A VINGANÇA É UM PRATO QUE SE SERVE FRIO
Ao longo de anos, ouviu as mais insidiosas e injustas críticas. Que o seu mundo intelectual se confinava à aritmética, que não via para além das fronteiras do seu bairro, que o Porto perdia a oportunidade de se afirmar como “pólo de atracção”, que espezinhava e sufocava a actividade cultural. Até o fogo-de-artifício das festas de S. João foi argumento político.
Disparates a que respondeu com indiferença, trabalho e competência.
À medida que o tempo passava, o reconhecimento público pelo bom trabalho efectuado se manifestava em votações esmagadoras e a cidade se transformava, os críticos tiveram de “meter a viola ao saco”. Na última campanha eleitoral, a “pobre” da Elisa Ferreira não conseguiu fazer mais do que subir e descer a Avenida da Boavista mostrando a sua “desqualificação”. (O que era verdade, mas causado por outras vereações).
Entendeu chegada a hora de desferir violento golpe naquele dos seus críticos cuja motivação era mais torpe, já que renunciara por défice de coragem ao que Rio aceitou – enfrentar o Vila-Condense que era tido como imbatível.
Tem razão? Não tem!
Meneses fez muita coisa má em Gaia, mas fez também muito de bom – está à vista.
Foi justo? Não!
Esqueceu que, dos candidatos anunciados à sua sucessão, Meneses não foi o único dos seus disparatados e sobranceiros críticos.
Foi útil à sua imagem pública e à eventual (e legítima) aspiração ao prosseguimento de uma carreira política? Não!
A superioridade moral das pessoas vê-se nas horas de êxito.
Não precisamos de políticos que usem os cargos para que são eleitos ou mandatados com fins de desforço pessoal.
Rui Rio deixou-se seduzir pela voragem da inutilidade mediática. Aceitou o caminho da baixa propaganda. A partir de agora, não poderá obviar à suspeita de plena integração nos jogos de interesses que dominam os centros de poder.
O que é pena, porque o país já não sabe se pode contar com ele.