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Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx- 3

  1.  Parte 2

Este saber, permite aos autores do Manifesto, dizer: “ … demonstra a história das ideias senão que a produção intelectual se transforma com a produção material? As ideias dominantes de uma época sempre foram as ideias da classe dominante[39] Mais um acha para a fogueira da ideologia materialista e da sua base histórica. Este ideólogo do Manifesto, mais tarde, em outra obra sua de 1876, I Volume do Capital, prova que a História não é uma sucessão de factos, mas sim o desenvolvimento material dos meios de produção. Desenvolvimento que transforma a sociedade ao ritmo da Revolução Industrial, analisada já em outras páginas de este texto. Acrescentam os autores ideológicos e ideológico-material, como Jenny, que pensava mas redigia este, como outros textos de Marx.: Sem dúvida, – dir-se-á – as ideias religiosas, morais, filosóficas, políticas, jurídicas, etc., modificaram-se no curso do desenvolvimento histórico, mas a religião, a moral, a filosofia, a política, o direito mantiveram-se sempre através dessas transformações [40]. Estas aparentes palavras difíceis de Marx, conseguem-se destrançar sem grande trabalho: são ideias que orientam o comportamento, mudam de conteúdo conforme os tempos, mas as estruturas permanecem. Os estudos de Direito de Marx e o aprendido com Georg Wilhelm Friedrich Hegel[41], presbítero luterano, filósofo formado em Direito, permitiam-lhe analisar que a organização do que esta mandado passa a ser permanente. Especialmente os seus conhecimentos do Direito Romano. Este saber permite-lhe dizer que além das estruturas, há verdades eternas, como a liberdade, a justiça, etc., que são comuns a todos os regimes sociais. Mas o comunismo quer abolir estas verdades eternas, quer abolir a religião e a moral, em lugar de lhes dar uma nova forma, e isso contradiz todo o desenvolvimento histórico anterior[42]. Mas Marx não fica calmo com apenas essas ideias. Ao início do Manifesto Comunista, define de uma vez e para sempre – digo para sempre, porque é a base dos seus comportamentos políticos e pesquisa como intelectual, esta ideia que vou citar e pela qual o marxismo tem sido sempre julgado, uma verdade que, apesar da mudança na forma de vida dos trabalhadores e os seus ingressos, mantêm-se igual – A base da sua teoria é esta: A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta [43].As palavras de Marx e Engels são duras, mas correspondem à verdade. Desde que sabemos a história do mundo, podemos reparar que as relações são antagónicas, especialmente em relação ao trabalho. Estas ideias estão definidas no livro de Adam Smith de 1776 e nos textos também citados de François Quesnay. Eles não falam de luta de classe, mas ao estudar esses livros sob o prisma da teoria materialista, pode-se apreciar que os grupos são em pares, como tenho salientado em negrito. Um tipo de história cronológica, que narra factos conforme os anos do seu acontecimento. Outra, é a história analítica que procura factos ao longo do tempo, orientado por uma ideia, como no caso do materialismo e repara que no mundo sempre houve guerras e essas guerras eram entre os que tinham posses e os que obedeciam por nada ter. Adam Smith denomina a inclinação do ser humano para o trabalho, Quesnay fala de trabalho produtivo e improdutivo ou agricultores e industriais. Até onde eu possa lembrar, é a primeira vez no campo da análise social, em que os grupos aparecem repartidos entre opressores e oprimidos. As guerras nunca tinham sido classificadas como luta de classes, apenas como amor à Pátria, a defesa de uma Nação ou Estado, ou lutas pela independência do controlo de um Estado invasor. No entanto, eram resultado de lutas pelo poder e o lucro: luta de classes. As lutas dentro do mesmo país, tinham e são denominadas revoluções, mas, se ouvimos o alarido dessas lutas, podemos apreciar que normalmente são levantamentos do povo oprimido contra o grupo opressor ou sentido como tal. Dois exemplos, dentro da minha vida, saltam de imediato a minha memória e recordações: o alçamento das forças armadas contra um governo democrático no Chile em 1973, analisado mais em frente; e esse não poder suportar mais as perseguições, detenções injustas, apagar do saber matérias importantes para a análise social, uma guerra injusta contra povos africanos, que acabou por rebentar no que hoje denominamos o 25 de Abril, acontecido em 1974 em Portugal.

