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BandaLarga

as autoestradas da informação

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NÃO SERÁ QUE FORMAMOS ENFERMEIROS A MAIS?

Os números são impressionantes, seja qual for a perspectiva por que se analise a questão – por ano, concluem a sua formação académica 3 000 enfermeiros, dos quais, 2 800 requerem a emissão dos documentos necessários ao exercício da profissão em outros países. No dizer da notícia em http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=720288&tm=2&layout=123&visual=61, “manifestam a intenção de deixar o país”.

 

Igualmente de acordo com a notícia, também por ano, reformam-se cerca de 300 enfermeiros, o que “origina um equilíbrio negativo”.

 

Ouvi hoje parte do programa “Antena Aberta”, em que o tema foi abordado. Sem que tal tenha constituído surpresa, habituado que estou, quando sintonizo o “serviço público”, à propaganda política e não ao esclarecimento, não foi fornecida a mais pequena indicação acerca de dois dados fundamentais para avaliar o problema - quantos enfermeiros deveríamos ter e quantos enfermeiros temos.

 

Passemos, portanto, sem isso e voltemos à notícia e ao programa.

 

Ouvi recorrentemente (e já noutras ocasiões abundantemente ouvira) o seguinte argumento – o estado gasta entre vinte a vinte e cinco mil euros na formação de um enfermeiro, pelo que, a emigração massiva desses profissionais significa que desperdiçamos tão importante soma na “doação de mão de obra qualificada” ao estrangeiro.

 

O que, temos de concordar, é uma manifesta verdade.

 

Mas, penso eu, já temos de deplorar que se transforme tal realidade em argumento de crítica pelo facto de os enfermeiros não terem emprego em Portugal, como se o governo fosse obrigado a acolher excedentários ou devesse propagar mazelas, com vista a aumentar as necessidades de emprego.

 

Mas, indo à razão que me levou a escrever estas linhas, parece-me que o problema deve colocar-se com esta singeleza, tomando como correctos os números atrás referidos:

- Por ano estamos a formar 2700 enfermeiros a mais;

- Com esses excedentários, estamos a gastar, também por ano, entre 5 400 e 6 750 milhões de euros.

 

Baseados nesta aritmética simples (eventualmente sujeita a ligeira correcção, conhecidos que fossem os números omitidos) há que tomar a opção política – justifica-se que o estado gaste tão exorbitante verba para conferir uma formação de elevada qualidade que permita a uns poucos o privilégio de obter no estrangeiro ocupação principescamente remunerada e persiste-se?; ou, imediatamente, reduz-se a dez por cento a oferta pública destes cursos, poupando-se as verbas referidas, tão necessárias para tantas outras coisas em que o Orçamente não provê o básico?

 

Eu defendo a segunda hipótese. 

 

Mas, quem sustentar a primeira, ao menos, que tenha o pudor de calar críticas e, antes, agradeça à comunidade o privilégio, exorbitantemente caro, de que é beneficiário.

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