Pronto, já pediu desculpa. Carecas, feios e desdentados. Estamos conversados. Foi há anos, bem sei, mas se bem me lembro esta peruca mal amanhada anda naquela cabeça a esconder a calva há pelo menos 50 anos.
Nas redes sociais há um fenómeno tenebroso. Dar vida a notícias que têm anos como se fossem de hoje.
A notícia pode ser colocada num contexto diferente e os comentadores até se dão ao luxo de fazer os seus comentários sem lerem a notícia.
Mário Soares foi mandado parar pela GNR mas isso foi nos anos 90. A economia está a crescer mas isso foi há 10 anos. O emprego aumentou mas isso foi há 5 anos.
Como estas notícias agora interessam aparecem como sendo actuais. E quem as coloca sabe bem o que está a fazer aproveitando-se da ligeireza de quem navega pela internet. Até porque ter assim à mão um menu de notícias que aparecem como por encanto nos momentos em que podem lançar a confusão não é para todos. É para gente instruída na contra-informação.
Com as más noticias actuais sobre a economia estas "não noticias" fazem coro com António Costa que diz que está tudo como previsto. E com Catarina Martins que esboça uma critica ao poucochinho não sem antes dizer que é preciso mais crescimento do emprego ( ele não está a crescer). Jerónimo de Sousa vai alinhando com a cassete habitual. A culpa é dos constrangimentos europeus ( como se sem a Europa o país não estivesse sujeito a metas e a rigor )
Militantes do Partido Socialista avançam com manifesto onde criticam as politicas do governo.
A iniciativa é da Corrente de Opinião Esquerda Socialista e é apresentada como uma reunião que “congregará dezenas de militantes socialistas descontentes com o rumo que António Costa está a imprimir ao país e ao partido”.
O manifesto alerta que “os indicadores da evolução económica e do emprego são muito preocupantes”. E questiona: “O que vai acontecer quando o estado de ilusão, de torpor e de campanha eleitoral em que vivemos esbarrar nas suas insanáveis contradições: a economia e a Europa?”.
O documento considera ainda que “à semelhança dos seus congéneres europeus, o Partido Socialista vem dando manifestos sinais de declínio como bem ilustram os resultados das últimas eleições europeias e a derrota nas recentes legislativas”.
Excesso de equilibrismo leva-nos para maus caminhos. "A atitude otimista de simplesmente confiar na 'sorte' pode dar origem a um grande 'azar' e é certamente uma grande irresponsabilidade". O ex-PM não usa de rodeios, acusa António Costa de "falar a duas vozes, uma para dentro, satisfazendo clientelas políticas radicais, e outra para fora, procurando acalmar a desconfiança crescente dos investidores e dos parceiros", o que, no seu entender, só "complica ainda mais a situação". Acusa mesmo: "Aqui, o excesso de 'habilidade' e de 'equilibrismo' não são disfarçáveis e contribuem para acentuar uma imagem negativa de 'chico-espertismo' ".
E não, não são as condicionantes externas. O preço do petróleo é uma grande ajuda e o programa do BCE está forte como nunca. São mesmo as políticas internas que aumentam a desconfiança entre os investidores . A economia não arranca, o desemprego sobe e a importação de automóveis cresce. Dar dinheiro a alguns e aumentar os impostos a todos deixa pouca margem para incrementar o consumo interno de produtos nacionais.
Vai ser o IVA. É fácil, é imediato e dá milhões . E a redução do IVA na restauração não cria postos de trabalho mas aumenta os lucros.
Entretanto, enfermeiros, médicos e pensionistas chegam-se à frente também querem ganhar mais. Foi aberta a Caixa de Pandora. As 35 horas patinam, não serão para todos e não entram em aplicação em 1 de Julho. O orçamento não comporta a despesa. E, em troca, os sindicatos salvos por Costa vão exigir o quê ?
O investimento deu um trambolhão de todo o tamanho, os investidores olham com desconfiança para um governo que se apoia em partidos anti-capitalistas e anti- Europa. E a desgraça do desemprego, assim, não tem como ser resolvido.
Perante este desgraçado cenário Marcelo e António Costa correm para Bruxelas jurando o que escondem cá dentro. Costa perante o comportamento da economia diz que o mau desempenho é porque está a acomodar. Já acomodou diz o PM agora é que vai ser. Não há nenhuma hipótese de chegar aos 1,8% orçamentado . E menos economia dá menos receita.
O consumo interno acelerou com a compra de automóveis como se previa.
A economia arrasta-se , a execução orçamental patina, as exportações caiem. Bruxelas ameaça com mais medidas e com sanções.
O desemprego continua alto, as taxas de juro já estiveram mais confiantes, o PIB não descola, o investimento estrangeiro segue o mesmo caminho.
Quando um governo é eleito espera-se que traga alguma coisa. Que construa, que acrescente e que não se limite a desfazer o que foi feito.
Mas nada disto será feito por um governo que não encontrará consensos com a oposição e que se mostra de mãos atadas, refém dos equilíbrios externos e internos - e com os sindicatos vigilantes e dispostos a combater qualquer medida que comprometa a sua sobrevivência.