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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Meter as raposas no galinheiro

 Segundo o CFP, para cumprir os compromissos europeus, é necessário que o orçamento de 2016 inclua medidas de consolidação no montante de pelo menos 2,5 mil milhões de euros, um valor equivalente ao "enorme aumento de impostos" de Vítor Gaspar em 2013.

Uma parte importante destas medidas corresponde à renovação ou extensão de decisões anteriores. Mas a perspetiva dos partidos à esquerda do PS é outra. Libertos do garrote da troika e sem preocupações com compromissos europeus, os 2,5 mil milhões são o tamanho e o elencar evidente das medidas de austeridade a repelir em 2016. Assim, é claro o seu objetivo: impedir que quaisquer destas medidas avancem. Sendo difícil de o fazer na oposição, a oferta do PS é extremamente apelativa: viabilizar o governo e fazer promessas de cooperação agora, para depois atuar de forma fiel aos seus propósitos políticos. E, de facto, a forma mais simples de ter grande impacto é não fazer nada, o que torna este risco muito significativo. Dado que os 2,5 mil milhões requerem um orçamento aprovado com medidas específicas, basta encontrar formas de protelar ao máximo a aprovação de um orçamento. Com as eleições e consequentes limitações de atuação presidencial, existe o risco real de não termos orçamento durante muito do ano de 2016.

 Um retrocesso no quadro orçamental nacional com esta magnitude seria depois seguido por medidas de austeridade ainda mais gravosas em 2017, o que é evidente dado que entraria em atividade o procedimento que resulta da quebra das regras orçamentais europeias. Estaríamos literalmente a deitar fora vários anos sofridos de consolidação orçamental e a adiar significativamente o processo de ajustamento da nossa economia.