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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Acordo UE-EUA para o comércio e o investimento

Vale 120 mil milhões para a UE e 95 mil milhões para os EUA. E centenas de milhar de postos de trabalho. Os dois colossos cujas economias representam cerca de metade do PIB mundial, partilham também os valores da liberdade, da democracia e dos direitos do homem. É potencialmente o acontecimento mais importante da relação transatlântica desde a criação da NATO.

O acordo é para concluir até ao fim de 2015 e ser implementado no inicio de 2016. Mais do que  afastar barreiras alfandegárias e fiscais, o acordo visa harmonizar leis, regimes regulatórios e regras comuns, de forma a permitir o livre e recíproco acesso ao mercado de bens, serviços e investimentos nas duas zonas.

A actual situação na Ucrânia veio acelerar todo o processo. A história não terminou com a queda do muro de Berlim.

 

A loja dos trezentos

Trezentos milhões, era quanto restava na caixa do estado. Não chegava para pagar meio mês do funcionamento do estado . Entretanto, o gerente, desdobrava-se em PECs que nada resolviam e anunciava aeroportos e TGV. Uma tragédia anunciada à beira de um precípicio. Um momento dramático a que foi preciso pôr cobro contra a vontade de um alucinado que não despegava do poder.

Ainda hoje, depois de três anos de um ajustamento doloroso, e com trinta e nove mil milhões de euros retirados à despesa há quem não queira perceber. Do alto de um púlpito pago por nós todos ,semana após semana, dedica-se a justificar o desastre atirando para cima de outros o que só a ele cabe a responsabilidade. Durão Barroso diz que a situação podia ter sido catastrófica sendo já então desesperada. Portugal esteve à beira do precipício, é importante que os portugueses saibam que os sacrifícios valeram a pena.

Após esta entrevista seria bom que o anterior governo de uma vez por todas aceite as suas responsabilidades e que os seus apoiantes tirem as lições que se impõem. É que nas próximas eleições legislativas nenhum dos partidos terá maioria absoluta e a humildade é um bom principio para se obterem os consensos nacionais de que o país tanto necessita.

Nas escolas a divisão não passa pelo público versus privado

Maria Filomena Mónica : Eu já tinha ouvido dizer que a indisciplina era um problema grave, mas nunca pensei que pudesse ter chegado a este nível. Contudo, o factor mais importante para a degradação do ensino é a centralização do sistema, que leva os professores a passarem noite após noite a preencher formulários que os burocratas do ministério, sem que se perceba o objectivo, lhes enviam.

Além disso, a centralização, mantem o ensino nas mãos dos sindicalistas. Burocratas e sindicalistas duas faces da mesma moeda. Sem um não existe o outro.

Uma esquadra dentro do BES

O grupo BES é a porta giratória por onde passam futuros ministros e ex-ministros. São tantos os casos problemáticos em que o Grupo está envolvido que só protegido ao mais alto nível . O Banco de Portugal durante décadas nunca viu nada. Tomou agora uma medida que só por si vai mudar a filosofia do quero, posso e mando do sistema financeiro Português. Obrigou o BES a constituir uma provisão de 700 milhões de euros para cobrir a divida  das empresas não financeiras do grupo que vendeu aos seus clientes. Isto é, o banco financiou o grupo com o dinheiro dos seus clientes. O regulador dá assim um sinal público de que o BES, eterno banco do regime e porta-giratória de inúmeros ministros e deputados, tem, de uma vez por todas, de mudar de cultura e de vida.

As mudanças que se verificam na vida pública no sentido de mais rigor e transparência, são agora conseguidas porque temos portas dentro as instituições europeias. Esta foi sempre uma das razões mais fortes que me levaram ao apoio da entrada de Portugal na UE e no Euro.

 

Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx- 3

  1.  Parte 2

Este saber, permite aos autores do Manifesto, dizer: “ … demonstra a história das ideias senão que a produção intelectual se transforma com a produção material? As ideias dominantes de uma época sempre foram as ideias da classe dominante[39] Mais um acha para a fogueira da ideologia materialista e da sua base histórica. Este ideólogo do Manifesto, mais tarde, em outra obra sua de 1876, I Volume do Capital, prova que a História não é uma sucessão de factos, mas sim o desenvolvimento material dos meios de produção. Desenvolvimento que transforma a sociedade ao ritmo da Revolução Industrial, analisada já em outras páginas de este texto. Acrescentam os autores ideológicos e ideológico-material, como Jenny, que pensava mas redigia este, como outros textos de Marx.: Sem dúvida, – dir-se-á – as ideias religiosas, morais, filosóficas, políticas, jurídicas, etc., modificaram-se no curso do desenvolvimento histórico, mas a religião, a moral, a filosofia, a política, o direito mantiveram-se sempre através dessas transformações [40]. Estas aparentes palavras difíceis de Marx, conseguem-se destrançar sem grande trabalho: são ideias que orientam o comportamento, mudam de conteúdo conforme os tempos, mas as estruturas permanecem. Os estudos de Direito de Marx e o aprendido com Georg Wilhelm Friedrich Hegel[41], presbítero luterano, filósofo formado em Direito, permitiam-lhe analisar que a organização do que esta mandado passa a ser permanente. Especialmente os seus conhecimentos do Direito Romano. Este saber permite-lhe dizer que além das estruturas, há verdades eternas, como a liberdade, a justiça, etc., que são comuns a todos os regimes sociais. Mas o comunismo quer abolir estas verdades eternas, quer abolir a religião e a moral, em lugar de lhes dar uma nova forma, e isso contradiz todo o desenvolvimento histórico anterior[42]. Mas Marx não fica calmo com apenas essas ideias. Ao início do Manifesto Comunista, define de uma vez e para sempre – digo para sempre, porque é a base dos seus comportamentos políticos e pesquisa como intelectual, esta ideia que vou citar e pela qual o marxismo tem sido sempre julgado, uma verdade que, apesar da mudança na forma de vida dos trabalhadores e os seus ingressos, mantêm-se igual – A base da sua teoria é esta: A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.

Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária, da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta [43].As palavras de Marx e Engels são duras, mas correspondem à verdade. Desde que sabemos a história do mundo, podemos reparar que as relações são antagónicas, especialmente em relação ao trabalho. Estas ideias estão definidas no livro de Adam Smith de 1776 e nos textos também citados de François Quesnay. Eles não falam de luta de classe, mas ao estudar esses livros sob o prisma da teoria materialista, pode-se apreciar que os grupos são em pares, como tenho salientado em negrito. Um tipo de história cronológica, que narra factos conforme os anos do seu acontecimento. Outra, é a história analítica que procura factos ao longo do tempo, orientado por uma ideia, como no caso do materialismo e repara que no mundo sempre houve guerras e essas guerras eram entre os que tinham posses e os que obedeciam por nada ter. Adam Smith denomina a inclinação do ser humano para o trabalho, Quesnay fala de trabalho produtivo e improdutivo ou agricultores e industriais. Até onde eu possa lembrar, é a primeira vez no campo da análise social, em que os grupos aparecem repartidos entre opressores e oprimidos. As guerras nunca tinham sido classificadas como luta de classes, apenas como amor à Pátria, a defesa de uma Nação ou Estado, ou lutas pela independência do controlo de um Estado invasor. No entanto, eram resultado de lutas pelo poder e o lucro: luta de classes. As lutas dentro do mesmo país, tinham e são denominadas revoluções, mas, se ouvimos o alarido dessas lutas, podemos apreciar que normalmente são levantamentos do povo oprimido contra o grupo opressor ou sentido como tal. Dois exemplos, dentro da minha vida, saltam de imediato a minha memória e recordações: o alçamento das forças armadas contra um governo democrático no Chile em 1973, analisado mais em frente; e esse não poder suportar mais as perseguições, detenções injustas, apagar do saber matérias importantes para a análise social, uma guerra injusta contra povos africanos, que acabou por rebentar no que hoje denominamos o 25 de Abril, acontecido em 1974 em Portugal.

O resultado da análise do manifesto, pode-se sintetizar com frases do mesmo texto. Uma delas é cumprida e contundente e diz: A burguesia despojou da sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.

A burguesia rasgou o véu de sentimentalismo que envolvia as relações de família e reduziu-as a simples relações monetárias. A burguesia revelou como a brutal manifestação de força na Idade Média, tão admirada pela reação, encontra seu complemento natural na ociosidade mais completa. Foi a primeira aprovar o que pode realizar a atividade humana: criou maravilhas maiores que as pirâmides do Egipto, os aquedutos romanos, as catedrais góticas; conduziu expedições que empanaram mesmo as antigas invasões e as Cruzadas. A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, como isso, todas as relações sociais.

[1]Freud, Sigmund, (1914) 1969: Sobre o Narcisismo: Uma Introdução, Imago, Rio de Janeiro.

[2] Joseph Ratzinger, definido já na Introdução de este texto, é o Papa Católico Romano Bento XVI

[3] O poder social, quer dizer, a força produtiva multiplicada que é devida à cooperação dos diversos indivíduos, a qual é condicionada pela divisão do trabalho, não se lhes apresenta como o seu próprio poder conjugado, pois essa colaboração não é voluntária e sim natural, antes lhes surgindo como um poder estranho, situado fora deles e do qual não conhecem nem a origem nem o fim que se propõe, que não podem dominar e que de tal forma atravessa uma série particular de fases e estádios de desenvolvimento tão independente da vontade e da marcha da humanidade que é na verdade ela quem dirige essa vontade e essa marcha da humanidade.

