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BandaLarga

as autoestradas da informação

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SABER EDUCAR NAS CLASSES S0CIAIS SOBERANAS - prof Raul Iturra

 Para o seu bloguista Ricardo Santos, com prazer e em memória do sempre vivo José Paulo Serralheiro, tal como esse outro que não me esperou, Paulo Freire, o meu íntimo fraterno amigo.

Educar não é difícil. Com um pouco de paciência, nós, docentes de qualquer grau, dizemos, reiteramos, tornamos a reiterar o já explicado. Procuramos alternativas, especialmente para as denominadas Ciências Duras, que de duras apenas têm o nome e a eventual falta de memória. Não pode ser dura uma ciência que tem fórmulas, algarismos, teoremas, geometria. Por outras palavras, um mapa que orienta o pensamento. Nunca abandonei o debate com o meu amigo e salvador da minha vida, José Mariano Gago, que acaba por entende as ciências sociais por motivos familiares. Livro que lhe ofereço, livro que não lê: não tem um mapa de estrada para andar pelos labirintos do que é pensar no ar. As ciências duras, são essas que, eventualmente, obrigam a usar estatísticas, facto que não devia acontecer na Antropologia, Sociologia, Filosofia, História. Ciências de factos, de dados que se aprendem, enquanto se entende, através do que eu designo de mente cultural, conceito criado e provado por mim nos anos 90 do Século XX.
Mente cultural resultante das formas de agir, dos costumes, da história oral, do imaginário que tem uma prova: a economia. Quem sabe economia, mas a economia do povo que calcula em tempos de crise, ao fim do mês há um ordenado à espera: baixo e pouco, não a doutoral que vivemos na academia e não corre perigo. Educar não é difícil. Difícil e muito complexo é saber educar. É preciso encantar a criança como as fadas madrinhas e os Peter Pan, para seduzir a sua atenção, sentar-se não no banco do professor, mas andar quilómetros entre eles, olhar nos olhos, saber brincar no meio de uma frase de forma amável e carinhosa para tornar outra vez à frase cortada por causa da brincadeira. Isso é reiterar, com comentários simpáticos sobre a família, gastar dez minutos para comparar Dom Sebastião com as almas em pena, dizer que a República é do povo, pelo povo e para o povo, enquanto a monarquia é para as famílias que tudo têm e nem precisam aprender. Por acaso, tive como discente um filho de Isabel Windsor II do Reino Unido e do seu marido o nosso Reitor, Filipe Mountbatten, que estudou comigo ciência política, bem como ensinei o seu primo Constantino Saxo-Coburgo, da Grécia, meu colega de Faculdade e de sala de estar e de almoço que aprendeu comigo trabalho de campo para conhecer o povo. Tarde demais, tinha sido substituído pelos coronéis gregos que colocaram o PASOK-Partido Socialista Grego- no poder. Saber ensinar estes descendentes de famílias com posse de bens e força de trabalho e larga genealogia, pode parecer um problema se nos lembrarmos dos seus outros trabalhos: Rainha, Príncipe Consorte, Monarca, Conde de Wessex. Eles têm apenas um problema: saber governar ou não. Não sabiam e procuraram na universidade na que eu ensinava, um saber que se retira da prática e de leituras persistentes e ensaios e teses sobre a polis como o Mestre Aristotéis definia e ensinava.
