Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

D. Sebastião vai trazer os 600 milhões aos professores e os 500 milhões aos enfermeiros

Numa manhã de nevoeiro, D. Sebastião vai chegar

As últimas variações desta forma mais recente de sebastianismo são os movimentos reivindicativos de professores e enfermeiros. Os professores acreditam que os 9 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço congelado hão-de sair do nevoeiro da dívida e os enfermeiros, que os 68% de aumento hão-de chegar com a maré. Aparentemente, para impor esta realidade alternativa, a única coisa que se exige é acreditar. Com paixão, com raiva, na rua, de braço dado, de punho erguido, de peito esticado. “O povo unido, etc.”

Não há dinheiro o que é que não percebem ?

Uma escola para os professores e uma escola para os alunos

Hoje encontrei no colégio que as minhas netas frequentam um amigo do meu filho que é ali professor.

Por razões que não vale a pena aqui explicar perguntei-lhe como é que estava o colégio em termos de ocupação. A resposta é que o colégio estava a trabalhar a 100%. Mais de dois mil alunos o que obriga a alguma flexibilidade e engenho para libertar salas .

Há cada vez mais alunos a procurarem o colégio vindos das escolas públicas que estão frequentemente em greve ou sem professores por outra qualquer razão. É frequente alunos do 10/11/12 anos com os exames de admissão às universidades próximos procurarem recuperar a preparação que não tiveram.  

E como já todos perceberam o corrente ano vai ser outro fartote de greves . E as vítimas vão ser mais uma vez os alunos entalados entre uma classe profissional que todos os anos tem razões para exigir tudo a todos, e um governo que andou a vender facilidades a todos e que agora não cumpre.

Mas os alunos, as verdadeiras vítimas, não têm culpa .

O veto do presidente não resolve nada

Com o orçamento de 2019 já aprovado e a entrar em execução já no próximo dia 1 de Janeiro, o veto do presidente vai colocar em discussão a mesma matéria em que os mesmos negociadores não chegaram a acordo.

Na Madeira e nos Açores chegaram a um acordo mas não é argumento bastante. Os respectivos orçamentos só pagam os salários, as pensões no futuro são pagas pelo orçamento central.

Os sindicatos dos professores todos os anos entram em greve sobre as mais variadas matérias e sempre com a razão toda do seu lado. É difícil aceitar que tal comportamento não tenha  outras razões estranhas ao interesse dos professores. Uma verdade tem que ser dita, hoje em Portugal o perigo de uma escola pública monopolista nas mãos dos sindicatos e do ministério é vista por pais e alunos como um pesadelo.

 Os sindicatos mantêm como princípio a contagem integral do tempo; o Governo mantém como princípio a capacidade orçamental e o peso futuro nas reformas, garantindo que não pode ir além dos dois anos.

O problema é bem real. Não há dinheiro.

Recuperação integral dos 9 anos 4 meses e 2 dias foi expressamente rejeitada

O país está melhor mas está longe de estar bem, só quem não vê as greves e a contestação social é que acredita em histórias da carochinha. E António Costa não tem dinheiro para calar os sindicatos, as Ordens, as corporações, as vítimas dos acidentes e os dois milhões de pobres .

Costa volta a sentar-se à mesa das negociações, mas deixa o aviso de que “a recuperação integral de 9 anos, 4 meses e 2 dias foi “expressamente rejeitada pela Assembleia da República na votação na especialidade do Orçamento do Estado para 2019”.

E o que acontece com o veto do Presidente ? Nada . Zero !  Então porque está o alucinado Mário Nogueira tão entusiasmado ?

O problema dos professores é mesmo não haver dinheiro

Não há dinheiro e contra esse facto batatas. É por essa razão e não por teimosia que o governo não cede. Ninguém compra guerras sem ter uma boa razão e não ter dinheiro é a mais forte das razões.

Além disso o Parlamento aprovou uma norma que diz que o governo é obrigado a negociar mas não diz que é obrigado a aprovar o tempo integral exigido pelos sindicatos. Está lá preto no branco e desta vez a esperteza de António Costa teve como vítima os professores. Quem se mete com o PS, leva.

