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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A maioria dos que votaram pela saída não viverão o suficiente para a ver

Ou seja, aqueles que serão mais afetados pelos efeitos e implicações do Brexit, não o querem – aliás, dada a complexidade e os prazos do processo, é fácil perceber que muitos dos que o decidiram poderão já nem assistir à sua conclusão.

Os números do pró-europeísmo nos restantes países mostram tendências semelhantes. É encorajador que tantos de nós, que só assistimos às imagens da queda do Muro em diferido, tenhamos esta intuição, este sentimento claro de que, juntos, percorreremos melhor o caminho da História nas próximas largas décadas. Mais do que encorajador, é reconfortante, quando os gritos dos populismos suscitam ecos do pré, e não do pós, II Guerra.

Pensando bem, não surpreende quando, noutros países, além de Millennials* somos também a geração Erasmus que nunca viu fronteiras; a geração euro que não se lembra do escudo, do franco ou do marco

* nascidos nos anos 80 ou nos anos seguintes

Para ganhar e para perder basta um voto

Não se pode mudar de regras quando se perde ou quando se ganha. A Democracia é assim, ganha-se ou perde-se por um voto. Já há uma petição a correr que angariou quase 100 000 assinaturas a pedir :

Nós abaixo-assinados pedimos ao governo que implemente uma regra que dite que se o voto na saída ou na permanência for inferior a 60%, e a adesão for inferior a 75%, deve haver um segundo referendo.

Depois do referendo de ontem não parece que a petição tenha pés para andar mas mostra quanto de desespero se apoderou dos ingleses, ainda para mais com a Escócia independentista a votar acima de 60% no "remain" .

É preciso cabeça fria mas a União Europeia tem que mudar, estar mais próxima dos países. Empobrecer os povos não é uma forma feliz mesmo que seja eficaz o que também deixa dúvidas.

Estou sempre a lembrar-me daquele dirigente europeu holandês que passa o tempo a ameaçar Portugal e Espanha com sanções num exercício estúpido de arrogância.

Menos Europa e menos integração parece ser o caminho. Pode ser necessário dar um passo atrás para dar dois passos em frente.

Grande desapontamento

Não esperava, confesso. É um facto desapontador e tenho dificuldade em prever as consequências desta votação pela saída do Reino Unido da União Europeia.

É claro que o tema da imigração foi determinante o que não é de estranhar porque nestas coisas é a emoção e não a razão que funciona. A imigração e a livre circulação das pessoas assusta muita gente, desde os que a ela atribuem as suas dificuldades de emprego até ao terrorismo . Dois argumentos muito poderosos e que na hora de votar fizeram inclinar a votação para a saída.

Há milhões de imigrantes no Reino Unido que poderão sofrer consequências negativas e as torneiras da segurança social vão fechar-se para muitos deles. E a imigração vai passar a fazer-se segundo as necessidades da economia. Quem não tem trabalho não entra e não fica.  Essa é a curto prazo a mais provável das consequências. Depois virá a economia, tanto para os Britânicos como para os europeus.

E não esquecer que é dificil manter a razão quando o vizinho é assassinado na esquina mais próxima. Le Pen na França tem razões para sorrir.

Espero bem que a UE face a este resultado não inicie um processo de desagregação, abrindo mão dos seus princípios. Esse é o caminho mais fácil mas também o mais perigoso. Trata-se agora de a UE ter uma profunda reflexão no sentido de se fortalecer porque o que há a perder é demasiado importante