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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Rio não pode apoiar um Orçamento desenhado para um ano eleitoral

A primeira decisão é óbvia. Rui Rio não pode apoiar um Orçamento de 2019 desenhado para ano eleitoral . A partir dessa decisão tem a estratégia de oposição definida.

A economia vai arrefecer em 2018 e 2019 ( 2,2% e 1,8%, previsões do governo) a margem será mais estreita e os juros da dívida vão crescer . PCP e BE vão fazer mais exigências . Rui Rio vai ter argumentos para fazer uma oposição firme e responsável.

Neste fim de semana em pleno Congresso do PSD, Rui Rio vai ter que deixar esta estratégia bem clara .  O país não pode tornar a perder a carruagem do crescimento.

O PS não reforma porque tem as mãos atadas por PCP e BE

As reformas de que o país precisa para acompanhar o desenvolvimento da Zona Euro, são incompatíveis com o sentir das bases dos dois partidos esquerdistas que apoiam o governo do PS. É aqui que está a oportunidade de Rui Rio se apresentar como o reformista de que o país precisa. Sem essas reformas continuaremos a crescer abaixo da média europeia como aconteceu nos últimos quinze anos e a empobrecer relativamente aos outros países europeus.

Creio que a melhor resposta a esta pergunta seria PSD-CDS liderarem um projecto reformista para o país. Porque é precisamente aí que o governo PS tem as mãos atadas: ao depender do apoio de PCP e BE, os socialistas não têm condições para implementar reformas nos vários sectores da governação que, inevitavelmente, chocam com as intenções sindicais e as clientelas dos partidos de esquerda. Gerir o dia-a-dia serve, por enquanto, para estar à frente nas sondagens – e, muitos argumentarão, é isso que realmente interessa. Mas, num contexto europeu competitivo, o sucessivo adiar de reformas nas áreas-chave da governação dificilmente será sustentável para o país.

O carácter e a coerência de Rui Rio ganharam

Não andamos todos a queixarmo-nos da falta de carácter e de coerência dos políticos ? E, contrariamente, aos que auguravam a vitória de Santana menosprezando aquelas qualidades de Rui Rio, a verdade é que os membros do partido ansiavam por elas. Como, aliás, no país em que os cidadãos o consideram o melhor colocado para disputar as legislativas a Costa.

A carreira de Rui Rio na política não tem paralelo na vida portuguesa. Por onde passou mudou e mexeu na paz podre do pântano, contra os interesses instalados. Os seus 12 anos como Presidente da Câmara do Porto são um exemplo único de carácter e de boa gestão. Não o vergaram e o povo sempre lhe deu a vitória reconhecendo a nobreza do trabalho feito.

Não interrompeu o mandato fazendo da Câmara do Porto um degrau na caminhada para primeiro ministro como o PS e António Costa fizeram ( e Sampaio ) assim cumprindo o seu compromisso com quem o elegeu. O povo do Porto sabe isso e o país também.

Rui Rio vai nos próximos dois anos preencher a agenda política com as essenciais reformas que o PS e os seus apoiantes da extrema esquerda nunca farão. Hoje, já é claro, que o país está no mesmo lugar, atrás de todos, ligado à máquina do ambiente positivo da Zona Euro. Vamos ser novamente apanhados mal preparados e seremos duramente atingidos ( tal como em 2008) quando a próxima crise chegar. Porque ela vai chegar só não se sabe quando.

O BCE prepara-se para retirar o Programa de Compra de Dívida, os falcões pressionam cada vez mais e os juros vão crescer apanhando-nos com uma dívida monstruosa .

Tal como dizia o outro é só fazer as contas

 

Rio esmaga Santana e depois tem dois anos para ganhar a Costa

A recente sondagem mostra que Rui Rio ganha folgadamente a Santana Lopes e que vai ser o próximo presidente do PSD.

Depois tem dois anos que vão ser muito difíceis para António Costa para mostrar o que vale. A economia crescerá menos que em 2017, grande parte do aumento de salários e pensões já é despesa efectiva, o BCE está a apressar a retirada da compra de dívida o que fará subir os juros e o petróleo vai na casa dos 70 dólares o que não acontecia há vários anos.

E a dívida em valor absoluto vai manter-se ao nível que está o que quer dizer que os juros a pagar vão continuar ao nível a que estão : 7,4 mil milhões a maior rubrica do orçamento logo após a despesa da saúde.