O resultado da análise do manifesto, pode-se sintetizar com frases do mesmo texto. Uma delas é cumprida e contundente e diz: A burguesia despojou da sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.

A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias. A burguesia revelou como a brutal manifestação de força na Idade Média, tão admirada pela reação, encontra seu complemento natural na ociosidade mais completa. Foi a primeira aprovar o que pode realizar a atividade humana: criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egipto, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; conduziu expedições que empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas. A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, como isso, todas as relações sociais.

[1]Freud, Sigmund, (1914) 1969: Sobre o Narcisismo: Uma Introdução, Imago, Rio de Janeiro.

[2] Joseph Ratzinger, definido já na Introdução de este texto, é o Papa Católico Romano Bento XVI

[3] O poder social, quer dizer, a força produtiva multiplicada que é devida à cooperação dos diversos indivíduos, a qual é condicionada pela divisão do trabalho, não se lhes apresenta como o seu próprio poder conjugado, pois essa colaboração não é voluntária e sim natural, antes lhes surgindo como um poder estranho, situado fora deles e do qual não conhecem nem a origem nem o fim que se propõe, que não podem dominar e que de tal forma atravessa uma série particular de fases e estádios de desenvolvimento tão independente da vontade e da marcha da humanidade que é na verdade ela quem dirige essa vontade e essa marcha da humanidade.

Esta alienação – para que a nossa posição seja compreensível para os Filósofos – só pode ser abolida mediante duas condições práticas. Para que ela se transforme num poder insuportável, quer dizer, num poder contra o qual se faça uma revolução, é necessário que tenha dado origem a uma massa de homens totalmente privada de propriedade, que se encontre simultaneamente em contradição com um mundo de riqueza e de cultura com existência real; ambas as coisas pressupõem um grande aumento da força produtiva, isto é, um estádio elevado de desenvolvimento. Por outro lado, este desenvolvimento das forças produtivas (que implica já que a existência empírica atual dos homens decorre no âmbito da história mundial e não no da vida loca]) é uma condição prática prévia indispensável, pois, sem ela, apenas se generalizará a penúria e, com a pobreza, recomeçará paralelamente a luta pelo indispensável e cair fatalmente na imundície anterior. Página 20 de obra em linha, página 170 da obra em formato de papel, David McLellan, Clarendon Press, Oxford. O texto em linha, pode ser lido em:  http://www.pcb.org.br/textos/A%20Ideologia%20Alem%C3%A3.pdf

[4] A palavra alienação tem várias definições: cessão de bens, transferência de domínio de algo, perturbação mental, na qual se regista uma anulação da personalidade individual, arrombamento de espírito, loucura. A partir desses significados traçam algumas diretrizes para melhor analisar o que é a alienação, e assim buscar alguns motivos por quais as pessoas se alienam. Ainda assim, os processos alienantes da vida humana foram tratados de maneira atemporal, defraudada, abstraído de processos sócio – económico concreto.

A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesmo, tornando-se na sua própria negação.

Alienação refere-se à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprio.

A sobrevivência do homem implica uma transformação da natureza e do outro à sua imagem e semelhança, o que impõe uma transformação de si mesmo à imagem e semelhança do mundo e do outro. Viver para o homem é objetivar-se, ser fora de si.

O conceito de alienação é histórico, tendo uma aplicação analítica numa ligação recíproca entre sujeito, objeto e condições concretas específicas. Logo, a história afirma que o homem evoluiu de acordo com seu trabalho. Portanto, a diferença do homem está na sua criatividade de procurar soluções para seus problemas, então com a prática do trabalho desenvolve seu raciocínio e sempre aprende uma “nova lição”. Sem trabalho, não consegue desenvolver esse raciocínio, fica mais pobre em inteligência e desenvolvimento racional. A ideia é de Marx, grande parte  do texto, é meu. Pode-se saber mais em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Aliena%C3%A7%C3%A3o

[5] A genealogia da família Marx, a sua composição e os seus objetivos, estão referidos no Capítulo 3 de este texto e no anexo 2.