O nosso povo tem outro problema, além de possuir apenas força de trabalho, obedecer os seus patrões que eram patronos, como em qualquer outro sítio do mundo: trabalhar para estudar de noite. Os Mountbatten, o Azevedo, os Saxo-Coburgo-Gota, os Espírito Santo, os Hohenzollern, nomeados antes, os Leite, os Vasconcelos, os Porta, os Espírito Santo, os Azevedo, os Bragança, custa-lhes estudar. Importam-se mais com a gestão dos seus bens que da ciência. Mas, quem lhes ensina, podem-se ver dentro de uma salada russa: estão a domesticar um poder soberano, que deve, é e será do povo. Apenas se esquecem e não sabem, que as dificuldades de aprendizagem dos descosidos portugueses nascem do facto de terem que encher a barriga antes da cabeça. Quando a cabeça fica cheia é com letras e livros que não alimentam nem têm mapas para indicar o caminho das letras.
Saber ensinar é transferir a história quotidiana de trabalho, dar dicas como tornar mais leves essas horas desde as sete de manhã até as cinco da tarde, com meia hora para comer um prato de sopa e beber uma cerveja. Desde a mais tenra puberdade. Saber ensinar é conhecer as relações familiares, de amigos e vizinhos para desenhar um conjunto de conceitos que não aparecem nos livros, ficando-se apto para enveredar pela perca do medo da vida e da submissão dos acima nomeados.
Para saber ensinar, o docente deve conhecer primeiro a vida do bairro da escola ou liceu e traduzir os livros Mountbatten, Bragança, para os Coelho, Pires, Pimentel, Redondo e fazer deles cidadãos de bem. Não por respeito à Constituição, mas por respeito a si próprio e à família. Como esse David Machado que criou os seus irmãos, cozinhando para eles sopa de cabaço e batatas, sendo hoje em dia, um excelente pai de família que transmite aos seus filhos a mente cultural, como bom policia que é. Saber ensinar é nunca dizer pega no livro e vai para o teu quarto. O que o David aprendeu comigo.
A herança do que eu denomino ensino – aprendizagem é apenas a educação cívica e que nós saibamos que os resultados são da nossa parte e não de um país fatimizado, como é o nosso. Herança que faz do descosido um bom cidadão, sem pretensões, sem guardar dinheiro que se investe se beber os poucos cêntimos e nunca, mas nunca, pedir aos docentes que punam os filhos porque a letra com sangue entra na Herança dos ministros com nomes gregos que procuram apoio entre os que não sabem que reuniões a fio e relatórios quotidianos, vão lentamente matando os que devem estar sempre frescos para transferir o saber. A herança que deixa o nosso governo atual é para os Vasconcelos, Mounbatten, Espírito Santo e não para o povo que é o proprietário da soberania que apenas a delega entre os que não sabem que em escolas frias e distantes, as crianças fogem. Não do saber, mas sim da miséria em que hoje estamos, herdada desde que um português governa a União Europeia e uma engenheira pretende ensinar a ensinar.
Sou português, amo o meu país, dou aulas na rua ou no mercado, para ver a matéria viva que transfiro e experimento fugir dos fatimizados ou que eles fujam das ideias portuguesas dos irmãos Grimm. Dos Judas Iscariotes. Como os Saxo Coburgo tiveram de fazer porque o povo apoderou-se da sua soberania em repúblicas e votos diretos ou sufrágio universal. Ainda assim, em professores, escolas ou livros, sem começar a sua aprendizagem dois meses após da abertura do ano leitivo, o que os Saxo Coburgo nunca sofreram: pagavam os seus docentes privados com bom dinheiro e governavam. O povo é representado um governo e para não acordar os seus apetites, começam tarde, sem docentes ou escolas por perto; trata-se que não saibam da existência do Estado Social….que a canalha faça como entenda, enquanto os Passos Coelhos, Cratos, Portas, usufruem da mais esmerada educação. O governo nem sabe nem quer saber ensinar…

