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BandaLarga

as autoestradas da informação

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FINALMENTE! - Prof Raul Iturra

Era natural desenhar um emblema português, para um dia como o de hoje. Mas são tantas as alternativas, escolher um ou não, fica com o editor.

Bem sabemos que temos vivido anos de miséria e pobreza que nem se podem narrar. Jornais, instituições, sindicatos, o povo tal como é, trabalhador e pobre, os milhares de desempregados, o movimento dos sem emprego, as estatísticas, as promoções dos supermercados, porém, exprimem o nosso sofrimento. A falta de fármacos, o preço que têm atingido, o IVA que nunca se sabe quanto é, se 13 ou 23% do que se adquire-depende do produto- o IRS acrescentado, despedimentos, fecho de indústrias que declaram falência, isto e mais, têm-nos levado de Pôncio a Pilatos, com uma coroa de espinhas que fere a fronte, a alma, a família. A emigração dos mais sábios, a pilhagem dos países ricos dos nossos sábios, ou dos nossos jovens que acabam por se formar em países estranhos que lhes oferecem bolsa, faz chegar ao ponto de um General da Chefia das Forças Armadas, dizer ao Presidente da República: Senhor, eu também tenho filhos que não consigo educar, não me parece que a situação dure por mais tempo. O PR cala envergonhado por ser o representante supremo da soberania da nação, mas está colado no governo que ele aceitou por ser todos eles da mesma ideologia neoliberal: quem manda não são eles, manda o lucro, a sua acumulação, a mais-valia dos despedimentos e o corte em subsídios para quem apenas tem a sua força de trabalho e uma família pobre para manter, na que todos trabalham, tanto, que nem a escola conseguem ir. Comprar livros, cadernos, lapises, borrachas y não sopa para se alimentar? Tamanha ofensa à soberania da nação apenas viu-se nos quarenta anos da ditadura paternalista que precedeu o 25 de Abril de 1974. Tempos em que para falar, era preciso ir às igrejas não a orar, mas sim a tramar. Tramar o que? Como se libertar de tanta ofensa.

Mas, desde hoje de madrugada, este preambulo passou a história, para os livros e cientistas anotar e não esquecer a coroa de espinhas que lacerava, sem manto púrpura a todos os filhos de um deus menor chamado povo produtor e os seus proprietários. Quem nada tem, vivem do que muitos têm a mais. O proprietário do capital fixo, bens imóveis e as suas fábricas, tem vivido protegido pela lei do código do comércio, do tributário, do civil, do processual, amparados por juízes, lesados recentemente por quem nada sabe de lei e justiça e carrega consigo o título de ministro(a) da justiça.

Dizem que a justiça é cega. A sua esfinge tem uma balança e un pano nos olhos. A imagem material, com alma e corpo, é una cópia infeliz de essa aba. Será, sem dúvida, demitida porque sabia, com muita antecedência do mal que causava.

Mas, isso foi ontem. Um movimento cívico de um partido português teve a boa ideia de mobilizar 250 mil cidadãos, membros do partido socialista, aderentes, amigos, simpatizante para que em Portugal viesse a acontecer o que se passa na Itália, nos EUA, entre os Maori da Nova Zelanda, entre os kwakiull do Canadá, os Mapuche do Chile e outros povos: para governar um povo, são submetidos a provas de saber, bom viver, saber julgar, entender que quem manda são os clãs e não o déspota que se apoltrona no seu trono e manda sem saber o que, como os Aranda ou Arunta da Austrália.

Uma ideia genial brilhou no imaginário do secretário-geral do PS português e, para preparar eleições que se aproximam em 2015, convidou o povo a votar com antecedência no governante, que estruturaria, a seguir, a sua equipa. Com tempo e paciência.

Desde o dia que moro em Portugal, nunca vi que apenas um grupo formara una eleição que, do universo dos milhares que o compõem, aproximou-se dos sem-abrigo político e 300 mil sufragaram, centenas mais dos que acodem as cansativas fileiras que manda a lei. O universo político mudou ontem em Portugal, cópia fiel do Éden, não o do hino nacional do Chile que dá asilo contra a opressão, exceito uma vez na sua história, com a morte do herói internacional Salvador Allende, o terror dos ricos por distribuir o que existe de produtivo, entre os que o trabalham, provado que esteja que o sabem fazer. Mais não foi por ter sido liquidado pelas forças armadas e a burguesia, que hoje em dia aprendeu a sua lição e sabe que se paga com justiça, a justiça o recompensará abatendo impostos para o erário nacional. Desde 1990 em frente, o Chile é socialista e social cristão, com sítio no governo para todos os partidos, conforme o seu tamanho e votação.

Excelente exemplo para Portugal, entre Maoris e Chilenos.

A frase que mais goste foi a do candidato triunfante com o quase 68% dos sufrágios emitidos, contra o 32% do criador da ideia que ganhou vez para star com a sua família e ser um militante de base de ideias brilhantes. Já terá a sua vez de mandar outra vez, mas no rescaldo da eleição, mal se pode pensar. A frase do eleito, homem brilhante também e novo, era e é: "Este é o primeiro dia de uma nova maioria de Governo" ...

No dia de derrube do herói internacional, as famílias foram separadas, muitos assassinados, milhares desparecidos e um exílio que ultrapassou a estatística que guardamos en Amnistia Internacional e em Humans Rights Watch. Teve sorte a Thatcher de falecer antes de ser levada a tribunal pela pobreza en que sumiu o Reino Unido, entre eles, eu, um segundo exílio da minha vida.

Mas todo isso foi ontem. Passos Coelho deve andar perdido entre orçamentos inconstitucionais e as acusações do delito de desfalco da Tecnoforma. O diluvio de ontem, já recebido nas eleições para euro deputados, em que pela mão de Seguro perdeu 23 escanhos no Parlamento Europeu, ganho pelos nossos socialistas e outros partidos da nossa esquerda, é pior que a chuva do 27 de setembro e a não esperada. Passos Coelho espera agora a chuvada de Costa e do povo português.

O PS ficou solidificado, contente sinto-e-eu. Os debates pessoais acabaram. Muitos mais iram ao pé de Costa e os Assis, Ana Gomes, outros, o mesmo Seguro entre eles, ou esquecem as raivas destes meses que nos fez sofrer tanto, ou a chuvada do 28 de setembro seria apenas um aguaceiro.

Finalmente temos onde escolher e eu corro para o PS português para continuar com a minha colaboração com Allende. Bachelet que teve um pai martirizado que o matou por socialista e allendista, especialmente por ser constitucional, referia no 41º ano do golpe do Chile: não podemos guardar mais silencio sobre os crimes da ditadura. Passos Coelho e Portas e o PR, têm que se amedrontam e a derradeira atitude de homens sãos: chamar a eleições antecipadas como Seguro sempre falou e Costa e os governantes eleitos, farão, antes de aprofundar o dano que vive a nossa República.

Finalmente! Vamos ser muitos mais… Sempre houve lutas partidárias. Durante o próximo governo, devem cessar….e os culpados da nossa miséria, ser julgados como Pinochet que faleceu reu de crimes abomináveis que a Corte de Açada soube avaliar. Não é vingança, é pedido de justiça….

Raúl Iturra

29 de Setembro de 2014

lautaro@netcabo.pt