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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A gargalhada que aos portugueses apetece

Aos portugueses apetece um grande gargalhada. A chantagem de Bruxelas é agora a determinação da geringonça. A austeridade de Passos é agora a sustentabilidade das contas. O controlo do défice que nos empobrecia é agora um objectivo estratégico sem o que não conseguiremos pagar a dívida .

Quando Portugal melhora à boleia de toda a Europa é mérito do governo . Quando o governo ( do PS) faz tudo o que é necessário para o país se manter na União Europeia e na Zona Euro, a extrema esquerda aponta o dedo à derrota de Bruxelas.

Não me queixo, sempre estive com a Europa e sei bem que após anos de austeridade só pode vir o crescimento ( ainda poucochinho) . Quem bateu no chão só pode subir. Mas o governo e seus compinchas acham que o mérito é terem devolvido uma pequena parte dos rendimentos enquanto subiam os impostos indirectos ( mas são as exportações malvadas que nos estão a tirar da situação). Tirar com uma mão o que se dá com a outra. Jogar a curto prazo rezando para que nada aconteça a longo prazo.

Enquanto isso, após ano e meio de governo PS, continuamos no "lixo" para onde o governo de Sócrates nos atirou. Alguma vez havemos de sair, não ?

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Estar na Zona Euro dá uma cidadania de primeira classe

Portugal por pertencer à Zona Euro é um dos países que integra o núcleo duro da União Europeia.Tem um estatuto de primeira classe.

Tudo na economia tem custos e benefícios. Por um lado, Portugal claramente beneficiou de estar no euro. E de estar na UE. Portugal foi um dos países que mais beneficiou tanto em termos dos fundos que recebe da União como em termos de acesso aos mercados europeus. Portugal é um país com salários relativamente baixos, que pode produzir produtos de alta qualidade. Também beneficiou de estar na zona euro. Primeiro porque facilita o investimento em Portugal. Tornou mais fácil para os cidadãos e para os bancos portugueses pedir empréstimos. E pedir empréstimos não é necessariamente uma coisa má. Pedir demasiado dinheiro é que é mau. Tornou-se claro com o tempo que fazer parte da zona euro é fazer parte do núcleo duro da UE. Por isso tem sido positivo para Portugal. No entanto, há uma desvantagem maior, que é quando a crise chega, Portugal não pôde fazer o que todos os manuais dizem para fazer: desvalorizar a moeda. A realidade confirmou nos últimos dez anos a importância de uma taxa de câmbio como ferramenta de política económica.

E se o projecto da União Europeia não falhar ?

A extrema esquerda e a extrema direita defendem causas comuns principalmente no que à União Europeia diz respeito. Em Portugal e em França isso é evidente.

Por cá Joana Mortágua abandona-se ao desejo de o projecto europeu falhar. Em França, Mélenchon, quer convencer-nos que votar em Macrom ou em Le Pen é a mesma coisa. Estar contra o projecto europeu não pode ser mais diferente do que apoiá-lo. E é isso que acontece com os dois candidatos que passaram à segunda volta. O que acontece é que o candidato comunista francês também está contra a União Europeia.

E aí estão, a extrema direita e a extrema esquerda do mesmo lado numa questão fundamental. E se o projecto da União Europeia não falhar ? Como é que a esquerda vai resolver a questão se não se envolver participando de forma positiva no sucesso ?

Vai deixar-se acantonar juntamente com a extrema direita nacionalista, antidemocrática e xenófoba ? 

No BE, Miguel Portas nunca foi contra a União Europeia para só falar no seu caso. No PCP, o seu pensamento político não evolui pelo que se fica pela coerência doutrinal mesmo que desfasada da realidade.

Uma coisa é certa . Quem tem por companhia Le Pen está de certeza errado .

Uma submissão que garante a nossa sobrevivência

O país está ligado à máquina de imprimir moeda do BCE . Esta submissão é boa. Se não fosse esta submissão já teríamos entrado em colapso. É com ela que garantimos a generosa ajuda do Banco Central Europeu .

Numa triste e envergonhada entrevista o chefe da bancada parlamentar do PCP disse que Portugal devia deixar a União Europeia e o Euro e juntar-se ao Brasil, Rússia , Índia, e China ( Os chamados BRIC) . Por razões geográficas e de riqueza não será . Poucos conseguirão encontrar uma razão das muitas que preenchem a cabeça do jovem comunista . Que ele não revela .