Raúl Iturra
Catedrático de Enopsicologia do ISCTE-IUL
Membro Activo de Amnistia Internacional, de Human Rights Watch e do
Projecto de Alice Miller sobre a Criança Natural.
Escritor da Sociedade Portuguesa de autores, SPA, Lisboa, Unesco Paris, CUP, Cambridge, etc.
Escrito em 9 do 9 de 2009
Revisto a atualizado a
18 de outubro de 2014.
lautaro@netcabo.pt

 

 

 

Projecto privado previne o abandono e insucesso escolar

Todos são poucos para melhorar o ensino e dar mais e melhores oportunidade aos alunos. Este projecto resulta seja na escola dita pública seja na privada. Torna as escolas boas que é a única coisa que interessa às famílias e alunos. Projecto lançado pela Associação EPIS – Empresários pela Inclusão Social, criado em 2006 para prevenir o abandono e insucesso escolar.

Agora é preciso estender o projecto a todo o país com ajuda do Ministério da Educação, dos Municípios e das associações de pais. As boas ideias com sucesso não são públicas nem privadas. São boas. O projecto dispõe hoje de 84 mediadores. Esse número vai duplicar no próximo ano, para cobrir 10% do território nacional, actualmente apenas coberto em 6%. Dos 84 mediadores em funções até agora, 18 foram alocados pelo Ministério da Educação que se comprometeu a disponibilizar mais 50 mediadores no próximo ano.

Situação de grande desigualdade

Com o alargamento da capacidade de oferta das instituições de ensino públicas conjuntamente com a redução da procura por haver menos jovens, são os privados que mais sofrem. Essa desigualdade gera um desequilíbrio na capacidade das instituições serem competitivas. O privado continua a ter que se financiar directamente só com as propinas dos seus alunos sem que daí resulte qualquer beneficio fiscal para os mesmos , enquanto o estado financia as suas instituições com os impostos que pais e alunos do privado pagam.

O aumento de vagas no sector público passou de 30 000 para mais de 50 000. Necessariamente tinha que diminuir no privado. Com graves consequências na concorrência que beneficia totalmente o ensino público. ( Expresso)

SABER ENSINAR

http://www.youtube.com/results?search_query=Richard%20Wagner%20A%20Valqu%C3%ADria&search=Search&sa=X&oi=spell&resnum=0&spell=1

 

Wagner, La Valquiria [Die Walküre], Barenboim, Madrid 2008

Para a família Isley que me vem visitar em breve: May Malen que fez três anos, a minha filha Camila (nascida Iturra-González), que em breve estará de aniversário, para o mais novo neto que fez dois anos em Agosto, e para o nosso genro Felix Isley, nascido também em Janeiro. No meio do mês, será o meu… Comemorações, entre 2 anos e os setenta e três picos!

 

Saber ensinar, é uma das tarefas mais difíceis da vida. Começamos por aprender em pequenos, passamos a estudar mais crescidos, e já adultos, somos nós que ensinamos. Mas, o quê?

Até onde eu saiba, não há escola de pais para aprender a ensinar. É uma permanente improvisação que nasce do fundo da nossa alma pelos sentimentos que criamos para as nossas crianças que, com paixão, fazemos. Eis o motivo do nome criança: são nossas, as fazemos, as amamos, as cuidamos.

Fazer uma criança é praticamente uma declaração de amor que entregamos à mulher que amamos e que nos corresponde com paixão, carinho e cuidado e com bebés para nós, com ela, tomarmos conta dos que vão aparecendo na História da vida. O melhor de tudo, é essa afectação que nasce porque amamos a nossa obra. Nem os frescos de Michelangelo Buonarroti na Capela Sistina de Roma são capazes de exprimir a paixão que acorda a criação de seres humanos que fazem seres humanos. Há uma distância entre a mão que cria e a criatura que nasce, uma distância curta, mas distância.

Quando fazemos crianças, nem sabemos se essa distância existe, tão enrolados ficam os corpos dentro do amor que acorda a paixão. Para os ensinar. Para os criar, para estar ao seu serviço. O que Michelangelo cria, é uma metáfora tomada como verdade, retirada do anseio de eternidade que todo o ser humano tem. Anseio impossível na individualidade da existência, mas mais do que possível quando se pensa a pessoa como um conjunto sucessivo de família. Reparem, ontem a nossa neta fez um ano, a mãe, essa nossa filha, entra pelos trinta e o seu namorado, o seu marido, dois dias depois, entra na mesma idade da sua mulher. No fim da fila, apareço eu: tudo parece como se tivesse sido ontem: todos fizemos esse primeiro ano de idade, esse ano em que parecia que nada sabíamos. De facto, nada sabíamos, excepto comer, chorar e gatinhar até aprendermos a andar com as duas pernas, para passarmos do Édipo à vida sem ciúmes.

