberalismo destes dias que não entende de sentimentos, mas de lucro. Nicômaco recebeu uma grande mostra de amizade com o livro de Aristóteles: era o pai do filósofo...

O Luís agrupava os seus amigos entre os ocasionais (jogos de futebol ou de poker, idas à praia…) e os constantes (visitavam-se regularmente, promoviam jantares, encontros, tertúlias, iam ao cinema…, numa palavra, apoiavam-se). Mas, numa ou noutra situação, o que era comum no Luís era a curiosidade sobre tudo o que o rodeava, provocando-lhe uma vivacidade, rapidez e perspicácia de pensamento e um sentido de humor incomuns. Com ele tudo se debatia, tudo estava em permanente discussão, em permanente interrogação, no seu universo não havia verdades feitas, por isso era um jovem intelectualmente estimulante, para quem o rodeava.
Raul Iturra
6 de Novembro de 2014.
lautaro@netcabo.pt

 

AMIZADE, UMA RELAÇÃO CULTIVADA - por Prof Raul Iturra

 

 

 

Escrever sobre um sentimento, não precisa citações. A amizade é uma  afeição recíproca entre duas pessoas que cultivam boas relações. É a sinceridade entre essas duas pessoas que sabem partilhar sentimentos e calar. Numa palavra, é a confiança mútua entre pessoas de qualquer idade que sabem tomar conta uma da outra, sem entrar pela vida privada do outro. É um sentimento de nunca abandonar a pessoa por quem se sente afectividade. Foi, na Grécia clássica que, pela primeira vez, através de Aristóteles, definido o conceito amizade. Os motivos da Amizade diferem em espécie, como, também, diferem as respectivas formas de afeição e de amizade. Existem três espécies de Amizade, e igual número de motivação do afecto, pois na esfera de cada espécie deve haver afeição mutuamente reconhecida.
Aqueles que têm Amizade desejam o bem do amigo de acordo com o motivo da sua amizade:

1) Utilidade, a Amizade existe na medida em que se recebe um bem de outra pessoa. Incluindo, esta categoria, o prazer: isto é, desenvolve-se a Amizade por pessoas de fácil graciosidade, não em virtude do seu carácter, mas porque elas lhes são agradáveis. Assim, aquele cujo motivo da Amizade é a utilidade ama os seus amigos pelo que é bom para si mesmo; aquele cujo motivo é o prazer fá-lo pelo que lhe é prazenteiro; nunca o é em função daquilo que é a pessoa estimada, mas na medida em que ela lhe é útil ou agradável. Essas Amizades são portanto circunstanciais.

A fonte desta ideia é o livro Ética a Nicômaco de 333 antes da nossa era, versão francesa de 1992, Presses Pocket, Paris. Texto que define não apenas uma intimidade entre duas pessoas, bem como o interesse ou o despertar da simpatia de outra pessoa em nós, ou de nós em outra pessoa (atitude recíproca), relação nunca abandonada, onde nada se espera há excepção da mútua confiança.

Para falar de amizade muitas palavras há a serem usadas, é todo um tratado como os dos filósofos ou o interessante livro de Marguerite Yourcenar:  O tempo, esse grande escultor, 1994 (1ª edição), 2006 (2ª edição), publicado pela Difel, Paris e Lisboa, que defende a ideia que serve de entrada a este curto texto.

O que mais esperamos da amizade é a companhia, a simpatia, o não abandono, o sermos precisados e visitados pela pessoa ou pessoas em quem depositamos confiança, sem erotismo no meio. É o que eu espero dos outros: a solidão nada esculpe, nada entrega. É o tempo que nos oferece a emotividade da afeição. Como (quase) todos os meus denominados amigos que, foram esculpidos durante um tempo, até se lhes acabar a necessidade, entregando, agora, a sua confiança a outros mais necessários para os seus objectivos. É o neo-liberalismo destes dias que não entende de sentimentos, mas de lucro. Nicômaco recebeu uma grande mostra de amizade com o livro de Aristóteles: era o pai do filósofo...

 

O Luís agrupava os seus amigos entre os ocasionais (jogos de futebol ou de poker, idas à praia…) e os constantes (visitavam-se regularmente, promoviam jantares, encontros, tertúlias, iam ao cinema…,numa palavra, apoiavam-se). Mas, numa ou noutra situação, o que era comum no Luís era a curiosidade sobre tudo o que o rodeava, provocando-lhe uma vivacidade, rapidez e perspicácia de pensamento e um sentido de humor incomuns. Com ele tudo se debatia, tudo estava em permanente discussão, em permanente interrogação, no seu universo não havia verdades feitas, por isso era um jovem intelectualmente estimulante, para quem o rodeava.

Raul Iturra

30 de Janeiro de 2014.

lautaro@netcabo.pt

 

 

AMIZADE REVISITADA

 

http://www.youtube.com/watch?v=rElExpsHJgU

 

Die Fantasie für Klavier, Chor und Orchester in c-Moll op. 80 - Ludwig van Beethoven

Agradeço a Jorge Santos  quem realizou a parte informática, e a O Amigo, a quem dedico este texto

 

 

Estou ciente de ter escrito este texto, mas como é dedicado a uma pessoa fraterna, RSP, torno, com a licença do amigo, a reiteração de refazer o texto, porque o Amigo e merece. Palavras amigas e de apoio.

