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Esquerda "identitária " - Adeus Marx

https://www.publico.pt/…/esquerda-identitaria-adeus-marx-18…

Este artigo do Pacheco Pereira é bastante lúcido, principalmente na conclusão que faz, mas não deixa de ter alguns pequenos erros.

A mais duradoura "heresia" na esquerda radical não aconteceu devido a parte dela considerar que a "teoria marxista estava ultrapassada".

Entre 1956 e 1968 o comunismo estalinista foi caindo em desgraça, dentro de alguma esquerda que defendia o comunismo, no mundo ocidental. Os crimes de Estaline revelados no famoso discurso de khrushchev, a repressão brutal da revolta húngara em 1956 pelos comunistas e a invasão da Checoslováquia em 1968 para reprimir outra revolta, acabaram com as ilusões românticas de boa parte da esquerda radical, que defendia o comunismo.

Os partidos comunistas no ocidente ou eram politicamente irrelevantes (Escandinávia, Inglaterra, Alemanha Ocidental e Países Baixos), ou estavam em lento mas inequívoco declínio (França), ou como no caso italiano, a lutarem para se distanciarem da sua pesada herança moscovita, agora revelada. Assim se dá a cisão dentro da esquerda radical, originando por exemplo as diferenças de hoje entre um Bloco de Esquerda e um Partido Comunista.

Para a "nova esquerda", (como começaram a chamar-se a si mesmo em 1965), a revolução comunista fora desviada por uma reacção burocrática análoga ao golpe Termidor, que desiludiu os jacobinos em 1794.

A nova esquerda procurou novos textos, para se distanciar dos comunistas, mas para continuarem a defender praticamente o mesmo, no que por exemplo à economia diz respeito. Assim, nos anos 60, assistimos à redescoberta de Rosa Luxemburgo, a socialistas polaca judia húngara morta pelo Frei Korps, a Gyorgy Lukacs, pensador comunista húngaro e sobretudo, Antonio Gramsci, co-fundador do Partido Comunista italiano, autor de um ciclo de escritos brilhantes e inéditos, muitos deles sobre a história italiana.

No decorrer dos anos 60, estes três autores foram copiosamente republicados, ou publicados pela primeira vez, em muitas línguas. Inclusive a nova esquerda procurou em Marx novos textos e de facto encontrou-os. Foram encontrados novos escritos de Karl Marx, de 1840, quando este mal tinha acabado de sair da adolescência.

Para os comunistas da velha geração, esta reinterpretação do comunismo e de Marx, era profundamente subsersiva e de facto era. Resultava de um conjunto de indivíduos de esquerda radical, quererem continuar a beber do comunismo enquanto teoria económica, mas sem carregar no peso dos seus ombros, os genocídios comunistas que aconteciam um pouco por toda a parte.

Para afastarem totalmente esse peso que os prejudicava eleitoralmente e não só, abraçaram cada vez mais e novas causas humanistas, como por exemplo a das minorias ou causas sexistas. Daí resulta a necessidade de o bloco de esquerda, ver fobias, racismo, misoginia, etc. em todo o lado, (mesmo quando não existem eles criam-nas) pois só assim faz sentido continuarem a existir.

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