Perguntava eu antes, ensinar o quê? A passar de criatura criada pelo dedo da divindade de Buonarroti, a ser humano que estica o seu dedo para criar um ser humano que, normalmente, adora.

Não há escola de pais? O que acontece, então, com a paixão envolvente que acaba em bebé? Não apenas os criadores de crianças sabem debater entre eles como tratar os seus ratinhos, sabem também, porque passaram por essa idade e os seus pais souberam tomar conta deles, comportamento amoroso que nunca mais se esquece. Também, há os outros pais que ajudam, com o debate da sua experiência, a tomar conta dos seus descendentes.

A escola, ajuda a saber ensinar? Não será, por acaso, a necessidade de um ser humano carinhoso, que com palavras meigas, transfire o saber doutoral dos livros para facilitar a dificuldade de entender as palavras novas que, em casa, com os pais, são explicadas mais uma vez? Ou na conversa de casa? O debate à mesa de jantar, ou na conversa não programada, a seguir ao almoço?

Certo está quem escreve estas linhas, que nem sempre estes factos acontecem. Vivemos numa sociedade de classes, em época de crise financeira, com ancestrais que nem pisaram a escola, tanta é a necessidade de toda a família trabalhar para uma magra subsistência.

Saber ensinar começa por entender, por parte de quem ensina, da compreensão de dois factos: a referida avassaladora sociedade de classes, definida por Marx em 1846 e o permanente desentendimento entre os que têm e enviam os mais novos para escolas pagas e caras, em que aprendem saber científico em saber erótico.

O melhor professor é quem começa a acarinhar os seus discípulos, com essa distância natural de pais e filhos. Hoje em dia, o perigo da pedofilia é quase universal em internatos, colégios privados e, pelo que tenho investigado, entre a vizinhança. Não apenas a muito expandida pedofilia, como o estupro, a violação, a sedução, factos punidos pela lei, mas que acontecem por causa de uma libido que não sabe ensinar. Os docentes, ou são muito éticos no seu comportamento por amarem os seus pequenos, ou podem deixar-se seduzir pelos mais novos que sabem qual o comportamento habitual, sabem usá-lo e ganhar dinheiro com as suas artimanhas.

Será que saber ensinar passa também pelo erotismo? Parece-me que sim, excepto entre os docentes sérios que amam e são amados. Ensinar a saber é amor de casta pura e de entendimento do crescimento dos mais novos.

Não há escola de pais, mas sim de professores. Onde se aprende a saber ensinar sem punir, mas com o entusiasmo do que o adulto transfere ao mais novo. A escola de professores, é também útil aos pais se há bom entendimento entre os dois grupos.

Cumprimento a minha família dos aniversários que esta semana visita-me e ofereço, além de outras prendas, estas meditações pascalinas sobre o ensino, em que as formas privadas são as procurados e as públicas, desprezíveis. Que saibam que é o Estado quem deve educar e não aficionados ao ensino, que apenas sabem negociar com o saber e a sua transferência, como tenho escrito em todos os meus textos, especialmente nos anos 90 do Século passado.

Saber ensinar, nem os pais conseguem: no meio fica o amor, uma emoção que comanda a razão e faz dos filhos, seres animados pelo verbo amar e não pelo de educar. Os pais têm a função de acarinhar, a escola pública, de transferir ciência com sabedoria e treino dos docentes.

É o nosso debate de hoje em dia na nossa República lusa.

Raul Iturra

7 de Novembro de 2013

lautaro@netcabo.pt

 

ESTE CHEQUE É MATE

Tenho vindo a observar com interesse a polémica sobre o chamado "cheque-ensino", agora consagrado com alterações pelo recente “Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo de nível não superior”.

 

Argumentam os defensores do sistema - o cidadão tem direito a escolher para seus filhos a que entende ser a melhor escola.

 

Concordo plenamente.

 

Partindo do princípio, que me parece de alargado consenso, de que a melhor escola é a que mais bem prepara os alunos em matéria de aquisição de conhecimentos e competências, uma só questão se me coloca.