Esta alienação – para que a nossa posição seja compreensível para os Filósofos – só pode ser abolida mediante duas condições práticas. Para que ela se transforme num poder insuportável, quer dizer, num poder contra o qual se faça uma revolução, é necessário que tenha dado origem a uma massa de homens totalmente privada de propriedade, que se encontre simultaneamente em contradição com um mundo de riqueza e de cultura com existência real; ambas as coisas pressupõem um grande aumento da força produtiva, isto é, um estádio elevado de desenvolvimento. Por outro lado, este desenvolvimento das forças produtivas (que implica já que a existência empírica atual dos homens decorre no âmbito da história mundial e não no da vida loca]) é uma condição prática prévia indispensável, pois, sem ela, apenas se generalizará a penúria e, com a pobreza, recomeçará paralelamente a luta pelo indispensável e cair fatalmente na imundície anterior. Página 20 de obra em linha, página 170 da obra em formato de papel, David McLellan, Clarendon Press, Oxford. O texto em linha, pode ser lido em:  http://www.pcb.org.br/textos/A%20Ideologia%20Alem%C3%A3.pdf

[4] A palavra alienação tem várias definições: cessão de bens, transferência de domínio de algo, perturbação mental, na qual se regista uma anulação da personalidade individual, arrombamento de espírito, loucura. A partir desses significados traçam algumas diretrizes para melhor analisar o que é a alienação, e assim buscar alguns motivos por quais as pessoas se alienam. Ainda assim, os processos alienantes da vida humana foram tratados de maneira atemporal, defraudada, abstraído de processos sócio – económico concreto.

A alienação trata-se do mistério de ser ou não ser, pois uma pessoa alienada carece de si mesmo, tornando-se na sua própria negação.

Alienação refere-se à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprio.

A sobrevivência do homem implica uma transformação da natureza e do outro à sua imagem e semelhança, o que impõe uma transformação de si mesmo à imagem e semelhança do mundo e do outro. Viver para o homem é objetivar-se, ser fora de si.

O conceito de alienação é histórico, tendo uma aplicação analítica numa ligação recíproca entre sujeito, objeto e condições concretas específicas. Logo, a história afirma que o homem evoluiu de acordo com seu trabalho. Portanto, a diferença do homem está na sua criatividade de procurar soluções para seus problemas, então com a prática do trabalho desenvolve seu raciocínio e sempre aprende uma “nova lição”. Sem trabalho, não consegue desenvolver esse raciocínio, fica mais pobre em inteligência e desenvolvimento racional. A ideia é de Marx, grande parte  do texto, é meu. Pode-se saber mais em:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Aliena%C3%A7%C3%A3o

[5] A genealogia da família Marx, a sua composição e os seus objetivos, estão referidos no Capítulo 3 de este texto e no anexo 2.

[6] Estou ciente de reiterar a vida de Eleanor, mas tomo a liberdade de lembrar ao leitor a vida de Eleanor Marx (Londres, 16 de Janeiro, 1855 — Londres, 31 de Março, 1898) foi uma ativista política e autoramarxista, filha de Karl Marx e Jenny von Westphalen, a mais nova dos cinco: dois mortos na infância, três sobreviventes.

Nasceu na Inglaterra. Foi educada em sua casa por seu pai; com o passar do tempo se converteu na sua secretaria, passando logo a ser professora em um colégio de Brighton. Teve uma relação amorosa com Hipólito Lissagaray, autor da História da Comuna de 1871; sem apoio  familiar, a relação não floresceu devido ao já referido rechaço do pai.

Em 1884, uniu-se à Federação Social Democrata e foi eleita para entrar em sua executiva, empregando parte de seu tempo em dar conferências sobre socialismo. Esse mesmo ano chegaria a ser um dos fundadores da Liga Socialista (formação rival da Federação) como seu companheiro de então, Edward Aveling.

No fim da década de 1880 e na de 1890, Marx converteu-se em ativista sindical, apoiando greves como a de Bryant & May e a do porto de Londres. Ajudou a organizar a Gas workers’ Unione escreveu numerosos livros e artigos.

Traduziu diversas obras literárias, como Madame Bovary, assim como A dama do mar e Inimigo do povo, de Henrik Ibsen.

Em 1898, descobriu que Aveling havia casado secretamente com uma jovem atriz. Propôs a ele um suicídio pactuado, mas Aveling recuou. Em troca, proporcionou-lhe a Eleanor o ácido prússico que usou para se suicidar. Abandonou a casa. Embora tenha sido publicamente reprovada a sua atitude, não seria acusada de nenhum delito.

[7] História em: http://intervox.nce.ufrj.br/~ballin/mani.htm , na base do texto de Luiz Carlos Tau Golin, Historiador e Jornalista, professor da Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. A fonte destes dados é seu ensaio: As condições históricas do Manifesto comunista, de 31 de Dezembro de 2008.

[8] Biografia de Jean-Pierre Proudhon e debate, estão narrados em capítulos anteriores, especialmente no Capítulo 3

[9]Qué es la sociedad, cualquiera que sea su forma? El producto de la acción recíproca de los hombres. Pueden los hombres elegir esta o aquella forma social?’Nada de eso. A un determinado nivel de desarrollo de las facultades productivas de los hombres, corresponde una determinada forma de comercio y de consumo. A determinadas fases de desarrollo de la producción, de comercio, del consumo, corresponden determinadas formas de constitución social, una determinada organización de la familia, de los estamentos o de las clases; en una palabra, una determinada sociedad civil. A una determinada sociedad civil, corresponde un determinado Estado político, que no es más que la expresión oficial de la sociedad civil (Carta de C. Marx a P. V. Amenkov del 28 de diciembre de 1846).Fonte:  http://www.asambleasociedadcivilcuba.info/Operacion/Propuestas/PinardelRio-UnProyectoparaCuba.htm

