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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O medo do Montepio e dos devedores do BES

A Helena Garrido está perplexa como nós todos devíamos estar :

Na última semana ficámos a saber que a Associação Mutualista Montepio Geral consegue obrigar o Governo a mudar leis. E que não se enfrentam devedores do Novo Banco por medo.

Por motivos insondáveis, assistimos à incapacidade ou falta de vontade do Governo de avaliar a idoneidade de António Tomás Correia para se manter à frente dos destinos do Montepio Geral Associação Mutualista.

E as declarações na Assembleia da República de dois responsáveis não deixam dúvidas que há medo dos devedores do BES. Melhor, de alguns devedores do agora Novo Banco.

É preciso dizer "não" algo que António Costa tem muita dificuldade em dizer. E quando diz é porque tem uma truque na manga . Não tem dinheiro para os professores mas já arranjou dinheiro para a redução do custo dos passes dos transportes públicos em Lisboa e no Porto.

A oposição tem nestas matérias muito a dizer . Se não tiver medo .

A sorte do governo é se os Lisboetas não aderirem

Barcos para atravessar o Tejo só em 2021. Comboios para entrar em Lisboa só lá para 2023. Extensão do Metro só lá para 2023 . E se os Lisboetas aderirem ao transporte público ?

A redução do preço do tarifário é bom para os que já utilizam os transportes públicos e mau para todos os outros contribuintes que pagarão a factura. Para os que quiserem trocar o transporte individual pelo transporte público será uma grande desilusão. Basta usar o Metro para se perceber isso. Não cabe nem mais um passageiro e as estações ( parte delas) já foram alargadas para seis carruagens .

Se crescer a procura como é que se acomoda numa oferta que não responde já hoje ? Não acomoda .

Uma coisa é uma medida de justiça social que é boa outra, bem diferente, é melhorar a vida dos Lisboetas em termos de transportes. E isso não se faz a curto prazo e com o Estado sem dinheiro para investir nem mesmo a médio prazo. E a dívida cresceu nos últimos três anos 20 mil milhões de euros.

Ficam os votos .

 

E no centro do pântano a família alargada que sustenta o governo

A propósito da saída da política de Adolfo Mesquita Nunes . Quem fica ?

Ou seja, continue-se o caminho, esta dança macabra. Quando damos por isso, temos líderes que não sabem se a Coreia do Norte é uma democracia, porque não sabem o que é uma democracia; aqueles que sempre apoiaram Maduro e as esquerdalhadas folclóricas, enquanto insultam tudo e todos com uma superioridade moral que só eles próprios reconhecem; grupos de tristes inchados e impantes porque são dirigentes de um partido mais à direita (mas que não se assume como direita) contentes com a ideia de que estão a fazer uma oposição que ninguém nota; e no centro da vida política, a família alargada que ocupa o Governo. Eis tudo o que nos resta.

Há muitas semelhanças entre o que se passou no Montepio e no BES

No BES houve um governante que teve a coragem de dizer não a Ricardo Salgado . No Montepio não há quem no governo tenha coragem de dizer não a Tomás Correia. Mas os avisos de quem conhece muito bem os dois casos e até é membro dos órgãos sociais do Montepio não deixam dúvidas. Aos mesmos procedimentos correspondem os mesmos resultados.

Mas a verdade é que Tomás Correia não sai apesar de ser notório que já devia ter saído. O apoio de conhecidos políticos explica muita coisa. Há muito a esconder e há muita gente envolvida.

Aliás, basta ler os próprios relatórios da Associação Mutualista e da Caixa Económica, que hoje é Banco Montepio, e o muito que se tem escrito em volta disso, para perceber que a gestão do atual presidente e da equipa que serviu com ele o Montepio, por várias razões, destruiu centenas de milhões de euros de capital mutualista. Se formos ver a redução de capital do grupo que se verificou nos últimos cinco, seis anos, ultrapassa 700 milhões de euros. Mas isso é conhecido…

Tomás Correia mantem-se em funções mercê de duas coisas. A ausência de supervisões — a bancária, a de seguros, à própria CMVM em alguns aspetos, e também à da tutela direta que era a do governo — e a existência de uma densa rede de interesses e de cumplicidades.

Na TAP o governo deve-nos uma explicação

Nem é pública nem é privada. A companhia aérea foi mais uma ideia manhosa que está a dar maus resultados para o Estado . Com o selo de António Costa .