 

Uma só, mas tão fundamental, que sem ela esclarecida não vale a pena fazer mais nada – como pode o cidadão comum saber qual é a melhor escola para seus filhos?

 

A verdade é que os pais estão inibidos de escolher a melhor escola pela simples razão de que não há qualquer dado objectivo que o permita determinar.

 

Pois, os exames. Os exames a todas as disciplinas, iguais para todos, corrigidos pelos mesmos parâmetros, sem que o corrector saiba quem é o corrigido. E, fundamental, que seja o único factor de avaliação, não este arremedo que deixa cinquenta por cento da nota à subjectividade do avaliador, à simpatia ou favorecimento que o aluno lhe suscite ou ao comércio dos colégios que vendem notas.

 

(Claro que nem perderei tempo a falar de "rankings", cujos critérios de definição são mais ou menos semelhantes ao da eleição do melhor futebolista do ano.)

 

Esse exame seria o único meio objectivo (ainda que não infalível) de avaliar as escolas.

 

Exame que já existiu, mas, porém, é rejeitado por todos com poder de decisão ou influência – governo, sindicatos, associações de colégios, professores, associações de pais, alunos. Eu sei porquê, mas não é o tema que aqui me traz.

 

Ora, se um pai ou uma mãe não podem, em consciência, escolher qual a melhor escola para os seus filhos, este sistema de "cheque-ensino" é uma espécie de aposta, nunca uma opção consciente.

 

Com a agravante de que é uma aposta cujo custo é pago por todos nós e cujo prémio é ganho sempre pelos mesmos.

 

É que, imaginando, por mera hipótese de raciocínio, que a referida inibição básica não existe, o pai (ou a mãe) consciente e empenhado na instrução de seu filho entende que o estabelecimento que mais bem assegura a preparação deste é o Colégio A.

 

Poderá debater-se com um problema inesperado se esse Colégio A não tiver subscrito "contrato de associação" com o Estado.

 

Isto é, a liberdade de escolha da escola é limitada àquelas que o Estado entende que são as melhores e que, portanto, podem ser escolhidas. Dito de outra forma, o Estado escolhe as escolas que nós podemos escolher como as melhores.

 

Visto do prisma dos prestadores privados de serviços de ensino, a situação é tão aberrante quanto seria a de uma normal loja de qualquer comércio se deparar com a concorrência de outra, do mesmo ramo, cujos clientes comprassem com dinheiro do Estado.

 

Mas há mais.

 

Tenho lido e visto que, nos últimos anos, têm sido construídos edifícios para albergar colégios em zonas onde a oferta escolar era já abundante, sendo que, uma vez prontos, imediatamente se transformam nessas escolas com "contratos de associação".

 

Portanto, o Estado faz mais - já sabe quais são as boas escolas que os pais poderão escolher ainda antes de estas estarem instaladas ou sequer de os edifícios construídos. Admirável presciência, só emulada pelos promotores, que, antes do investimento inicial, já sabem que serão das escolas a escolher como das melhores.

 

Isto faz-me lembrar aquelas estradas nacionais em que circulávamos em boas condições e que foram substituídas, sem alternativas, pelas SCUT. Que, no início, só eram pagas por todos nós e, agora, são pagas por todos nós e por quem lá passa.

 

Enquanto tudo isto, a população diminui, a oferta pública sobra, há carências básicas e estamos em emergência financeira.

 

Estou convencido, sinceramente, de que a TROIKA não sabe disto. Bem que o Nogueira podia fazer um intervalo nas suas arengas e escrever-lhes uma cartinha (ainda deve lembrar-se de como se faz).

 

Mas, há lá maior arranjinho do que o dos sindicatos e lobbies!

