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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A míopia está no governo não está nos mercados

A maior dívida de sempre e a aumentar. A taxa de juro a 10 anos a crescer . O investimento historicamente baixo. As reformas revertidas. O maior peso do estado. Os 2,1% do défice não convence os credores . 

Uma forma de avaliar em que medida é que os agentes económicos estão a interpretar este resultado como sendo extraordinário é olhar para as taxas de juro no mercado secundário de dívida pública nacional. Curiosamente, a resposta dos mercados é bastante significativa, mas não no sentido esperado. De facto, as taxas de juro das obrigações a 10 anos têm estado a subir ao longo das últimas semanas, e são agora as mais elevadas desde março de 2014, vários meses antes da saída da troika do país. Os títulos chegaram a ser transacionados acima de 4,2% durante sexta-feira, o dia em que o INE publicou as contas.

Por isso, não é surpreendente que a nossa dívida em 2016 tenha sido a maior de sempre, correspondendo a 241 mil milhões de euros e 130,4% do PIB, em valor absoluto e como percentagem do PIB, respetivamente. Ou seja, apesar dos valores históricos de défice, não estamos a progredir no que constitui a nossa principal fonte de incerteza económica: a dívida e a nossa capacidade de a pagar de forma estrutural, que continuam historicamente preocupantes.

Factos são factos não vale a pena disparar sobre os mensageiros.

Mas os juros e a dívida sobem

economia europeia está a crescer o que ajuda as nossas exportações e com elas a nossa economia . Mas os juros de referência a dez anos não deixam de crescer . É uma bomba ao retardador . Quem ouve a Mariana Mortágua dizer que Portugal dá mais lucro (sic) que a Alemanha não compreende. Mas eles continuam a subir ?

Os juros da dívida portuguesa negociados no mercado secundário mantêm a tendência altista registada já no fecho dos mercados desta quinta-feira. A dez anos, as taxas de juros exigidas pelos investidores para trocarem dívida entre si crescem 1,5 pontos base para 4,210%.
Por outro lado, os juros da Alemanha no mercado secundário registam a tendência oposta, descendo 0,5 pontos base para 0,427% a dez anos.

défice ficou em 2,1% com medidas extraordinárias que não se repetem mas a dívida continua a crescer . O governo anterior baixou o défice de 11% para perto de 3% . Facto. E o governo que nos levou à bancarrota subiu a dívida de 90% do PIB para 120% . ( Os 78 mil milhões da troika foram pedidos pelo primeiro ministro que pediu a ajuda externa. Sócrates.)

E enquanto o défice não for resultado de medidas estruturais e a  dívida não descer os juros não baixam. Deixem-se de narrativas...

"Lixo " garantido até 2018 - juros continuam a subir

Bem podem alimentar narrativas que a realidade é o que é.

A maneira como as decisões das agências são tomadas é que, primeiro, há um outlook positivo e depois só na avaliação seguinte é que pode haver uma melhoria do rating. Não me parece que nesta ronda tenhamos uma melhoria do outlook. Já tivemos este ano informação da Moody’s e da Fitch sem subidas, e não me parece que a S&P o vá fazer”, disse em entrevista ao Público (acesso pago).

“Há três aspetos em que os relatórios das agências coincidem: o nível global de endividamento da economia como um todo é elevado, a dívida externa é das mais altas do mundo — eles já nem distinguem se a dívida é pública ou privada, olham muito mais de uma forma abrangente. O segundo fator é o crescimento e o terceiro o setor bancário, nomeadamente por causa do aspeto das responsabilidades contingentes”.

Antes e depois do euro

Portugal pagava taxas de juro de dois dígitos e agora paga 4% .O problema é que a dívida cresceu irresponsavelmente e o problema é o mesmo. Uma factura que a débil economia, a crescer a 1,4%, não consegue pagar. Não se fale pois de injustiça.

O Euro deu a países mais pobres e com economias menos robustas acesso a um mercado de financiamento abundante e com taxas de juro muito baixas.

É preciso não esquecer que apesar do efeito “anestesiante” da política monetária do BCE, as taxas de juro a 10 anos de Portugal estão neste momento no limiar daquilo que o país aguenta e que os mercados aceitam. Com as taxas a 10 anos acima dos 4% desde há mais de 4 meses, dificilmente as taxas voltarão a descer desse patamar.