PCP e BE com o caderno de encargos mínimo concretizado vão agora subir a parada com novas exigências e já se admite que quer no Novo Banco quer na CGD os muitos milhões lá injectados são uma espada afiada sobre o cepo do défice.

É preciso afastar da área do governo os partidos anti-União Europeia . 

 

 

Rio garante que tudo fará para impedir o governo das esquerdas

A leitura é simples mas a sua comunicação e a sua implementação exigem uma lucidez e coragem assinaláveis. Impedir a continuação do governo das esquerdas é suficientemente importante para o país e resume todo um programa partidário se mais não for possível. Ganhar as eleições legislativas com maioria absoluta.

É que o actual governo é apoiado por dois partidos anti-União Europeia e anti-Zona Euro, e a sua natureza mais profunda é visceralmente diferente do PS europeu, democrático e pró-economia social de mercado.

É, por isso, que a sua acção governativa está esgotada com a devolução parcial dos rendimentos, que exigiu um aumento brutal da carga fiscal em impostos indirectos, e não foi capaz de efectuar qualquer reforma estrutural sem as quais Portugal não sairá do fundo da tabela e não lançará o crescimento do PIB para 3%-4% , condição indispensável para reduzir a dívida para 60%- 90% e eliminar a pobreza ainda existente.

"Há uma pessoa que explicaria melhor isso ao doutor Santana Lopes do que eu, que é o professor Marcelo Rebelo de Sousa. Quando o engenheiro Guterres teve um Governo minoritário, o PSD liderado pelo doutor Marcelo Rebelo de Sousa e eu, na altura secretário-geral, permitiu que aquele primeiro-ministro, que teve mais votos, governasse que foi o caso do engenheiro António Guterres", adiantou.

Já sobre as sondagens para as eleições diretas do PSD, que se realizam no sábado, o ex-presidente da Câmara do Porto sublinhou: "as indicações que o doutor Santana Lopes tem são as mesmas que eu, ambos sabemos que estou francamente à frente e é precisamente por estar francamente à frente que ele, entretanto, teve de mudar de discurso, de agudizar o discurso. Quem vai atrás tem de inventar qualquer coisa".

Deixar o PS com um único cenário que é o de ficar eternamente amarrado à extrema esquerda não é do interesse superior do país.

 

Rui Rio : um PS e um governo prisioneiros de 14% de votos da extrema esquerda

Rui Rio :

Quanto a propostas concretas, Rio acabou por se demarcar do Governo socialista em matéria de política fiscal, acusando-o de ter desistido de fazer reformas estruturais, sem que, no entanto, tenha esclarecido o que faria de facto diferente. “A preocupação de reformas é zero. As políticas públicas têm muita influência sobre o que é o ambiente propício ao investimento e portanto tenho de olhar para a legislação fiscal, para a carga fiscal, para a desburocratização, para a forma como funciona o sistema judicial, a forma como faço a formação de mão de obra. Vê este Governo fazer alguma coisa sobre isto? Não. Vê este Governo refletir nas tabelas de IRS a pequena quebra para as pessoas para o ano terem um reembolso, em vez de receber um cheque de 100 euros recebe um de 150. Para o que é que isto serve para o desenvolvimento do país? Nada. Serve para a simpatia eleitoral em 2019“.

Rui Rio prefere tirar a extrema esquerda do governo

Mesmo que para isso tenha que apoiar o PS, Rui Rio prefere, antes de tudo, retirar à extrema esquerda (14% dos votos) a importância política desmedida que hoje tem.

Esta posição mostra uma enorme coragem colocando os interesses do país no topo das preocupações. É, manifestamente, uma posição de risco porque pode ser lida de outra forma. Colocar o PSD como muleta de um PS minoritário.

Mas o que Rui Rio diz é que nos próximos dois anos está disposto a entender-se com o PS nas reformas estruturais de que o país tanto carece. Não é a mesma coisa que apoiar o PS.

É, claro, que o título do Público é uma tentativa de assassinato político e mostra bem como a vitória de Rui Rio é uma enorme preocupação para a esquerda. Num só golpe tira-se a extrema esquerda do poder, abrem-se cenários para as reformas inadiáveis e coloca o PSD novamente numa posição de poder.

Mas, é claro, que neste país a inteligência e a coragem políticas não são apreciadas.

