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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Vampiros e morcegos

Em Torre de Moncorvo está tudo à espera que os morcegos digam se hibernam ou invernam. Sem esse conhecimento não há exploração das minas de ferro, nem postos de trabalho e muito menos o crescimento do PIB em 0,2% e o aumento das exportações em 0,26%.

Já tivemos uma autoestrada que teve de mudar de caminho por causa dos lobos ibéricos. E, em Tróia, ali para Setúbal também os vampiros, perdão, uma colónia de morcegos, obrigou a que a demolição das antigas torres travasse o projecto de turismo que hoje está lá. E não esquecer as barragens que não se constroem porque as "figuras não sabem nadar". Foz Côa não serviu de lição a ninguém.

A água continua a correr e a perder-se no mar, o ferro continua nas profundezas das montanhas e os morcegos a hibernar. O pior é o desemprego e a miséria mas o que é isso comparado com os vampiros?  Eles comem tudo, eles comem tudo...

A Telefónica recusou-se a pagar o que a PT pagou no Brasil

Bem me lembro como a PT foi fazer compras para o Brasil e pagou muito mais do que a Telefónica, embora esta fosse na altura bem maior do que a PT. Cantaram-se loas aos gestores que pagaram bem acima do preço de mercado. Hoje a Telefónica é a compradora mais provável  da PT. Vitórias de Pirro que rapidamente se transformam em desastre como nos conta o Sindicato da empresa : "

Durante dezenas de anos a PT foi a empresa de telecomunicações que mais investiu em tecnologia e investigação em Portugal", lembra o sindicato.

"Lamentavelmente a PT é hoje uma empresa sobre-endividada, sem capacidade de investimento e à beira de ser comprada, por um fundo especulativo, a Altice. A família que dominou o BES, não via na PT o seu potencial estratégico para o país, mas apenas como um activo destinado à satisfação das suas necessidades de liquidez. Desta política sobram apenas dúvidas e preocupação sobre o futuro da operadora, sobre o futuro de milhares de trabalhadores e o futuro do investimento em telecomunicações e tecnologia essenciais para o desenvolvimento e modernização da economia e do país", refere o sindicato.

 

Em Timor não há separação de poderes ?

Juízes e outros funcionários foram expulsos de Timor pelo parlamento. Ao que diz a Associação de Juízes teriam em mãos processos judiciais que envolviam membros do governo. É uma ameaça muito séria ao estado de Direito e à democracia.

O governo justifica-se dizendo que os Juízes e funcionários judiciais não contribuíam para o desenvolvimento de um aparelho judicial eficiente e não estavam a ter êxito na formação de quadros Timorenses. É uma desculpa como outra qualquer para afastar quem se torna incómodo . Em democracia há separação de poderes e o poder Judicial é independente do poder executivo. O governo não tem competências para proceder desta forma no quadro de um estado de direito. A Democracia é um exercício diário muito exigente e é por isso mesmo que vale a pena. O único que vale a pena.

Timor tem penosamente percorrido o caminho da Liberdade. Oxalá não dê pretextos para que outros mais fortes interrompam essa caminhada.

 

Não há futuro sem medidas estruturais

Lembra-se da história ? A política monetária não é a panaceia para os nossos problemas económicos, é reformar e estimular o empreendedorismo. Um ‘quantitative easing' europeu é apenas a aspirina que dá tempo, não é o antibiótico. Lembremo-nos da história do turista alemão que queria um quarto num hotel numa aldeia grega, e que foi autorizado a escolher um quarto no último piso desde que depositasse 100 euros. Ele assim fez, subiu, e o hoteleiro aproveitou logo para pagar os 100 euros que devia ao talhante, que os pagou ao padeiro, e assim sucessivamente até o dono da agência de viagens pagar os 100 euros ao hoteleiro. O alemão não gostou dos quartos, recebeu os 100 euros de volta e foi-se, mas entretanto os aldeões ficaram livres de dívidas e mais optimistas sem que nada tivesse sido produzido. Um ‘quantitative easing' europeu sem medidas estruturais é assim.

