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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O Outono Socialista

António Barreto : O Partido Socialista de António Costa está a contrariar relevantes tradições da esquerda democrática, nomeadamente a "equação" liberdade versus igualdade. Há várias décadas que o PS entendeu que a liberdade era o programa prioritário, a causa primeira e a inspiração principal. O que distinguiu o PS dos outros grupos de esquerda e de extrema-esquerda, designadamente o Partido Comunista, era, entre outras, essa questão. Para os esquerdistas mais robustos, a prioridade é a igualdade e a liberdade deve--se-lhe subordinar. Para os socialistas, a liberdade, como valor e objectivo, ou como instrumento, impõe-se. Esta diferença foi actualmente posta em causa. Para obterem o apoio parlamentar de que necessitam, assim como a complacência nas ruas ou a cumplicidade nas instituições e nas empresas, o PS e o governo dão todos os dias sinais de que a igualdade é o seu combate primordial. Nenhuma revolução vale a liberdade.

A Europa e a liberdade

Mudar em nome de quê ? Isso não nos dizem : "

É que as instituições que temos na Europa, não sendo perfeitas, demoraram muito a construir, deram muito trabalho a solidificar. O caminho não pode ser destrui-las em nome de um qualquer mundo novo, de um homem novo ou de um mundo sem europeus. Esta é a Europa de Vitor Hugo, de Churchill, mas também de Schuman, Monnet, Adenaeur, Spaak ou Gasperi, Esta é a Europa que não se fez de um só golpe… mas de realizações concretas: é uma construção sempre inacabada de paz, liberdade e bem-estar social.

Continuar a lutar, em conjunto, por esses valores, será o grande desafio. Afinal, não se pode pedir aos homens que construam o melhor dos mundos, mas sim um mundo um pouco melhor do que aquele que encontraram. Um mundo melhor, com democracia, mas sobretudo com a garantia da liberdade. Esta é também a história do movimento europeu que deverá continuar a passar pelo aperfeiçoamento, pela reforma, pela transformação gradual das instituições europeias. Tradição e modernidade, diversidade e identidade, qual Europa de valores e princípios num mundo globalizado, onde os europeus continuem a fazer a diferença.

O valor da igualdade / o valor da liberdade

Esquerda e direita :  “Embora não haja equivalência perfeita entre [esquerda e direita], também não há uma superioridade moral nem razões históricas para a reivindicação de um qualquer absolutismo de uma sobre outra ."

"Aliás, o facto de o PS nunca se ter conseguido coligar com a sua esquerda em 41 anos de democracia tem exactamente a ver com isto: o PCP ou o Bloco não reivindicam apenas a sua superioridade política sobre os outros partidos o que seria natural mas também a sua superioridade moral. Ou seja, não se trata apenas de defender a mais elevada qualidade das suas propostas que é a posição habitual da direita em relação à esquerda , mas de defender e estar absolutamente convencido da maior decência das suas propostas."

E é um paradoxo. Quem defende a igualdade acha-se superior a quem defende a liberdade .

Temos que evitar que o estado nos chupe o sangue

 Um governo suficientemente grande para te dar tudo o que queres é também suficientemente grande para te tirar tudo o que tens."  A Irlanda, por exemplo, que foi outro dos países resgatados pela União Europeia, encabeçará o ranking neste ano e no próximo e tem uma dimensão parecida com a de Portugal. Qual é o segredo do renovado tigre celta? É, pois, o de ser um país com um alto grau de liberdade económica: impostos baixos, despesa pública controlada e regulação mínima.

Acaba de ser divulgado em Espanha o Índice de Liberdade Económica, que se calcula com vários indicadores que refletem o comportamento do setor público na sua dupla dimensão de fornecedor e financiador de bens e serviços, por um lado, e de regulador do setor privado, por outro. É um exercício interessante, que vem confirmar uma evidência: a correlação positiva entre liberdade económica e prosperidade. Mas, face a essa certeza, porque tantos governos continuam a manter ou, inclusive, a intensificar as suas políticas intervencionistas sabendo que terão consequências nefastas sobre o bem-estar geral?