“O que diz a norma é que somos obrigados a retomar a negociação. Havia outra norma que dizia que tínhamos de negociar com base na recuperação integral e essa norma foi rejeitada“, sublinhou Alexandra Leitão.

O Mário Nogueira diz "que se querem guerra, tela-ão" . Agarrem-me que eu vou-me a eles...

Não enganem os professores

O mesmo governante defende que “mais importante do que o que foi aprovado, é o que foi rejeitado este ano”. E concretiza: “Não enganem os professores! Ao chumbar o ponto 2 da proposta do PCP, que exigia uma ‘solução legal que assegure a consideração integral do tempo de serviço’, a Assembleia da República confirmou que o Governo não está obrigado a aceitar os nove anos, quatro meses e nove dias [que os professores exigem ver reconhecidos].”

PS : Público

Com os professores o resultado foi o mesmo

Volta sempre ao mesmo. Não há dinheiro, há mais tempo mas não mais dinheiro.

Ou seja, no próximo orçamento haverá uma norma igual à que existia no orçamento deste ano, que não garante nada além de que haverá uma negociação. Os professores têm assim uma nova oportunidade de voltar a negociar com o Governo, que já tinha aprovado um decreto-lei que contabiliza apenas dois anos e noves meses de tempo de serviço dos mais de 9 anos que os sindicatos exigem, mas que ainda não foi promulgado.

As negociações não obrigam o Governo a ceder mais perante os professores. Se as negociações recomeçarem, a única garantia que os professores têm é que esta progressão chegará mais tarde.

O governo não avança para eleições antecipadas ?

Com a derrota numa matéria que tem tremendas consequências a nivel orçamental o governo vai aceitar a exigência dos sindicatos de professores e abrir uma Caixa de Pândora com a restante administração pública ? Ou vai atirar a despesa ( fixa, para sempre) para os anos seguintes sem ter a certeza que a pode pagar ? Quando a economia está a entrar numa fase de arrefecimento ?

António Costa é um grande "empurra com a barriga" vamos ver como se safa desta.

capa_jornal_i_27_11_2018.jpg

 

O governo dá aos professores o que deu aos outros servidores do Estado

Como não há dinheiro para mais dá o que pode e, quem dá o que pode, a mais não é obrigado. O governo tem culpa ? Claro que tem, deixou que se pensasse que havia dinheiro para todos mas, a realidade, chega sempre . O problema do governo agora é a crise que já chegou devagar não vá acelerar e rebentar ainda antes das eleições.

Há uma "enorme virtude" no que propõem bloquistas e comunistas, disse. "Vêm demonstrar que tínhamos razão. O que o PCP e o BE agora vêm propor, não é a mesma norma do ano passado, mas o que eles diziam que estava na norma do ano passado e nós dizíamos que não estava e a melhor demonstração de que não estava é que eles agora sentiram a necessidade de explicitar e dizer aquilo que no ano passado não foi dito".

E o PSD vai pescar em águas turvas não apoiando o governo nesta matéria .Temo que perca a coerência e não ganhe votos.

Há que descentralizar a colocação dos professores

Só os sindicatos não estão interessados mas sem a descentralização da colocação dos professores sofrem os professores e sofrem os alunos. A autonomia das escolas passa também por aí.

Uma pessoa que não se identifica com a orientação educativa do estabelecimento de ensino que lhe calhou no concurso nacional de professores, que não se revê nos seus princípios, nos seus valores, nas estratégias adoptadas, dificilmente será um profissional totalmente comprometido e empenhado.

Parece-me, pois, que seria importante mudar a forma de contratação dos professores. A autonomia deveria permitir às escolas seleccionar aqueles docentes cujas características, qualidades e experiência melhor se adequassem ao seu projecto educativo, como, de resto, acontece com quase todas as organizações, incluindo da Administração Pública. E, claro, exemplos de dedicação como o de Joaquim Sousa devem ser enaltecidos e incentivados, devidamente reconhecidos.