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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Uma espécie de Alqueva para o rio Tejo

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PS e PSD estão de acordo. a Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, revelou o lançamento de um concurso público para a escolha de uma equipa que estude “o que é necessário fazer no Tejo”, enfatizando que o regadio é sua prioridade. O Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Regional, Nuno Russo, mesmo sem conhecer resultados e conclusões de qualquer estudo, acredita que “o Projeto Tejo será uma realidade no futuro”. Do lado do PSD, o deputado Duarte Marques nem precisa de estudos porque é o “interesse nacional que está em causa”, sendo impensável “deixar correr tudo para o mar”. 

A água do Alqueva a chegar ao distrito de Setúbal

Ao PS e a Guterres ninguém tira estes créditos . Quem viu o Alentejo e o vê agora

Este investimento em Reguengos, que consiste na construção de raiz de uma zona de armazenamento e de regadio, está orçado em 39 milhões de euros. É o mais elevado dos novos 13 braços do Alqueva, espalhados um pouco por toda a região do Alentejo, sendo sete no distrito de Beja, cinco no de Évora e um no de Setúbal (Ermidas-Sado, no concelho de Santiago do Cacém).

 

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Há razões para o interior estar abandonado

Para os partidos não tem eleitores para os privados não tem mercado. Está mais que explicado.

Agora que partimos praticamente do zero é possível reconstruir na óptica da criação de riqueza e da fixação de pessoas.

Ainda há pouco tempo estive novamente na casa de um amigo numa aldeia perdida na Beira Baixa. A sua casa faz parte de uma quinta cheia de matizes de verde. Vinha, oliveira, árvores de fruto, tudo cercado por eucaliptos e pinhais. A terra é diferente, Zé ? É igual só que a minha é trabalhada.

Sempre tivemos défice alimentar, o que produzimos não é suficiente para nos alimentarmos. Há séculos que andamos a pagar os salários dos agricultores dos países de onde importamos os bens.

António Costa já falou mais do que uma vez na construção de pequenas e médias barragens para o regadio de terras no interior. O país reagiu ? Ouviu ? Discutiu ? O mesmo com a descentralização. Em Portugal o que não interessa aos negócios dos instalados à sombra do estado em Lisboa morre na espuma dos dias.

Andamos trinta anos ou mais para construir a Barragem do Alqueva. Hoje temos lá 120 mil hectares de regadio e preparam-se mais quarenta mil. O Alentejo seco e de cor da palha mudou para verde.

Claro que há sempre quem esteja procupado com os lobos e os morcegos e menos com os homens e mulheres que são obrigados a abandonarem as suas terras.

 

Reflectir no Alqueva

Dia de reflexão, fui para o Alqueva . De Lisboa à barragem um caminho com olivais e vinhas a perder de vista. Quem se lembra do Alentejo abandonado ?

É impressionante os tons de verde que pintam o Alentejo, novos produtos a cruzarem-se com o sequeiro onde pasta o gado.

Lá fiz o passeio de barco seguido de um almoço onde esteve arredada a gastronomia alentejana trocada por um banal bacalhau e um ainda mais banal arroz de  pato. O vinho era do melhor ali de Reguengos e não havia dúvidas que os milhares pés de vinha estão bem à vista.

Depois Monsaraz, altaneira, bem conservada com uma vista sobre o Guadiana de cortar a respiração.

Na volta, tocados pelo tinto lá viemos a discutir as eleições . Numa coisa estivemos de acordo, se ganha foi porque teve mais votos, nada a dizer, entre as risadas à vista do "cromanhon" fálico que segundo uma colega e amiga servia para atrair a energia solar. Cada um (a) chama-lhe o que quiser, mas energia mesmo era a necessária para transportar o monstro para o lugar e pô-lo de pé. Coisa que ainda hoje não é para todos.

 

Alqueva mudou o Alentejo

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 Ainda há muitos obstáculos mas o Alentejo mudou para muito melhor como se pode ver no gráfico acima

A reboque da atividade agrícola crescente, são já vários os concelhos da região em cujas áreas industriais começam a escassear os lotes disponíveis. Tudo porque, segundo aquele responsável, há cada vez mais empresas fornecedoras de meios de produção (e também na área da agroindústria) que se estão a “instalar em força” no perímetro do regadio.

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As terras agrícolas mais ricas da Europa

Ficam na chamada Bacia de Paris e no perímetro do Alqueva. Com muito sol e muita água. Ali produz-se de tudo, segundo declarações de um dos mais importantes empresários agrícolas nacionais.