[10] Fonte: Golin, Tau, 2001: As condições históricas do Manifesto Comunista, que abre o seu texto com as seguintes palavras: há 150 anos, Marx escrevia o texto da viragem na luta de classes, texto que pode ser lido na página web: http://intervox.nce.ufrj.br/~ballin/mani.htm ; bem como o livro de Francis Wheen, 1999: Karl Marx: A life, editado por W.W.Norton, Londres. Versão portuguesa de 2003: Karl Marx. Biografia, Bertrand Editora, Lisboa. Dados e excertos da versão inglesa, em: http://www.amazon.com/Karl-Marx-Life-Francis-Wheen/dp/039304923X#reader. A versão luso  portuguesa tem uma recensão, diz: a nova biografia de Francis Wheen é um trabalho informado dirigido ao grande público, que não procura apresentar Marx como um demónio nem como um deus, mas como um simples homem. Assim, é uma obra admirável, dando-nos a conhecer a vida de Marx, com as suas contrariedades do dia-a-dia, as suas manias, os seus defeitos e as suas qualidades.

Esta biografia compreende 12 capítulos, uma introdução e três apêndices, além das notas que referem as fontes, dos agradecimentos e do índice analítico. Apresenta-se redigida num estilo direto e despretensioso, por vezes até humorístico, o que ajuda o leitor mais tímido a vencer as páginas ligeiramente densas, onde algumas das ideias importantes de Marx são apresentadas e discutidas. Para quem nada sabe de Marx além de lugares-comuns, esta biografia é um bom ponto de partida. Fonte: http://criticanarede.com/html/lds_marx.html

FRANCIS WHEEN, escritor e jornalista, foi eleito Colunista do Ano, em 1997, por suas contribuições no Guardian. É autor de Karl Marx, biografia que ganhou o prémio Isaac Deutcher em 1999, e de The Soul of Indiscretion, que recebeu o Prémio Orwell de 2003. Escreveu também Como a piquetagem conquistou o mundo, lançado no Brasil. Texto de Jorge Zahar, em: http://www.zahar.com.br/catalogo_autores_detalhe.asp?aut=Francis+Wheen

[11] Texto retirado de comentários sobre o livro Crítica a Filosofia do Direito de Hegel da Folha em linha Filosofia e Ideias, inter-filosofia, sem autor, texto completo em: http://www.geocities.com/Athens/4539/opiodopovo.htm. O texto tem por título: A Religião é o Ópio do Povo.

[12]Época vitoriana, período que compreende a segunda metade do século XIX e primeira década do século XX, em que os movimentos sociais populares cederam lugar a um sistema social equilibrado grandemente devido à estabilidade do Império Britânico, governado pela rainha Vitória (1819-1901). Apesar do materialismo herdado, a época foi marcada pelo retorno de valores éticos como respeitabilidade, polidez e circunspeção, considerados as mais elevadas virtudes sociais. O espírito vitoriano marcou a literatura com refinamento e vigor, como nas obras de Charles Dickens, Emile Brontë, George Eliot e Thomas Hardy. No entanto, muitos críticos sociais têm uma visão amarga desse período, que consideram uma época de preconceitos, excessiva repressão moral e hipocrisia. Era, nem mais, a época da Revolução Industrial, que danificou ao povo e a monarquia da Rainha Vitoria não estava interessada. O puritanismo era aparente. Até a Rainha, aos 17 anos, teve intimidades com o Duque de Wellington, e, a seguir a morte do seu marido, com John Brown, um escocês, o seu amante ou marido, como é relatado nas biografias da Rainha Vitoria e nos seus diários de vida, hoje de domínio público passados 100 anos da sua morte. Os segredos da monarquia inglesa estão bem guardados e ocultos. Existia apenas nos textos mencionados, nos de Óscar Wilde, encarcerado não pelas suas preferências sexuais, mas pela verdade que aborda da ética do seu Século, de amores ocultos, compras de capital, heterogamia e traições amorosas ou actos de bigamia: estado de quem tem ao mesmo tempo dois consortes. Facto normal, do qual nem se falava, no Século XIX. Hoje em dia, Século XXI, a bigamia é praticamente impossível: as pessoas nem casam…Uma das peças que causara mais escândalo entre as de Óscar Wilde, era O leque de Lady Windermere, e queiram ou não, a peça A importância de se chamar Ernesto, é uma corrida de mentiras sobre o estado civil das pessoas…..e as sua origens: semeia a dúvida…. Uma personagem feminina de Wilde no Leque, diz:

Se uma mulher quer mesmo agarrar um homem, tem de apelar ao pior que há nele

As histórias de amor entre John Brown e a Rainha Vitoria, podem ser lidas em: http://www.royal-deeside.org.uk/RDhistory/johnbrown.htm. Muita tinta tem corrido sobre os amores da Rainha Vitória, que podem ser lidas. Tenho um informante privilegiado, um meu amigo, um Duque, o seu parente, que me tem contado os segredos da sua família. O nome, como é natural, fica comigo… 

