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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Banhos de multidão e grândoladas

Não foi há muito tempo que por todo o país bandos de sindicalistas e de activistas de partidos da oposição percorriam o país a perseguir os governantes. Como por encanto lá estavam os cartazes, as bandeiras e as faixas, suficientemente vagos para serem usados em qualquer lugar, a qualquer momento e em qualquer contexto.

Nem o Dia de Portugal escapou à paródia, vivamente repudiada pela população da Guarda onde a comemoração teve lugar. As eleições antecipadas eram apresentadas como a solução mágica mas, como agora se vê, teriam sido antes a solução trágica. Momentos difíceis em que foi necessária uma dose extra de coragem e determinação.

Hoje todos sabemos que o programa da Troika esteve muito longe de ser perfeito. É dificil  perceber que os cortes na despesa e os aumentos nos impostos não fossem em parte dirigidos para o investimento público e privado, evitando-se mais queda do desemprego que, diga-se, podia ser amenizada mas não evitada. E tanto a queda do investimento como a do desemprego que vinham de trás eram só por si enormes.

Passos Coelho recebeu um banho de multidão na Feira de São Mateus em Viseu. Durante quatro horas percorreu a pé aquele espaço magnifico cheio de gente dialogante e acolhedora. Para quem não percebe o sentido das sondagens tem aqui uma boa explicação. Mais que o consumo que cresce está a confiança das pessoas num futuro melhor . A esperança que os sacrifícios valeram a pena.

 

Os riscos de syrização do PS

Se o governo estivesse na oposição e a oposição no governo, muito provavelmente, os argumentos do governo seriam os da oposição e os da oposição seriam os do governo. E o que é mais preocupante é que socialistas democráticos e social democratas, muito provavelmente, terão que se entender logo a seguir às eleições.

Este sectarismo explica a permanência na sociedade e na política portuguesas de problemas cuja solução muito contribuiria para a melhoria do país e do bem estar do povo .

"É preocupante que em Portugal tantos alinhem por um processo mental e discursivo que segue os padrões típicos da extrema-esquerda – para quem todos quantos não partilham o respectivo programa extremista são necessariamente mentirosos, estúpidos e provavelmente traidores do “Povo”. Mais ainda quando o que está em causa é precisamente saber até que ponto o PS será capaz de evitar os riscos de syrização do partido."

Agora o cartaz do PS tem uma afirmação falsa

Isto vai de mal para pior. O mais recente cartaz apresenta a fotografia de uma jovem que vem dizer que não deu autorização para que a sua foto fosse exibida e que a afirmação que o cartaz lhe atribui é falsa.

Maria João, assim se chama a jovem da foto, afirma que "esta história não é minha. Esta afirmação é falsa" .  "Eu não estou desempregada desde 2012. Não me podem envolver desta maneira. Aqueles dados, são mentira”, afirmou ao “Observador” a jovem de 29 anos, que garante que nessa altura era prestadora de serviços na área da comunicação na Junta de Freguesia de Arroios." E pondera processar o PS.

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Delito de opinião

O PS já não vai a tempo de mudar de líder mas ainda pode mudar de opinião. Não basta ter confiança é preciso ter ideias . E mudar de publicitário não muda nada enquanto o PS não assumir os erros que levaram o país à presente situação. É que os cartazes ( autênticos tiros nos pés) são o resultado dessa "cegueira ideológica" .

Já tinhamos visto e ouvido Ferro Rodrigues, na Assembleia da República, rodeado de grande parte de ex-governantes socialistas, garantir que o PS continuaria as suas políticas e os seus principios. A bem da verdade os cartazes estão conformes.

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Os desempregados de longa duração perderam o emprego no tempo de Sócrates

Anda tudo doido ali para os lados do Rato. Aposto que há por ali um cavalo de Tróia ( não sei se estão a perceber a piada : (Grécia - Sócrates - cavalo de Tróia ) . Depois do outdoor maoísta ( amanhãs que cantam) um outdoor a informar que a desempregada que dá a cara a queixar-se que perdeu o emprego na governação Sócrates.

Será que o PS enveredou pela verdade ? Será só incompetência? Ou será que o PS (aconselhado pelos "economistas sábios) percebeu de vez que os postos de trabalho perdem-se pelo menos cinco anos antes, quando a inovação de produtos, o investimento em novos equipamentos, a reorientação para os mercados externos não se fez no tempo certo?

É desta que António Costa vai assumir as culpas da situação em que está o país ? É desta que o PS se afasta de Sócrates ? Sem fazer esta "mea culpa" o PS não chega ao governo.

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Em campanha eleitoral os avisos do FMI beneficiam quem ?

O FMI está a enviar avisos de prudência. Há sinais (vários) muito positivos mas a pressa é má conselheira. A maioria anda a dizer que é preciso continuar por este caminho. A oposição clama por mais despesa pública. O PS até já propôs gastar agora mais dinheiro da Segurança Social para pagar mais tarde. Se houver, pois como eles descobriram agora, só há no futuro devolução da sobretaxa do IRS se houver excesso orçamental. Na Segurança Social também é assim.

Os "cofres cheios" da Maria Luís Albuquerque, tão glosados pela oposição são, reconhecidamente, uma almofada financeira fundamental para manter a credibilidade junto dos credores e defender o Tesouro dos percalços que a Grécia pode desencadear.

Há que reduzir a despesa pública reformando o estado, avisa o mesmo FMI, medida a que a oposição furiosamente se opõe, já que sabe que não há mais margem para fazer crescer a receita. Ora, a saída do país dos "défices excessivos" é necessária para que possa aceder a várias medidas de financiamento europeias, entre elas o "Plano Juncker", 315 mil milhões de euros para investir em projectos de relevância supra-nacionais.

A situação da Grécia já mostrou que não há almoços grátis.

Houve um certo mundo que acabou em 2011

Analisar o emprego por sectores é bem mais importante do que discutir a seriedade dos números do INE do emprego e do desemprego .

 (...)em quatro anos de crise, há hoje mais licenciados empregados do que havia há quatro anos. É um detalhe importante e surpreendente que ninguém tem referido e que resulta bem evidente do seguinte quadro:

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Ora aqui está um “efeito da crise” com que eu próprio não contava e que contraria muitos dos discursos dominantes. Aquilo a que assistimos nestes quatro anos é que os empregos que desapareceram foram os ocupados por trabalhadores menos qualificados, os que só tinham até ao secundário.

O maior crescimento tem sido entre os licenciados: temos hoje mais 24% de licenciados empregados do que tínhamos há quatro anos. É um salto enorme, e que contraria a ideia feita de que se está a desperdiçar “a geração mais qualificada de sempre”.

onde foi que desapareceram os famosos 312,2 mil postos de trabalho?

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Este quadro é tão ou mais interessante que o anterior. Se repararem bem, a soma dos postos de trabalho perdidos só na agricultura e na construção chegam para justificar o total de postos de trabalho perdidos, pois o que se perdeu na indústria ganhou nos serviços.

Isto significa que o emprego que, como se costuma dizer com ar grave, foi “destruído”, era emprego que não tinha futuro ou viabilidade. Os sectores onde o emprego começa a recuperar, especialmente o dos serviços, como já se nota comparando trimestres homólogos, 2015 com 2014, são os que têm futuro.