Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

BandaLarga

as autoestradas da informação

BandaLarga

as autoestradas da informação

Histerismo saloio cerca Lisboa

Eu que ando cá por Lisboa há 52 anos e que já palmilhei a cidade dezenas de vezes ( o médico diz que os meus pés estão uma desgraça não posso andar tanto) não sei se morro de riso se de tristeza com o histerismo que grassa por algumas cabeças bem pensantes. Agora é o turismo.

Eu vejo em Lisboa gente jovem e não jovem linda, que aprecia o nosso sol, a nossa gastronomia e a nossa cidade. Vejo como nunca a recuperação dos imóveis na baixa e nos bairros mais castiços. Os restaurantes cheios, os transportes cheios. A nossa gente com trabalho e a fazer o que de melhor sabe fazer. Receber com cordialidade e simpatia.

A cidade ferve como já dizia Camões " de muitas e desvairadas gentes " . Ali no Rossio lembro-me sempre de Luís de Camões e de Cesário Verde, o seu amor por Lisboa cheia de gente de distintas origens. Lisboa foi sempre assim, aberta ao mundo a quem nos quer visitar.

Mas há gente que pisa tudo o que mexe. Metidas nas suas tamanquinhas vêem horrores onde só há vida. Olham para a felicidade dos comerciantes e dos empresários ( pequenos) e só vêem o lucro malvado. Casas recuperadas segundo as instruções da Câmara como atentado à autenticidade das velhas casas a cair de séculos.  

Debaixo da capa fracturante e prá-frentex há uma alma poeirenta e profundamente conservadora .   

 

 

Nada como falar olhos nos olhos

Hoje falamos com muita gente que nunca vimos e isso empobrece sobremaneira a relação entre as pessoas. Conversar e conhecer o parceiro é muito mais do que palavras, passa pelas emoções que os olhos transmitem e que o corpo acentua aqui e ali.

Hoje encontrei um ex-companheiro de blogue. Ele alinhava na ala esquerda ( muito esquerda) e eu alinhava na ala moderada ( social democracia). Esta diferença colocava-nos muitas vezes em confronto, parecia mesmo que quase tudo nos separava.

Fomos ambos corridos do blogue por quem não aceitava as opiniões diferentes, embora a culpa deva ser assacada a quem iniciou o blogue numa equipa onde a palavra de ordem era " cabiam todas as opiniões ". Mas adiante que de ingratidões está o mundo cheio já não é só o inferno.

Mas, agora, o Carlos Marques livre de disciplinas blogais, anda por Lisboa onde o encontro frequentemente. Hoje estivemos a beber um copo numa conhecida pastelaria e deu para nos conhecermos melhor. Acontece que o nosso percurso académico é similar, passando pelo Instituo Comercial de Lisboa até ao então ISE. Os mesmos professores, os mesmos colegas, estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Depois as grandes empresas industriais que na altura precisavam de quadros que não existiam no mercado.

Apresentei-o a um amigo meu de infância, membro do Partido Comunista. O bom do Carlos Marques apressou-se a dizer que não era membro do partido e eu tive que o salvar de uma acesa discussão desviando a conversa para o livro que todo o economista anda a ler. " O Capital no Século XXI" do Thomas Piketty. E lá estivemos à conversa servindo eu de mediador.

Fantástico, como são ténues as coisas que nos separam e tantas as coisa que nos juntam. No fim somos todos gente, feitos da mesma massa, frequentando as mesmas escolas, bebendo a mesma água e respirando o mesmo ar.

A paixão ideológica separa-nos o amor ao próximo aproxima-nos. Eu, por mim, sou amigo de toda a gente desde que me deixem pensar e viver como gosto.

 

O sector das frutas e dos legumes duplicará a produção e as exportações em cinco anos

Qual é o trunfo de Portugal sendo que em quantidade não poderá ser competitivo ? A precocidade ( fruta madura no mercado um mês antes da concorrência), o sabor e o aroma, especialmente temperados pelas influências mediterrânicas e atlânticas em simultâneo.

A pêra rocha delicia os alemães e grande parte da Europa tal qual a laranja que só não vende mais porque não produz mais. E temos os frutos vermelhos ( morangos, mirtilos, groselhas, amoras e framboesas). Um crescimento de 30% face ao ano anterior.

Consolidadas as vendas na Europa seguem-se a Colômbia, o México , o Peru , e a China. Há imensos projectos em fase de desenvolvimento, nomeadamente na área da pêra, dos frutos vermelhos e dos kiwis que irão duplicar a produção.

As exportações já representam 97% das importações de fruta quando em 2010 apenas representavam 65%. O segredo ? Um mega-acordo conseguido pela Portugal Fresh com o gigante da distribuição Lidl que agora está interessado também em vender fruta portuguesa nas suas lojas fora da Europa.

A escola pública não está a ser atacada

Corre por aí um manifesto em defesa da escola pública. Ora, a verdade, é que só precisa de ser defendido o que está a ser atacado o que não é o caso da escola pública. Trata-se de um táctica conhecida, inventa-se um inimigo ou uma ameaça para desviar a atenção do que realmente está em questão. 

E a questão é que a uma escola pública centralizada, com o estado como único prestador de ensino público, deve corresponder uma escola descentralizada, com vários modelos de financiamento e gestão e com prestadores do serviço variados e com autonomia e proximidade.

"As famílias têm a liberdade de escolher essas escolas em vez das escolas públicas. O Estado não interfere no projeto educativo dessas escolas, nem na sua gestão. Os graus conferidos por essas escolas são reconhecidos. Defender a escola pública não é, pois, pôr em causa a liberdade de ensinar e de aprender", sustenta-se no texto que é subscrito pela direção do PS.

As famílias que têm dinheiro têm liberdade para escolher boas escolas as que não têm dinheiro são obrigadas a meter os seus filhos em más escolas sem escolha possível.

 

As 35 horas e o desemprego oculto

... os cerca de 560 000 funcionários públicos passarão a fazer em 19 600 000 horas semanais o que antes faziam em 22 400 000 horas semanais. Por outras palavras:  o equivalente  a 70 000 dos 560 000 000 funcionários públicos portugueses encontravam-se desempregados.

A Teoria Económica chama-lhe " subdesemprego" ou " desemprego oculto".

Prof Daniel Bessa - Expresso