[13]Luta de classes foi a denominação dada por Karl Marx, ideólogo do comunismo juntamente com Friedrich Engels, para designar o confronto entre o que consideravam os opressores (a burguesia) e os oprimidos (o proletariado), consideradas classes antagónicas e existentes no modo de produção capitalista. A luta de classe se expressa nos terrenos económico, ideológico e político. A definição não é minha. Tenho

Que se corte nos rendimentos elevados

Cavaco já percebeu. Os cortes nos funcionários públicos e nos pensionistas já chegou ao osso. Agora é preciso, se for preciso, ir aos que têm rendimentos elevados. Aquela ideia de taxar as fortunas é uma boa ideia."se for necessário reduzir o rendimento disponível de alguém no futuro, tem que ser àqueles que têm elevados rendimentos e que, até este momento, não foram seriamente prejudicados no seu bem-estar". Ter esta visão neste momento em que há boas notícias em várias frentes é fundamental. Passos tem que perceber isto ou corre o risco de tudo ou quase voltar ao principio.

O tiro ao alvo "visto - gold"

Tudo o que em Portugal tenha mérito é perseguido. Agora são os "vistos gold". As notícias de primeira página ou são pura mentira ( como a de ontem no Público) ou deixam no ar a ideia que a atribuição do cartão é uma forma camuflada de imigração mafiosa. Nem sequer se apercebem que no único caso conhecido, foi exactamente a atribuição do cartão que permitiu descobrir um fugitivo internacional.

Há outros países que usam esta medida mas para nós não serve. Não precisamos de investimento estrangeiro nem de quem escolheu o nosso país para  trabalhar. Se for a imigração da miséria, à procura de subsídios e sem trabalho aí funciona a solidariedade. Não sei quem foi que disse que lá no país dele todos trabalhavam para que todos fossem ricos. Nós aqui temos ódio a quem tem dinheiro. Ainda se fosse inveja talvez nos desse para trabalharmos mais.

 

 

 

Taxa a dez anos abaixo dos 4%

Depois de quatro anos de muito sacrifício a taxa de juro da dívida a dez anos passou a barreira dos 4%. E está a baixar em todos os prazos. No prazo de cinco anos está abaixo dos três por cento. É agora necessário que se dirijam esforços para reformar estruturalmente o estado e que se reforce o relançamento da economia.

Os que se sentam à mesa do orçamento tudo fazem para que o estado continue a viver folgadamente à custa dos trabalhadores dos que criam riqueza. Podem dar as voltas que quiserem mas o que o estado esbanja tira aos contribuintes. Na sua intransigência não se coíbem de manifestar o pedido de reestruturação da dívida mesmo sem que os sacrifícios que lhes são pedidos sejam satisfeitos. Um estado que após estes quatro anos tão difíceis continua quase intacto.

Religião, Economia e Manifesto Comunista. As pretensões da família Marx- 2

 Parte 1

Mas, atenção! Marx não quer condenar a religião como profissão de fé, bem ao contrário, a respeita, os seus apoiantes eram pessoas de prática religiosa, os seus próprios professores antes referidos, o eram também, especialmente pelas suas vidas terem transcorrido ao longo de vida do denominado baluarte ético da época, a era vitoriana [12]. O que Marx criticava era a condição de uma sociedade a orientar as pessoas para ideias que entorpeciam às próprias: pensava-se mais no ato de fé que nas opções que a vida proporcionava. De facto, na época da Revolução Industrial, não havia alternativas de pensamento, por não existir alternativas de investimento: ou se tinham bens para investir, ou nada havia do outro lado. A família Marx lutava pela existência social de uma igualdade económica, donde, de classes, que não conseguiam dinamizar. A luta era entre os que tinham e os que nada tinham ou luta de classes13], a burguesia proprietária era forte demais e tinha muitos meios de produção para investir de forma alternativa, ou não. Se olharmos a realidade como cristãos, éramos capazes de entender a luta pelas opções empreendida por Marx e os trabalhadores. Mais uma vez, é preciso ler o já citado Sermão do Monte, para entender a procura de justiça da família Marx e do operariado que o apoiava. De qualquer modo, a partir daí, não paramos de ouvir as críticas aos comunistas sem Deus, implicando que o pensamento marxista não tem valores nem moralidade.

Facto que não parece ser real, por dois motivos: o texto do Manifesto Comunista; e porque Marx era luterano. O seu ideal era libertar ao povo de todo tipo de opressão. O texto não é contra a religião: não a menciona nem a debate. O texto é contra o pensamento burguês que, de revolucionário no Século XVII, tinha passado a ser opressor do povo. Karl Marx, era em princípio simpatizante dessa estratégia de ataque à Cristandade para sabotar o estabelecimento da Prússia, mas mais tarde formou ideias divergentes e rompeu com os Jovens Hegelianos. A conclusão de Marx é que religião não é a base do poder de estabelecimento: a base que justifica a posse do capital – terras, dinheiro, e os meios de produção – que está situado no coração do poder estabelecido. Marx entendeu a religião como uma cortina espessa de fumo para obscurecer essa verdadeira base de poder. Na vida real e quotidiana, certamente era um amparo vital para o oprimido proletariado – o ópio do povo, o único conforto deles numa vida na qual ele não estaria disposto a abandonar.

