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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O Novo Banco é um poço sem fundo

Há uma auditoria a correr ao Novo Banco e o mais sensato é deixar que o resultado seja conhecido para se perceber se ambos os lados que assinaram o contrato estão a cumprir. É que um contrato tem duas partes . A torneira do dinheiro está aberta e se o Estado não encontrar maneira de a fechar não se espere que seja o comprador que o faça.

Nem mais um euro para o Novo Banco era a palavra de ordem do PCP e do BE e o PSD, pelo menos por agora, fez-lhes a vontade . Lá para Maio, após a auditoria vamos ver.

É claro que isto tem que ser muito bem explicado às instituições financeiras. Ninguém compreenderia que o contrato não fosse cumprido pelo Estado português e daí resultariam nefastas consequências. Outra coisa é do foro criminal. Há ou não razões para que quem assinou o contrato naqueles termos seja chamado ao Ministério Público ?

O que se sabe é que os activos do ex-BES estão a ser vendidos com enormes e escandalosas menos valias. Há que saber porquê e a quem estão a ser vendidas. Coloca-se no mercado produtos com cerca de 13 mil casas a vender em conjunto. Desde logo a maioria das pessoas e das instituições ficam arredadas do negócio por incapacidade financeira e pouco se sabe o que esconde o produto vendido. Quanto valem a preço de mercado aquelas 13 mil casas ?

O mais certo é estarem a ser vendidas pelos montantes que constam dos créditos em incumprimento muito abaixo do valor do mercado. Há que saber porquê. E ainda mais certo é o comprador estar a ganhar a dois carrinhos porque no fundo da cadeia são uma e a mesma instituição.

Não sabemos mas é preciso saber. E o governo não faça de conta que o PCP e o BE votaram de maneira diversa do PSD.

O BE ao votar contra o orçamento colocou o governo nas mãos do PCP

Há uma parte do PS que esconde bloquistas oportunistas que não saem do PS por interesse pessoal. É mais fácil entrar nas listas em lugares elegíveis no PS. Mas a parte que resta do PS é composta por gente que vê nos bloquistas o seu principal adversário.

E isto, agora assumido por esta ruptura muda tudo.

Desde logo porque o PCP vê a sua importância política crescer exponencialmente. Vai aprovar o orçamento e vai ver muitas das suas propostas de alteração orçamental, aceites. Apesar do BE e das pesadas derrotas eleitorais .

O BE arrisca-se a passar a ser visto como é na realidade. Um partido que promove causas laterais de minorias (aborto, xenofobia, racismo...) mas que não conta para a solução dos verdadeiros problemas políticos, económicos e sociais.

O BE mostra bem com esta decisão que haveria um terramoto interno entre as várias correntes políticas que dentro de si coexistem, se aprovasse o orçamento do PS. Os quatro orçamentos anteriores limitaram-se a "repor" rendimentos que os comunistas viram há muito que não mudou nada mas que os bloquistas insistiram em mostrar como um troféu.

E o PS foi quem ganhou eleitoralmente com a geringonça enquanto o PC e o BE perderam em toda a linha.

O PC vai abster-se a bem do interesse nacional porque o orçamento não é o seu orçamento. O BE não foi capaz de colocar o interesse nacional acima do seu orçamento.

Isto paga-se, caro. 

São 550 000 pequenas e médias empresas as que pagam isto tudo

São as PME existentes que representam 80% do emprego e 60% das exportações que pagam isto tudo. O SNS, a SS , a Educação, a Justiça e o resto. O Estado pagador é antes de tudo o Estado cobrador.

Dizem alguns que as empresas pagam mal. Pois pagam mas a solução é bem fácil. O Estado reduz a carga fiscal e a diferença assim obtida distribui pelos salários dos trabalhadores que ganham menos. Ganham todos. O Estado fica com menos e precisa de fazer melhor as contas, as empresas ficam na mesma situação e os trabalhadores e as suas famílias ficam a viver bem melhor. É fácil.

Os políticos é que não querem. Para quem julgava que era de outra maneira estava muito enganado. E como os trabalhadores a ganhar mais descontam mais para o IRS e para a SS o Estado recebe de volta mais dinheiro. E no IVA, porque as famílias gastam mais. Não é esta a política defendida por PCP,  BE e aquela parte do PS que devia estar no Bloco ?

O Orçamento é uma soma algébrica, tiras de uma lado e metes no outro, só não aumentam os salários e as pensões de miséria porque a TAP,  o Novo Banco, o Montepio ( brevemente) e os negócios fraudulentos que o Estado faz mamam quase tudo e deixam quase nada.

