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AS MINHAS MEMÓRIAS E A SEGUNDA MORTE DE ALLENDE

 

Derradeiro discurso de Allende, Rádio Magalhães, às 14 horas, antes da sua morte

Pode aceder ao discurso em http://www.youtube.com/watch?v=g1QJ-y_xUmk

AS MINHA MEMÓRIAS, E A SEGUNDA MORTE DE ALLENDE

Bem sei que no mês de Abril a primavera devia estar em pleno esplendor, com árvores carregadas de flores, promessas de deliciosas laranjas, amêndoas, maçãs, pêssegos e outras que nem me quero lembrar para não parar a escrita e ficar doente de tanta doçura. Promessas de flores que podem, ou não, acabar em fruto. Entre o Chile e Portugal, as estações são opostas: estamos no Outono no Chile e na Primavera em Portugal. Apesar disto, a realidade económica e social está às avessas da natureza: em Portugal vive-se um escuro Outono e no Chile, desponta com todo o vigor a Primavera, pois é um país com um alto Produto Interno Bruto (PIB).

Aliás, são épocas que me fazem lembrar problemas políticos de sangue e areia. Sangue, porque na Primavera do Chile foi assassinado (em Setembro) o Presidente da República, Salvador Allende, enquanto em Portugal acabaram com o Primeiro-ministro. José Sócrates, quem, como Allende no Chile, tem feito o impossível para manter a Nação com uma alta produtividade e, paralelamente, com uma divida baixa. No entanto, estamos a viver uma situação, diria, muito particular: há, pelo menos, vinte anos que a história económica de Portugal, entrou em falência. O país entrou na Comunidade Europeia e, infelizmente, o dinheiro que recebeu não foi investido, foi gasto. Falta de poupança que se verifica muito antes da entrada nas aventuras da vida política do nosso actual Primeiro-ministro. No entanto, é sobre ele que recaí a acusação quanto aos projectos de Economia e Crescimento, ruinosos para o país, afirmam alguns. Mas como? Se a nossa nação já estava em falência. O que Sócrates tentou fazer sem sucesso, foi o que Allende fez, na tentativa de salvar o deficit ou valor a menos do PIB, que nos persegue nas últimas décadas. Allende no Chile confiscou e nacionalizou as riquezas nacionais que se encontravam em mãos estrangeiras. Decisão que lhe custou a vida. Era materialista histórico. Para as suas opções, usava imenso a frase de Lincoln:

A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo.

Na entrevista realizada antigamente, por dois aprendizes de feiticeiros (quanto a entrevistas), tentaram encurralar o nosso antigo Primeiro-ministro, que nem tempo tinha para explicar o pretendido. A conversa fechou-se no Programa de Estabilidade e Crescimento, uma excelente ideia, em minha opinião, para salvar o país da falência, como aconteceu noutros países europeus, excepto na Alemanha, que parece ser, como diz Sócrates, o país proprietário dos outros países e das suas dívidas. Os conselhos germânicos, afinal nada adiantam para os outros países, pelo contrário: o encontro do nosso líder socialista com a Chanceler Alemã Ângela Merkel do Partido CDU ou União Democrata -Cristã, causou a desgraça do nosso PM. Bem sabemos que moramos e vivemos num país cristão, que sem Fátima não existiria. Crentes ou não, Fátima é o altar da pátria, mas com minúscula, porque quem comanda não é a denominada Nossa Senhora, é o Primeiro-Ministro, mas até um limite. Os Partidos que encurralaram a Sócrates e o levaram a demitir-se do seu cargo, excepto os de esquerda, são todos católicos cristãos. Os não cristãos, têm outra bulha com ele, motivada, penso eu, pelos acordos estabelecidos com Merkel, de crença luterana cristã, para desgosto da nossa esquerda.

Mas o que me causou um tremendo desgosto, foi a entrevista dada para o Canal 1 da RTP ou melhor, foi observar a cara de raiva dos entrevistadores, sobretudo a da rapariga (cujo nome oculto). Em menos de 30 minutos, Sócrates, nesses tempos, foi julgado na praça pública, sem tempo para ripostar: os jornalistas lutavam entre si para ver quem seria o melhor a julgar. É a moderna juventude, que nem respeito guarda pelas hierarquias, apenas quer lucrar, neste caso com a suposta melhor entrevista. O tiro saiu pela culatra. Foi a pior entrevista que tenho visto para o nosso PM. quem, no entanto, hoje é pensado como candidato a presidência da República

Allende era um respeitoso da crença dos outros e acompanhava o povo e o exército na comemoração da Padroeira Jurada do Chile, a Nossa Senhora do Carmo (del Carmen, em castelhano chileno.) Sócrates, acompanhava os Papas ao Santuário de Fátima. Passos Coelho, nunca tem tempo para nada nem o PR. Em Dezembro vamos ver com a canonização do Papa de Fátima, Karol Wojtila, ou João Paulo II, e o de Ângelo Roncaglio ou João XXIII. Cavaco Silva e Coelho dos Santos devem-se disponibilizar para o que vai ser o grande negócio de Portugal, a santificação de Karol Wojtila, esse Papa que fez do santuário, um ara internacional. Ângelo Roncaglio nunca cá esteve.

A entrevista referida causou-me, assim como os jornais diários, um imenso nojo que me faz pensar que estes ataques a um líder solidário, é como a segunda morte do meu querido Presidente, Salvador Allende. Ele foi assassinado. O que tenho visto na Assembleia e na televisão, é como a sua segunda morte na pessoa de um antigo PM, hoje comentador televisivo e candidato presuntivo à Presidência da República. A política tem razões que a razão não entende

Não esqueça o leitor que o texto é das minhas memórias e falo de Sócrates como PM, porque foi o começo do derrube da nossa economia tal e qual a vivemos hoje em dia. Não há continuidade ideológica, mas sim das finanças e da economia. Comparar Sócrates com Passos Coelho e Paulo Portas que vive de birras, fez-me lembrar o herói internacional, Salvador Allende que sabia o que era a democracia, como me parece que José Manuel Sócrates também sabe.

Tenho sido criticado por comparar Sócrates com Salvador Allende, mas, tendo vivido sob o poder dos dois, parece-me justo, especialmente porque o seu derrube causou uma falência económica que todos sofremos hoje em Portugal. Falência que começara já nos anos 70 do Século passado, com empréstimos solicitados por Ramalho Eanes. Para o cumprimento dos planos do 25 de Abril que o governo atual não respeita.

Raul Iturra

31 de outubro de 2013.

lautaro@netcabo.pt

 

 

 

 

 

 

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