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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Estes resultados são um aviso para o governo e seus apoiantes

Álvaro Beleza, dirigente do PS não esconde o que só não vê quem não quer. Estes resultados são um aviso para a frente de esquerda que suporta o governo. Não foi a eleições e há muita gente que não gosta do modelo.

“O que o líder e primeiro-ministro do PS tem de perceber é que o partido é plural e complexo e que tem pessoas favoráveis a esses acordos, mas que tem uma grande parte do eleitorado social-democrata”, afirmou o antigo dirigente, indicando que o PS só pode ganhar votos se se mantiver ao centro e tiver cuidado ao “governar com a agenda do Bloco de Esquerda.

Catarina Martins, Mariana Mortágua e Marisa Matias são figuras interessantes, mas com muito populismo à mistura“,

“O eleitorado que defende o tal ‘tempo novo’ [expressão largamente utilizada por Sampaio da Nóvoa durante a campanha para ilustrar a viragem à esquerda nas legislativas e o que seria o seu mandato] teve apenas 35% dos votos. Isto prova que o eleitorado do PS oscila e tem votado em candidatos da direita”, considera o socialista.

E as verdadeiras dificuldades ainda não chegaram. Por enquanto é tempo de distribuir dinheiro e nem assim o PS ganha eleições.

A humilhação eleitoral do PCP deixará marcas

O PS vai perceber que está enganado. O fosso parlamentar cavado nas legislativas entre o BE e o PC, reforçado com a humilhação eleitoral de ontem, vai enfraquecer o governo. O PCP vai elevar o nível de exigência mas Marcelo estará atento. António Costa não vai poder ceder ao PC sem limites e beneficiar da benevolência de Marcelo.

" António Costa, que não quis Maria de Belém e tolerou Sampaio da Nóvoa, pensa que ganhou com Marcelo – acha que o tem nas mãos e que este é a sua alma gémea política. No fundo, que pode contar com ele. Rapidamente se aperceberá que está enganado.

E digo que será rapidamente por uma razão simples. Apesar de serem eleições presidenciais, os equilíbrios partidários que suportam o governo de António Costa saíram abalados da noite eleitoral. Paralela ao bom desempenho do BE, a humilhação do candidato do PCP deixará marcas, reforçando o fosso que os separa no parlamento e pondo em causa a disponibilidade do PCP para apoiar o governo nas medidas difíceis. Os comunistas têm na “geringonça” um desafio à sua sobrevivência. E, se se tornarem por isso factor de instabilidade política, dificilmente Marcelo segurará António Costa.

Uma rapariga engraçadinha

Jerónimo diz que o PCP também pode arranjar uma rapariga engraçadinha, justificando desta forma o resultado do Bloco. É ofensivo para o Bloco e para o povo e humilhante para o PCP. No entanto, se procurarmos, até há raparigas não engraçadinhas mas engraçadas que não tiveram o mesmo êxito.

Veja-se o caso desta rapariga que começou por lançar Maria de Belém e acabou a apoiar Sampaio da Nóvoa. Engraçada, logo que percebeu do que se tratava, deu o dito por não dito e vá de mudar de campo com armas e bagagens. E não o faz por menos aparecendo na noite eleitoral a botar faladura como se nada fosse.

Aconselha-se pois, a Jerónimo, que reflicta. É que nas legislativas, Jerónimo ouviu muitos eleitores a queixarem-se que o PCP não ajudava nas soluções e, isso, levou-o a dizer " que o PS só não é governo se não quiser" embarcando na "posição conjunta" que  nos governa. Saído do casulo que lhe dá o conforto de tudo prometer, o PCP viu o seu eleitorado reduzir-se a pouco mais de 3% . Não há rapariga engraçadinha que dê a volta.

Os comunistas vão elevar o nível da exigência junto de António Costa apertando até que o leve a desistir . Não vão arranjar uma rapariga engraçadinha. Pode-lhes sair uma Ana Gomes.

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O PCP vai apresentar a factura a António Costa

O PCP teve um resultado dramático porque cerca de metade dos seus fiéis o abandonaram. A explicação tem a ver com o que os comunistas já classificam como a  viabilização do governo. Já nem sequer apoiam o governo, viabilizam-no o que é bem diferente. 

E a factura vai ser paga, não com um corte abrupto, mas  com uma exigência cada vez maior, até ao ponto de Costa não poder ceder. Nessa altura a culpa da queda do governo é de António Costa.

Se há principio que o PCP protege é o seu universo eleitoral, nunca perdendo de vista que os outros partidos comunistas europeus se extinguiram quando se envolveram na governação. É por isso que os dirigentes comunistas sempre estiveram com um pé dentro e outro fora da "posição conjunta". 

Para tornar as coisas mais difíceis, o Bloco não para de crescer. Tacticamente mais flexível, e com um universo eleitoral menos doutrinário o BE, pode sobreviver e mesmo ir buscar eleitores ao PCP e ao PS, se apresentar pequenas vitórias. Como as causas fracturantes que não desequilibram o orçamento. O eleitorado urbano que vota no Bloco ( ao contrário do eleitorado do PCP) não espera que o partido consiga que o país saia da UE e do Euro, embora espere ouvir esse discurso.

E, como Jerónimo tem repetidamente declarado, a política deste governo é farinha do mesmo saco