 

 

O ENSINO NO ESTADO SOCIAL

Ensinar é uma arte que nem todo o mundo possui, ainda entre os docentes do ensino público. Especialmente no ensino do Estado Social. Esta afirmação leva a minha escrita a definir o Estado Social. Após ter lido Karl Marx, é-me fácil definir o Estado Social: o conjunto de pessoas que concorrem a o Estado para servir a população de uma Nação. Para servir de forma gratuita e gratificante para quem não tem meios de aparecer em ensinos privados. O ensino privado é a alternativa para o ensino público, com uma grande diferença: o ensino público é gratuito, o privado é caro, poucos podem pagar esse tipo de ensino, ainda menos nestes tempos de crises em que cada cêntimo é uma mais-valia que poucos possuem. Ensino que me faz lembrar os Goliardos do Século XIV na França da Universidade Sorbona.

Eram pessoas sábias que faziam da arte de ensinar, um processo peripatético: andavam enquanto iam transferindo conhecimento, como o filósofo Sócrates na época clássica da Grécia Antiga. Ensinava andando rodeado de um grupo de jovens aprendizes que ouviam e tomavam notas do que ele falava. Foi assim que foram escritos os seus livros, todos retirados do que ele falava e escritos pelos seus estudantes, especialmente Platão e Xenofonte. O método socrático consiste em uma técnica de investigação filosófica feita em diálogo que consiste em o professor conduzir o aluno a um processo de reflexão e descoberta dos próprios valores. Para isso ele faz uso de perguntas simples e quase ingénuas que têm por objetivo, em primeiro lugar, revelar as contradições presentes na atual forma de pensar do aluno, normalmente baseadas em valores e preconceitos da sociedade, e auxiliá-lo assim a redefinir tais valores, aprendendo a pensar por si mesmo. Sistema denominado maiêutico ou ironia. O filósofo não deixou nenhuma obra escrita, mas seus diálogos nos foram transmitidos por seu discípulo

 

Platão. Nesses textos Sócrates, utilizando um discurso caracterizado pela ironia, isto é levar ou induzir uma pessoa, por ela própria, ou seja, por seu próprio raciocínio, ao conhecimento ou à solução de sua dúvida, orientando o seu interlocutor a entrar em contradição, tentando depois levá-lo à conclusão de que o seu conhecimento é limitado. Era o que Paulo Freire e eu fazíamos, entre os camponeses do Chile, que sabiam. Mas era necessário retirar do seu raciocínio esse saber maiêutico, que não se atreviam a proferir por temos do despedimento do proprietário da terra, até que nos tempos de Allende, quando o Paulo e eu fomos à Chile, tempo em que a propriedade passou a ser socialista, dos que a trabalhavam, como tenho escrito em outro ensaio deste blogue Aventar e no blogue A Viagem dos Argonautas, quando era denominado Estrolábio: A minha lembrança de Paulo Freire, Parede, Portugal, 1998/04/01, Santiago do Chile – texto original escrito em Talca, Chile – 1972, na Revista do CEAC ou Centro de Estudos Agrários e Campesinos, criado por nós na Pontifícia Universidade do Chile, sede Talca. Quando o tempo era de uvas e alegrias pelo triunfo em urnas do socialismo marxista, na pessoa de Salvador Allende como Presidente do Chile. Acabou em 1973, no campo de concentração e a nossa volta à Grã- Bretanha eu, a São Paulo, o meu amigo Paulo Freire.

Eram outros tempos, não havia presa de viver, como hoje existe. Eram pessoas dedicadas ao saber, utilizando meios que apenas eles sabiam para escrever. Era o processo de ensino-aprendizagem, como o denomino e publico em forma de ensaio na nossa Revista Educação, Sociedade e Culturas, 1994, Afrontamento, Porto, tinha começado na antiga Mesopotâmia, sítio em que se criara a escrita, sendo Mesopotâmia o Iraque de hoje. O povo mesopotâmico descobriu que havia dois tipos de pessoas, os que deviam cultivar as artes e as letras e os que deviam trabalhar. Entregaram o trabalho da escrita a pessoas que não trabalhavam e dedicavam o seu tempo a escrever textos sagrados em folhas feitas da planta chamada papiro ou em pele seca de animais, como, a seguir as estruturas mesopotâmicas, fizeram os Egípcios, O papiro é obtido utilizando a parte interna, branca e esponjosa, do caule do papiro, cortado em finas tiras que eram posteriormente molhadas, sobrepostas e cruzadas, para depois serem prensadas. A folha obtida era martelada, alisada e colada ao lado de outras folhas para formar uma longa fita que era depois enrolada. A escrita dava-se paralelamente às fibras. Hoje em dia esta técnica tem desaparecido para criar papéis do celulósico das árvores.