"Rui Rio admite vir a apoiar um Governo minoritário de António Costa. O social-democrata considera “razoável” que assim aconteça, caso os socialistas consigam vencer as próximas eleições legislativas sem maioria absoluta. Se o cenário se inverter, isto é, se for o PSD a vencer sem maioria absoluta, o ex-presidente da Câmara do Porto assegura que o CDS será sempre o parceiro natural, mas não fecha a porta a um eventual acordo de incidência parlamentar com o PS."

 

Qual dos dois vence António Costa ?

Hoje na televisão Rui Rio deixou escapar " que ele (Santana) tem os mesmos números (sondagens) que eu e sabe que vai atrás por isso desce o nível do debate com ataques pessoais".

Por outro lado é no norte que o PSD tem mais militantes e é também por isso que os dois candidatos se centram naquele região onde Rui Rio é mais conhecido e apreciado.

Mas a festa acabou. Estes últimos dias de campanha têm que ser decisivos no esclarecimento do país quanto aos programas eleitorais propostos. Em que é que são diferentes e como esperam bater Costa ?

Numa chamada à primeira página de uma entrevista a Rio, um dos jornais diários publica que "Rio pode apoiar um governo PS" . Isto é um tremendo tiro no pé, é a última coisa que um PSD quer ouvir . E a nível nacional será apreciada a posição de Rio se essa for a única forma de tirar PCP e BE do poder ? É que sem maioria absoluta o PS continuará prisioneiro da extrema esquerda.

Os "rabos de palha" de Santana Lopes são uma prenda para António Costa

Agora vejam a importância que será atribuída por António Costa às trapalhadas com que Rui Rio ontem brindou Santana Lopes em futuro debate entre ambos.

Santana Lopes ripostou com questões internas do partido (PSD) mas com Costa vai ripostar com quê ? Com as facadas de Costa a Seguro ?

Dos três Rui Rio é o único que não tem "rabos de palha". Esteve doze anos na Câmara do Porto com rigor e competência . Já António Costa está directamente implicado nos incêndios ( há doze anos foi ministro das florestas e como primeiro ministro recebeu os resultado da sua competência) . Mais de cem mortos. Santana Lopes conseguiu dar pretextos a Jorge Sampaio para que fosse afastado ao fim de uns meses.

É claro que tanto Costa como Santana sabem que as suas responsabilidades serão escrutinadas ao pormenor. Sem perdão .

A mais de centena de mortos nos incêndios podia ter acontecido a qualquer primeiro ministro ? Poder, podia, mas não a um primeiro ministro que é o principal responsável pela organização de ataque aos incêndios tendo gasto milhões de euros . Um primeiro ministro pode ser demitido ao fim de um par de meses de governo ? Mesmo com um presidente da república que teve como objectivo colocar no poder o PS ? Não, não podia. A não ser ( como  aconteceu) que as trapalhadas fossem tantas a ponto de Jorge Sampaio ter na sua mão sondagens que davam a maioria ao PS.

E estas circunstâncias existiam por Santana estar a governar bem ? Não brinquem com coisas sérias porque o que está em jogo é o país não é o PSD

 

Costa, Rio e Santana de acordo quanto ao futuro

A conclusão a tirar do debate de hoje e das declarações frequentes de António Costa é que no essencial estão de acordo quanto ao futuro.

Estão de acordo sobre a permanência do país na União Europeia e na Zona Euro. E isso por si só implica estar de acordo com o sistema político e com a economia social de mercado.

Na presente situação o país tem que trabalhar para conseguir um crescimento da economia que seja superior à média do crescimento da economia europeia. Para isso é necessário efectuar uma série de reformas estruturais que já foram ou estão a ser efectuadas nos outros países europeus.

Um estado mais leve e menos interventivo amigo da iniciativa empresarial virada para as exportações. Uma carga fiscal mais leve quer seja para os cidadãos quer seja para as empresas. Criar condições que atraiam o investimento estrangeiro.

Aumentar o nível de poupança dos cidadãos e manter uma balança comercial externa equilibrada. Manter contas públicas controladas e pagar a dívida mantendo-a à volta de 60% do PIB . Promover a descentralização com um modelo económico virado para o futuro e não para o presente e não deixar que a despesa pública seja superior a 50% do PIB.

Este é o quadro padrão para Costa, Rio e Santana e que terá a oposição de Jerónimo e Catarina. E não há mais tempo. É isto que estará em votação nas próximas eleições com o povo a saber que Costa não poderá voltar a juntar-se a Jerónimo e a Catarina.