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BandaLarga

as autoestradas da informação

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De atrasos e cativações se faz a Saúde

A Comissão que monitoriza a situação financeira da Saúde dá-nos um retrato real e preocupante :

Os dados de maio mostram que a dívida total dos hospitais aos fornecedores externos é de 1592 milhões de euros, mas são os valores da dívida vencida (valor após a data de vencimento da fatura) e os pagamentos em atraso (valores em atraso 90 dias após o vencimento da fatura) os mais preocupantes: 1160 milhões e 739 milhões, respetivamente. Qualquer um deles mostra um aumento em comparação com o período homólogo. No caso do primeiro, 23,6%, e, no segundo, 22,2%.

É claro que tais valores têm um enorme impacto negativo na tesouraria das empresas e representam um financiamento à Saúde a custo zero. Esta situação não pode manter-se muito mais. Mais tarde ou mais cedo atrasos e cativações vão dar lugar a pagamentos e a despesa pública.

Por agora foram varridas para debaixo do tapete.

Poupar na Saúde

Todos os dados sobre o doente estarem disponíveis informaticamente em todas as unidades de saúde é uma boa forma de poupar tanto a saúde como o doente. É tão óbvio que se estranha que ainda não tenha sido feito já que o registo informático é uma realidade. Falta o acesso universal de partilha da informação

""Se eu sou médico e vou ver o doente pela primeira vez é importante que eu saiba de onde é que ele vem, se é doente crónico, alérgico a alguma coisa, quais foram as dificuldades que teve no passado, para não repetir exames, não o obrigar a ir várias vezes para coisas que são desnecessárias", acrescenta João Marques Gomes."

Actualmente, "todo o processo está informatizado, os processos clínicos estão informatizados nos cuidados primários [centros de saúde] e nos hospitais, não há é ainda uma ligação [entre eles]". Também nos privados "isso também existe". E, embora o objectivo de ter o Registo Único do Doente seja destinado "em primeiro lugar para o sistema público", numa segunda fase a ideia é alargá-lo "ao sistema global, que inclui os privados".

Adalberto Campos Fernandes deu um exemplo: "mais de metade das pessoas que vai ao centro de saúde faz análises no sector convencionado", ou seja, em entidades privadas. Com maior integração, podia-se "evitar que pessoas andem com o saco plástico carregado de envelopes com exames para levar informação ao médico". E é esse o "objectivo", garantiu. "Esta atmosfera, que foi referida, de partilha de informação tem que ser feita no sistema", até porque "os privados e a ADSE" representam uma fatia "muito grande" dos cuidados de saúde.

Poupar única forma de dar sustentabilidade ao sistema

Liberdade de escolha na saúde

Com um SNS estatal e universal é bizarro que o próprio estado mantenha, paralelamente, só para funcionários públicos , a ADSE, o que se traduz numa liberdade de escolha que é negada ao resto dos cidadãos.

É da mais elementar justiça que sejam os funcionários públicos a pagarem o seu sistema exclusivo e grande parte dos déficites acumulados . Não se compreende que sejam os contribuintes, através de transferências do orçamento, a pagar o que lhes é negado.

Mas o mais curioso é que se tenha levantado uma onda de protestos por o actual governo ter aumentado a participação dos funcionários públicos no financiamento do sistema de que são beneficiários exclusivos.

Daí que, numa perspectiva socialista, faça todo o sentido defender a extinção da ADSE, como recentemente voltou a argumentar Vital Moreira e como argumentou em 2013 Álvaro Beleza.

A solução está obviamente em privatizar o sistema, retirá-lo das contas públicas e entregar a sua gestão aos interessados, em autogestão mutualista ou noutro sistema concertado com os mesmos.

Ordem para cortar na Educação, Saúde e Justiça - Prof Raul Iturra

 

O título deste texto, o retirei diretamente do jornal o Correio da Manhã, que parece não ter tido acesso ao montante dos cortes dentro de estas três instituições, ou não comenta ou não o sabe.

