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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Os doentes neoliberais

O tio João já fez as análises e os exames complementares de diagnóstico para ser operado dali a três meses. Esperou seis meses até o hospital o chamar. Lá chegado o médico diz-lhe que as análises e os exames já estão fora do prazo de validade e terá que fazer outros . Passados três meses o tio João é chamado para fazer os exames e depois fica mais seis meses para ser chamado para ser operado. Uma vez lá chegado o médico diz-lhe que as análises e os exames estão fora de prazo de validade e que já não poderá ser operado terá que fazer novos exames e novas análises...

Não, não é uma história inventada é mesmo verdade e o autor ( João Duque no Expresso) até diz qual é o hospital ou melhor o Centro Hospitalar do Médio Tejo. Para além de um dia destes o tio João já ter morrido e o hospital continuar a chamá-lo para fazer análises, morre mais pobre com os custos de transporte. E com os nervos em franja.

O Serviço Nacional de Saúde precisa antes de tudo, nesta fase, de gestão e organização, única forma de se salvar porque um dia destes os tios velhotes com baixas reformas morrem e os que cá ficam recorrem aos privados. Depois digam que os doentes também são neoliberais

 

Este ministro é que vai implodir com a Educação

Nuno Crato queria implodir com o ministério na 5 de Outubro mas o actual ministro é bem mais ambicioso. Quer mesmo implodir com a Educação. Fechar boas escolas em contrato de associação, despedir milhares de professores e outros trabalhadores, retirar alunos de boas escolas escolhidas pelas famílias.

Não foram as escolas privadas com contrato que desviaram alunos das escolas estatais foram as famílias que escolheram. E escolheram por serem melhores como é óbvio. Temos assim que o ministro fecha escolas boas para manter más escolas. Mas vai ter um grosso problema. É que nas regiões onde há escolas com contrato as famílias e os autarcas vão dar luta.

O actual ministro toma medidas que por serem tão marcadamente ideológicas foram previamente concertadas. Mas não pode queixar-se porque quis ser ministro. E as decisões que tomou até aqui têm um pecado venal. Foram tomadas contra alguém sem ouvir ninguém.

Não contente com a balbúrdia aceitou ser humilhado pelo alucinado sindicalista que há mais de vinte anos co-governa a Educação. E todos percebem que o que o move não é nada o custo é a concentração no ministério do monopólio estatal do ensino. Que ele, Nogueira, controla.

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A geringonça anda sem sair do sítio

É mais que evidente que na frente orçamental nada mudou e se mudou foi para que tudo fique na mesma. Mas na frente política há coisas a mudar. As reversões de algumas medidas entre elas manter as transportadoras no domínio público ( assim salvando a CGTP braço sindical do PCP) e na Educação com reforço da escola estatal. O PCP com estas medidas e não querendo de todo perdê-las não rói a corda.

E o Bloco ? Catarina Martins já veio avisar/ameaçar António Costa que o que está ser feito não chega. A luta de Catarina Martins joga-se no braço de ferro com Bruxelas e num forte reforço dos salários e pensões. Mas nestes dois cenários Costa pouco pode ajudar a não ser que a economia se porte muito melhor que o previsto.

Com o Brexit, os refugiados e o terrorismo a Alemanha não vai querer problemas na ala sul da UE. Por isso vai manter a pedalada sem sair do sítio. Ganhar tempo para que a economia na Zona Euro se fortaleça o que não é certo. Se a economia se portar bem a dívida não saltará para cima da mesa. Caso contrário há que tomar medidas para restruturar a dívida que sendo pagável em cenário de economia saudável não o é em cenário de economia débil. É, pois, possível que o governo ande sem sair do sítio à espera de melhores dias.

Com esta estratégia quem perde - quem tem quase tudo a perder - é o PCP e o BE. Fica claro que com eles ou sem eles a geringonça anda mas não sai do sitio.