[6] Estou ciente de reiterar a vida de Eleanor, mas tomo a liberdade de lembrar ao leitor a vida de Eleanor Marx (Londres, 16 de Janeiro, 1855 — Londres, 31 de Março, 1898) foi uma ativista política e autoramarxista, filha de Karl Marx e Jenny von Westphalen, a mais nova dos cinco: dois mortos na infância, três sobreviventes.

Nasceu na Inglaterra. Foi educada em sua casa por seu pai; com o passar do tempo se converteu na sua secretaria, passando logo a ser professora em um colégio de Brighton. Teve uma relação amorosa com Hipólito Lissagaray, autor da História da Comuna de 1871; sem apoio  familiar, a relação não floresceu devido ao já referido rechaço do pai.

Em 1884, uniu-se à Federação Social Democrata e foi eleita para entrar em sua executiva, empregando parte de seu tempo em dar conferências sobre socialismo. Esse mesmo ano chegaria a ser um dos fundadores da Liga Socialista (formação rival da Federação) como seu companheiro de então, Edward Aveling.

No fim da década de 1880 e na de 1890, Marx converteu-se em ativista sindical, apoiando greves como a de Bryant & May e a do porto de Londres. Ajudou a organizar a Gas workers’ Unione escreveu numerosos livros e artigos.

Traduziu diversas obras literárias, como Madame Bovary, assim como A dama do mar e Inimigo do povo, de Henrik Ibsen.

Em 1898, descobriu que Aveling havia casado secretamente com uma jovem atriz. Propôs a ele um suicídio pactuado, mas Aveling recuou. Em troca, proporcionou-lhe a Eleanor o ácido prússico que usou para se suicidar. Abandonou a casa. Embora tenha sido publicamente reprovada a sua atitude, não seria acusada de nenhum delito.

[7] História em: http://intervox.nce.ufrj.br/~ballin/mani.htm , na base do texto de Luiz Carlos Tau Golin, Historiador e Jornalista, professor da Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. A fonte destes dados é seu ensaio: As condições históricas do Manifesto comunista, de 31 de Dezembro de 2008.

[8] Biografia de Jean-Pierre Proudhon e debate, estão narrados em capítulos anteriores, especialmente no Capítulo 3

[9]Qué es la sociedad, cualquiera que sea su forma? El producto de la acción recíproca de los hombres. Pueden los hombres elegir esta o aquella forma social?’Nada de eso. A un determinado nivel de desarrollo de las facultades productivas de los hombres, corresponde una determinada forma de comercio y de consumo. A determinadas fases de desarrollo de la producción, de comercio, del consumo, corresponden determinadas formas de constitución social, una determinada organización de la familia, de los estamentos o de las clases; en una palabra, una determinada sociedad civil. A una determinada sociedad civil, corresponde un determinado Estado político, que no es más que la expresión oficial de la sociedad civil (Carta de C. Marx a P. V. Amenkov del 28 de diciembre de 1846).Fonte:  http://www.asambleasociedadcivilcuba.info/Operacion/Propuestas/PinardelRio-UnProyectoparaCuba.htm

[10] Fonte: Golin, Tau, 2001: As condições históricas do Manifesto Comunista, que abre o seu texto com as seguintes palavras: há 150 anos, Marx escrevia o texto da viragem na luta de classes, texto que pode ser lido na página web: http://intervox.nce.ufrj.br/~ballin/mani.htm ; bem como o livro de Francis Wheen, 1999: Karl Marx: A life, editado por W.W.Norton, Londres. Versão portuguesa de 2003: Karl Marx. Biografia, Bertrand Editora, Lisboa. Dados e excertos da versão inglesa, em: http://www.amazon.com/Karl-Marx-Life-Francis-Wheen/dp/039304923X#reader. A versão luso  portuguesa tem uma recensão, diz: a nova biografia de Francis Wheen é um trabalho informado dirigido ao grande público, que não procura apresentar Marx como um demónio nem como um deus, mas como um simples homem. Assim, é uma obra admirável, dando-nos a conhecer a vida de Marx, com as suas contrariedades do dia-a-dia, as suas manias, os seus defeitos e as suas qualidades.