A causa (da desigualdade) é a captura do omnipotente aparelho do Estado

Joaquim Moreira 29 Out 2014

Gabriel Ribeiro, esta sua crónica cheia de coragem e lucidez, como é seu apanágio – assisti aos programas com Medina Carreira e acompanho os seus escritos aqui mesmo – sugerem-me esta outra, que tem muito a ver com este sua análise social, sobretudo com mitos e mistificações.

Os mesmos do costume que insistem em que foram “roubados” por um Governo liderado por um “mentiroso”, demonstrando ou ignorância ou clara má-fé, “obrigam-me” a transcrever, parte do texto da pág. 198 do livro “PORTUGAL- Esse Desconhecido”, de um autor bem conhecido. Este dois parágrafos, na esperança de que, pelo menos, pensem que nem todos somos ignorantes:

…, Portugal é um dos países mais desiguais da Europa, como veremos adiante. Isto apesar de estar sempre a falar dos pobres e da equidade. A causa é a captura do omnipotente aparelho do Estado por múltiplas forças e poderes instalados. E os piores não são os corruptos, os políticos, os ricos. Esses, apesar de injustos, são poucos e não chegam para desequilibrar a sociedade. O principal bloqueio está na classe média. A situação é fácil de descrever.
Um dos princípios económicos mais influentes, a chamada “Lei Director da Distribuição” – de Aaron Director e apresentada em 1970 pelo Prémio Nobel George Stigler – diz que “as despesas públicas são feitas para o benefício primordial da classe média, e financiadas com impostos suportados em partes consideráveis pelos pobres e pelos ricos”. A lógica baseia-se naturalmente na influência eleitoral: representando de longe a maior parte da sociedade, as classes médias atraem naturalmente as graças dos eleitores. Deste modo, sãs as benesses atribuídas pelos governos à sua principal base eleitoral que, sobretudo em períodos do “fantasma da pimenta”, costumam arruinar o país.

PS: leitor d' Observador

O Euromilhões em petrodólares para Portugal

O preço do petróleo está em queda que já vai em 25%. Como Portugal é um dos países mais dependentes da importação de petróleo só nos resta rezar. As importações grosso modo andam pelos 10 mil milhões de euros/ano o que quer dizer que mantendo-se os níveis actuais do preço o país pode poupar 2 mil e 500 milhões de euros por ano. E estes preços são para manter ?

Nos USA a importação de petróleo baixou de 67% para 26%, à conta da autentica revolução do sector da energia em curso com o gás de xisto. Segundo alguns o gás de xisto é muito mais barato e há reservas para cerca de 300 anos só nos USA. E a extracção de petróleo é cada vez mais difícil e mais cara. Os produtores de petróleo estão perante uma decisão muito difícil. Ou mantêm o preço e abrem caminho mais rápido ao gás de xisto ou descem o preço para impedir/dificultar a entrada no mercado ao gás de xisto. Avisados, os países da OPEP já constituíram uma bolsa com 270 mil milhões de dólares para o que der e vier.

A Europa que é muito dependente do petróleo ( importa cerca de 90 mil milhões de euros/ano se não me falha a memória) tem todo o interesse em se abrir ao gás de xisto o que será facilitado pelo Acordo Comercial que está a estabelecer com os US. E o porto de Sines tem todas as condições para receber os navios tanque que atravessem o Atlântico . Tal como Algeciras e Barcelona em Espanha. 

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Despesa pública - só há acordo na redução da dívida

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 O estado Social - Segurança Social + Saúde + Educação - representa 67% do bolo. Com a dívida chegamos aos 77%. É por isto que a discussão se faz à volta da dívida. Porque no resto não se corta e ainda bem. E assim chegamos à carga descomunal dos impostos. Que pagam a despesa mas não deixam a economia respirar e crescer. E a economia não cresce desde os tempos da Expo 98 quando havia dinheiro a rodos.