Mas o sistema maiêutico não tem desaparecido e é usado por analistas e docentes. Há um, especialmente, que tem chamado a minha atenção. Ensina História ao

7º ano de estudantes, exibindo filmes ou lendo livros que fazem pensar o discente. A seguir, começa o diálogo sobre o que foi visto ou ouvido. Debater o Manifesto Comunista de Marx e Engels, após de contextualizar a vida dos autores no filme exibido que tem diálogos e explicações, apaga-se o projetor e começa o diálogo sobre o que se viu e falou na fita do projetor. É a melhor forma de acordar a memória dos jovens discente  porque o saber passa a ser deles, nascido do diálogo sobre o que se entendeu. O jovem docente narra nos seus textos a sua forma maiêuticas de ensino, o que tem acordado a minha admiração. Pensava ter sido apenas eu e a minha equipe de colaboradores os que usávamos o método Freiriano, retirado pelo Paulo, que nos abandonara a 1 de Maio de 1998, os que usávamos esse método. Felizmente, enganei-me. Havia e há mais dos que conhecem o método materialista histórico, que usam a ironia socrática para o ensino.

Num Estado Social, como o nosso, que respeita a constituição que o define, o Estado devia investir mais fundos neste tipo de docentes, em material que causa debate e em cadernos em que o debate é anotado. Infelizmente, por causa da crise causada pelo desgoverno da Nação, são poucos os docentes que gastam o seu tempo em preparar as suas aulas, nas que investem imenso tempo, para trazer para tempos atuais formas e conteúdos de ensino que, se não for por eles, passavam a história. Este jovem professor de história incute fatos na memória dos jovens estudantes, após entregar elementos que fazem pensar e trazer o passado ainda válido, para os tempos presentes. O estudante está já preparado por leituras prévias recomendadas pelo docente, para o que passa a ver e ouvir seja entendido e fique na sua memória, não exatamente as palavras, mas a ideia em geral que fazem do estudante uma mente aberta que permite entender o Estado Social, as causas da crise inventada pelos neoliberais que nos desgovernam, e entender o como e o porque de aceder a empréstimos que acabam por ser pagos pelos pais dos jovens estudantes em forma de impostos, como o Manifesto Comunista e o Capital de Marx, tinham já previsto.

Ficamos apenas com uma esperança: que esta nova geração passa a entender o que é a iteração social e a sua economia. Se quem deve orientar os estudos por parte do Estado, não faz esse investimento, é apenas porque forma assim um povo que não sabe o motivo e a razão dos porque, conveniente ao neoliberal que faz do povo, apenas uma fábrica de operários que acabam por entregar a sua força de trabalho às fábricas e industrias que eles possuem, pagando menos ordenado a o ignorante que a o sabido. Estes jovens docentes, combatem a ignorância com o seu atrevimento de ensinar

dialética socrática, a melhor lógica, inserida pelo materialismo histórico nos estudos da próxima geração que substituirá à nossa.

Os meus parabéns para quem tem essa valentia, especialmente pelo risco de se confrontar com organizadores do saber que nos pretendem governar e não conseguem. As ideologias destes jovens docentes historiadores, que correm esse risco, fazem parte do seu empenhamento em manter o Estado Social que o meu antigo estudante Seguro, e este meu amigo historiador e os seus compinchas nas lides do risco, dentro dos que eu meu incluo como fizeram em tempos antigos Mozart, Beethoven, Sócrates, Platão e Aristóteles, sabem ensinar e os seus discentes que aprendem as traições da interação social, são os seus melhores defensores. Os meus parabéns a essa imensa atividade, que mantêm o Estado Social que todos queremos!