Nada foi feito e a soma de uma péssima privatização – onde, descansem, também respondíamos por mais de 600 milhões de dívida da TAP - com uma má renacionalização parcial - onde o Estado tem uma influência limitada mas responde pelos montantes necessários para recapitalizar a TAP sempre que os capitais próprios atinjam valores inferiores a 571,3 milhões de euros negativos – é sinal de permanentes má notícias.

Ou há lucros e o Estado passa de ter 50% para receber apenas 5% dos mesmos, ou há prejuízos e de repente é como se a empresa fosse pública. Isto é um pesadelo para o contribuinte. E o Governo deve-nos uma explicação.

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Sem poupança não há investimento e sem investimento não há crescimento

Estamos alegremente a empobrecer enquanto o governo anda maldosamente a enganar-nos. Infelizmente estes gráficos não mentem. E a ratoeira em que este governo meteu o país está bem explicado no texto . Há sempre quem não queira ver apesar da experiência recente com Sócrates.

O crescimento é medíocre e está a descer como não pode deixar de ser com o alarve corte no investimento. E a pergunta que já se impõe é : como sair disto ?

Até 2023, as nossas taxas de crescimento andarão na casa dos 1,5%. É difícil imaginar um cenário mais medíocre. 

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O governo ( e os seus apoios) a comprar votos nas áreas de Lisboa e Porto

Com os incêndios florestais e dramas da população pensou-se que a intenção de voto abandonaria o governo . Tal não se verificou e a razão é bem simples.

Em 2015 o PS só elegeu mais deputados do que a direita em três círculos (Açores, Faro e Setúbal). Costa perdeu em todo o território acima do Tejo e em muitos distritos importantes perdeu com estrondo, obtendo apenas metade dos mandatos (veja-se Aveiro, Leiria, Viana do Castelo ou Viseu). Piorando as coisas, para formar governo o PS teve de se aliar a partidos que, no seu conjunto, têm em Lisboa, Porto e Setúbal cerca de 65% dos seus deputados.

Este facto explica bem a apressada medida da redução do preço dos transportes em Lisboa e Porto.

É dificil que os partidos tão dependentes dos grandes centros urbanos se preocupem com o interior .

Transportes : Se a oferta está uma miséria como raio se vai aumentar a procura ?

O investimento nos transportes públicos caiu imenso e a degradação dos respectivos serviços é dolorosa. Ninguém põe isso em dúvida  . Assim sendo como é que se vai aumentar a procura baixando o preço sem aumentar e/ou melhorar a oferta ?

Trata-se de uma golpada eleitoral. O resto do país vai pagar via orçamento a poupança nos bolsos dos lisboetas e dos portuenses. Onde há ( muitos) votos.

Os problemas da degradação dos transportes públicos aumentarão a médio prazo mas a curto prazo ( antes das eleições) a população vai sentir no bolso a poupança.

Há quem diga que a habitação à roda das grandes cidades vai ganhar muito com esta medida. Mas, pergunto eu, olhem para a IC 19 ( Lisboa-Sintra) : quando é que aqueles milhares de pessoas que torram dentro dos carros três horas/dia vão ter oportunidade de trocar o carro por transportes públicos ? Naqueles comboios cheios como latas de sardinha, permanentemente atrasados e perigosos ? A Ponte 25 de Abril vai descongestionar-se ? Mais comboios  na linha de Cascais a caírem de podre ? E a entrada a norte via aeroporto mudou, muda ? E a ponte Vasco da Gama ?

Onde está o dinheiro para investir em mais e melhores meios de transporte público ? A isso o governo não responde.

A União Europeia é um antídoto eficaz contra a guerra

Porque a torna inútil . Em conjunto os países europeus podem conseguir o que nenhum conseguirá sozinho.

A União Europeia não tem a forma política de um Estado, mas é supranacional e tem uma potência superior a cada um dos Estados que a integram. É esta potência superior que faz da União Europeia a plataforma de cooperação de Estados democráticos que lhes permite realizar, em conjunto, o que nenhum deles poderia concretizar isoladamente. Antes de poder ser federação ou império, a União Europeia é um dispositivo político que oferece a cada Estado-membro um suplemento de recursos e de poderes que antes só poderiam ser obtidos pela conquista e pela guerra. A União Europeia é um antídoto eficaz contra a guerra na Europa porque a tornou inútil: é mais fácil e mais seguro obter recursos e poderes pela cooperação institucionalizada e regulamentada do que pela guerra.