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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Ontem chegou a primeira factura

Rui Mendes Ferreira

1 h ·
 

A 4ª Falência vai chegar? Não vai, já cá está.

Após Portugal ontem ter colocado dívida a taxas perto dos 4,5%, muitos são os que desde ontem, começaram a fazer cálculos, e previsões, quanto à provável data de uma nova falência.

Não percam mais tempo a fazer esses cálculos e previsões, pois desde ontem que deixou de ser necessário.

Ontem foi a data técnica de entrada na 4ª falência. Ainda que não oficializada ou formalmente comunicada, mas já de forma técnica.

O governo sabe-o, os mercados agora tb já sabem, o FMI tb já sabe, a Troika idem, e os nossos parceiros da UE idem. O PS sabe-o, o PCP e o BE também. Os únicos que ainda não sabem, é uma esmagadora maioria do povo português. Mas lá diz o velho ditado popular, sobre quem são sempre os últimos a saber....e a verdade, é que o povo português, tem andado a optar livremente, por ser o ultimo a saber, ou mesmo a nem quererem saber de todo.

Agora, já só precisam é de começar a contar os dias a partir de ontem, não para entrarmos em nova falência, pois essa deu entrada ontem, mas sim para ver quantos dias o governo actual, irá demorar, até ter que vir a público, fazer a já habitual comunicação oficial de nova falência, e virem a público formalizar novo pedido de ajuda internacional, vulgo "Resgate".

As evidências foram comprovadas ontem, e as justificações são simples, que para o caso são duas, e que irei tentar explicar de forma o mais simples possível:

1) Em termos reais, os juros que ontem pagámos, já estão superiores ao que Sócrates pagava antes de pedir ajuda.

Segundo os técnicos, e estudos apresentados por alguns bancos centrais, bancos de investimento, e até 2 agências de rating, o apoio do BCE, está a contribuir com uma redução artificial das nossas taxas, na ordem dos 2% a 2,5%. Esta ajuda, resultante da compra de dívida pelo BCE, irá terminar o mais tardar em fins de Março início de Abril.

Ao somar a esta redução artificial, às taxas que ontem pagámos, já entrámos praticamente numa taxa de juro potencial de 7%. Ou seja os tais 7% que forçaram Teixeira dos Santos a declarar uma situação de pré falência e o pedido de ajuda.

Ora acontece que em 2010/2011, a inflação da UE andava na ordem dos 4%. Logo em termos reais quando em 2011 batemos nos 7%, descontando o efeito da inflação, a taxa real era de 3%. No entanto, actualmente a taxa de inflação da zona euro, está nos 1,5%. Quer isto dizer, que em termos reais, com as ajudas do BCE ontem contratamos dívida na ordem dos 3%.

Mas sem o efeito BCE, a taxa potencial real, ontem bateu já nos 5,5%. Ou seja, já estamos com 2,5% acima das taxas que levaram Teixeira dos Santos a recorrer a ajuda externa.

2) Agora tomem nota dos seguintes valores: FMI 3,50%, EFSM 2,9%, FEEF 2,0%, Média: 2,8%.

Estes valores que acima apresentei, as são as taxas que Portugal está a pagar ao FMI e à UE pelos quase 80 mil milhões de euros que pedimos emprestados no programa de resgate de 2011. Os 3,5% é a taxa mais alta, que é cobrada pelo FMI. As restantes são as cobradas pelos Fundos de Estabilidade da Zona Euro, que integram os programas de apoio financiados pela UE.

Ou seja, ontem, pela primeira vez desde que pedimos ajuda à Troika e ao FMI, Portugal, passou a pagar juros já muito mais altos, do que aqueles que a Troika nos está a cobrar, e muito mais altos do que nos iriam cobrar se ontem tivéssemos optado por pedir novamente ajuda externa à UE.

Portugal, ontem, preferiu ir pagar quase 4,5% de taxa de juro a um sindicato bancário do que pedir à Troika e à UE, entre 2% a 2,9%.

