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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A brutal diferença

Ana Gomes (PS) luta ao lado dos democratas na Ucrânia. Diz que "é uma nova era" para aquele país. Pelo contrário o PCP diz que é "uma brutal ingerência" da UE e da NATO. Para os comunistas o que se passa na Ucrânia é o resultado do capitalismo que substituiu o comunismo naquele país.  Para o PCP, os acontecimentos recentes na Ucrânia "evidenciam a instrumentalização por parte das potências imperialistas na NATO" do "profundo descontentamento acumulado entre os trabalhadores e "amplas camadas da população" que disse resultar do "desastre social e económico da restauração do capitalismo" naquele país nas últimas duas décadas.

Muito pode o capitalismo nas contas do PCP. Como é que milhares e milhares de pessoas na Ucrânia, na Hungria, na Roménia e em tantos outros países ex-comunistas estão ao lado  do capitalismo é, para mim, um mistério . Será que viveram muito pior no sistema comunista?

2014 é o "momento 1640", já não dependemos do exterior

As revisões em alta das instituições internacionais quanto ao comportamento da economia permitem alimentar a esperança que haverá também aumento na criação de postos de trabalho. Na senda do que tem acontecido nos últimos meses. Acresce que as economias dos nossos principais parceiros comerciais estão a crescer a um ritmo mais forte do que o inicialmente previsto. Tanto na Zona Euro como nos US.

O crescimento do emprego não foi devido a factores essencialmente sazonais. Estamos agora nas nossas mãos, já não dependemos do exterior. Precisamos de um acordo do governo com o PS, reformar o estado ( o que não quer dizer cortar salários e pensões) e acautelar possíveis chumbos do tribunal Constitucional.

Toda a oposição andou a suspirar por este momento, o "momento 1640" da refundação da nação, é altura de mostrar que falavam a sério. É o interesse nacional que está em jogo. A responsabilidade é de todos!

Se as casas vazias fossem um abrigo

Há, de certeza casos de "sem abrigo" que ocupariam casas devolutas e fariam delas o seu abrigo. Mas não me parece que seja essa a solução para a maioria. Sem acompanhamento técnico e social a maioria dos sem abrigo não é capaz de fazer de uma casa vazia um lar. É tudo bem mais difícil do que o título do Público dá a entender " Um milhão de casas vazias e há cada vez mais sem abrigo". Seria bom que uma pequena parte dessas casas ( sim, porque bastaria uma pequena parte) resolvesse essa chaga social.

Parece inaceitável que o Estado, as câmaras e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa não tenham uma bolsa de habitação social para, de imediato, acolher quem fica sem tecto.

De acordo com a Estratégia Nacional, ninguém deve ser obrigado a ficar na rua mais de 24 horas. Vigora alguma resistência ao acompanhamento social, sobretudo, entre pessoas com problemas de saúde mental, de consumo excessivo de álcool ou outras drogas, indica Vanda Coelho, assistente social da Associação para o Planeamento da Família. Há quem já esteja há anos de rua. Um homem a quem foi atribuído um quarto de pensão dormia no chão nos primeiros tempos. É bem mais complexo do que encontrar casas devolutas e meter lá dentro pessoas pessoas que desistiram da vida.

SER PAI É SER ÓRFÃO DE FILHOS - Prof Raul Iturra

 

Escrevi ontem um ensaio sobre o facto e a emotividade de sermos pais. Quando a minha descendência ia nascendo, ou antes, quando era gestada pela mãe com o meu acompanhamento como pai, as emotividades eram a adrenalina que circulava pelo corpo todo e uma ternura profunda, quase impossível de descrever com palavras, percorria a alma e a carne. Quase um instinto primitivo de proteger a gestora de próximo bebé, do aguardado descendente que ia prolongar a nossa memória dentro das gerações futuras, a lembrança dos progenitores e dos seus antepassados. Mas, isso pensa-se depois, quando os bebés crescem e passa a ser necessário ensinar, premiar, punir às vezes. No período da gestação, todo o que queremos é tomar conta dessa mulher que amamos com paixão, até o ponto de entrar em ela tantas vezes até atingir o nosso objetivo de macho: dar vida a uma entidade que, depois de sair do corpo da mãe, luta pela sua independência e autonomia. Enquanto o bebé está em gestação, há o sentimento de proteção do ser que gesta a descendência, um sentimento muito primitivo de cuidar, de tomar conta, de evitar perigos para gravidez da mulher que vai ser a mãe do nosso vâstago. A paixão cresce até limites que parecem impossível de descrever. Apenas esses exemplos dos dias inteiros na cama para, sem deixar de amar, os corpos se procuram, a intimidade aprofunda-se, dorme-se nos intervalos, prura-se um alimento que o ardor da paixão acorda em nós. Fecham-se as janeles deliga-se o telefone, a campainha da porta fica em silêncio, ninguém pode interromper o estado mais animais de dois seres que pensam que se amam, sem saber que essa líbido é o resultado da procriação como divindades. Não se pensa em bebés, pensa-se na outra pessoa, no desejo de explorar o seu corpo e de se falar apenas dum e da outra. As caras ficam desfeitas por causa dos milhares de beijos que nascem da paixão que nos leva a esta a passar, sem saber, as horas de um dentro do outro. O ato da procriação é um ato divino, de dois deuses que se abraçam e abrasam como duas chamas que nunca mais apagam. Esse casal ama-se, mas, antes, ama-se pelo fato providencial da procura de um próximo ser. O sentimento de amor faz esquecer o resultado de descendentes, apenas sente-se essa intimidade que faz suar. A prova está em que, se aparece uma gravidez, a paixão passa a amor e acarinhamento, a cuidados especiais, a ternura incrementada pelo fato de gestão de um ser.