Esta biografia compreende 12 capítulos, uma introdução e três apêndices, além das notas que referem as fontes, dos agradecimentos e do índice analítico. Apresenta-se redigida num estilo direto e despretensioso, por vezes até humorístico, o que ajuda o leitor mais tímido a vencer as páginas ligeiramente densas, onde algumas das ideias importantes de Marx são apresentadas e discutidas. Para quem nada sabe de Marx além de lugares-comuns, esta biografia é um bom ponto de partida. Fonte: http://criticanarede.com/html/lds_marx.html

FRANCIS WHEEN, escritor e jornalista, foi eleito Colunista do Ano, em 1997, por suas contribuições no Guardian. É autor de Karl Marx, biografia que ganhou o prémio Isaac Deutcher em 1999, e de The Soul of Indiscretion, que recebeu o Prémio Orwell de 2003. Escreveu também Como a piquetagem conquistou o mundo, lançado no Brasil. Texto de Jorge Zahar, em: http://www.zahar.com.br/catalogo_autores_detalhe.asp?aut=Francis+Wheen

[11] Texto retirado de comentários sobre o livro Crítica a Filosofia do Direito de Hegel da Folha em linha Filosofia e Ideias, inter-filosofia, sem autor, texto completo em: http://www.geocities.com/Athens/4539/opiodopovo.htm. O texto tem por título: A Religião é o Ópio do Povo.

[12]Época vitoriana, período que compreende a segunda metade do século XIX e primeira década do século XX, em que os movimentos sociais populares cederam lugar a um sistema social equilibrado grandemente devido à estabilidade do Império Britânico, governado pela rainha Vitória (1819-1901). Apesar do materialismo herdado, a época foi marcada pelo retorno de valores éticos como respeitabilidade, polidez e circunspeção, considerados as mais elevadas virtudes sociais. O espírito vitoriano marcou a literatura com refinamento e vigor, como nas obras de Charles Dickens, Emile Brontë, George Eliot e Thomas Hardy. No entanto, muitos críticos sociais têm uma visão amarga desse período, que consideram uma época de preconceitos, excessiva repressão moral e hipocrisia. Era, nem mais, a época da Revolução Industrial, que danificou ao povo e a monarquia da Rainha Vitoria não estava interessada. O puritanismo era aparente. Até a Rainha, aos 17 anos, teve intimidades com o Duque de Wellington, e, a seguir a morte do seu marido, com John Brown, um escocês, o seu amante ou marido, como é relatado nas biografias da Rainha Vitoria e nos seus diários de vida, hoje de domínio público passados 100 anos da sua morte. Os segredos da monarquia inglesa estão bem guardados e ocultos. Existia apenas nos textos mencionados, nos de Óscar Wilde, encarcerado não pelas suas preferências sexuais, mas pela verdade que aborda da ética do seu Século, de amores ocultos, compras de capital, heterogamia e traições amorosas ou actos de bigamia: estado de quem tem ao mesmo tempo dois consortes. Facto normal, do qual nem se falava, no Século XIX. Hoje em dia, Século XXI, a bigamia é praticamente impossível: as pessoas nem casam…Uma das peças que causara mais escândalo entre as de Óscar Wilde, era O leque de Lady Windermere, e queiram ou não, a peça A importância de se chamar Ernesto, é uma corrida de mentiras sobre o estado civil das pessoas…..e as sua origens: semeia a dúvida…. Uma personagem feminina de Wilde no Leque, diz:

Se uma mulher quer mesmo agarrar um homem, tem de apelar ao pior que há nele

As histórias de amor entre John Brown e a Rainha Vitoria, podem ser lidas em: http://www.royal-deeside.org.uk/RDhistory/johnbrown.htm. Muita tinta tem corrido sobre os amores da Rainha Vitória, que podem ser lidas. Tenho um informante privilegiado, um meu amigo, um Duque, o seu parente, que me tem contado os segredos da sua família. O nome, como é natural, fica comigo… 

[13]Luta de classes foi a denominação dada por Karl Marx, ideólogo do comunismo juntamente com Friedrich Engels, para designar o confronto entre o que consideravam os opressores (a burguesia) e os oprimidos (o proletariado), consideradas classes antagónicas e existentes no modo de produção capitalista. A luta de classe se expressa nos terrenos económico, ideológico e político. A definição não é minha. Tenho