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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O meu presépio

 
por Luis Moreira, em 23.12.11
 

Estávamos os três em casa, eu e os meus irmãos mais novos, estavam à minha conta embora eu só tivesse para aí uns seis ou sete anos. Tínhamos um quintal de onde só saímos quando o meu pai chegava a casa, encostado a um pinhal ali entre Óbidos e Caldas da Rainha. O musgo estava ali à mão e as figurinhas do presépio coleccionava-as eu nos desperdícios que as fábricas de porcelana deitavam fora.

Só faltava a boa vontade de um adulto para iniciar o mais belo presépio de sempre. E havia um jovem adulto deficiente que andava por ali e que me ajudou a fazer uma cabana, e um rio com a prata dos maços de tabaco, e um lago com água que corria de uma mangueira e os rebanhos com as ovelhas a que a todas faltava alguma coisa ( uma orelha, uma perna...) e, o jovem foi dizer à mãe que foi lá ver e que trouxe rabanadas e filhós, e os vizinhos foram ver um presépio no quintal, sempre os presépios tinham sido feitos dentro de casa e aquele cresceu à largura do quintal com muito musgo, ramos de pinheiro e pedras. As pessoas chegavam e juntavam mais alguma coisa e o presépio passou a ser de todos, com fogueira  e bolos feitos em casa e apareceu o vinho do Porto...

O meu pai percebeu e aderiu, ele que era boa pessoa mas andava de mal com a vida, abriu as portas do quintal e da casa e a mesa foi farta coisa que a maioria dos meus vizinhos raramente ou nunca tinha.

Cantaram-se hossanas e saltou-se à fogueira no meu único presépio. Tornei a ter mais um presépio na noite em que nasceu o meu filho e outro quando nasceram as minhas netas! E, desde que tenho uma família e uma casa minha nunca falta a árvore de Natal! Nos quartos alugados de estudante/trabalhador nunca houve espaço!

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