É a parte mais simpática e alegre da vida, una fato de lua-de-mel que se prolonga quanto á  capacidade de procriar. É assim que nasce a ternura dentro de dois, capazes de insuflar vida dentro de um ser que passa a ser o terceiro, quarto, quinto, dentro da relação que começa a dois. A mulher passa a mãe, uma palavra santa e sagrada que não se pode repetir muito para não enganar a procura de cobertura no leite, nas fraldas mudadas, nos primeiros passos, acompanhado pelo paceiro da procriação que alimenta esse lar, sustento que hoje em dia, também corresponde a pessoa gestora do filho ou filha que passam a trabalhar colmo os homens que não têm o trabalho de dar a luz, mas que acompanham a progenitora a par e passo no cuidado da infância feita por eles, até que a vida social passa a ser governada pela economia e pelas finanças. O amor pode continuar, mas dentro do lar original, varias gerações existem em conjunto: a que prepara o seu futuro no processo de ensino-aprendizagem, definido por mim em outro texto deste blogue e na minha antiga Revista Educação, Sociedade e Culturas, Nº 1 de 1994, que pode ser acedido em http://www.fpce.up.pt/ciie/revistaesc/ESC1/Iturra.pdf .

Várias gerações coexistem, cada uma com objetivos diferentes: a progenitora que orienta, a que prepara o seu futuro som o cuidado de terceiros pagos para os ensinar, até crescerem e um outra u outra entra em casa com a intenção que o casal primitivo tinha, o da reprodução. Os pais passam a categoria de velhos, os mais novos defendem a sua autonomia, ate o dia em que vão embora para organizar o seu próprio lar. Com sorte, consultam os seus velhos, mas, mais crescidos, passam a autonomia absoluta e os velhos, para a solidão de uma casa vazia ou de um lar.

Eis a minha ideia que ser pais, o a orfandade de filhos que apenas se interessam nos seus descendentes e uma certa obrigação, da que se defendem, para com os seus pais, que ficam sós e abandonados. Ainda mais, se a doença e a senilidade entram no lar original.

A falta de filhos e de netos mal conhecidos, lava a paixão primitiva a ser um peso para geração que toma conta dos seus.

Eis o motivo do título de este ensaio: ser pai, é a orfandade de filhos e a rebeldia dos mais velhos ainda capazes de tomar conta de si, apesar de que os descendentes o não o queiram acreditar. Mas, quando há uma boa criação da geração agora autônoma, os seus descendentes respeitam o carinho e cuidado todos que, os agora Avós, lhes deram. O que é uma alegria rara nos tempos que correm, mas que existe, pelo menos connosco.

Viva a vida com uma família extensa unida pelo amor do lar, alargado a filhos, netos e bisnetos e respeito dos mais velhos da autonomia conquistada pelos mais novos. Assim são também menos órfãos os pais originais.

 

 

Raúl Iturra

25 de Fevereiro de 2014

lautaro@netcabo.pt

 

As lições da Ucrânia

Na Ucrânia as pessoas vão para a rua e revoltam-se com violência porque não têm nada a perder. Vivem na miséria há muitos anos. Em Portugal a maioria tem muito a perder. Há quarenta anos Portugal era tão miserável como é hoje a Ucrânia. Apesar de todos os erros e da injustiça social, os portugueses gozam de liberdade, do Serviço Nacional de Saúde, da Educação, da Segurança Social.

