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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Agora sim vamos ter um governo estável

Acabou-se a chantagem . A posição conjunta vai ter que ser mesmo uma maioria, caso contrário, a já estreita margem de governação será perto do zero. Ou então, os partidos da geringonça terão que se defenir. Na verdade não se vê como é que se podem tomar medidas de fundo que nos tirem da má situação em que o país se encontra.

Mas esta situação era mais que óbvia. Se o PS quer fortalecer o Euro como forma de consolidar a União Europeia - nas palavras de António Costa em recente conferência na Gulbenkian - como é que esse objectivo se compagina com o objectivo do PCP e BE de sair do Euro e da UE ? 

Está escrito nas estrelas, PS, PCP e BE vão estar muitas vezes de costas voltadas, embora ainda haja pequenas coisas onde se podem entender. Mas não em matérias centrais . Ou então algum dos partidos vai ceder e afastar-se da sua identidade . O PCP não o fará seria sua morte política. O PS tenderá a aproximar-se do centro. Resta o BE e sua cinturinha de vespa que lhe permite avanços e recuos .

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A CGTP segue as lições de Álvaro Cunhal

A concertação social é o esvaziamento da luta de classes , foi mais ou menos assim que Cunhal caracterizou o diálogo entre patrões, sindicatos e governo. É, claro, que a CGTP, aluno directo do dirigente comunista, nunca esqueceu a lição e há 40 anos que não assina os entendimentos conseguidos .

Finalmente ( há sempre uma primeira vez) a UGT bateu com o punho na mesa e disse o que é claro para todos. Ou a CGTP participa tendo em vista a procura de soluções ou a UGT só assina se a CGTP assinar . Para já está em cima da mesa a questão do desconto no PEC ( pagamento Especial por Conta ) que visa substituir a chumbada TSU .

Questionado sobre se a CGTP quiser entrar na negociação da adenda sem assinar o acordo de concertação social, Carlos Silva reforçou a posição: “Não estaremos [na mesa das negociações], nem assinaremos qualquer aditamento”.

A CGTP avisou ( ou ameaçou) que a UGT tenha cuidado . E para quem ainda tenha dúvidas acerca do padrão estalinista da CGTP, acrescentou :

"Para nós, o nosso adversário não é a UGT, o nosso adversário são as confederações patronais e hoje a UGT juntou-se às confederações patronais para caluniar e mentir aos portugueses no que respeita à intervenção da CGTP e isso é grave", considerou Arménio Carlos.

Isto é, segundo o sindicalista estalinista, nas empresas onde se produz riqueza e se pagam salários, impostos, taxas e taxinhas, não existe uma organização, existe uma guerra entre empregadores e trabalhadores . Há patrões que também pensam assim. E Portugal continua pobre e atrasado com estes canastrões.

 

Com a TSU o PS quis aproximar-se da direita

António Costa sempre soube que BE e PCP nunca aceitariam a compensação aos patrões até porque isso demonstraria que o Salário Mínimo é excessivo face à situação da economia. Mas avançou assim mesmo na convicção que o PSD estaria do seu lado.

Vai tentar este movimento mais vezes porque Costa sabe melhor do que ninguém que o BE não é confiável. Costa sabe que com o BE está a dormir com o inimigo. O BE não tem uma estratégia navega ao sabor de casos que aproveita para cavalgar a onda. Bem ao contrário do PCP.

O PS quer ganhar tempo enquanto os seus apoios têm este tempo não têm outro. Não só estão estrategicamente em oposição como o seu ritmo não pode ser mais diferente. Costa tem que romper a geringonça e vai continuar a tentar fazê-lo. Até porque há rupturas sem as quais não se resolvem os problemas estruturais . E sem essas rupturas o país não avança, não melhora.

O governo neste momento, está numa posição cada vez mais difícil .Não pode ir muito mais além com o PCP e o BE mas, as taxas de juro, o débil crescimento e a banca exigem-lhe o tempo que não tem. Ao contrário do que diz o infeliz secretário de estado (ex- dívida que não é para pagar ) o PS cada vez mais precisa da direita para ganhar tempo.