Esse facto coloca duas questões: a primeira é como vão reagir as taxas de juro de Portugal quando o efeito do BCE se reduzir e esgotar? Subirão para valores em torno dos 5%-6%? A segunda é como vai Portugal financiar-se nos mercados em 2018 e 2019, se as taxas subirem para esse patamar dos 5%-6%?

 

  • Desde o início de 2016 que o IGCP não faz um leilão, mas apenas operações sindicadas, denotando insegurança e algum receio face à reação dos mercados.
  • Desde então, os investidores estrangeiros quase desapareceram das compras de dívida pública. Estamos no mercado primário de novo a sustentar as emissões no setor financeiro nacional (e em parte num aumento significativo do retalho) e no mercado secundário com as compras do BCE e do Banco de Portugal, via “Quantitative Easing”.
  • as agências de rating não vão subir a notação de Portugal, pelo que é expectável que esta se mantenha em “lixo” nos próximos tempos. Note-se que a entrevista do ministro Centeno ao Financial Times a semana passada, a queixar-se das agências de rating, é um sinal de desistência.

 

Os avisos que nos são enviados pela Comissão Europeia e pelas outras instituições financeiras não deviam ser ignorados . Factos são factos .

Chega de faz de conta com as taxas de juro

As empresas perdem competitividade e só não percebe isso quem não quer ou anda na política a fazer de conta .

“Não interessa se temos juros a quatro por cento. O que interessa é que os juros sobem mais em Portugal do que noutros países, como Espanha e Itália. E isso vai encarecer os custos das empresas e perdemos competitividade”, afirmou.

O também presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP  mostrou-se ainda preocupado com a falta de atenção ao rating da república pelas agências de notação financeira, que está no nível conhecido como “lixo” nos mercados financeiros. “A taxa de juro ainda está baixa, mas ninguém se preocupa por subir para Investment grade”, afirmou.

Basta olhar para a trajectória da taxa de juro, sempre a subir, para se compreender que está ali uma bomba armadilhada pronta a rebentar. O BCE ajuda, mas a baixa inflação, a débil economia, e a monstruosa dívida são um detonador eficaz. Rebenta quando menos se espera. 

E mesmo pagando mais é cada vez mais dificil a colocação de dívida .

Acerca das alarmantes taxas de juro que pagamos

O primeiro-ministro diz que estes 4% não são um valor historicamente elevado para Portugal já que, se olharmos para a trajetória dos juros desde a entrada na zona euro, veremos que estes não fogem muito dos valores atuais.

Mesmo com as compras mensais de dívida pelo Banco Central Europeu (BCE), que apesar com o abrandamento recente ainda rondam os 500 milhões de euros por mês, os juros de Portugal continuam em níveis que os bancos de investimento consideram alarmantes. António Costa admite que o custo do financiamento deveria ser menor mas coloca a tónica naquilo que o Governo está a fazer para “dar confiança aos mercados”, isto é, trabalhar para reduzir o défice e a dívida acumulada.

Vamos por partes: a taxa absoluta tem relevância porque, a cada emissão que é feita, o custo implícito vai influenciar o custo médio de toda a dívida pública sobre a qual é preciso pagar juros, todos os anos.

A taxa de juro na zona euro agora é de 0%. A Alemanha está a pagar 0,36% por dívida a 10 anos e são estes valores que devem ser tidos em conta quando se compara aquilo que os países pagam (a mais), conforme o risco que é percecionado pelo mercado e conforme a procura que existe por parte dos investidores. E, aí, existem grandes diferenças entre os spreads que são aplicados aos diferentes países. Por exemplo, vale a pena comparar os 1,8% que são pagos por Espanha com os mais de 4% pagos por Portugal.

Em termos simples, o que está em causa em Portugal não é que o país esteja a pagar muito mais pela dívida do que no passado, contribuindo para aquecer a temperatura do riacho. O que está em causa é que Portugal não está a aproveitar, como outros países como Espanha estão, esta era de juros baixos para arrefecer a temperatura.


Antes da crise, os países da zona euro pagavam mais ou menos todos o mesmo pela dívida — pagavam “o custo do dinheiro”, isto é, o nível geral de taxas de juro. Mas Espanha está agora a pagar uma fração disso, ao passo que Portugal continua na mesma. (linha branca=Portugal; linha amarela=Espanha)

portugalespanha.jpg

 

 

É cada vez mais dificil o estado financiar-se

A taxa de juros a dez anos chegou acima dos 4% e não baixa. Nos prazos mais curtos a taxa cresceu e também não baixa. Hoje o estado nem sequer conseguiu levantar o máximo a que se propunha. Quer dizer tudo vai bem mas os credores não acreditam.

