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BandaLarga

as autoestradas da informação

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SER PAI É SER ÓRFÃO DE FILHOS - Prof Raul Iturra

 

Escrevi ontem um ensaio sobre o facto e a emotividade de sermos pais. Quando a minha descendência ia nascendo, ou antes, quando era gestada pela mãe com o meu acompanhamento como pai, as emotividades eram a adrenalina que circulava pelo corpo todo e uma ternura profunda, quase impossível de descrever com palavras, percorria a alma e a carne. Quase um instinto primitivo de proteger a gestora de próximo bebé, do aguardado descendente que ia prolongar a nossa memória dentro das gerações futuras, a lembrança dos progenitores e dos seus antepassados. Mas, isso pensa-se depois, quando os bebés crescem e passa a ser necessário ensinar, premiar, punir às vezes. No período da gestação, todo o que queremos é tomar conta dessa mulher que amamos com paixão, até o ponto de entrar em ela tantas vezes até atingir o nosso objetivo de macho: dar vida a uma entidade que, depois de sair do corpo da mãe, luta pela sua independência e autonomia. Enquanto o bebé está em gestação, há o sentimento de proteção do ser que gesta a descendência, um sentimento muito primitivo de cuidar, de tomar conta, de evitar perigos para gravidez da mulher que vai ser a mãe do nosso vâstago. A paixão cresce até limites que parecem impossível de descrever. Apenas esses exemplos dos dias inteiros na cama para, sem deixar de amar, os corpos se procuram, a intimidade aprofunda-se, dorme-se nos intervalos, prura-se um alimento que o ardor da paixão acorda em nós. Fecham-se as janeles deliga-se o telefone, a campainha da porta fica em silêncio, ninguém pode interromper o estado mais animais de dois seres que pensam que se amam, sem saber que essa líbido é o resultado da procriação como divindades. Não se pensa em bebés, pensa-se na outra pessoa, no desejo de explorar o seu corpo e de se falar apenas dum e da outra. As caras ficam desfeitas por causa dos milhares de beijos que nascem da paixão que nos leva a esta a passar, sem saber, as horas de um dentro do outro. O ato da procriação é um ato divino, de dois deuses que se abraçam e abrasam como duas chamas que nunca mais apagam. Esse casal ama-se, mas, antes, ama-se pelo fato providencial da procura de um próximo ser. O sentimento de amor faz esquecer o resultado de descendentes, apenas sente-se essa intimidade que faz suar. A prova está em que, se aparece uma gravidez, a paixão passa a amor e acarinhamento, a cuidados especiais, a ternura incrementada pelo fato de gestão de um ser.

É a parte mais simpática e alegre da vida, una fato de lua-de-mel que se prolonga quanto á  capacidade de procriar. É assim que nasce a ternura dentro de dois, capazes de insuflar vida dentro de um ser que passa a ser o terceiro, quarto, quinto, dentro da relação que começa a dois. A mulher passa a mãe, uma palavra santa e sagrada que não se pode repetir muito para não enganar a procura de cobertura no leite, nas fraldas mudadas, nos primeiros passos, acompanhado pelo paceiro da procriação que alimenta esse lar, sustento que hoje em dia, também corresponde a pessoa gestora do filho ou filha que passam a trabalhar colmo os homens que não têm o trabalho de dar a luz, mas que acompanham a progenitora a par e passo no cuidado da infância feita por eles, até que a vida social passa a ser governada pela economia e pelas finanças. O amor pode continuar, mas dentro do lar original, varias gerações existem em conjunto: a que prepara o seu futuro no processo de ensino-aprendizagem, definido por mim em outro texto deste blogue e na minha antiga Revista Educação, Sociedade e Culturas, Nº 1 de 1994, que pode ser acedido em http://www.fpce.up.pt/ciie/revistaesc/ESC1/Iturra.pdf .

Várias gerações coexistem, cada uma com objetivos diferentes: a progenitora que orienta, a que prepara o seu futuro som o cuidado de terceiros pagos para os ensinar, até crescerem e um outra u outra entra em casa com a intenção que o casal primitivo tinha, o da reprodução. Os pais passam a categoria de velhos, os mais novos defendem a sua autonomia, ate o dia em que vão embora para organizar o seu próprio lar. Com sorte, consultam os seus velhos, mas, mais crescidos, passam a autonomia absoluta e os velhos, para a solidão de uma casa vazia ou de um lar.

Eis a minha ideia que ser pais, o a orfandade de filhos que apenas se interessam nos seus descendentes e uma certa obrigação, da que se defendem, para com os seus pais, que ficam sós e abandonados. Ainda mais, se a doença e a senilidade entram no lar original.

A falta de filhos e de netos mal conhecidos, lava a paixão primitiva a ser um peso para geração que toma conta dos seus.

Eis o motivo do título de este ensaio: ser pai, é a orfandade de filhos e a rebeldia dos mais velhos ainda capazes de tomar conta de si, apesar de que os descendentes o não o queiram acreditar. Mas, quando há uma boa criação da geração agora autônoma, os seus descendentes respeitam o carinho e cuidado todos que, os agora Avós, lhes deram. O que é uma alegria rara nos tempos que correm, mas que existe, pelo menos connosco.

Viva a vida com uma família extensa unida pelo amor do lar, alargado a filhos, netos e bisnetos e respeito dos mais velhos da autonomia conquistada pelos mais novos. Assim são também menos órfãos os pais originais.

 

 

Raúl Iturra

25 de Fevereiro de 2014

lautaro@netcabo.pt

 

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