Venha quem vier a ameaçar que volta para trás não é para levar a sério. Repor salários e pensões é uma miragem. Porque os impostos têm que baixar e a dívida é para pagar . Sem isto não há crescimento da economia e não há acesso a financiamento. Só com financiamento privado é que poderá haver investimento. E há que chamar o investimento estrangeiro porque por cá o dinheiro rareia. É também por isto que se estão a vender as empresas públicas ao capital estrangeiro.

Este labirinto que PCP e BE e algum PS querem manter é um pesadelo . O pior é que não aprendem nada com as bancarrotas e com  o facto de sermos o país europeu mais pobre e mais desigual. Não podemos fugir ao fado ?

O que Costa não percebe o seu segundo explica

O que Costa não percebe : "Em declarações à agência Lusa, Fernando Medina explicou que "a taxa de execução, de acordo com os critérios do Governo, é de 83%", enquanto "a taxa efetiva de execução do município de Lisboa é de 92% no total dos programas do QREN", explicando que "a diferença reside na despesa já paga pelo município e aquilo que foi registado na CCDR". Exactamente o argumento apresentado por Poiares Maduro e que Costa não compreende...

António Costa questionou uns quadros do Orçamento relativos aos subsídios comunitários. O secretário de estado e o ministro da tutela desmentiram-no . Tinha trocado as mãos e tirado as conclusões erradas. Portugal lidera na Europa a execução do QREN com 83%. Como é que liderando está a perder dinheiro ?

Na "Quadratura do Círculo", António Costa apresentou uns quadros que foram rebatidos por Lobo Xavier. Mas como se trata de um assunto muito importante ( para lá do uso eficiente dos subsídios joga-se a credibilidade de Costa) o secretário de estado veio dizer que a câmara de Lisboa só executou 63%, isto é, 20% abaixo da execução governamental. Mas Costa já colocou o seu segundo na discussão protegendo-se da tempestade que desencadeou. Qual quê, isto não é mais nem menos que um ataque político.

O velho António Costa está aí novamente...

Sem investimento não vamos lá

Diz o Prof Daniel Bessa que desde 2008 o investimento está a cair. Já caiu entre 30 a 40%. Sem investimento não há crescimento sólido da economia. Investimento público para as infra-estruturas e privado para a economia de bens transaccionáveis. O problema é que o pouco dinheiro que tínhamos foi todo canalizado para as infra-estruturas, incluindo o privado. E como nunca fomos capazes de controlar a despesa corrente o dinheiro foi-se sumindo à custa da despesa investimento.

O que temos por enquanto para canalizar para o investimento são os subsídios da União Europeia que não são classificados como despesa. A despesa investimento continua a ser estrangulada pela despesa corrente e assim não vamos lá. Cerca de 70% da receita é absorvida pela despesa corrente a que há que acrescentar os juros da dívida.O que sobra para investir? 1% em 2014 e 1,5% em 2015. "Num chega" como diz o Prof. Na Irlanda, onde o investimento desde 2008 desceu tanto ou mais  que cá, em 2014 o investimento crescerá 14,1% e em 2015 deverá crescer  8%.

Mas o mais curioso de tudo é que quem viu a discussão do Orçamento na AR não ouviu uma palavra sobre investimento. Ouvimos o costume sobre as pensões e os funcionários públicos.

Ficamos então à espera que sejam os empresários a investir e que consigamos captar investimento estrangeiro e que o estado com burocracias, taxas e taxinhas não dificulte. Tivemos o pior crescimento da UE durante uma década. O último grande investimento estrangeiro foi a AutoEuropa e já lá vão mais de vinte anos.

