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O conselheiro Louçã e os olhos de Argos

O conselheiro Louçã e os olhos de Argos

O Conselho de Estado é o órgão político de consulta do Presidente da República e por ele presidido.

Deve aconselhá-lo no exercício das suas funções, sempre que ele assim o solicite.

E foi a Assembleia da República que elegeu Francisco Louçã, para integrar um lugar no órgão a que no passado alguns chamavam “Espelho de príncipes”.

1. De príncipes, se julgaria estar preenchido o “Conselho de Estado” mas o exemplo de Louçã, radical fanático de uma esquerda em saldo, vendida por uma sopa numa qualquer cantina do governo, deixa muitas dúvidas sobre o “benchmarking” de recrutamento na casa...

1. Na passada semana o país ficou a saber da fantástica descoberta do conselheiro que levou à XI Convenção Nacional o tema das “Fake News” para dizer que foram elas que “abriram caminho aos "profetas" Trump, Salvini e Bolsonaro", dos Estados Unidos, de Itália e do Brasil.

Como se vê, este conselheiro mundivisionário não perdoa e não hesita em atingir, como um vulgar arruaceiro, eleitos de topo de países amigos.

2. Aliás as virtudes de um verdadeiro Conselheiro, foram apuradas pelo Cardeal Duque de Richelieu, Armand-Jean du Plessis, primeiro-ministro do Conselho de Estado de Luis XIII, como sendo “a dedicação, a coragem, a probidade e a capacidade que fazem a perfeição do Conselheiro de Estado, e o concurso de todas estas qualidades deve encontrar-se na sua pessoa”.

Então pode imaginar-se a apoplexia se Richelieu se imaginasse Louçã conselheiro dizer que na Convenção do Bloco de Esquerda que 6/7 % de votos são a “segurança contra esse imenso e insidioso partido da corrupção que vai dos submarinos, aos vistos gold e às PPP, numa escalada de ódio contra as minorias”.

Já os robles de Lisboa e a “Operação Marquês” que coloca em xeque o PS, nunca existiram para o sectário conselheiro acusador.

E porquê? Porque ele sabe que é preciso salvar o PS para salvar o Bloco.

Um PS eleitoralmente fragilizado e marcado pela corrupção (como o PT no Brasil), pode beneficiar o Bloco, mas beneficiaria muito mais a direita por muitos anos no Governo. Hipocrisia absoluta conselheiral.

3. Com tiradas assim, Louçã alcança o mítico “Argos”, um ser com olhos repartidos por todo o corpo.

“Prometo-vos que para viverdes tendes que vos armar com olhos da cabeça aos pés.

Não apenas com orifícios para os olhos na vossa armadura, mas também nos ouvidos para descobrir tanta falsidade, tantas mentiras e nas mãos para ver o que os outros dão e, mais importante, o que tiram.

Olhos nos braços para medir a vossa capacidade e na própria língua para pensar o que se diz.

Olhos no peito para ajudar a desenvolver a paciência e no coração para vos proteger contra as primeiras impressões...olhos nos próprios olhos para ver o modo como eles vêem”.

4. Quando a PIDE era PIDE era assim que muitos a viam: olhos, olhos e mais olhos, como em Argos e Louçã.

Nele tudo é venal, menos a esquerda, essa parodia do conselheiro do estado a que isto chegou.

Desgraçada república esta que se revê em tais “espelhos”...