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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Quando éramos todos comandos

Sou da geração que fez a guerra em Àfrica. Aos dezasseis anos começávamos a ouvir a frase " és carne para canhão" .

Aos 20 anos lá íamos para a recruta que tinha que ser exigente. O que sofríamos por cá podia salvar-nos a vida no teatro de guerra. O pior não eram os exercícios e as corridas. O pior era a prepotência e a impreparação de quem tinha como função instruir.

Rapidamente me apercebi que quando o instrutor era um oficial preparado, um profissional, as coisas corriam bem. Raramente havia incidentes, éramos tratados por igual, e havia respeito mútuo. Mas quando faltava o oficial - não raras vezes - e o instrutor era um miliciano mal preparado e arrogante porque tinha mais dois ou três anos de antiguidade, aí o perigo espreitava.

Redobravam os castigos por tudo e por nada - as vítimas eram quase sempre a mesmas - campeava a prepotência e arrogância, vinham ao de cima as preferências e as amizades. Depois havia uns quantos que tendo dinheiro e carro - fundamental - fomentavam uns jantares e umas idas aos bares mais próximos com umas menina à mistura. Quem, como eu, não tinha cheta, levava pela medida grossa. No que me cabe apanhei uma carecada e cinco dias de detenção. Porquê ? Porque na minha versão gritei caralho quando caí sobre uma pedra mas na versão do suposto superior mandei-o para o caralho. Não é que ele não merecesse mas na verdade quando me atirei para o chão não dei conta que ele estava tão perto de mim.

E pronto, assim arranjei um ódio de morte a tudo o que cheirava a tropa, os quatro piores anos da minha vida.

Vem isto a propósito de nas recentes mortes no curso de comandos estarem ausentes o Tenente-Coronel, comandante do curso, o capitão, segundo comandante e o médico. Sabe-se que duas enfermeiras foram jantar quando os dois recrutas já estavam recolhidos na tenda médica de campanha.

Os principais responsáveis pelo curso souberam das duas mortes e dos nove acidentados pela imprensa tal como nós. Como profissionais devem ter tido boas razões para estarem longe dos postos que lhes competia assegurar.

 

De repente a União Europeia começou a oferecer flores

E se de repente lhe oferecerem uma flor ? reza a publicidade . De repente a União Europeia começou a oferecer flores . Foi o Brexit, mais a eleição de Trump, a eventual demissão do primeiro ministro em Itália ou a possível vitória de Le Pen em França ?

Num momento, António Costa recebe uma semana de prendas, orçamento sem mais exigências e Bruxelas a jurar que a nossa economia foi a que mais cresceu . Embalado o BCE já está mais convencido que é necessário prolongar o programa de compra de dívida para segurar os juros . 

Será por isso, ou ao menos também por isso que, de repente, o primeiro-ministro português caiu nas graças da União Europeia. O crescimento atingido pela economia caseira já este ano também ajuda, mas a verdade é que, se a envolvente no interior da UE não tivesse mudado na sua substância, era sempre possível aos euro-burocratas ou àquela malta que manda no Euro Grupo embaraçar o executivo de António Costa por mais uns mesitos.

Mas depois de anos tão duros não seria de esperar que viesse maior flexibilidade por parte de Bruxelas ? Com a melhoria evidente da situação na União Europeia ( onde todos os países crescem embora pouco) seria de esperar uma teimosa posição dura ? A extrema direita mete medo ? Mete , e é outra razão para que Bruxelas responda mudando de estratégia.

E, eis como, uma situação que está pendurada em dois ou três frágeis apoios passa a receber elogios que há pouco meses seriam impensáveis. E, sem que a realidade tenha mudado, assim, tão bruscamente .

 

 

Há ouro em Portugal. E os ambientalistas deixam perfurar o chão ?

Já em 2012 a empresa concessionária anunciava a existência de elevados teores de ouro nas prospecções que decorriam no Alentejo. Três anos depois confirma-se a boa notícia. Vamos lá a ver se não aparecem por aí os mesmos de sempre com uma petição para embargar os trabalhos . Furar o chão é que não, pode ser o mote tal como estão a fazer para a exploração do gaz e do petróleo.

Em Setembro de 2013, a empresa britânica tinha já anunciado "excelentes resultados" nas amostras recolhidas do solo alentejano. Agora, três anos depois, comprova que existe mesmo ouro naquela zona – isto depois de, em Setembro passado, ter anunciado que as perfurações iam começar.

Mas não é só no solo alentejano que o ouro brilha. Em Agosto passado, a também canadiana Medgold Resources anunciou que iria avançar com uma campanha de prospecção de ouro em Boticas (distrito de Vila Real), com 12 furos e um investimento de um milhão de euros.

Os direitos de prospecção foram atribuídos à Medgold pela Direcção-Geral de Energia e Geologia em Agosto de 2013 – que obteve também licenças para o distrito do Porto.

Ouro a céu aberto .