Os indicadores para a economia são paupérrimos

Além da taxa de juro a 10 anos que é muito alta ( 4% contra 1,5% da Espanha) a dívida e o crescimento da economia são frágeis e não contribuem para que o país saia do procedimento dos défices excessivos. Não basta ter um défice abaixo dos 3% é preciso ser sustentável mas o andamento da dívida , dos juros e do crescimento não dá garantias. 

O analista responsável pelo soberano de Portugal afirmou que a agência estará atenta a uma trajetória de redução da dívida (pública e externa) e do crescimento económico.

“O que aconteceu é que [as trajetórias destes indicadores] estagnaram. Para fazermos qualquer ação positiva sobre o rating no futuro temos de nos focar nisto”, afirmou.

Federico Barriga mostrou-se preocupado com o crescimento económico e com os níveis de endividamento externo, afirmando que “o que a economia portuguesa deve ao resto do mundo continua a ser muito elevado”.

“O crescimento económico é importante para reduzir a dívida, mas um crescimento de 1,5% [conforme prevê o Governo para 2017] não vai mudar a dinâmica da dívida . E para 2018 o governo prevê um crescimento de 1,7%. Vá lá já não mentem como quando previam 2,4% de crescimento para 2016 .

Alerta vermelho : dívida cresce em 2016 4,4%, mais do que em 2015

Cresce a dívida e cresce a taxa média de juros o que contas por alto dará mais um encargo entre 2 mil milhões e 3 mil milhões anuais . Uma hecatombe mas, em vez de medidas para combater o desastre, o que temos é optimismo . Patético .

Comparando com o final de 2015, o rácio da dívida estatal no PIB subiu de 126% para 128% em dezembro passado.
 
Como é sabido, Portugal tem ainda dívida oficial, a que resulta dos empréstimos concedidos pela Europa e o FMI durante o programa da troika. Aqui apenas de relevar a redução da dívida ao FMI, mais cara, mediante pagamentos antecipados. A descida foi de 22%; o país deve agora 16,3 mil milhões de euros à instituição sedeada em Washington. Na dívida oficial à Europa, tudo na mesma. Portugal deve 24,3 mil milhões ao fundo da Comissão Europeia (empréstimos bilaterais de vários países) e 27,3 mil milhões de euros ao Mecanismo de Estabilidade Europeu (o fundo comum da zona euro). -
 
A esperança é que esta dívida ao FMI e às Instituições financeiras europeias possa vir a ser renegociada com aumento de prazos e redução dos juros e pagas, por exemplo, com os dividendos que Portugal recebe enquanto accionista do BCE.
 
Digam ao BE e ao PCP para se calarem com essa coisa da renegociação unilateral da dívida. Não estraguem ainda mais .

Alerta vermelho : taxa de juro novamente acima dos 4%

Hoje é dia de reunião do Eurogrupo e Portugal está no radar. Os juros já ultrapassaram hoje a barreira dos 4%. O aumento das taxas de juro a 10 anos que não para é o sinal da falta de confiança .

Mas a que se deve esta falta de confiança se o défice é o mais baixo dos últimos 40 anos ? E se a dívida não está a crescer ? A resposta é simples. Os investidores têm muitas dúvidas que a história seja a que o governo conta . O défice desceu mesmo com medidas estruturais ? Lá para Março com a publicação oficial das contas públicas saberemos a verdade, até lá pagamos com língua de palmo.

A prova final da falta de disponibilidade para financiar Portugal aconteceu dia 11 de Janeiro deste ano, quando o Tesouro conseguiu o financiamento de três mil milhões de euros à taxa de 4,2%, o juro mais elevado num empréstimo a dez anos desde Fevereiro de 2014, mais uma vez quando a troika ainda cá estava. Espanha pagou cerca de 1,5% na sua mais recente emissão de dívida a dez anos, logo nos primeiros dias de Janeiro. Claro que com esta subida dos juros a taxa implícita paga pela dívida pública, que tinha estado a descer, começou a subir como Edgar Caetano explica neste “fact check”.