O texto criado e escrito por Marx e Engels e redigido por Jenny Marx, começa a análise das condições históricas da revolução europeia, com estas palavras: Um espectro ronda a Europa – o espectro do comunismo. Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e o czar, Metternich [14] e Guizot [15], os radicais da França e os policiais da Alemanha. Que partido de oposição não foi acusado de comunista por seus adversários no poder? Que partido de oposição, por sua vez, não lançou a seus adversários de direita ou de esquerda a pecha infamante de comunista?

Duas conclusões decorrem desses factos:

1a. O comunismo já é reconhecido como força por todas as potências da Europa;

2a. É tempo de os comunistas exporem, à face ao mundo inteiro, seu modo de ver, seus fins e suas tendências, opondo um manifesto do próprio partido à lenda do espectro do comunismo.”[16] Marx e Engels são conscientes de ser o seu objetivo uma facto que aterroriza a burguesia e aos proprietários do capital. O Manifesto é um documento histórico que argumenta sobre a substituição de antigas religiões por novas formas de fé, do nascimento do proletariado ao acabar o feudalismo e se segurar o domínio de outro grupo, o da burguesia, em tempos, revolucionária. Burguesia que tinha organizado um alçamento contra a aristocracia ou proprietários feudais de terras que rendiam, sem ser trabalhadas por eles. A base era o contrato de enfiteuse.[17] Operavam sobre os terrenos trabalhadores rurais ou foreiros, ou pessoas sujeitas ao proprietário das terras, que deviam pagar foro ou pensão anual que o enfiteuta paga ao senhorio direto. Enfiteuta ou pessoa que tem o domínio útil do prédio por enfiteuse ou convenção pela qual o dono de um prédio transfere para outrem o seu domínio útil em troca de um foro. O domínio da terra tinha quatro direitos em tempos do feudalismo e nos sítios onde ainda hoje, impera a enfiteuse, como na Beira Alta, em Portugal, o Sul da França, terras ao pé da Cordilheira dos Andes, especialmente o sítio que estudo, as Comunas da Pencahue, Corinto e Chanco [18]: útil ou usufruto, direto ou propriedade, direito de uso e, o mais importante para o proprietário privado e direto da terra, o direito de raiz, direito que define a vinculação de propriedade privada da terra entregue em enfiteuse ou usufruto[19]. O direito de raiz era o mais cobiçado pela burguesia. A terra era entregue a habitantes rurais que as trabalhavam como se forem deles, até o ponto da poder herdar por várias gerações. São trabalhadores denominados também caseiros ou rendeiros, depende da parte do mundo em que os trabalhos rurais sejam exercidos. O que é certo e de direito legislado pelo Código Civil, é o dever de entregar a metade do fruto da terra ao proprietário direto da terra o do direito de raiz, como tenho definido em vários livros meus[20]. Esta convenção entre o proprietário do direito de raiz e o usufrutuário ou quem goza de usufruto, era um problema económico histórico que preocupava a Marx, a Engels e a Liga Comunista. Para tratar deste e de outros assuntos, reuniram-se em Londres comunistas de várias nacionalidades para esboçar um manifesto para a sua defesa. Texto que fora publicado em inglês, francês, alemão, italiano, flamengo e dinamarquês.[21]

Marx, o ideólogo do Manifesto, refere o conceito religião em frases curtas ao longo de tudo o texto. O objetivo era só referir as mudanças que experimentam as crenças ao longo do tempo. Engels referiu apenas dos princípios básicos do comunismo e as suas consequências, assim: O trabalho industrial moderno, a sujeição do operário pelo capital, tanto na Inglaterra como na França, na América como na Alemanha, despoja o proletário de todo carácter nacional. As leis, a moral, a religião são para ele meros preconceitos burgueses, trás dos quais se ocultam outros tantos interesses burgueses[22]. Para provar o que ele já sabia, faz a acrescentar à redatora - redatora é quem coloca o texto em forma literária, autor, é quem cria o texto- Jenny, estas palavras: Quanto às acusações feitas aos comunistas em nome da religião, da filosofia e da ideologia em geral, não merecem um exame aprofundado [23]. Penso eu que Marx se engana em este o seu comentário. As acusações da burguesia eram tão fortes e de tanta falácia, que quer o Partido Comunista[24] e a Liga Comunista precisaram permanecer sempre na clandestinidade. O nome dos autores do Manifesto Comunista, era desconhecido pelo mundo todo, ainda mais, pelos membros da Liga. Apenas poucos bovesianos de Marselha, membros da instituição, os que tinham solicitado a redação de um Manifesto para honrar a Babeuf, conheciam a autoria. Essas 21 páginas foram publicadas como panfleto, por outras palavras, um  folheto escrito em estilo violento, ou obra impressa de carácter não periódico, com mais de quatro e menos de 48 páginas, sem contar com as da capa. O segredo da autoria, derivava da perseguição que a burguesia, que tinha dado cabo das suas ideias de revolução, fazia dos radicais revolucionários, quer do Partido Comunista organizado por Marx ou da Liga dos Comunistas, derivada dos princípios de Babeuf. Não apenas era real a ameaça de retirar dos seus postos de trabalho aos membros da Liga ou de qualquer comunista, tal o seu medo de perder os sinecurismos [25] ou prebendas adquiridas no seu triunfo na Revolução Francesa, bem como os matava o encarcerava. Foi a etapa mais dura para os socialistas durante a sua história. A burguesia tinha criado, organizado e investido nas indústrias [26], eram proprietários de meios de produção que rendiam alto lucro. Controlava a circulação da moeda, ou a cunhagem da mesma, emprestava dinheiro com juros muito altos a aristocracia empobrecida, e apropriavam-se dos bens dessa classe que ia derrubando-se, comprando até os seus títulos nobiliários para saldar contas. Duvido que a burguesia tenha sido revolucionária, Uma grande dúvida fica em mim, uma grande dúvida aparece no meu pensamento: a referida frase do Príncipe Tomasi di Lampedusa: Para nos salvar, é preciso nós apoiar entrelaçando mãos e interesses, ou eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude [27] (Tomassi di Lampedusa, O Leopardo ou Il Gattopardo, escrito entre 1954-1957).

