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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Queres uma escola com amianto ou em contentores ?

É esta a opção proposta pelo ministério da Educação. Mais de cem alunos ali na região de Mafra andam a ser empurrados de escola para escola

“Estivemos entre os promotores da marcha em defesa da escola pública, mas em primeiro lugar estão os alunos, o que neste caso não nos parece que esteja a acontecer”, comenta. Por isso, Isidoro Roque defende que no caso de Mafra a solução passe por manter as turmas com contrato de associação no Colégio Santo André até que seja possível ter “uma oferta pública em condições”.

Núria Peres lembra, a propósito, que até ao ano passado os alunos de algumas das freguesias do concelho de Mafra eram obrigados a transitar no 7.º ano para o Colégio Santo André por não existirem vagas nas escolas pública da zona. Aquele colégio chegou a ter 21 turmas do 3.º ciclo financiadas pelo Estado, abrangendo mais de 500 alunos.

Percebe-se bem porque são estas escolas rejeitadas pelos alunos. A oferta pública passa pelos colégios em associação

Escolas públicas cheias alunos de fora

...uma outra mãe que não quis ser identificada está na mesma situação. Cinco opções, nenhuma colocação para a sua filha de 6 anos. Desde  os agrupamentos Filipa de Lencastre ao Rainha D. Leonor, passando pelo das Laranjeiras e Vergílio Ferreira. E os casos repetem-se.

Em 2014/15, 26% das crianças frequentavam os colégios privados. Umas por opção outras por não terem vaga na rede pública. A solução são os colégios privados em associação. Custam o mesmo ao estado e os alunos não são prejudicados. O estado investir no parque escolar é mais caro e não responde às necessidades imediatas dos alunos.

Enquanto os lugares não chegam para todos recorre-se aos esquemas, como arranjar um "encarregado de educação" que tenha casa lá no bairro da escola desejada. Alunos que mudam de encarregado de educação todos os anos ou que supostamente vivem com os avós.

Fazem uma campanha brutal a favor da escola pública. A primeira vez que uma pessoa precisa, o Estado dá esta resposta, indigna-se uma mãe.

Só no dia em que o interesse dos alunos estiver no centro das preocupações é que este problema será resolvido. Até lá vamos ter a velha guerra ideológica entre os estatistas monopolistas e a iniciativa privada. Como nos hospitais e outros sectores onde o estado nunca corresponderá cabalmente às necessidades dos cidadãos. Como se prova pelos 160 000 doentes em lista de espera para cirurgia.

Ninguém é obrigado a frequentar uma escola pública que rejeita

Os alunos com corte no financiamento não são obrigados a frequentarem uma escola pública que rejeitam. É, aliás, uma humilhação para uma escola que abre os braços a quem a rejeitou. Não porque os alunos tenham mudado de posição mas porque o ministério e os sindicatos a isso os querem obrigar

Uma vergonha para um estado que se diz democrático, usar a carência financeira das famílias mais pobres para encher as salas das más escolas públicas rejeitadas. É que os alunos que têm dinheiro não aceitam essa ordem do estado e frequentam os bons colégios. Pode o estado obrigar os alunos pobres a frequentarem as más escolas públicas ? Não, não pode, num estado de direito, não pode. Havendo boas escolas os alunos têm o direito de as frequentar.

Se o estado quer fechar escolas só pode fechar as escolas rejeitadas que não conseguem encher o vazio das salas de aula. É assim num estado democrático. De outra forma o cidadão teria que aceitar o mau serviço público sem direito a recusa e a alternativa em todos os sectores. Há aí na tua zona um hospital especialista em deixar os doentes numa cadeira de rodas? Pois, tens que escolher esse e não outro. Uma aberração como bem se entende. Uma administração pública sem qualidade que o contribuinte teria que aceitar pagando-a.

O que o ministério da Educação está a atacar não é só a liberdade de escolha é também o estado democrático. É nosso dever dizer não. E há sempre quem diga não.

Colégios privados vão aceitar alunos sem cobrar

São cerca de 30 000 alunos que vão frequentar as suas escolas pagando apenas o que estiver ao alcance das suas famílias. Entretanto as acções correm nos tribunais. É uma chapada de luva branca.

