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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Centeno avisou da subida da taxa de juros

Avisou no inicio da discussão do orçamento na tentativa de acalmar as exigências do PCP e do BE. E a renegociação possível é a que está a ser feita. Prolongar prazos e trocar dívida mais cara por dívida mais barata.

Mas como ninguém quis ouvir agora que vem aí uma subida de juros substancial Portugal não está preparado para enfrentar o embate. Agora é só procurar um culpado.

Depois da verba orçamental mais elevada, a da saúde - oito mil mlhões de euros- vem a verba dos juros da dívida . sete mil e quatrocentos milhões. O pouco dinheiro que sobrou devia ter sido dirigido para a redução da divida porque não há a mais pequena dúvida. Sem uma redução significativa da dívida pública a economia não cresce o suficiente.

E é por isso que estamos novamente a empobrecer, a divergir da Europa, crescendo menos mas mantendo a segunda mais alta dívida da União Europeia e a pagar juros mais altos com excepção da pobre Grécia ( não se deu o milagre). 

Centeno foi nomeado para Presidente do Eurogrupo. É bom, mas desenganem-se os que acham que mudará a natureza das coisas. No entanto, desde há umas semanas o Doutor Centeno tem alertado para o período de subida de taxas de juro que se aproxima e para a necessidade de reduzir a divida pública. Ótimo! Foi pena já ter desperdiçado três Orçamentos do Estado sem consolidação estrutural e sem aproveitar este período de alguma bonança económica. Como provavelmente não o fará em 2019, dado o ciclo eleitoral, dificilmente o Doutor Centeno terá contribuído significativamente para melhorar a nossa posição orçamental e económica.

 

Não chega é preciso crescer mais rapidamente do que a dívida

Em particular,  o país deveria crescer significativamente acima da taxa de crescimento “natural” da dívida pública – a taxa de juro implícita média da dívida pública, que provavelmente será de cerca de 3,3% em 2017.[1]

Ou seja, seria fundamental ambicionar crescer mais rapidamente do que a dívida. Em termos nominais, entre 4% e 5% ao ano, e não 3,4% como no 1º trimestre do ano corrente. O Orçamento do Estado de 2018 e dos anos seguintes deveriam ter esse objectivo. Dessa forma teríamos duas das três componentes que determinam a trajectória de variação da dívida pública – a taxa de crescimento económico nominal e o saldo primário positivo (saldo orçamental antes da despesa com juros) -, a contribuir marcadamente para a redução da dívida pública, e que em conjunto teriam um efeito favorável na terceira componente, a taxa de juro da dívida da República.

E uma elevada taxa de crescimento económico não deixaria de se traduzir num melhor nível de vida para os portugueses, sendo importante para assegurar que, no longo prazo, a economia portuguesa seja competitiva e dinâmica, atraindo investimento produtivo e pessoas.

 

Devem ser estes os tais constrangimentos de que fala a extrema esquerda

BCE mantém a taxa de juro em 0% e o programa de compra de dívida até ao fim do ano ou mesmo para além desse limite se tal for necessário. Claro que os mercados reagiram positivamente com a taxa de referência a 10 anos a recuar para mínimos e as expectativas económicas a melhorarem. Tudo isto ao contrário do que dizem os que querem sair da União Europeia e da Zona Euro.

Os constrangimentos de pertencermos à Zona Euro de que falam o PCP e o BE devem ser estes. A União Europeia empresta o dinheiro, manda para cá 353 mil milhões em subsídios não reembolsáveis, segura os credores e os mercados e ajuda à consolidação das contas públicas.

A inflação ainda não está na medida certa (2%)  mas é um objectivo que o BCE prossegue . Para já está afastada a deflação um buraco negro que nos atormentou mas que o BCE afastou. Tudo constrangimentos europeus impostos a este país onde as manhãs cantariam . Assim vamos melhorando à boleia do crescimento dos países europeus para onde exportamos.

“É verdade que o crescimento está a melhorar, que as coisas estão a ficar melhor”, afirmou o presidente do BCE perante os jornalistas esta quinta-feira. E acrescentou: “Em 2016 estávamos a falar de uma recuperação frágil e desigual. Agora é sólida e abrangente“.

Já esta quinta-feira, o INE divulgou dados que mostram que a confiança dos consumidores portugueses avançou em Abril pelo oitavo mês seguido para o valor mais alto em quase 20 anos. Também na Zona Euro os dados são positivos, tendo a Comissão Europeia, também esta manhã, revelado que a confiança de consumidores e empresários no bloco do euro cresceu em Abril para máximos de quase 10 anos.

Tudo constrangimentos, bom, bom, era estarmos fora da UE e juntarmo-nos aos BRIC como defende o João Oliveira, chefe da bancada do PCP na AR.