Ou julgavam mesmo que os pequenos e médios empresários é que querem que os empregados recebam baixos salários ? Para quê, para aumentarem o lucro e pagarem cavalares IRC ?

A forma certa em que ganham todos, crescem todos, é pôr a economia a crescer, coisa que não acontece há 20 anos. Distribuir miséria por todos não tem nada que saber, mais tarde ou cedo estamos a bater no fundo como se vê com a política de António Costa.( aumentos de salário em 10 E e pensões em 14 E ? A humilhação maior é de quem dá ou de quem recebe ?)

Eu voto em quem estiver ao lado de quem cria riqueza, de quem melhora as condições para a economia singrar. Para termos melhores salários, melhores pensões, um SNS sem lista de espera onde se morre sem tratamento, uma Justiça com prazos decentes .

Ou julgavam que era de outra forma ?

 

Foi preciso morrer gente para derrubar o muro ideológico

O PM e a Ministra da Saúde face ao estado em que se encontra o SNS em que há um milhão de consultas em atraso, cem mil exames e sessenta mil cirurgias por fazer, deviam assumir os erros de planeamento e a ideologia que os impediu de coordenar o SNS com o sector privado.

Deixar morrer gente sem tratamento porque a visão economicista que tanto criticam, sobreleva o interesse dos doentes é algo de muito grave. Culpa grave que tem responsáveis.

Não se pode admitir que a Ministra seja ministra do SNS e não do Sistema Nacional de Saúde ( SNS + H privados + H social) não usando toda a capacidade hospitalar instalada, com graves repercussões no tratamento dos doentes por razões ideológicas e pretensas razões economicistas.

Foi preciso o Presidente da República determinar como segue para que a bebeira ideológica terminasse :

"Podem ser utilizados pelas autoridades públicas competentes, preferencialmente por acordo, os recursos, meios e estabelecimentos de prestação de cuidados de saúde integrados nos setores privado, social e cooperativo, mediante justa compensação, em função do necessário para assegurar o tratamento de doentes com covid-19 ou a manutenção da atividade assistencial relativamente a outras patologias".

Perceberam ou vamos ter mais mortes por falta de tratamento ?

Governa quem tem mais deputados

O PCP afastou-se do governo já há algum tempo e até votou contra o orçamento suplementar . O BE votou contra o orçamento a peça fundamental de qualquer governação. Mas o governo, embora sem mais deputados a apoiá-lo continua a governar. 

Nos Açores o PSD tem consigo mais deputados do que a esquerda. Deve governar. Já tivemos muitos governos minoritários. Agora não serve ?

Mesmo que o Chega nacional não alinhe ( estamos a falar da Assembleia Regional eleita directamente pelo povo) são os votos dos deputados do Chega - regional que contam. Ora, as opções são conhecidas. Vota em linha com a proposta de acordo governamental apresentada ( PSD + PPM +  CDS ) e está tudo bem. Abstém-se e a proposta continua a ter o maior número de votos ou vota contra e coloca o PS e o BE a governar.

Alguém acredita neste último cenário ? A farsa segue dentro de momentos

Não só o Serviço Nacional de Saúde mas o Sistema Nacional de Saúde

Com um milhão de consultas , 100 mil exames e 60 mil cirurgias em atrazo o governo viu-se obrigado a fazer o que é racional. Olhar para o Sistema Nacional de Saúde e não só para o Serviço Nacional de Saúde.

"Desde o fim do período de confinamento, a Lusíadas Saúde tem vindo a atuar ativamente no apoio aos cidadãos portugueses contribuindo com a sua atividade diária, nos seus 13 hospitais e clínicas, para a diminuição das manifestas necessidades no âmbito da atividade assistencial e cirúrgica dos seus clientes tradicionais e da realização de mais de 1500 cirurgias ao abrigo do programa Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC) do Serviço Nacional de Saúde", conta agora a Lusíadas no comunicado enviado ao DN/Dinheiro Vivo.

Cai assim por terra o argumento de lógica economicista e objetivos de atingir lucro, que tem sido amplamente usado para rejeitar a intervenção dos privados, defendendo-se antes o avanço para a requisição civil. Esta ideia foi ainda ontem liminarmente recusada pela Hospitalização Privada como um "cenário sem sentido num contexto de emergência nacional e perante a incapacidade de resposta do SNS, em que os privados ajudarão no que for preciso", conforme explicou ao Expresso Óscar Gaspar (APHP).

PCP e BE foram normalizados agora é a vez do Chega

Quer queiramos ou não o Chega tem assento na Assembleia da República e também na Assembleia Regional dos Açores. Quer isto dizer que o novo partido preenche as condições democráticas e constitucionais.

