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BandaLarga

as autoestradas da informação

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As filhas da Secretária de Estado por acaso andam no Colégio Alemão

Por acaso diz a secretária de estado. Mas logo a seguir diz que não houve acaso nenhum, meteu as filhas no muito bom Colégio Alemão porque quer que as filhas dominem duas línguas. O português e o alemão. A Helena Matos diz que há escolas na Amadora onde também se falam duas línguas. O português e o crioulo mas à senhora secretária de estado, por acaso, não lhe deu para meter lá as filhas.

O que está em causa, o que irrita nos contratos de associação é que milhares de famílias viram naqueles contratos algo em que muitos já desistiram de acreditar na rede pública: a escola enquanto factor de inclusão e ascensão social. Por outras palavras, eles não podem colocar os filhos na Escola Alemã mas também não os querem nas madrassas do senhor Nogueira. Querem apenas, dentro de um reduzido lote de escolas, escolher aquela em que os seus filhos vão fazer a escolaridade obrigatória.

Este sistema escolar que a senhora secretária de Estado defende – com os filhos dos outros nas escolas públicas e os nossos numa escola privada por causa de uma circunstância que não suscita polémica como os horários ou a segunda língua – tornou-se em Portugal um mecanismo que não só reproduz como acentua as fragilidades e as vantagens comparativas do meio de origem dos alunos.