 A luta de Marx contra a burguesia e a sua apropriação da mais-valia dos trabalhadores o fez confrontar um cientista que ele admirava e de quem tinha aprendido muito de teoria económica: o seu mestre por meio dos livros, François Quesnay, quem defendera a burguesia de modo implacável. No seu livro de 1758 – há um engano na Wikipédia, diz que o texto tinha sido publicado em 1778, quatro anos após a sua morte – livro que divide as atividades da forma que sintetizo em nota de rodapé [28].

Será preciso grande perspicácia para compreender que as ideias, as noções e as conceições, numa palavra, que a consciência do homem se modifica com toda mudança sobrevinda em suas condições de vida, em suas relações sociais, em sua existência social?[29] Esta frase dos ideólogos do Manifesto é praticamente uma psicanálise – de psicologia e de psicanálise. Marx sabia e entendia, demonstrado em outros textos dele, especialmente em A Crítica a Filosofia do Direito de Hegel de 1843 e em A Ideologia Alemã de 1846, ao falar de alienação[30] de bens retirados ao produtor e pagos pelo mais baixo valor que rende a sua produção, facto que transtorna as relações sociais, como é comentado no começo do Manifesto – é uma ironia para a burguesia não revolucionaria reparar que deve mudar porque o mundo não fica sempre igual. Existe a cronologia histórica, as invenções, as novas formas de pensar que, na época de Marx iam mudando com tanta rapidez, que estes intelectuais nascem e morrem na época das revoluções. Eles próprios, pessoas revoltadas contra o comportamento da forma de extrair mais-valia dos trabalhadores, com o modo de produção capitalista, definem essa História e a sua cronologia, da maneira seguinte: As relações de produção determinam todas as outras relações que existem entre os homens na sua vida social. As relações de produção são determinadas, elas próprias, pelo estado das forças produtivas… Esta parte do texto, a mim, o escritor, faz-me perguntar: o quê é forças produtivas? A resposta é dada por eles próprios, dentro do Manifesto:

Como todos os animais, o homem é obrigado a lutar pela sua existência. Toda luta supõe um certo desgaste de forças. O estado das forças determina o resultado da luta. Entre os animais, estas forças dependem da própria estrutura do organismo: as forças de um cavalo selvagem são bem diferentes das de um leão, e a razão desta diferença reside na diversidade da organização. A organização física do homem tem naturalmente influência decisiva sobre sua maneira de lutar pela existência e sobre os resultados desta luta. Assim como, por exemplo, o homem é provido de mãos. Certo é que seus vizinhos, os quadrúmanos (os macacos) também têm mãos; mas as mãos dos quadrúmanos são menos perfeitamente adaptadas a diversos trabalhos. A mão é o primeiro instrumento de que se vale o homem na luta pela sua existência, como ensinou Darwin.[31].