Apontar o Brasil como uma prioridade tem pouco de imaginação já que os portugueses a descobriram há mais de 500 anos. Palpita-me que apontar o Brasil como uma prioridade é para adoçar a pílula . Quanto aos restantes o que se esperaria é que primeiro resolvessem os graves problemas que os seus povos enfrentam . Devemos exportar para lá porque são mercados gigantes ? Já o fazemos e não precisamos de voltar as costas à União Europeia .

A intenção dos comunistas ao querer sair da União Europeia é tão só trocar de submissão, para utilizar a sua narrativa. Deixar o mundo livre e juntarmo-nos ao mundo comunista. Ficava bem ao PCP e ao BE dizer a verdade aos portugueses.

Quando PCP e BE apresentarem um país comunista com sucesso económico e de amplas liberdades cívicas e políticas talvez não tenhamos de ler entrevistas tão penosas.

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Quem é que mentiu aos Ingleses ?

O Brexit levanta enormes problemas . O primeiro é que o Reino Unido não pode ficar numa situação que seja mais favorável do que as dos membros efectivos da União Europeia. Quer dizer, o Reino Unido não pode esperar poder " escolher as cerejas " . Deixar o osso e ficar com o lombo .

O mesmo povo que votou o Brexit é o mesmo que pensa como segue no gráfico seguinte :

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 Quem é que andou a mentir a esta gente para votar na saída ? Este processo do Brexit e este gráfico mostram aonde pode chegar o populismo dos "farage" deste mundo, como Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Uma maioria absoluta de votantes ingleses espera manter-se com várias ligações à União Europeia . Os mesmos que votaram pela saída, aliás, bem menos que os que se mostram agora favoráveis à União Europeia. 

O Brexit vai ser uma vacina para os povos que tanto beneficiam com a União Europeia e com a Zona Euro . E as gerações mais jovens que votaram maioritariamente pela permanência terão a sua oportunidade de voltar quando as gerações mais velhas desaparecerem .

É verdade que em democracia a base é "um homem um voto " mas os mais velhos não devem cortar horizontes aos mais novos. O Brexit é uma machadada na esperança e nos horizontes dos mais novos por quem já cá não estará.

Contra mim falo .

Faltam três anos para chegarmos a ...2008

A economia está a melhorar em relação às previsões do governo. O desemprego está a baixar puxado pelas exportações ( ao contrário do governo que apostava na procura interna) . Quer dizer, sem investimento que se veja o que está a acontecer é que o potencial instalado está a recuperar. Por exemplo, uma fábrica que estava a produzir a 70% está agora a 80/90% .É também por isto que o Banco de Portugal já está a apontar para um decréscimo em 2018 e 2019.

Não chega sequer para convergir com a União Europeia . Mas o alvoroço e os foguetes são muitos.

A melhoria das expectativas para a economia portuguesa vem, contudo, acompanhada por um aviso: o “ritmo de crescimento [é] inferior ao necessário para o reinício do processo de convergência real face à área do euro].” É que Portugal cresce mais depressa, mas não ultrapassa o ritmo dos parceiros da união monetária e, por isso, não chega para recuperar o caminho perdido. Aliás, o Banco de Portugal nota que “no final do horizonte de projeção, o PIB situa-se num nível próximo do registado em 2008”.

A instituição frisa “a importância e urgência” de “aprofundar a orientação de recursos para empresas mais expostas à concorrência internacional e mais produtivas”, bem como de “continuar o processo de redução do elevado nível de endividamento dos vários setores, reduzindo a vulnerabilidade da economia portuguesa a choques”. É a repetição do pedido de reformas estruturais, que tem marcado o debate público, já que se mantém uma “elevada incerteza” e persistem “riscos descendentes, a nível interno e externo”, como nota o Banco de Portugal.

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União Europeia, o maior feito político de sempre

Nunca tantos viveram com esta qualidade de vida durante tanto tempo. É este o melhor resumo deste extraordinário feito humano que é a União Europeia .