O empréstimo de ontem, de 3,000 mil milhões de euros, por 10 anos, a uma taxa de 4,25%, vai custar a Portugal, 1,548 mil milhões de euros só em juros. Com as políticas de governação, durante o anterior governo, numa mesma situação, a taxa de juro era de 2,75%. Ou seja, iríamos pagar para o mesmo empréstimo, ao fim de 10 anos, 934 milhões de euros. Ou seja, o actual governo, e o modelo de governação e as suas políticas, já nos está a gerar uma factura adicional de 614 milhões de euros, em juros, relativos somente ao empréstimo de ontem.

Se tivéssemos optado por recorrer a novo pedido de ajuda à UE, o mesmo empréstimo iria ter um custo de juros, entre os 600 e os 800 milhões de euros na pior das hipóteses. Mas o governo actual, ontem, optou por ir pagar quase 1.600 milhões de euros.

Não deixa de ser interessante verificar que o PS, secundado pelo BE e o PCP, ao longo dos 4 anos da anterior legislatura, acusavam o anterior governo de se deixar explorar pelos "agiotas" da UE, da Troika e do FMI. Desde ladrões, a exploradores, a agiotas, a abutres, entre muitos outros impropérios, ouvimos o PS, BE e PCP a adjectivar a UE e o FMI, porque nos estavam a emprestar dinheiro a juros entre os 2% a 3,5% e a uma taxa média total de 2,8%. Os mesmos que agora, preferem ir pagar juros nos mercados a 4,5%, do que pedir nova ajuda à UE a 2,8%.

Após estes factos, muitos de vós devem estar a fazer a si próprios a normal pergunta: "mas então se podemos ir pedir a 2,8%, porque é que o actual governo, ontem preferiu ir pedir a quase 4,5%, sendo que essa opção irá obrigar o povo português a pagar mais 600 milhões de euros em acréscimo de juros, do que os que iria pagar se tivesse recorrido a ajuda da UE?

É de simples resposta: para Portugal poder pedir novamente ajuda à UE, teria que cumprir um novo programa de medidas, e ser obrigado a fazer muitas alterações na forma como nos governamos, e o governo iria ser obrigado a fazer as reformas estruturais, que quase todos se têm recusado a fazer. O actual governo,já só está a lutar pela sua sobrevivência. Não pela do país, nem pelos interesses superiores da nação e do povo português.

Quando um governo em funções, prefere pagar mais 600 milhões do que admitir que as políticas que defendem e estão a implementar, estavam totalmente erradas, isso tem sempre um custo. Ontem já chegou a primeira factura, no valor de quase 1600 mil milhões de euros, dos quais no mínimo 600 milhões podiam ter sido evitados. Mas já entrámos na fase de não retorno, em que o governo de José Sócrates também entrou, e a partir de agora, muitas mais facturas deste género virão.

Vai ser assim, até o dia em que o actual governo não conseguirá mais esconder a situação e adiar as soluções. Mas até lá, já muito mal ao país foi feito. Uma vez mais.

Quando um país já tem os mercados a cobrar taxas já muito mais altas que as do FMI, e mais do dobro do que as cobradas pelo Fundo de Estabilidade Europeu, e mesmo assim esse país opta por pagar quase o dobro da taxa de juro num dado empréstimo, é o último passo que se dá antes de se declarar nova falência. Mas a falência já lá está.

Ela chegou ontem, e só não foi formalmente anunciada. Mas tecnicamente já aconteceu. Como eu disse logo no início......agora é só contarmos os dias até ao seu anúncio formal, seguido de novo pedido de ajuda à UE e mais uma vinda da Troika e do FMI.

Três coisas ficaram desde ontem garantidas: a 4ª falência em 40 anos, a necessidade do FMI e a Troika terem que regressar a Portugal, e um novo programa de resgate, desta vez bem mais duro, brutal e exigente, de tal ordem que o povo português, ainda irá sentir saudades e falar bem do anterior programa a que estivemos sujeitos entre 2011 e 2015.

Vai uma aposta?