Quando os povos têm razões para serem violentos não precisam que se organizem Aulas Magnas a incitar à violência. Nem que meia dúzia de membros do PCP persigam o governo em protestos transmitidos pelas televisões. Os ucranianos vão para a rua por iniciativa própria, perderam a esperança, percebem que os querem prender novamente à ditadura e à miséria. Mais, o facto de os Ucranianos morrerem para se juntarem à União Europeia, na esperança de gozarem da mesma qualidade de vida dos portugueses,  devia travar a demagogia. É que é feio fazer demagogia sobre as lições da Ucrânia.

A falta de entendimento na política, paga-se cara

A política é essencialmente negociação. Que PSD e PS não sabem fazer. O país paga caro : Por uma falta de coordenação entre PSD e PS, em Portugal o ajuste não foi pensado, foi totalmente imposto por técnicos da Comissão Europeia e do FMI, que têm trabalhado noutras regiões com programas muito similares e que não olham para o país em si. E pensam: isto resultou noutros países. E quiseram fazer de Portugal uma experiência, tal como aconteceu na Argentina, que foi uma grande experiência. O FMI nas suas experiências na Argentina dizia: aqui está um grande país que fez tudo isto. Passados cinco anos olhamos para a Argentina e a Argentina não está lá.

Há por aí dois engenheiros mecânicos que queiram trabalhar?

Um amigo meu é Director Financeiro numa empresa de projectos e serviços de engenharia. Precisa de dois engenheiros e paga acima de três mil euros/mês. Uma das empresas de recrutamento mais conhecidas  apresentou uma proposta à empresa para seleccionar os dois engenheiros. Quer receber entre 15 e 20% do total salarial anual. É só fazer as contas. Quer pelo serviço cerca de sete mil euros. Porquê? Porque há alguma urgência mas ainda não apareceram interessados.

Emigraram todos os engenheiros mecânicos com alguma experiência ? O salário oferecido não é suficientemente atractivo? Estão todos empregados?

Há uma desfocagem entre a oferta e a procura. Do lado da oferta ( das empresas) procuram-se as empresas privadas de recrutamento. Do lado da procura o Instituto de Formação e Emprego.

E se o IFEP entregasse às empresas privadas a oferta e a procura e ficasse somente ( o que ainda é muito) com o trabalho de "backoffice"? Era muitíssimo mais barato. Pagava conforme a selecção e a colocação do profissional. O estado trocava uma despesa fixa por uma despesa variável.  Mais eficaz, mais barato e muito mais simples. Reformar o estado não é assim tão dificil.

PS: quem estiver interessado envie as coordenadas que eu faço seguir para o meu amigo

SER PAI. SER AMANTE. AMAR SEM CONDIÇÕES. - Prof Raul Iturra

 

http://www.youtube.com/results?search_query=Mozart+Cosi+fan+tutte&aq=f

Cosi Fan tutte 1996 - Trio "Soave il vento"

 

 

As palavras são semelhantes, as pessoas são diferentes. No entanto, uma está amarrada a outra, atada. Não amor de pai sem filho, não há filho sem mulher. Um facto é a condição do outro, como o sol que brilha no inverno e tiras-nos o frio, como as estrelas que cintilam ao longe. Não há filho sem mãe, como não há mãe sem homem nem paixão sem sol ou sem estrelas, que na intimidade da paixão, são capazes de engendrar uma nova criatura. Este triângulo de pai, mãe filho, tem um ponto de partida. A paixão diz aos que querem ser pais que sem o sol da paixão nem o cintilar das estrelas, é impossível dar da sua vida íntima e pessoal, o sopro de vida de um bebé que começa aos gritos primeiro, até o seu desejo de carinho estar calmo e satisfeito e a sua fome material, também. Como na paixão dos que desejam filhos e, sem darem por isso, os procriam, os ensinam, os agasalham, tomam conta deles, trabalham para eles. Sem perceber, dizia antes, que nesse abraço íntimo de dois, na intimidade da sua paixão, acabam por conceber esse terceiro, que os pais amam e tratam com saber, na base desse abraço público, como vi ontem, 11 de Janeiro, acontecer em público entre dois que já não podem ter filhos, mas o carinho entre eles, sem paixão que engendre outros seres, um e outro se engendram a si próprios sistematicamente, com carinho, com cuidado, com prazer especial na sua atitude.