Bem sabemos que a palavra amigo é uma palavra latina, que significa confiança, solidariedade e reciprocidade, virtude todas que cultiva a pessoa a quem dedico o texto.

 

AMIZADE REVISITADA

 

Amizade, sentimento entendido melhor pelas crianças que pelos adultos. Historicamente, foi usado pelos liberais do Século XVIII.


Hoje em dia, há dois significados: ganhar distância ao falar com um desconhecido; ou agir até a exaustão para quem queremos. Amizade e parentesco, conceitos ou emotividades que podem andar muito perto. Ou, sentimento que faz alguém sentir-se parte da família. Uma unidade de dois ou mais, para o auxílio, a colaboração e o apoio. Com mudanças. Como fazem as crianças: o sentimento mais profundo dos mais novos, é mutável com a vizinhança, a intimidade dos pais ou familiares, pelo interesse que possa ter nos assuntos dos outros. A amizade é um sentimento variável quando não há interesse na pessoa, mas sim nas qualidades ou nas posses dessa pessoa. O amigo, é o ser humano que tudo entrega, até o sacrifício de bem-estar pessoal, para a felicidade do outro, reside na intimidade, não trai, guarda as confidências e acompanha sempre. Adultos e crianças agem da mesma maneira tendo em conta o bem do outro, que entrou na sua vida sem nada pedir, sem nada procurar, ainda menos, exigir. A confiança ou lealdade, caracteriza o sentimento da amizade. Amigo, no dizer de Petrónios, no ano 66 antes da nossa era, no seu texto latino O Satiricon (Net), árbitro das nossas ideias, sentimentos e opções.


Coloca-se, por sentimento de lealdade, esse amigo de fora a observar com respeito e amor, pode não se envolver na intimidade. Diz Petrónios: o amigo não adula: acompanha; o amigo não é irónico: aconselha; o amigo é profundamente cumpridor da sua palavra, do seu compromisso com a pessoa definida dentro do processo de Amizade. O amigo não mente, não engana, não deita fora: vê, ouve e cala e apenas diz, se for perguntado. Milhares de textos, poemas e ideias têm sido ditas sobre o sentimento de que falamos. Nem todos podem ser pensados dentro deste pequeno texto. Mas, o mais importante da Amizade, é nunca magoar a pessoa que acompanha a nossa vida ou actividades. Criança, o que podemos dizer-te sobre estes dois amigos que partiram na mudança de 2005 para 2006, de forma a poderes entender? Sabes, Porque, às vezes, Amizade implica zanga, mágoa, autoridade, desprezo. Será? Na intimidade do sentimento, o amigo pode bater e falar mal do outro? Será que tu fazes isso para repetir comportamentos de adultos? Não esqueças: o amigo beneficia, em silêncio, ao outro, quando acompanha nos momentos mais pesados da vida. Como diz Roland Barthes em 1977, Seuil, Paris: a amizade tem contingências, incidentes, inquietações, futilidades, hábitos de existência apaixonada. Ideia não entendida pelo Steven e por mim. Falámos imenso. Ensinámos muito, também em companhia de Maria Luiza Cortesão. A sua famíliafoi também a minha. Um dia disse-me: “ E se fizéssemos uma Revista de Educação”? Andámos 5 meses à procura de Editor e de Estatutos.

 

Quando já éramos um número significativo de cientistas, organizámos a Associação de Antropologia e Sociologia de Educação. A Revista continuou, porém, eu já não fazia parte do grupo. Nunca mais vi ao Steven. Todo no Porto, na nossa Pátria. Steven, infelizmente, nos deixara em idade temprana.

 

Na Grã- Bretanha, era Lili Bell, uma segunda mãe das nossas filhas, estava na Grã-bretanha, no dia em que entrou na eternidade. Esse deixar aos vivos, faz que amizade se aprofunde As minhas filhas e a minha mulher, nada disseram, mas prepararam os devidos rituais, bem com um cravo vermelho a explicitar a minha ausência por causa de doença. Steven também teve o seu cravo vermelho, a simbolizar a minha colaboração mútua com ele e a sua equipa, da que eu era parte activa.


Amizade. Esse sentimento romântico de que falo no começo do texto. Ela existe quando há lealdade, carinho, os senão são entendidos, a arrogância e a hierarquia que manda e não entende é afastada. A Amizade acolhe, não lança mentiras sobre factos, não tira proveito dos que querem acompanhar e colaborar. O melhor exemplo é o da minha mulher que tomou conta da sua amiga até ao derradeiro segundo da sua vida.

 

Gabriela Mistral, Chilena, Prémio Nobel de Literatura em 1945, que habitou em Lisboa, diz: “Piececitos de niño, azulosos de frío, ¡cómo os ven y no os cubren, Dios mío!É o que temos tentado fazer todos nós. Com maior ou menos sucesso e vários desentendimentos, mas sempre corrigidos à Barthes...

A minha grande sorte é que O Amigo, está ai, firme e forte como um carvalho, como os Mapuche costumam dizer… para o meu bem, e o da sua família

Raúl Iturra

ISCTE/CEAS/Amnistia Internacional

Dia do meu Aniversário, Janeiro 2006.

Reescrito em 30 de Setembro de 2011.

Revisto a 19 de Outubro de 2003



Código do vídeo

 

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