Cabe ao povo português fazer do Chega em eleições o que considerar melhor para o interesse nacional. Foi o que aconteceu nos Açores. "Nos Açores mandam os açorianos" diz Motta Amaral.

É óbvio que perante a hipótese de o Chega com os seus dois deputados poder viabilizar um governo de direita leva a que o PS perca a governação que lidera há 24 anos. Não podemos esperar outra coisa que não seja a oposição desesperada da porta voz dos socialistas.

Há partidos de extrema direita em todos os países da União Europeia. Em França há mais de vinte anos com a família Le Pen. Em Espanha há dez anos com o Vox. Em Itália, na Grécia e nos países do centro e do norte da Europa há bem mais tempo. Não consta que a democracia naqueles países seja mais pobre que a democracia que por cá temos.

A Democracia Liberal é assim mesmo. Cabem todos desde que joguem o jogo democrático e, não pode ser o interesse partidário, neste ou naquele momento que carimba o interesse nacional.

O Povo em democracia é quem define o interesse nacional. Ou o povo que vota no Chega não é povo ? Voltamos ao tempo do "nosso" povo ?

O sector privado da Saúde é o maior prestador de cuidados

A realidade é bem diferente do que parece para a maioria de nós.

Se perguntar a alguém minimamente informado qual é o principal setor, por volume de negócios, na prestação de cuidados de saúde e venda de produtos de saúde em Portugal, provavelmente, a resposta será o SNS – Serviço Nacional de Saúde, que integra cuidados em ambulatório (centros de saúde e unidades de saúde familiar e hospitais), cuidados hospitalares (incluindo, MCDTs e medicamentos) e cuidados continuados.

A surpresa é que a resposta correta é: o setor privado.

Quadro 1

Ano 2018 Valor Total Despesa Saúde Setor Público Setor Privado
Milhões de euros 19 303 8 010 11 293
% Total 100% 41% 59%
Fonte: INE, Conta Satélite da Saúde

Uma análise mais fina revela quais as principais componentes:

Quadro 2

Unidade Total Despesa Saúde Setor Público Setor Privado % Setor Público % Setor Privado
Hospitais 7 975 5 816 2 159 73% 27%
Unidades residenciais de cuidados continuados 399 10 389 3% 97%
Prestadores de cuidados de saúde em ambulatório 5 040 1 383 3 657 27% 63%
Prestadores de serviços auxiliares 862 121 741 14% 86%
Venda a retalho e outros fornecedores de bens médicos* 3 673 0 3 673 0% 100%
Prestadores de cuidados preventivos 21 8 13 38% 62%
Prestadores de serviços de administração e financiamento dos sistemas de saúde 405 174 231 43% 57%
Resto da economia 767 418 350 54% 46%
Resto do mundo 159 79 80 50% 50%
Valores em milhões de euros; *o valor de venda das farmácias foi de 2833 milhões de euros em 2018. Fonte: INE, Conta Satélite da Saúde
 
 
 

 

Era bom que estivessem juntos nos momentos difíceis

Felizmente que o PS tem pouco a ver com o BE e com o PCP e isso vê-se no orçamento. Enquanto houve algum dinheiro para distribuir andaram a vigiar-se mas logo que apareceram os momentos difíceis, separaram-se.

Enquanto houve vacas gordas foi fácil aos partidos da geringonça aprovarem os Orçamentos do Estado. Enquanto houve benesses para distribuir e reversões (muitas delas, como o corte de salários na função pública do OE2011, vindas de um governo do PS – os verdadeiros pais da austeridade em Portugal) foi fácil chegaram a acordo.

Agora que o país atravessa uma crise sem precedentes, que os tempos são de vacas magras, a extrema-esquerda despe a pele de cordeiro e mostra as garras de lobo. Desentendem-se, não são capazes de assegurar uma solução de estabilidade e lançam o OE para uma luta de taticismo político. E mesmo a abstenção do PCP e do PEV é muito frágil. Só no primeiro dia entraram mais de 200 alterações ao OE por parte dos partidos que o vão viabilizar! O pântano está de volta à política Portuguesa, mais uma vez pelas mãos dos Socialistas.

Agora, o sentido de Estado impunha que os que estiveram juntos nestes últimos 5 anos, a usufruir do bom trabalho feito pelo Governo anterior do PSD/CDS e a usufruir da boa  conjuntura internacional, estivessem também juntos nos momentos difíceis.

Percebemos bem o logro que foi vendido ao país em novembro de 2015.