A partir desse tratado de Roma assinado por seis estados foi-se construindo uma Europa que chegou a 28 e que proporcionou mais paz, bem-estar e harmonia do que alguma houve no velho continente. Estar contra este projeto é querer regredir e preferir confrontos a equilíbrios mesmo que difíceis. A União Europeia (UE) é o projeto político mais bonito que alguma vez se construiu na Europa e talvez no mundo. É claro que está cheia de problemas, precisa de reformar a sua “eurocracia” e que há uma Europa de mais ricos, outra de menos ricos e outra ainda feita de pobres que são ainda alguns dos países da antiga Europa de Leste comunista.

Portugal foi dos maiores beneficiários deste fantástico projeto humano. Num tempo de balanço, honre-se os que construíram a União Europeia e honre-se também os portugueses que nos fizeram aderir e nos têm conseguido manter no seu pelotão da frente, apesar das dificuldades. Quanto aos que são contra a UE importa combatê-los politicamente com racionalidade e firmeza, porque são forças retrógradas que mais não procuram do que instalar poderes nacionais e isolacionistas, tendencialmente autocráticos para acabar com a magnifica cidadania europeia e tudo o que ela permite em termos de liberdade e autonomia a cada um de nós.

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As reformas obrigatórias

Portugal efectuará as reformas necessárias no quadro da União Europeia e da Zona Euro .É esse o compromisso do PS, do PSD e do CDS , esmagadora maioria absoluta . PCP e BE vão ter que quebrar o vínculo que os amarra a um governo que integra a União Europeia . A não ser que deixem de se opor à Europa.

No dia em que a zona Euro discutir a renegociação das dívidas elevadas, e terá que o fazer, vai impor condições. Para o PCP, para o BE e para grande parte do PS, deve reduzir-se a dívida sem se fazerem reformas. Ou seja, não se paga hoje para se voltar a gastar amanhã. Uma ilusão. A renegociação da dívida chegará, mas serão os credores a impor os termos dessa renegociação. O PCP e o BE terão que deixar de ser os partidos que são para algum dia aceitarem os termos dos nossos credores.

A reforma do Euro em 2018 poderá introduzir uma versão dos chamados “Eurobonds” e até a criação de um Tesouro para o Euro (a Comissão Europeia poderá fazer essa proposta já em Maio). Mas a Alemanha só aceitará estas mudanças impondo reformas que aumentem a competitividade económica dos países do Euro. Os países que não aceitarem esses reformas, não se poderão financiar através dos Eurobonds. Seja no contexto da restruturação da dívida ou da introdução de Eurobonds, as condições impostas incluirão a redução da despesa pública (muito mais difícil do que reduzir o défice num ano), uma reforma a sério do mercado de trabalho, e reformas fiscais para aumentar a competitividade da economia. Os partidos da extrema-esquerda não poderão aceitar o que andaram a combater nos últimos 30 anos.

Dividir para reinar

Isto demonstra bem que a estratégia dos EUA face à União Europeia passará por dividir para reinar – não será coincidência a grande proximidade de Trump e de Nial Farage e Martine Le Pen. Uma união europeia dividida não só será economicamente mais fraca, como também perderá peso externo para influenciar o comércio mundial. Quanto mais divididos estiverem os restantes países, maior a capacidade negocial dos EUA. A farpa lançada à Alemanha tem a partida não só o objetivo de depreciar o euro mas principalmente chamar a atenção dos outros países (nomeadamente a França e Itália).

Curiosamente cá dentro também há partidos interessados em enfraquecer a União Europeia. E têm boa companhia... e o gráfico mostra uma das razões.

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Em 1975 o PS juntou-se aos partidos pró-europeus

Na guerra do PS entre Assis, Sérgio Sousa Pinto e Pedro Nuno Santos, a história está com os dois primeiros. Em 1975 o PS juntou-se aos partidos democráticos, pró europeus e pró-Nato .

Em relação à NATO e à União Europeia, Trump usa a linguagem de Putin, de Marine Le Pen, do Podemos e, aqui em Portugal, do Bloco de Esquerda e do PCP. Combati sempre as ideias do presidente russo, da extrema-direita europeia e da extrema-esquerda ibérica nas questões europeias, e não mudo de posição só porque um Presidente norte-americano republicano também as defende. Fico apenas muito mais preocupado. O BE e o PCP podem atacar a NATO todos os dias. Mas o Presidente americano tem o poder para acabar com a aliança. Putin prejudica a União Europeia, mas a oposição dos Estados Unidos à integração europeia seria uma questão existencial (sobretudo depois da saída do Reino Unido da UE).