Raul Iturra

21 de Setembro de 2013.

lautaro@netcabo.pt

 

 

 

Escola pública ou ensino público ?

Num artigo em tom interrogativo, despertando pistas e ideias que permitem desvendar a situação em que se encontra a educação no nosso País, Luís Marinho volta a questionar-nos acerca da importância de repensar a diferença entre escola pública e ensino público em Portugal.


"Não fará mais sentido o slogan "defesa do ensino público"?... Que interesse tem a identidade do proprietário das paredes da escola?... A quem reportam os professores e funcionários?... Ou interessará mais a qualidade de ensino que lá se pratica?..." São apenas algumas das questões que Luís Marinho utiliza para explicar que o nosso caminho terá obrigatoriamente de ser o da liberdade.

 

Concluindo que a escola pública não precisa de ser posta em causa, principalmente quando tem um valor reconhecido por todos e quando pugna pela qualidade, o investigador explica que entregar a escolha da escola aos pais é salvaguardar a qualidade da nossa escola. Não é óbvio que os pais escolherão as escolas melhores?...

 

Leia aqui na íntegra o artigo “Escola Pública ou Ensino Público?” da autoria de Luís Marinho que foi publicado no Jornal Público

 

marinho


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Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos

Art.º 26º da Declaração Universal dos Direitos do Homem

Reduzir cursos e melhorar a qualidade do ensino

cursos que não têm interesse, não têm qualidade e não têm alunos. Mas mesmo assim permanecem gastando dinheiro. Chegou agora a vez de racionalizar, de juntar, de melhorar. E de poupar e deixarem de andar a enganar os pobres dos alunos que acabam os cursos e ninguém os quer.

De acordo com João Queiró, a introdução da articulação regional da oferta é outra das medidas que consta no despacho enviado pelo Ministério da Educação.

“Cada instituição pode conversar com as instituições suas vizinhas, regionalmente, no sentido de, supondo que todos oferecem cursos similares, com procura reduzida, podem conversar e manter o curso numa delas”, disse. Com isto “contribui-se”, segundo o governante, para o tema que “tanto se fala” da “racionalização da rede”.

Os exames não são impreteríveis mas a greve é

Dizem os sindicatos que os exames não são impreteríveis e que podem ser efectuados noutro dia qualquer. A greve é que não, foi marcada em cima dos exames porque não pode ser efectuada noutro dia. Aliás, este assunto já foi objecto de decisão dos tribunais no tempo de Maria de Lurdes Rodrigues que deu razão ao ministério.

Mexer na vida de milhares de alunos e de centenas de professores não tem problema nenhum, mas a greve tem que ser mesmo naquele dia.

É por esta e por outras que é preciso que o ensino deixe de ser centralizado e sindicalizado. Os alunos não estão no centro do sistema. O que está no centro do sistema de ensino são os interesses corporativos dos professores. E o interesse partidário dos sindicatos.É preciso dar autonomia à escola e as famílias terem o direito à escolha.

O ensino privado é mais barato para o estado

E tem melhores resultados como mostram todos os rankings. Não é o que se pretende ? Ou a questão é ideológica entre o prestador ser público ou privado não interessando o custo e o mérito? Não é por o país funcionar em todos os sectores nesta lógica despesista e irresponsável que está na situação em que está?

A média de certificados médicos apresentados pelos professores, na escola estatal por ano, é superior a 70 000. O MEC devia fazer um levantamento sobre as baixas médicas  no ensino privado.

"Sabemos que a intenção deste Governo é privatizar, ou seja, concessionar a privados a resposta pública de educação, [porque] na última reunião com o ministro da Educação, foi dito que estavam a alterar a legislação do ensino privado e todos percebemos que a intenção é ir nesse sentido, [além de] despedir, remeter para a mobilidade especial ou para rescisões por mútuo acordo e reduzir salários", adiantou Mário Nogueira.

Que outra maneira há para resolver os problemas financeiros do país?