 

Estou consciente de ter escrito um texto, cujo título era Sermos Pais, a profissão mais antiga e desprestigiada da História. Um texto com citações, debates, definições, comparações, enfim, um texto de erudito que, sem saber como, vai citando, de forma natural, enquanto escreve. Mas, ser pai também é acordar de noite porque um descendente está a asfixiar e a necessitar de ajuda imediata. É a dor da incerteza, é a dor do amor sem limites, que não tem descanso, é a doçura convertida em desespero, é a luta com escudo e elmo para manter vivo o mais pequeno. Enquanto travamos esta batalha (verdadeiro milagre da vida) não pensamos, não sentimos, apenas nos concentramos na luta que acaba por permitir a continuação da vida desse ser pequeno a quem tanto amamos. Roxo, brônquios fechados por uma teia fabricada por um indecente vírus que apareceu sem se saber de onde. Ou, sabemos, mas não queremos recordar. Existem bactérias e vírus que nos rodeiam sem nos apercebermos. Não somos capazes de ver ou entender que existem, tão intensa é a nossa alegria ao levarmos o nosso pequeno a passear, a alegria de o poder mostrar aos outros membros da família, aos nossos amigos, exibimo-nos com o pequeno ser que, no dizer de Wilfred Bion em 1961: Cogitations e em 1962: Learning from experience, nasce já no nosso pensamento. Tanto desejamos ser pais, que antes de o conceber, o imaginamos, brincamos, beijamos, andamos às cavalitas, vamos juntando berlindes, temos piões classificados para o dia que...somos capazes de o ver tal e qual se pensou dever ser ou virá a ser. Podíamos partilhar esse prazer com a mãe, mas prazer de pai é prazer solitário, calado, imaginário, ternamente, como se esse homem fosse a mulher que traz a criança no seu ventre. Prazer que dinamiza esse não esperado acordar nocturno em que vimos que o fruto do nosso imaginário, está quase a partir, a deixar-nos. Sem pensar mais, aplicamos essa resiliência de Cyrulnik ou inaudita capacidade de construção humana. Sem saber como, nem de que maneira, constrói-o no imaginário e falo ficar vivo e a saltitar. Alguma frase salta de repente da nossa cabeça: ter filhos é um prazer, mas criá-los, pode ser um martírio e a nossa atitude muda do imaginário de berlindes à vigilância permanente, enquanto o pequeno se faz adulto, e entende o desenvolvimento da vida e, assim, acabamos por viver em paz: sabemos que aprendeu do nosso próprio exemplo, das nossas noites acordadas e dos nossos dias de observação silenciosa, que percebe nos seus sentimentos inconscientes, esses que ficam gravados na História do indivíduo. Amor de pai, um Cid Campeador, que nem chora nem tem raiva: vê, ouve, vigia, toma conta, ama e ensina. Com a esperança que os mais novos aprendam o debate com os factos da vida, provem os perigos e se afastem deles, aceitem que as palavras ditas e o gesto autoritário, seja apenas um incentivo para continuarem a aprender e a interagir com outros seres humanos.

Este amor de pai, transferido para outros mais novos, em idade ou em saber, trabalha sem descanso a preparar novas ideias para transferir de forma adequada e conveniente, na base do debate, com amplidão de entendimentos, com coordenação com outros saberes, que permita a síntese de uma ideia já provada, com hipóteses de outros autores. É este o processo que dinamiza o saber comparativo, que ensina o amor de pais. Crianças maduras, com estruturas somáticas e espirituais mais fracas em dedicação ao cuidado de si próprias e no respeito a pais que velam o ano inteiro com o objectivo de ensinar apenas um facto: saber precisa de leituras, de paciência, de confronto consigo próprio, de aceitar os erros pessoais, de saber perguntar, corrigir e melhorar o que tem sido indicado como ausente no debate, aprender as regras para não se afogar, para não ficar roxo por falta de ar, mas sim empenhado em aceitar a experiência de quem mais percebe, pela dedicação imensa ao longo do tempo, transmitida com respeito e na altura adequada à capacidade de entendimento.

Ser pai é ser professor. Ser professor, é a vida sem descanso para avançar nas experiências de transmitir saber e pedagogia ou processo estruturado de retirar ideias do pensamento de outros e ganhar as forças e o oxigénio suficientes e necessários que levam a uma aceitação de si próprio e a uma clara, limpa, serena e tranquila disposição na relação com os que comigo aprendem. Se os pais têm confiança nas crianças e permitem entender o contexto, aceitar o olhar da nossa face no espelho da nossa alma, esse pai pensa de mim o que o seu imaginário já experimentado criou. Mãos estendidas que ajudam a não sufocarem, por falta de saber ou por falta de técnicas que são retiradas do ser mais experiente, no qual acredito porque permite melhorar o amor à vida. Comigo e com os meus colegas de carteira ou de vida. Aos que oiço e ajudo, tanto quanto aprendi ao saber ser independente por aceitar as técnicas da respiração que o meu pai cota, teve a paciência e o amor de me transferir. Sermos pais, é o trabalho mais benevolente do mundo. Construído para as novas gerações serem adultas no saber e na idade, ao aceitarem a História e a sua lógica. Nem sempre favorável ao indivíduo, mas aprendida ao longo do tempo, mata os vírus que retiram a capacidade de respirar o ar sadio do saber amar os outros e de me respeitar a mim mesmo.