Com a ajuda conjunta das famílias, dos proprietários dos colégios e das comunidades locais é possível manter bons colégios a prestar bons serviços públicos. E são os alunos os mais favorecidos. Uma boa gestão dos meios trará poupanças significativas. E terminam com actividades extra curriculares menos importantes.

E as más escolas públicas que famílias e alunos rejeitam vão continuar com salas vazias. O povo é difícil de vergar quando se trata de assuntos que têm a ver com os interesses das famílias e da sua terra natal.  Não faltarão imaginação, determinação e capacidade de sacrifício. Bem vistas as coisas a vida sempre lhes exigiu isso mesmo.

 

Há alguma razão que justifique tirar a escola preferida a uma criança ?

Eu sei do que falo. A minha infância passeou-se por várias cidades acompanhando a vida profissional do meu pai. E sei bem o que é mudar de escola, de professor, de amigos. Custa tanto que nunca mais se esquece. 

Nesta guerra todos atiram ao lado. Uns por razões ideológicas, outras por razões financeiras, outros ainda por razões de pura inveja, mas poucos se interessam verdadeiramente pelos alunos. E tudo seria mais fácil se os alunos estivessem no centro da discussão.

Ter uma escola dominada por um sindicato que serve um partido que não chega aos 10% dos votos é uma aberração democrática e que terminará um dia. Só não sei quando. Ter um negócio com rendas fixas e sem nenhum risco terminará um dia só não sei quando. E ter escolas com qualidade e com alunos satisfeitos acontecerá um dia só não sei quando. Mas sei que só acontecerá quando forem as famílias a escolher. Há quarenta anos que andamos a discutir isto .

Mesmo pessoas que habitualmente são moderadas tornam-se radicais a discutir a escola. Todos já vimos os ministros a serem triturados uns após outros por um sindicato que não abre mão do seu poder. É isto a escola pública ? É que se é lutarei para lhe pôr fim.

Mas se a escola pública for um sistema que gera oportunidades para os mais pobres, abrindo-se à sociedade civil, às famílias, aos poderes locais, a novos modelos de gestão então, a escola terá como prioridade os alunos.

E terá em mim um defensor

 

Pensa-se em tudo menos no bem-estar dos alunos

A discussão à volta dos contratos de associação mostra que o interesse dos alunos não está no centro das preocupações do sistema de ensino. Discute-se o custo, a propriedade das escolas mas não a sua qualidade, que é o que verdadeiramente interessa aos alunos.

Há muito que defendo que para os alunos e suas famílias não há escolas públicas e escolas privadas, há escolas boas e más. Seja no público seja no privado. Há que fechar as más escolas seja no público seja no privado. Só assim se protegem os alunos.

O presente sistema dá este resultado que não me canso de escrever : boas escolas privadas cheias de alunos ricos; boas escolas públicas cheias de alunos remediaddos; más escolas públicas cheias de alunos pobres sem qualquer oportunidade de chegarem a uma boa escola. E não se diga que é preciso investir na escola pública para resolver este problema. Não é, aqui no meu bairro, as más escolas já eram más quando para aqui vim há quarenta anos.

No curto prazo, que se resolva a situação dos contratos de associação com a devida moderação: em caso de duplicação de oferta entre uma escola pública do Estado e um contrato de associação, que se evitem as precipitações e se preserve a escola que melhor responde às necessidades dos alunos – seja esta estatal ou privada. E, no longo prazo, que se procure discutir como introduzir liberdade de escolha no sistema educativo, ao serviço dos alunos, em particular dos alunos mais desfavorecidos e em risco de insucesso escolar. Porque esses precisam mesmo de liberdade para escolher: ao contrário de outros que podem pagar, sem o apoio do Estado esses alunos não poderão optar por uma escola ou projecto educativo que melhor responda às suas necessidades. Estão, por fatalismo da sua condição social, excluídos das oportunidades que outros têm. E essa injustiça tem de acabar.

Escolhe a escola estatal ou a que for melhor para os alunos ?

Dois ex-ministros da Educação do PS ( Maria de Lurdes Rodrigues e Marçal Grilo) com opinião diferente. Para um deles deve ser privilegiada a escola estatal para outro deve ser privilegiada a escola que melhor servir os alunos.

Os dois ex-ministros dos Governo PS não têm dúvidas de que há necessidade de rever a rede de escolas, a diferença fica no alvo desta decisão. Se Maria de Lurdes Rodrigues não mostra dúvidas sobre que estabelecimentos deve o Estado proteger, Marçal Grilo pede uma decisão baseada “no resultado do trabalho das escolas e no bom senso, que não é inimigo do Estado de direito”.