Os sinais de desconfiança estão a ser demonstrados há mais de um ano através das taxas de juro implícitas nas Obrigações do Tesouro a 10 anos. O ano de 2016 terminou com uma taxa de rendibilidade média mensal de 3,74%, o valor mais alto desde Abril de 2014.

Portugal não está a conseguir emitir dívida a juros mais baixos do que a média do stock. A rotação da dívida é mais cara e não mais barata como sugeriu o Presidente da República. Outros países estão a consegui-lo, como Espanha e Irlanda, mas não está a ser o caso de Portugal.

Marcelo já admite novo governo

Marcelo deixou cair a linha limite das autárquicas e já fala em legislatura. Paralelamente também fala em novo governo .

O ano que agora começou vai ser de enormes tensões e a TSU mostra como a geringonça pode facilmente entrar num caminho de bloqueios. Percebendo tudo isto, Marcelo mudou a agulha e diz agora que a oposição deve durar a legislatura (e até já admite outro Governo se o de Costa falhar: “hoje é o de Costa, amanhã é o de Passos”). Assim como assim, mais vale jogar pelo seguro. Não vá o diabo tecê-las.

Porque mudou Marcelo ? Porque a anunciada morte do "passismo" era claramente exagerada .

Taxa a 10 anos é a que mais sobe na europa

trajectória da taxa a 10 anos é muito preocupante porque não para de crescer e fica por lá nos níveis elevados. Já andou acima do 4% para hoje estar nos 3,917% . Só não é preocupação para o primeiro ministro e para o presidente da república.

A preocupação revelada pelo Eurogrupo acontece após um período de agravamento dos juros da dívida nacional, que no prazo a 10 anos ultrapassou a fasquia dos 4%, neste mês. Os juros nacionais nesse prazo entretanto aliviaram, mas hoje estão novamente sob pressão. A taxa de juro a 10 anos portuguesa é a que mais sobe na Europa. A ‘yield’ nacional nesse prazo agrava cerca de seis pontos base, para 3,917%.

O que isto quer dizer é que não há confiança a médio e a longo prazo . O Eurogrupo duvida mesmo que consigamos pagar os empréstimos da troika .

No encontro dos ministros responsáveis pela pasta das Finanças dos países da zona euro, um dos temas em cima da mesa será o acompanhamento do pós-programa de assistência financeira a Portugal, mas também à Irlanda. Em concreto se existem riscos que possam colocar em causa a capacidade de devolver os empréstimos recebidos ao abrigo do programa de assistência financeira.

A taxa de juro a 10 anos é o indicador mais forte de que a situação em Portugal não é boa. E custa milhões .

A ansiedade de Catarina Martins

Eleições antecipadas agora seriam um desastre diz Catarina Martins mostrando bem a sua ansiedade perante um cenário que tanto teme. Mas são cada vez mais as vozes que se erguem dizendo que o que o governo consegue é poucochinho, a economia não cresce o suficiente para pagar a dívida que continua a crescer, conter as taxas de juro demasiado altas, conseguir investimento. Em 2017 tem que ser o ano do investimento como se a doce Catarina tivesse alguma influência em tal área. E a ter é negativa .

 Camilo Lourenço : O artigo de hoje: A "geringonça" corre perigo de vida devido aos arrufos provocados pela baixa da TSU? Não. O assunto fez aumentar a tensão entre os dois partidos mas nem PCP nem Bloco de Esquerda morrem de amores por eleições agora (o PSD também não, mas por motivos diferentes). E a razão é simples: PCP e Bloco perderiam parte do apoio que receberam nas últimas eleições. O PCP vai disfarçando esse receio, mas o Bloco mostra um claro receio em relação a esse cenário. Isso mesmo ficou evidente na entrevista de Catarina Martins ao "Público", onde diz que convocar eleições agora "seria um tremendo erro".
O erro foi Catarina ter dito isso. Pôs a nu a fragilidade do seu partido perante o parceiro maior da coligação: o PS. E António Costa, que inventou a questão da TSU para testar as águas, deve ter ficado a rir-se da entrevista