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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Aceitar o direito de escolha na saúde e negá-lo na educação

No mesmo governo, o ministro da educação nega o direito de escolha da escola às famílias e o ministro da saúde faz do direito de escolha do doente a grande reforma do SNS.

“A arma [para os serviços de saúde cativarem os utentes] é a qualidade, é o desempenho e a transparência. Temos de ter um Serviço Nacional de Saúde (SNS) exigente consigo próprio e que gosta de ser avaliado”. O contrário do que pensa o ministro e a secretária de estado da educação que não se importam de ser avaliados por quem quer a educação centralizada e em circuito fechado.

Na saúde trabalha-se para uma maior autonomia de quem está no terreno, na educação entregam-se as escolas a quem não sai dos gabinetes do ministério e da sede da Fenprof.

De acordo com o ministro, estão ainda a ser feitos “os estudos necessários”, mas as primeiras medidas serão ensaiadas a partir de abril, quando forem assinados os primeiros contratos-programa com os hospitais.

Esta livre escolha deverá estar a funcionar em pleno daqui a dois, três anos. Mas não se julgue que há aqui uma trapalhada porque não há . O BE já começou a dizer que é preciso destruir a oferta privada na saúde. O argumento é o mesmo. Quem quer bons serviços paga-os.

 

Aquele fim de tarde no Jamor

Já não sei em que ano foi, mas talvez 66 ou 68 por aí. A guerra colonial estava no seu auge, sentia-se um pulsar de descontentamento em todo o país. Marcelo Caetano adormecia-nos com as suas "conversas em família" na televisão e Salazar ainda estava quente.

Nessa tarde cheia de sol, jogavam o Benfica e Académica no final da Taça de Portugal. O estádio do Jamor rebentava de gente jovem e de capas e batinas onde se escondiam os "panos" do protesto. De repente passou a palavra, era preciso segurar nos panos que alinhados davam corpo às palavras de ordem. As bancadas norte e sul ficaram, subitamente, escondidas por largas tarjas onde se lia "abaixo o fascismo", "liberdade" e outras ...

Primeiro houve um silêncio logo seguido das palavras de ordem gritadas. Não tardou que a polícia junto ao relvado e a GNR no bosque por cima das bancadas dos topos norte e sul, se organizassem para calar a multidão.

No relvado as duas equipas disputavam a Taça que julgo que o Benfica ganhou por 2 a 1. Grandes jogadores. Rui Rodrigues, os irmãos Campo ( Mário e Vitor), Artur Jorge, Ernesto, Gervásio e no Benfica já então Toni, Humberto, Eusébio...

À saída no lado da Maratona esperava a polícia munida de cassetetes. Avisado, o pessoal fugia pela parte de cima das bancadas perseguido pela GNR a cavalo. Mas no meio de uma multidão havia formas de escapar e no meio do bosque os cavalos não eram tão rápidos como jovens nos seus vinte anos.

Para mim já é tudo uma visão longínqua mas lembro-me bem da extrema beleza daquela tarde, com uma luz luxuriante e um magnifico estádio cheio de uma multidão onde imperava a juventude. E a rebelião.

PS: agora me lembro que vi Marcelo Caetano  pela 1ª vez na televisão em Caldas da Rainha. É capaz de haver nesta memória alguma confusão. Mas que foi um dia inolvidável disso não há dúvida.

bancada-da-academica-jamor.jpg

 

A contradição insanável sublinhada pelos socialistas

O PS a várias vozes reafirma o seu europeísmo como resposta à insistência de Jerónimo de Sousa no mantra comunista. Saída do Euro, moeda própria, renegociação da dívida e controlo público da banca, condições que Jerónimo de Sousa considerou insanáveis com o projecto europeu.

No mesmo artigo, outras vozes socialistas juntam-se ao líder recém-reeleito do PS para afirmarem a mesma convicção no projeto europeu. Segundo Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, advoga que “o PS não deixará de ser um partido pró-Europa e pró-integração dos países europeus”, mas os socialistas desejam um debate sério sobre o que deve ser a Europa, nomeadamente nos direitos e numa relação que seja de parceiros iguais e em que Portugal seja igual aos outros países”.

A realidade está a trazer o PS para as suas convicções mais profundas que fizeram do partido um campeão das liberdades e da integração europeia.

Governo prepara recuo parcial

Face à viva indignação dos representantes dos colégios e das forças vivas da sociedade, António Costa ensaiou o recuo embora parcial. O colégios seriam financiados segundo a capacidade financeira das famílias. O estado pagaria a diferença.

É um passo na direcção certa embora deixe a questão central adiada o que é uma marca do Primeiro Ministro. A liberdade de escolha das famílias e o financiamento ser feito directamente ao aluno e não aos colégios.

As manifestações de protesto estão a incomodar muito pois é o povo que está na rua, como sempre está quando se mexe nas suas convicções mais profundas. E o fecho dos colégios tem consequências muito para além dos alunos e suas famílias, mexe na economia local. Isto nas povoações mais pequenas.

E que dizer de uma cidade como Coimbra que vê vários colégios, todos eles referências na educação, serem fechados ou reduzidos na sua actividade ? Sabemos como votam os cidadãos de Coimbra e a sua importância na cultura e na política. Dentro do PS há quem  não concorde com a posição do governo que está muito mais próxima do PCP e do BE que do partido.

Entretanto, os sindicatos comunistas da educação, oferecem aos professores em vias de desemprego os seus serviços jurídicos, intenção que foi recusada, com os professores a acusarem a Fenprof  de ser uma das principais culpadas . Acresce que o argumento do custo para o estado foi já devidamente desconstruído.

Quarenta anos depois no Portugal de Abril, torna-se a lutar pela liberdade, agora na educação, como se lutou pela liberdade sindical e liberdade de expressão. A tentativa sempre presente na extrema esquerda de amordaçar a liberdade está a ter a resposta que se impõe. Agora e sempre.