Mesmo em mínimos de dois meses é só comparar

A taxa de juros a 10 anos baixou para 3,85 % mas mesmo assim basta comparar com os outros países. 

O comportamento dos juros portugueses contraria, esta terça-feira, a evolução das "yields" na região da moeda única. Em Espanha, os juros das obrigações a dez anos sobem 0,8 pontos para 1,621%, enquanto em Itália o agravamento é de 1,6 pontos para 2,257%. Na Alemanha, a ‘yield’ avança 0,4 pontos para 0,211% e, em França, sobe 2,1 pontos para 0,952%, numa altura em que se aproximam as eleições presidenciais no país.

Quanto é que isto custa ? E a dívida que não cessa de crescer ?

A míopia está no governo não está nos mercados

A maior dívida de sempre e a aumentar. A taxa de juro a 10 anos a crescer . O investimento historicamente baixo. As reformas revertidas. O maior peso do estado. Os 2,1% do défice não convence os credores . 

Uma forma de avaliar em que medida é que os agentes económicos estão a interpretar este resultado como sendo extraordinário é olhar para as taxas de juro no mercado secundário de dívida pública nacional. Curiosamente, a resposta dos mercados é bastante significativa, mas não no sentido esperado. De facto, as taxas de juro das obrigações a 10 anos têm estado a subir ao longo das últimas semanas, e são agora as mais elevadas desde março de 2014, vários meses antes da saída da troika do país. Os títulos chegaram a ser transacionados acima de 4,2% durante sexta-feira, o dia em que o INE publicou as contas.

Por isso, não é surpreendente que a nossa dívida em 2016 tenha sido a maior de sempre, correspondendo a 241 mil milhões de euros e 130,4% do PIB, em valor absoluto e como percentagem do PIB, respetivamente. Ou seja, apesar dos valores históricos de défice, não estamos a progredir no que constitui a nossa principal fonte de incerteza económica: a dívida e a nossa capacidade de a pagar de forma estrutural, que continuam historicamente preocupantes.

Factos são factos não vale a pena disparar sobre os mensageiros.

Mas os juros e a dívida sobem

economia europeia está a crescer o que ajuda as nossas exportações e com elas a nossa economia . Mas os juros de referência a dez anos não deixam de crescer . É uma bomba ao retardador . Quem ouve a Mariana Mortágua dizer que Portugal dá mais lucro (sic) que a Alemanha não compreende. Mas eles continuam a subir ?

Os juros da dívida portuguesa negociados no mercado secundário mantêm a tendência altista registada já no fecho dos mercados desta quinta-feira. A dez anos, as taxas de juros exigidas pelos investidores para trocarem dívida entre si crescem 1,5 pontos base para 4,210%.
Por outro lado, os juros da Alemanha no mercado secundário registam a tendência oposta, descendo 0,5 pontos base para 0,427% a dez anos.

défice ficou em 2,1% com medidas extraordinárias que não se repetem mas a dívida continua a crescer . O governo anterior baixou o défice de 11% para perto de 3% . Facto. E o governo que nos levou à bancarrota subiu a dívida de 90% do PIB para 120% . ( Os 78 mil milhões da troika foram pedidos pelo primeiro ministro que pediu a ajuda externa. Sócrates.)

E enquanto o défice não for resultado de medidas estruturais e a  dívida não descer os juros não baixam. Deixem-se de narrativas...

"Lixo " garantido até 2018 - juros continuam a subir

Bem podem alimentar narrativas que a realidade é o que é.

A maneira como as decisões das agências são tomadas é que, primeiro, há um outlook positivo e depois só na avaliação seguinte é que pode haver uma melhoria do rating. Não me parece que nesta ronda tenhamos uma melhoria do outlook. Já tivemos este ano informação da Moody’s e da Fitch sem subidas, e não me parece que a S&P o vá fazer”, disse em entrevista ao Público (acesso pago).

“Há três aspetos em que os relatórios das agências coincidem: o nível global de endividamento da economia como um todo é elevado, a dívida externa é das mais altas do mundo — eles já nem distinguem se a dívida é pública ou privada, olham muito mais de uma forma abrangente. O segundo fator é o crescimento e o terceiro o setor bancário, nomeadamente por causa do aspeto das responsabilidades contingentes”.

Antes e depois do euro

Portugal pagava taxas de juro de dois dígitos e agora paga 4% .O problema é que a dívida cresceu irresponsavelmente e o problema é o mesmo. Uma factura que a débil economia, a crescer a 1,4%, não consegue pagar. Não se fale pois de injustiça.

O Euro deu a países mais pobres e com economias menos robustas acesso a um mercado de financiamento abundante e com taxas de juro muito baixas.

