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BandaLarga

as autoestradas da informação

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HOMOSSEXUAL

 

Homossexual

 

Escrevi este texto para o Jornal A Página da Educação, no ano 1997, tempo em que se lutava para e pelas pessoas que amavam seres do seu mesmo sexo. Com Ana Paula lutamos por elas. Mas, apesar de ser lei, o conceito de homossexualidade continua a ser um tabu social. Toro, porém, para essa defessa dos incompreendidos socialmente, especialmente na época em que há tráfico de meninos e meninas, vendidos para o estrangeiro. O meio usado tem sido a internet e vamos batalhar contra isso.

 

Para tod@s os que tiveram a ousadia de não esconder os seus sentimentos.

 

É preciso distinguir. A primeira distinção, é que uma atividade, substantivo ou adjetivo, deve começar por um verbo, como o verbo ser ou não ser. Esta frase de Shakespeare, é um segundo dilema, que remete para a vida ou a morte, solucionada pelo autor com a morte de todas as personagens.

O terceiro dilema, central, é ser ou não homossexual. É um desejo, um sentimento, uma atração passageira, espontânea, calculada, de nascimento ou aprendida? Parte deste dilema consiste em não se saber definir nem sentimentos nem ação. Hoje em dia, dizem, estar na moda ser homossexual, ou seja, sentir atração por pessoas do mesmo sexo. Nunca esqueço a frase do filme Retornar a Brides’ Head mencionada pela atriz em Veneza, quando fala sobre a amizade entre dois adolescentes: "é melhor que dois jovens se amem em tenra idade, assim sabem depois o que fazer na sua vida adulta".

 

 

Também não esqueço o texto de Didier Anzieu, de 1958, ao referir o amor que Freud sentia pelo seu cunhado e por seu discípulo Karl Jung: o primeiro, casa e tem um filho, ao qual Freud envia uma carta de parabéns e diz "finalmente somos pais", enquanto o segundo se retira da sua companhia devido ao amor que o célebre médico demonstra por ele, que até o levava ao desmaio quando o via. Contudo, Freud denomina de aberração a homossexualidade nos seus textos de 1906 e 1917 e ainda na Revista de Filosofia de 1910, numa entrevista ou «entretienne», repudia o que tem de repudiar, devido aos seus sentimentos divididos entre uma mulher que não quer mais intimidade com ele, por não desejar ter mais filhos: quatro eram suficientes.

Mas, não vamos pensar que é falta ou culpa da mulher o facto de um homem endereçar os seus sentimentos para outro, ou uma mulher para outra. O Relatório de Alfred Kinsey de 1958, relata a felicidade das mulheres lésbicas, que amam e vivem juntas. E dos homens que amam a masculinidade e procuram o ser humano que os atrai. Torna-se necessário fazer uma nova distinção: existe o prazer sexual que pode durar meia hora, e findar. Existe também o ocultar dos sentimentos, quando entram, em segredo, em casas fechadas para fazer amor com pessoas do mesmo sexo.

E os sentimentos? Ao ver uma pessoa dos nossos sonhos, porque com esse desejo também se nasce, muito embora existam receitas terapêuticas para curar "essa doença". As crianças, de forma natural, brincam entre elas a fingir ser marido e mulher, na pré-puberdade ou ainda, na puberdade, até decidirem a sua orientação sexual. O interessante é a direção do sentimento e como se tem resolvido recentemente, excepto em Portugal. O homossexual equivalia a prisão, hoje em dia, equivale a casamento, vida pública a dois, com ou sem adoção de crianças para substituir a falta de óvulo para receber o espermatozoide, como acontece na Europa do Norte. E há os que vivem juntos, apenas pelo prazer de se amarem. O sentimento endereçado ao mesmo sexo, é um sentimento respeitável, do qual ninguém pode fazer troça. Porque o amor é uma força da natureza. E contra ela, ninguém se pode opor, é mais forte que a vida social, ocupada em punir a homossexualidade para salvar a reprodução humana e bater na vergonha pelos que assim decidiram.

Hoje em dia, a imposição da vergonha parece ter acabado, excepto em religiões que recomendam um comportamento puro e casto, como o derradeiro Catecismo de Karol Wojtila, que retira a falta, mas solicita apenas sentimento à distância. Como se a natureza pudesse resistir.

Diferente, do que escrevi no jornal anterior, amigos e companheiros: há também amor, mas um amor que não procura homossexualidade por se ter optado pela heterossexualidade. Talvez, cada vez menos. A porta foi aberta, e a maré embriaga boa parte do mundo, ainda que queiram ocultar, o pecado aí é a mentira, o engano e a traição à pessoa companheira. Isso sim é inadmissível. Ou se ama e se é fiel ou se vive na prostituída mentira.

Boa parte do mundo, ainda que queiram ocultar, o pecado aí é a mentira, o engano e a traição à pessoa companheira. Isso sim é inadmissível. Ou se ama e se é fiel ou se vive na prostituída mentira.

Com a colaboração impagável de Ana Paula Vieira da Silva, hoje educadora da infância

Raúl Iturra

Novembro 30, 2013

lautaro@netcabo.pt

 

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