É uma frase crítica para os que já todos tinham e queriam passar a ser parte do estabelecimento, e governar os seus países conforme a sua conveniência: Quando o mundo antigo declinava, as velhas religiões foram vencidas pela religião cristã; quando, no século XVIII, as ideias cristãs cederam lugar às ideias racionalistas, a sociedade feudal travava sua batalha decisiva contra a burguesia então revolucionária. As ideias de liberdade religiosa e de liberdade de consciência não fizeram mais que proclamar o império da livre concorrência no domínio do conhecimento.[32] Ideias do saber histórico e antropológico de Marx, aprendidas no Ginásio e na Universidade, especialmente enquanto era aderente as ideiam do religioso Hegel. Este parágrafo merece dois comentários. Um, sobre o que aprendeu de Quesnay. Outro, sobre a sua ideia de religião. Ele vivia na Prússia, onde o luteranismo era parte da política do Governo: endémico e centralizador. Foi ai onde começou o problema com as pessoas da confissão hebreia ou A Questão Judaica [33], pela que Marx se interessara e escrevera um artículo no seu jornal Deutsch-Französische Jahrbücher. O texto era um comentário a dois ensaios que Bruno Bauer [34] tinha escrito sobre as más formas em que eram tratados os judeus na Prússia e nos Estados Alemães. Reclamava que para viver em paz judeus e cristãos, uma questão devia ser suprimida: a religião. No seu tom irónico, Marx responde que num Estado absolutista e confessional como era a Prússia, essa emancipação era impossível e que o que devia ser feito era emancipar os Estados Alemães do centralismo absolutista que imperava. Era impossível separar as religiões, especialmente as mais antigas, como a judaica, que tinha sido absorvida pelos cristãos. “A forma mais rígida de oposição entreo Judeu e o Cristão, é a contradição religiosa. Como se cria essa oposição à religião? Fazendo-a impossível. Como se faz impossível uma contradição religiosa? Neutralizando-a. Mal reconheçam Judeus e Cristãos que as suas respetivas religiões são apenas diferentes estágios da evolução da mente humana, diferentes viscosidades de serpente organizadas pela história, e que o homem é a serpente que as criou. As relações entre Judeus e Cristãos já não são mais uma questão religiosa, são apenas uma etapa crítica da história, da ciência e das relações humanas. Porém, a ciência sabe organizar a sua unidade[35]”. Note-se como o autor não fala contra a religião. Faz, isso sim, uma análise sócio- histórica da utilidade das ideias religiosas, que com o tempo, as circunstâncias, a ambição, mudam. O autor não critica a mudança, faz um comentário da sua utilidade para determinados seres humanos que lucram com o trabalho de outros que recebem deles salários pelo trabalho que rende lucro. Era o saber de Marx utilizado no Manifesto, que diz que as religiões antigas são absorvidas pelas novas. Sabido é e provado está, que a hebraica começara a existir milhares de anos antes de, parte dela, passar a ser cristianismo, estrutura organizada faz apenas dois mil anos de atribulada existência, que Marx não menciona. O autor é historiador social e não teólogo. Sabia de teologia, mas encontrou uma teoria melhor, a do materialismo histórico. No entanto, foi a atribulada confissão que aplicara para a sua análise da vida social….[36]

 A segunda questão já anunciada, sobre a influência de Quesnay sobre a obra de Marx. É evidente que esta é uma ideia retirada do que aprendera das suas leituras das obras de François Quesnay, quem fomentava no mercantilismo, é dizer, na concorrência livre para a carestia da vida. Não é possível, no entanto, esquecer que Marx aprendeu de Quesnay o tratamento da terra e de como devia ser usada: pelo proprietário, caso houver – caso houver, o ideal dos princípios do comunismo, era acabar com a propriedade privada. Quesnay teimava que a terra devia ser trabalhada no tempo que a natureza floria. Nos seus textos para a Enciclopédia[37] de Diderot e D’Alambert, Métayer [38] ou Rendeiros em português (1756/7) e Les Moissons ou Cereais em português (1757), os que mais impressionam a Marx. O primeiro, por narrar com minúcia as suas formas de vida e de trabalho, criticando Quesnay nos Rendeiros ou, como se diz em Portugal, Caseiros ou Contrato a Medias, que semeavam ou permitiam a reprodução, dos animais, especialmente vacas e vitelos, quando acontecer. Quesnay deu-se não apenas o trabalho de aplicar o seu saber fisiológico dos seres humanos aos animais, bem como nas suas terras e onde quer que for requerido, ensinar que há estações. Quer em Rendeiros, quer em Cereais, Quesnay divide o trabalho por estações do ano. O que encantou ao nosso intelectual. Bem como passou a ser um fiel seguidor das ideias do Quadro Económico sobre a esterilidade do Comércio e da Indústria, que analisara no seu livro O Capital, mas usando um outro conteúdo, esse de não partilhar o lucro de indústria com os produtores. Como os rendeiros, recebiam uma mísera parte dos produtos, sendo para os trabalhadores um mísero salário, comparado ao lucro do proprietário da usina ou estabelecimento industrial que emprega máquinas (fundição, serralharia, etc.) ou empresa que produz bens em série, em grandes quantidade para vender de forma ampla e não fracionada. Críticas de Marx, retiradas do seu saber sobre Quesnay e Smith.

PS  parte 3 continua

 

Da tragédia do Meco vai-se revelando a verdade

Afinal o sobrevivente não apresentava sintomas de hipotermia e muito menos de pré-afogamento, soube-se a partir do relatório do hospital onde foi assistido. Segundo o mesmo relatório doía-lhe a cabeça, uma cefaleia que foi tratada com paracetemol. O medicamento que em menor dose se dá às crianças com febre. Esta narrativa é consistente com o facto de o seu telemóvel estar a funcionar .

"João Gouveia, o "Dux" da Universidade Lusófona e único sobrevivente da tragédia na praia do Meco quando seis estudantes foram levados pelo mar, afinal não apresentava sinais de hipotermia, como o próprio indicou em comunicado um mês após a tragédia. Das ondas alterosas do mar do Meco não escapou e da verdade também não vai escapar.