É preciso não esquecer que apesar do efeito “anestesiante” da política monetária do BCE, as taxas de juro a 10 anos de Portugal estão neste momento no limiar daquilo que o país aguenta e que os mercados aceitam. Com as taxas a 10 anos acima dos 4% desde há mais de 4 meses, dificilmente as taxas voltarão a descer desse patamar.

Esse facto coloca duas questões: a primeira é como vão reagir as taxas de juro de Portugal quando o efeito do BCE se reduzir e esgotar? Subirão para valores em torno dos 5%-6%? A segunda é como vai Portugal financiar-se nos mercados em 2018 e 2019, se as taxas subirem para esse patamar dos 5%-6%?

 

  • Desde o início de 2016 que o IGCP não faz um leilão, mas apenas operações sindicadas, denotando insegurança e algum receio face à reação dos mercados.
  • Desde então, os investidores estrangeiros quase desapareceram das compras de dívida pública. Estamos no mercado primário de novo a sustentar as emissões no setor financeiro nacional (e em parte num aumento significativo do retalho) e no mercado secundário com as compras do BCE e do Banco de Portugal, via “Quantitative Easing”.
  • as agências de rating não vão subir a notação de Portugal, pelo que é expectável que esta se mantenha em “lixo” nos próximos tempos. Note-se que a entrevista do ministro Centeno ao Financial Times a semana passada, a queixar-se das agências de rating, é um sinal de desistência.

 

Os avisos que nos são enviados pela Comissão Europeia e pelas outras instituições financeiras não deviam ser ignorados . Factos são factos .

Chega de faz de conta com as taxas de juro

As empresas perdem competitividade e só não percebe isso quem não quer ou anda na política a fazer de conta .

“Não interessa se temos juros a quatro por cento. O que interessa é que os juros sobem mais em Portugal do que noutros países, como Espanha e Itália. E isso vai encarecer os custos das empresas e perdemos competitividade”, afirmou.

O também presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP  mostrou-se ainda preocupado com a falta de atenção ao rating da república pelas agências de notação financeira, que está no nível conhecido como “lixo” nos mercados financeiros. “A taxa de juro ainda está baixa, mas ninguém se preocupa por subir para Investment grade”, afirmou.

Basta olhar para a trajectória da taxa de juro, sempre a subir, para se compreender que está ali uma bomba armadilhada pronta a rebentar. O BCE ajuda, mas a baixa inflação, a débil economia, e a monstruosa dívida são um detonador eficaz. Rebenta quando menos se espera. 

E mesmo pagando mais é cada vez mais dificil a colocação de dívida .

Acerca das alarmantes taxas de juro que pagamos

O primeiro-ministro diz que estes 4% não são um valor historicamente elevado para Portugal já que, se olharmos para a trajetória dos juros desde a entrada na zona euro, veremos que estes não fogem muito dos valores atuais.

Mesmo com as compras mensais de dívida pelo Banco Central Europeu (BCE), que apesar com o abrandamento recente ainda rondam os 500 milhões de euros por mês, os juros de Portugal continuam em níveis que os bancos de investimento consideram alarmantes. António Costa admite que o custo do financiamento deveria ser menor mas coloca a tónica naquilo que o Governo está a fazer para “dar confiança aos mercados”, isto é, trabalhar para reduzir o défice e a dívida acumulada.

Vamos por partes: a taxa absoluta tem relevância porque, a cada emissão que é feita, o custo implícito vai influenciar o custo médio de toda a dívida pública sobre a qual é preciso pagar juros, todos os anos.

A taxa de juro na zona euro agora é de 0%. A Alemanha está a pagar 0,36% por dívida a 10 anos e são estes valores que devem ser tidos em conta quando se compara aquilo que os países pagam (a mais), conforme o risco que é percecionado pelo mercado e conforme a procura que existe por parte dos investidores. E, aí, existem grandes diferenças entre os spreads que são aplicados aos diferentes países. Por exemplo, vale a pena comparar os 1,8% que são pagos por Espanha com os mais de 4% pagos por Portugal.

Em termos simples, o que está em causa em Portugal não é que o país esteja a pagar muito mais pela dívida do que no passado, contribuindo para aquecer a temperatura do riacho. O que está em causa é que Portugal não está a aproveitar, como outros países como Espanha estão, esta era de juros baixos para arrefecer a temperatura.


Antes da crise, os países da zona euro pagavam mais ou menos todos o mesmo pela dívida — pagavam “o custo do dinheiro”, isto é, o nível geral de taxas de juro. Mas Espanha está agora a pagar uma fração disso, ao passo que Portugal continua na mesma. (linha branca=Portugal; linha amarela=Espanha)

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