O leitor pode entender que este texto é uma metáfora sobre o amor de filhos que devem aparecer no futuro, ou que é impossível dar à luz pela avançada idade dos pais. Amar os filhos, é respeitar todos os que têm sido criados debaixo da asa dos progenitores, criação que merece respeito, porque resultado da nossa paixão ou pelo desejo inalienável de sermos progenitores. O descendente nada pediu, é resultado do respeito de esse afã de sermos pais, esse anseio de dois que se amam e que resulta na paternidade que ama os seus pequenos e cria o respeito dos progenitores entre si, por existir entre os dois um ou mais descendentes com essa inaudita capacidade de construção humana. Frases de Boris Cyrulnik, 2001, Editions Odile Jacob, Paris, mesmo ano em Lisboa, Instituto Piaget, que exige o respeito dos pais para com as crianças não procuradas, mas que resultam da paixão entre dois… que nem sabem qual será o resultado no decorrer da vida histórica dos pequenos que acabam por ser adultos como os seus pais. Esse facto apenas, orienta o criar, o respeito aos mais novos, bem como usar esse respeito para saber o que lhes ensinar.

Ser pai é ser órfão de filhos. É o ninho vazio que escrevi antes. Ser pai acaba em ser subordinado dos filhos que criamos. Que mandam em nós, queiramos nós ou não, gostemos ou não. A lei do talião...Trataste-me mal, é a tua vez de suportar a nossa autoridade.

Órfão de filhos é o que é ser pai

Raul Iturra

24 de Fevereiro de 1214.

lautaro@netcabo.pt

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um gajo de esquerda "não ia dar a mão a Seguro" e ajudar o PS

Eu acho lindamente que João Semedo não dê a mão a Seguro e se alie ao PS enquanto o PS não for de esquerda. E não de uma esquerda qualquer, mas sim daquela que Semedo ache que é esquerda! Ponto final! Tudo o resto é traição! E o mesmo, camarada Semedo, digo em relação a Jerónimo e ao PC. Vais dar a mão sem que eles tenham feito a devida autocrítica por apoiarem o Estaline e sem que o rapaz que agora está em Loures, o Bernardino, se autoflagele por ter elogiado o regime da Coreia do Norte ? E sem que eles deixem de ter a CGTP amarrada às decisões do Comité Central deles? Não vais, pois não? Isso seria uma traição. O PC pode ser de esquerda mas não é daquela esquerda solta, alegre, viva e livre que o  Bloco quer representar. E enquanto o PCP não for um partido tal como tu, Semedo, entenderes que ele deve ser, não há alianças com o PCP para ninguém. Até porque seria uma traição. Tu, que saíste do PCP por achares que o PCP não era como devia ser aliavas-te, agora, ao PCP quando ele não mudou sequer um milimetro desde que tu saíste? Desde que saiu o Dr. Mário Soares em 1946?

PS : cartas abertas - Comendador Marques Correia - Expresso)

Do "citroen" de Cavaco ao "vaipe" de Marcelo

Marcelo lidera de longe as sondagens para as presidenciais. Pode ser um trunfo para Passos que bem à sua maneira (teimoso como poucos) preparava a corrida para Durão Barroso desempregado. As europeias, com Rangel e Assis, vão ser rijamente disputadas, são dois bons candidatos, a diferença está nos que os seguem nas listas. Nas legislativas, nenhum dos partidos terá maioria absoluta, terão que se coligar o que é uma boa notícia num momento tão difícil. A não ser, claro, que o PS se renda à proposta de João Semedo, deixe de ser o que é para "ser verdadeiramente" de esquerda ou seja, passe a ser igual ao BE. O PCP ressona no seu sono profundo.

Neste cenário, o Presidente da República terá um papel fundamental, lançando pontes e diálogo interpartidário, papel à medida para Marcelo. Os dados já estão lançados? Falta saber como se comporta 2014, porque 2015 será profundamente influenciado.