A INFÂNCIA DA CRIANÇA - Prof Raul Iturra

 

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Se actualmente é difícil falar em crianças, a abordagem à temática fica mais complicada quando temos limitações do número de palavras. Mas, vamos a isso.
Dentro das várias definições de infância e criança usadas nos meus textos, há duas que me satisfazem. Criança, é um ser humano no início do seu desenvolvimento fisiológico e social que depende dos seus adultos na alimentação, nos sentimentos, no carinho, no vocabulário e no abrir da sua imaginação para entender como se desenvolve o mundo. Adultos que podem ser os pais, os tutores ou um conselho de família. Infância é a pessoa que nasce, cresce, aprende a vida intra social. Na cronologia da vida, essa criança passa a etapa da infância. Conceito que transcorre, idealmente, desde a nascença até à idade púbere, idade em que o indivíduo se torna fisiologicamente apto para a procriação de outros seres humanos. Atenção, referi reprodução fisiológica. Será que é adequado ter cromossomas só para reproduzir seres humanos? Em todos os meus textos tenho dito que isso não é suficiente. Aliás, a própria História assim parece provar. Uma palavra cheia de distinções na cronologia do tempo e conforme seja a hierarquia social. Criança, em consequência, não é um conceito biológico, é muito mais, é um conceito social. Motivo pelo qual o meu amigo e colega na cátedra do Collège de France em Paris, Pierre Bourdieu, o sábio dos sábios em ciências do homem, nunca quiseram estudar o pré púbere, como poucos de nós tem feito. Os cientistas, excepto os analistas clínicos, têm experimentado evitar a análise da infância. Muitos cientistas, envolvem a criança dentro das relações sociais, centrando, no entanto, os seus estudos nas relações. Poucos Antropólogos começam a análise social a partir dos mais novos. Normalmente, estudam instituições, como a família ou os amigos, ou seja as interacções sociais.
Maurice Godelier em 1981, editou um livro pela Fayard, La Reproduction des Grandes Hommes para analisar a passagem de criança a adulto, como David Herdt em 1987, entre os Sambia da Nova Guiné, ou eu próprio, entre os Picunche, clã da Nação Mapuche que habita na área Sul da Cordilheira dos Andes. Assistir à passagem de criança para a infância, é duro. Envolve elementos sexuais para provar, ao mais novo, que um dia terá esperma para multiplicar os membros da população. Para tal, é preciso observar as relações eróticas entre um púbere e uma criança, que oferece o seu esperma, antes de casar com a irmã do iniciado.
O ritual denomina-se fellatio, e quem é alimentado pelo púbere é quem ainda não entrou numa mulher, permanece com a criança até ser adulto, por outras palavras, até que ele próprio produza sémen. Ritual praticado entre os Baruya, os Sambia e os Picunche. Quando apresentei o meu livro do ano 2000: O saber sexual das crianças. Desejo-te porque te amo, Afrontamento, Porto, o auditório ficou escandalizado.
Devo confessar que eu também, ao viver na casa dos homens entre os Picunche e observar o que observei. A prova final é uma masturbação colectiva entre as já não crianças, mas infantes, acompanhados pelo rapaz que lhes deu o seu sémen, que, acabado o ritual, casa com a irmã do seu iniciado, à qual acede apenas para engendrar filhos, continuando a morar na casa dos homens tendo o seu iniciador como companheiro. Não é homossexualidade, é um rito de passagem que, entre nós, também se pratica, não como cerimónia, mas como felonia, ao correr dinheiro entre a criança e, neste caso, o seu violador. É apenas pensar no caso da casa Pia.
A criança, passa a adulto, a seguir à fellatio ritual. Entre nós, depois de namorar uma rapariga que é a nossa companheira, mesmo que o seja pela via do aparecimento de filhos.
Falar de criança e a sua passagem ritual a adulto, é, por vezes, difícil de relatar sem ofender…
Raul Iturra
1 de Novembro de 2014.
lautaro@netcabo.pt

 

 

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