Mais liberdade e igualdade de oportunidades

É a única forma de matar os subsídios. (...) "é incongruente planear uma baixa de impostos quando a economia começa a recuperar". Pelo contrário, escrevia, "haveria que, inclusivamente, subir os impostos para aumentar a receita pública, recuperar as ajudas à educação e à saúde e fazer frente às necessidades dos cidadãos". Mas quais são as necessidades dos cidadãos? A tese subjacente nas propostas da esquerda é a que foi sustentada, com grande respaldo na altura, por Evita Perón, quando disse que toda a necessidade é um direito. Mas esta maneira de pensar só produz nações medíocres

(...)É indiferente que o capitalismo, com a globalização do comércio e a inovação tecnológica, haja conseguido aumentar exponencialmente a produtividade, assim como arrancar milhões de pessoas da pobreza, especialmente nos lugares mais povoados como a China, a Índia ou o Brasil

A UE é um porto de abrigo da liberdade e da prosperidade

A economia não é uma ciência e o marxismo não é científico :  Não à toa, a «grande recessão» foi desencadeada nos USA pelo chamado subprime ou bolha imobiliária, um típico fenómeno político de clientelismo estatal que levou à crise bancária que ainda estamos a viver. A resposta europeia em defesa da moeda única contra a ameaça de falência dos países cujos governos gastaram demasiado para comprar os votos dos seus eleitorados não é apenas um sacrifício temporário. É também um instrumento indispensável para a manutenção da própria UE enquanto gigantesco porto de abrigo de liberdade e prosperidade comparativa para mais de 500 milhões de habitantes nos 29 países da União!

A liberdade foi banida do sistema de ensino

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Não tendo visto - sequer reparado - que o Mundo lá fora se alterava rapidamente, em Portugal os governos democráticos foram sucessivamente adiando a reforma e mantendo os paradigmas velhos de outros tempos. A liberdade, entendida como uma forma perigosa de fomentar a consciência própria, foi literalmente banida do sistema e as famílias, tal como acontecia durante o Estado Novo, foram impedidas de escolher livremente o percurso educativo dos seus filhos. Também contrariando o que se passava na generalidade dos Países Europeus, a liberdade de criar escolas, de gerir a autonomia dentro delas, e até a gestão corrente de currículos e conteúdos que tão importante se afigura para recriar essa adaptabilidade que é essencial aos novos tempos, foi adiada ao longo dos anos, fazendo com que cheguemos à actualidade com um sistema educativo que não integra os valores da liberdade, que não educa para a liberdade e, sobretudo, que não aceita que a liberdade seja o principal motor modernizador do próprio sistema...

Leia AQUI a versão integral deste texto de Fernando Adão da Fonseca

FLE - Fórum para a Liberdade de Educação

www.fle.pt

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A liberdade é de todos o 25 de Abril é dos capitães

Há por aí um coro sobre a propriedade do 25 de Abril. Se é o golpe efectuado no dia 25 de Abril de 1974 então não há dúvida que é dos capitães de Abril. Se é o seu espírito, a revolução popular a que deu corpo então é de todos. Como faço desde sempre desci a avenida integrado na manifestação mas não gostei de ver os capitães de Abril "cercados" por políticos. Nos anos anteriores dava-se de caras com um ou outro político do PCP mas não mais do que isso, desta vez era um cerco. Por causa do momento histórico e significativo do Largo do Carmo?

Os partidos já perceberam que ou tomam nas suas mãos as mudanças políticas que o sistema vigente teima em impedir ou alguém o fará. A abertura à sociedade civil, com participação dos cidadãos nos diversos níveis da vida partidária é a chave . É agora necessário que os capitães mantenham no essencial as devidas distâncias para com os partidos. Porque não se duvide, da direita à esquerda, os verdadeiros adversários  do "espirito de Abril" renascido no Largo do Carmo, são os partidos. E não hesitarão em se juntarem esquecendo diferenças ideológicas.

 

 

 

 

LIBERDADE CONDICIONAL

Foi publicado há dias um estudo de opinião realizado pela Universidade Católica relativamente ao sentimento dos portugueses quanto ao regime de 1974.

 

Dele resulta que 83 por cento mostram “desagrado pelo estado da democracia”. Não parece que tal resultado radique em acontecimentos ou políticas recentes, uma vez que, sublinha o estudo, já em 2001 a mesma opinião era expressada por 76 por cento dos auscultados.

 

Observando pontos mais concretos do trabalho, os portugueses consideram o país mais pobre e mais inseguro do que no tempo do Estado Novo. E 49, contra 40 por cento com a opinião contrária, consideram que, hoje, as condições de trabalho são piores do que há 40 anos.

 

Particularmente significativo que as considerações pessimistas se adensem na mesma medida é que é maior a idade dos inquiridos. Precisamente aqueles que viveram nos dois regimes e, portanto, estão em condições de comparar um com outro tempo.

 

O estudo está aqui - http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=732245&tm=9&layout=121&visual=49 .