Em média a taxa de juro da dívida anda ligeiramente acima dos 3% ( beneficia da taxa mais baixa dos empréstimos das instituições europeias) com a ajuda do programa de compra do BCE.  O problema é que a economia cresce 1,4% . Com esta diferença como é que pagamos a dívida ? Não pagamos e como se vê não cessa de crescer.

O mês de Janeiro trouxe os juros de Portugal para território acima dos 4%, para máximos de Fevereiro do ano passado. O valor, capaz de criar nervosismo no mercado, apenas deverá começar a preocupar se os juros vierem a superar os 5%, disseram analistas ao Negócios

E, assim cá vamos de vitória em vitória . Entretanto o BCE comprou apenas 600 milhões de dívida no último mês a mais baixa de sempre, num processo que iniciou há 2/3 meses e que se vem agudizando e que indica que se trata do processo de retirada do programa de compra.

Nessa altura as taxas de juro vão acelerar o crescimento e os 5% estão ali mesmo à mão de semear. Mas dizem que está tudo bem. Oremos.

As taxas de juro não cessam de aumentar

As taxas de juro não cessam de aumentar . Hoje na emissão de dívida a cinco e a sete anos as taxas subiram. Na linha de OT a cinco anos, o juro da operação situou-se em 2,753%, acima dos 2,112% verificados na última operação comparável, realizada em Novembro. Já nos títulos a sete anos, o juro foi de 3,668%, acima dos 2,817% registados em Setembro. A cinco anos foram colocados 630 milhões de euros no leilão desta quarta-feira. No prazo a sete anos foram colocados 550 milhões de euros.
Estamos perante uma trajectória em todos os prazos que tudo indica não cessará de aumentar e, como é bem de entender, não é por haver mais confiança .

As reversões e as continuas exigências do PCP e BE estão a custar bem caro ao país . Vamos ver até que ponto o PS deixa estreitar o fosso que sempre separou os social democratas dos comunistas . Arménio Carlos já ameaça ( isto pode não ficar por aqui) e vai aparecendo em testes de rua. O ministro Vieira da Silva afirmou no parlamento que o salário mínimo de 600 euros é insustentável e o BE pressiona nas PPPs na saúde.

Com uma economia com crescimento fraco vamos ver se António Costa dá o passo em frente exigido pelos seus apoios parlamentares e se atira o país para o abismo .

Juros disparam pela segunda vez no mesmo dia

O mais alto desde 2014. Ainda há quem durma descansado ? Quem vá na conversa do défice mais baixo de sempre ?

Numa altura em que o BCE continua a reduzir o valor das compras de títulos nacionais e em que Portugal se prepara para ir ao mercado, a taxa a dez anos aumentou 7,2 pontos base para 4,244%, o valor mais alto em praticamente um ano. Também o prémio de risco sobe e atingiu o valor mais elevado desde 2014, ao subir para mais de 387 pontos base.

Mas não foi uma boa notícia ?

A agência Fitch manteve Portugal no "lixo" o que foi saudado pelo Presidente da República e governo como uma boa notícia.

A notícia é tão boa que os juros subiram para 4,20% logo após o anúncio .

Juros em alta após Fitch manter rating 

As obrigações soberanas portuguesas estão em terreno negativo, depois da agência de notação financeira Fitch ter na sexta-feira mantido o "rating" de Portugal em BB+, com perspectiva estável. O mercado tinha já reagido no final da sessão de sexta-feira, uma vez que a decisão foi antecipada pelo presidente da República.

A "yield" das obrigações a 10 anos agrava-se 3 pontos base para 4,20%, numa altura em que a dívida dos periféricos segue estável face ao fecho de sexta-feira. Com os juros da Alemanha em baixa ligeira (2 pontos base), o prémio de risco da dívida portuguesa está a agravar-se 5 pontos base para 381 pontos base.

É uma trajectória ascendente imparável enquanto a dívida crescer e a economia se mantiver abaixo dos 3% . Está à volta dos 1,3% .

A Espanha a crescer 3,5% e a Irlanda 5% já deixaram a nossa companhia nos PIIGS o que prova que o problema é interno já que o ambiente externo é igual para todos.