E para os lados da orla atlântica alentejana produzem-se frutos vermelhos ( framboesas, amoras...) com uma produtividade muito superior aos países consumidores no norte da Europa.

Estas condições raras para a agricultura estão a chamar jovens empresários, bem preparados académica e profissionalmente.

Portugal é, na análise do Cedefop, emblemático. No país que outrora foi profundamente agrícola, o maior número de oportunidades de emprego está, justamente e outra vez, na agricultura – cerca de 26% do total será para trabalhadores qualificados em agricultura, floresta e pesca, muito acima da projeção para a UE”, referem os peritos. Pelas contas da agência europeia, isto vale quase 600 mil postos de trabalho que podem ficar vagos até 2025. 
 
Mas é preciso dinheiro para investimento, fazer chegar a tempo e horas às empresas os subsídios. E o crédito bancário tem que se envolver na actividade. Infelizmente, como mais uma vez se está a ver o dinheiro não chega à economia. Vai prioritariamente para o consumo interno o que faz aumentar as importações de produtos que bem melhor podemos produzir cá.
 
E antes de tudo o dinheiro foi para as autoestradas e para os campos de futebol, pavilhões e rotundas.

A missão é reduzir o déficite alimentar

Com a chegada da água do Alqueva tudo mudou no Alentejo. E lá fora a qualidade dos nossos produtos é apreciada. Estamos a reduzir o deficit alimentar que ainda está nos 2,8 mil milhões de euros. Em 2014 a redução foi de 600 milhões, ajudada pelas exportações agro-alimentares em 8% ( para os 6 mil milhões) e a quebra nas importações em 3%.

Ainda assim, a ordem da UE é para produzir mais e produzir melhor. O sector nos últimos 5 anos recebeu investimentos no valor de 7 mil milhões de euros ( a maioria de investidores portugueses).  Há apenas 80 mil hectares de terra arável disponível por utilizar.

Fixaram-se na terra praticamente 9 000 jovens agricultores e o novo programa no seu primeiro ano de vida aumentou o número de candidaturas relativamente aos anos anteriores. Há ainda uma grande margem para crescer na Agricultura e no Mar que por enquanto apenas representam 2% do PIB.

No mar já há produção de sal e flor de sal, produção de ostras em aquacultura e cultura de salicórnia ( planta marítima que até há bem pouco era considerada uma praga) para além das indústrias historicamente ligadas ao mar existentes no país .

Oxalá que os meios financeiros, técnicos e humanos continuem a ser reorientados para a produção de bens transaccionáveis, única forma de criar postos de trabalho duradouros.

 

Maior projecto da história da indústria aeronáutica portuguesa

Para além do Alqueva, o Alentejo tem Sines e as fábricas da Embraer em Évora. Para além de tudo o mais que a natureza lá colocou. O Alentejo da fome e dos agrários a viver no Estoril. E da agricultura de sequeiro raquítica.

Três das aerostruturas do avião do terceiro maior construtor aeronáutico do mundo  -  sponson (carnagem e portas do trem de aterragem), o leme de profundidade e a fuselagem central – foram desenvolvidas pelo centro português de engenharia e inovação CEIIA.

Neste projecto, o maior da história da indústria portuguesa de aeronáutica, o CEIIA empregou mais de 250 mil horas de engenharia e mais de 120 engenheiros a trabalhar a partir de Portugal.

Este avião tem a capacidade certa para operar a partir da Base de Beja rumo à europa com os  nossos produtos agrícolas regados pela água do Alqueva.

 

 

Construam-me, porra!

Alqueva está a mudar o Alentejo. E a nossa agricultura. Verdes, fruta, oliveira, vinho, turismo...mas a água tarda a chegar. Parece que é desta. A barragem de Alqueva foi iniciada nos governos de António Guterres. Há mais de vinte anos e depois de tanto dinheiro desbaratado em obras inúteis. De acordo com a EDIA, atualmente, dos cerca de 120.000 hectares de regadio do projeto global de Alqueva, 68.000 estão instalados, 20.000 em obra, 20.285 foram hoje adjudicados e os restantes 10.000 estão em processo de concurso e vão marcar a conclusão do empreendimento em finais de 2015. Produtos para exportar e para substituir importações isto, claro está, se não continuarmos a comer uvas do Chile . Na região até existe o aeroporto de Beja que bem poderá ser a porta de escoamento dos produtos frescos para toda a Europa. E o porto de Sines também está ali perto. Como estava escrito, nos anos 70, numa das paredes da barragem em bom Alentejano : Construam-me, porra!