 

Jovem em 1974, mas já adulto, habituei-me a ouvir o epíteto de “fascista”, ou outros quejandos, a quem, no uso da liberdade então decantada, ousasse dizer algo que não fosse de franco elogio a tudo quanto tivesse saído da acção libertadora. Epíteto que os fautores do regime se esforçavam por fazer perdurar como estigma indelével.

 

Ora, ninguém tem dúvidas de que Portugal não era, em 2001, habitado por 76 por cento de fascistas e que, hoje, tal ideologia tenha conquistado as convicções de 83 por cento dos cidadãos nacionais.

Voltando ao estudo, um ponto há em que a maioria destaca o positivo do regime de Abril – a liberdade. Assim o consideram 80 por cento dos inquiridos.

 

Quem não vivesse em Portugal, mas ouvisse a nossa rádio, visse a nossa televisão ou lesse os nossos jornais, tenderia a refutar estes dados por completamente irrealistas. Ao longo de trinta e muitos anos, em fases diversas e com uma ou outra ténue variação de menor optimismo, a tónica geral, entre a euforia e a moderação, era a de que vivíamos num país livre, mas também moderno, progressivo, pacífico e abrangente.

 

Uma das conquistas de Abril, nunca falada, mas nem por isso menos importante, foi a da criação de uma nova classe profissional – a dos políticos. Até 1974, a política era, por norma, actividade fugaz, exercida transitoriamente por aqueles que a ela eram chamados.

 

Hoje, é a única classe profissional cuja carreira está isenta de sobressaltos. Não precisa de mercado porque é ela própria quem o cria. Não precisa de sindicatos porque paga a si própria, com dinheiro alheio, o que também ela própria determina e que, por regra, é muito. Não tem de temer o desemprego, já que, ciosamente e de forma generosa, tem vindo a ampliar os seus próprios postos de trabalho. Quase sempre inúteis e improdutivos.

 

Num alarde se superabundante cautela, preveniu também com chorudas pensões precoces a existência confortável para muitos anos após o termo da carreira, normalmente voluntário e muitas vezes temporão.

 

São, instalados entre o conforto e o fausto, os donos da nossa liberdade.

 

Não admira, pois, que, ao longo destes longos anos tenham transmitido a mensagem da estabilidade, da prosperidade, da garantia dos direitos sociais. De nós, só precisam do voto para garantia da sua estabilidade. E, por via das dúvidas, bloquearam há muito o acesso de outros à sua actividade, eliminando cerce qualquer oportunidade à concorrência.

 

O primeiro acto deste sistema de bloqueio foi o “Pacto MFA-Partidos”, que limitou o acesso a eleições àqueles que aceitaram as condições impostas pelos militares da famosa Comissão Coordenadora. O resto tem sido feito com o domínio da Comunicação Social e com os constrangimentos económicos que também criaram ao reservar as subvenções estatais aos que já tivessem assento parlamentar.

 

O seu castelo é inexpugnável e a ponte levadiça sobe e desce ao seu comando para exclusiva serventia dos seus escolhidos. Quem quiser que fale e diga o que quiser, mas que o faça do lado de fora do ribeiro circundante. Ou banhe-se, mesmo, no mais completo sossego, tal é a magnanimidade.

 

Curiosamente, desde há três anos, esta nova classe profissional tem vindo a aderir às conclusões do estudo de que falei. A prosperidade desapareceu, o país está mais pobre, as condições de trabalho tendem a regredir ao tempo de Salazar. E, pasme-se, aí divergindo do que pensam os seus concidadãos, até a liberdade está ameaçada.

 

Portanto, dizem, impõe-se apear, nem que pela força seja, quem, no poder, ameaça a sua saudável situação profissional. Nem que, como é o caso, tenham sido eleitos de acordo com as regras que ela própria, classe política, criou e impôs. O sistema é bom, porque é o seu, mas o povo não soube escolher.

 

Faz agora quarenta anos que prometeram entregar-nos o nosso próprio destino. Dar-nos a liberdade de escolher quem queiramos para nos representar nos órgãos do poder.

 

Mas, agora é claro, desde que escolhamos quem eles acham que é bem escolhido. Ou, para ser mais preciso, desde que escolhamos quem eles achem que deve ser escolhido. Portanto, desde que os escolhamos, a eles.

 

Não estarei hoje pela Avenida da Liberdade. Também não estive lá, no domingo passado, a festejar a vitória do Benfica.

 

Talvez alguém que lá tenha ido nas duas ocasiões possa dizer-me qual delas foi mais concorrida.