E para Marcelo ? considerou “uma opção errada” privilegiar o ensino público em detrimento do particular. Para o agora Presidente da República as escolas não-estatais devem “levar o Estado a considerar que não deve só olhar para a escola pública”, destacando mesmo “o papel crescente do ensino particular e cooperativo” e a necessidade de manter a “liberdade de escolha na educação”.

“Durante muito tempo [o ministério] foi dominado pela Fenprof que influenciava a sua direção, mesmo com ministros e governos, com a visão de que deveria existir liberdade de escolha”.

Os alunos preferem as escolas privadas

O Ministério devia perguntar-se porque preferem os alunos frequentar as escolas em associação quando há oferta pública e privada.

O agrupamento de 15 escolas, conta Fátima Ribeiro, já chegou a ter 1700 alunos. Hoje, está "com 600 e tal, já com o pré-escolar e o 1.º ciclo". E o principal motivo para essa realidade, garante, é a concorrência direta do colégio. "Começámos a perder alunos porque os alunos começaram a ir para o colégio sem pagar nada. Até aí pagavam. Havia escolha para o ensino que pretendiam, privado ou público, mas se queriam o privado tinham de pagar. Agora toda a gente pode ir para o privado, porque não paga nada. E o Estado paga a dobrar", critica. A dobrar ? Mas o estado não paga por aluno o mesmo na pública e na privada?

"Queixam-se de que os alunos deixam as escolas públicas e vêm para cá? Se calhar deviam questionar-se por que o fazem", dispara. "Eu também já fui presidente da associação de pais de uma EB 2,3. Esta é uma escola diferente, com valores", explica. "E os pais sabem discernir o que é melhor para os seus filhos. Aqui têm a certeza de que não há atrasos com colocações de professores, que se falha um professor este é automaticamente substituído", explica.

A confiança chegou aos candidatos do ensino superior

Mais um sinal seguro . A tendência de descida que se verificava nos últimos anos foi agora interrompida com um aumento dos alunos no ensino superior. E verifica-se uma procura mais acentuada dos cursos que têm a ver com os sectores económicos mais dinâmicos.

Claro que não há ainda uma plena correspondência entre a oferta e a procura. Um exemplo são os cursos de enfermagem que foram rapidamente preenchidos apesar da forte emigração destes profissionais. Ou será que é por isso mesmo ? Por encontrarem forte procura em diversos países europeus ? Isto é os nossos jovens procuram enfermagem porque querem emigrar ?

As engenharias, com excepção da engenharia civil que viu uma parte importante dos alunos procurarem as engenharias das novas tecnologias, voltaram a ter uma procura robusta. Bem com a engenharia têxtil .

“Considero o aumento significativo de entradas algo positivo, porque a economia portuguesa precisa de mais gente no Ensino Superior. A tendência dos últimos anos era algo que só podia ser visto como preocupante”, afirmou hoje o presidente do CRUP, António Cunha.

A confiança chegou às pessoas, no caso aos jovens candidatos ao ensino superior. Crescimento da economia faz disparar o número de candidatos ao ensino superior.

Numa má educação a culpa é sempre do educador nunca do educando

Mudar de hábitos é sempre "uma trabalheira" daí que o melhor mesmo é não mudar nada. Na Educação, apesar dos fracos resultados em muitas frentes, o sistema não muda. O certo é que, se o sintoma se manifesta na criança e na sua aprendizagem, a causa está fora dela: está, em última instância, no tipo de escola, de ensino, de conteúdos e de aprendizagem que lhe são propostos.

Mas se a causa não está na criança, porque é que vamos actuar  sobre ela? Porque é que a escola (e tudo o que lhe está inerente: métodos e ambientes de aprendizagem, conteúdos, etc.) não é capaz de se modificar para ir ao encontro da forma e do ritmo com que a criança aprende? A resposta é dura mas vale a pena ser considerada: porque a criança é o elo mais fraco. Ela sim, tem deficit de atenção, ela sim está desadaptada, ela sim tem que se modificar para se ajustar à forma como a educação se organiza. A Educação, ela sim, está, como sempre esteve, certa.

Numa má educação a culpa é sempre do educador nunca do educando.