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BandaLarga

as autoestradas da informação

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São os juros, estúpido !

Sobre o orçamento, e conforme as posições políticas, a leitura é completamente diversa. Para uns o orçamento é no mínimo preocupante para outros é justo ao repor rendimentos e assim relançar a economia. É claro que há um ambiente de preocupação tantos são os que interna e externamente, lançam avisos sobre os perigos e os potenciais incumprimentos.

Enquanto não chegarmos a Junho/Julho vamos andar assim. Mas não é possível andar no olho do furacão sem ter uma bússula. Actualmente um GPS. E, no caso, o GPS é a taxa de juros a 10 anos . Não percam tempo a discutir tudo e o seu contrário porque os argumentos são bons até esbarrarem numa qualquer parede. Mas os juros, senhores...

Lembro-me de Teixeira dos Santos a clamar no deserto apontando a barreira dos 7%. Chegados a este nível era preciso chamar o FMI e o Eurogrupo. Mas havia quem chorasse banha e ranho por cima do PEC IV. Estava ali a salvação. Se não houvesse um indicador numérico, resultado do livre jogo dos mercados, ainda chegávamos ao PEC XX com  metade do país a aplaudir. Depois vimos que o país estava bem pior do que o desejável e o povo teve que pagar as elevadas expectativas da economia do betão.

Por isso, meus caros, deixem-se de esbanjar energias e olhem para o comportamento das taxas de juro. E comparem com as que são praticadas em Espanha e Itália ( entre 1/2% ) e a Grécia onde era suposto estar a acontecer o "caminho Novo". É que após estes dois anos de governo de esquerda a Grécia paga 11% de taxa de juro a 10 anos.

A taxa de juros já vai em 4,4%

É claro que há razões externas que alimentam o continuo crescimento das taxa de juro da dívida mas a razão principal é a falta de credibilidade do orçamento . E o elo de segurança - a agência DBRS - que segura o país acima do lixo, é cada vez mais fraco.

António Costa vai dizendo que a culpa é do anterior governo que anda a chantagear o país em Bruxelas. Quer dizer os mesmos que andaram quatro anos a fazer de lacaios são agora os que influenciam as decisões do Eurogrupo.

"Vemos agora um maior risco de Portugal perder o seu único "rating" de grau de investimento, concedido pela DBRS. Esta classificação é crucial já que é necessário pelo menos uma notação de grau de investimento para um país ser elegível para o programa de compras do BCE", considerou Diego Iscaro, economista da IHS Global Insights. 

O orçamento ainda não está entregue mas o governo arrisca-se a ter que preparar um rectificativo para Abril. Já todos vimos este filme que nos levou a um resgate.

 

Os juros de Portugal " are going bananas "

Portugal é novamente o elo mais fraco. Os juros chegaram a 4,5% e estabilizaram, nesta 5ª feira, nos 4,11%.

Luke Kawa escreve na Bloomberg que as taxas da dívida portuguesa "are going bananas". Em apenas cinco sessões, a taxa a 10 anos passou de 3,4% para 4,53%, o nível mais elevado desde Março de 2014. Acabaria por aliviar para a casa dos 4,11%. mesmo assim a maior subida desde Julho de 2013, quando Paulo Portas apresentou a demisssão "irrevogável". 

Sinal de que os investidores olham de novo para Portugal como o elo mais fraco. Os receios de que a DBRS corte o "rating" de Portugal para o nível especulativo por causa do Orçamento do Estado, cortando o acesso ao programa de compras de activos do BCE, os montantes elevados que Portugal tem de ir buscar ao mercado no próximo ano e o elevado peso da dívida pública no PIB são factores que concorrem para aquela percepção.

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