A ordem foi dada pela Ministro das Finanças, Maria Luis Albuquerque, por ordem de quem nos quer governar. A Ministro das Finanças não tem reparado que estes cortes têm dois efeitos: o primeiro e mais grave para ela, e não respeitar a Constituição do Estado que jurou defender no seu dia de tomada de posse. Esta ação passa a ser uma falacia e um ato ilegal que, estou certo, o TC-Tribunal Constitucional- não pode nem deve aceitar. È evidente que os cortes na educação referem-se não apenas nos salários, bem como o fecho de escolas, não aceitar docentes no quadro para o governo não se comprometer a longo prazo com pessoas que passam a ser uma carga para o Estado e o erário nacional. Os serviços que eles prestam não são considerados: não apenas ensinar a escrita e a leitura, fatos que caracterizam a educação, bem como retiram do saber da infância a ideia mínima de saber que o mundo é redondo e que da volta dentro de uma constelação de estrelas, sendo o mundo mais outra estrela dentro do firmamento e que cumpre funções dentro da elipse, como manter as pessoas coladas ao chão porque esse campo elíptico dentro do qual a terra se movimenta, causa a denominada força de gravidade que não permite a seres humanos anda a voar: devem andar. Que professor terá a paciência de ensinar estes truques simples se nunca sabem se tornaram a ser contratados no ano seguinte ou enviados a outras escolas distantes as que anteriormente ensinavam? Qual será o amor de um docente pelos seus estudantes se no ano a seguir poderão ser outros? Que amor pode desenvolver na escola onde ensinam, que pode continuar o ser aglomerada com outras se não houver suficientes estudantes que justifiquem a apertura, continuidade ou fecho de estabelecimentos institucionais de ensino? A luta do professor passa a ser pela sua própria vida e não pela vida dos discentes, como tenho exprimido em outros livros. A educação, a base fundamental do saber humano que desenvolve a inteligência e os objetivos de estudo para um dia ser um profissional que preste serviços a comunidade como investigador do comportamento humano, a curação de feridos, o restabelecimento da saúde ente um povo eu não sabe como se tratar e precisam de médicos, biólogos, analistas, para continuar com a sua saúde em ordem para operar, trabalhar e contribuir para o erário público com os impostos do dinheiro, pouco e raro, que ganham? Quem lhes compra os livros mais modernos de ciência para aprender mais e ensinar melhor? Que amor ao ensino se não consegue saber mais?

O que da justiça a que todo isto conduz, juntando tribunais em que os escrivas se têm que transferir por quilómetros para manter a paz social e resolver os litígios? A pé, se o que ganham não permite comprar viaturas privadas. Ou transferência em transportes públicos, a milhas de distância do seu tribunal? Que amor a resolver litígios, se o governo litiga com eles? Qual a paz para saber aplicar a lei?

Estes cortes que o governo manda, adoecem os trabalhadores da educação, os dispõe a desencontros com a população e faz de todos eles pessoas doentes que precisam de assistência médica para continuar a exercer seu saber em simpatia entre a população?

Não há corte para os bancos e o dinheiro que a plataforma governamental empresta, porque todo plano de educação, justiça e saúde está feito sobre um campo de finanças e não de saber.

Governo que aniquila a população e a prepara para ser operários de empresas privadas, em que os legisladores não intervêm.

Esta é a minha primeira reação a notícia do jornal. Haverá mais, mas, entretanto a raiva e dor que a notícia me causa, especialmente para a população infantil, encurta os meus pensamentos e me faz sentir o que os vizinhos das aldeias dizem: não há sinal de crianças, não há murmúrio de pombos que se divertem na praça pública. Não há justiça porque os magistrados já não sabem qual é a lei que deve ser aplicada, nem saúde, por causa dos dispensários ficam a quilómetros de distância, que mata a pessoa antes de ser assistida.

Nem se de dizer este governo pode ser derrubado. Se não respeitam a Constituição que juraram cumprir, quem os vai obrigar a tomar medidas para o povo em democracia, se é um governo dos ricos que se assistem mutuamente?

Raul Iturra

26 de Agosto de 2014.

lautaro@netcabo.pt

 

 

 

 

O povo antes não tinha nada a perder agora tem

Tem a perder pensões, subsídios, apoios, reformas, medicamentos, ordenados, complementos… Logo o que está em causa não é Seguro, Passos ou Costa mas tão só quem garante que o edifício não se desmorona.

E nas próximas eleições legislativas o que está em causa é isto: quem garante que o dinheiro vem a tempo de pagar as pensões, as receitas dos medicamentos e o subsídio para mais não sei o quê? Dir-se-á que é pouco para programa de governo. Pois é. Mas a crise e o estado social geraram uma nova forma de estar: as franjas políticas que de modo algum coincidem com as sociais crescem em radicalismo e irrealismo. Ao centro vota-se em quem garantir que o sistema continua a funcionar. Por ironia do destino, Passos, que diziam neo-liberal, parece estar a conseguir convencer os portugueses de que ele garante melhor do que os socialistas a sobrevivência não apenas do estado social mas também de um estado constitucionalmente a caminho do socialismo.

A saúde em Portugal - Prof Raul Iturra

 

No meu entender, no nosso país temos, pelo menos, três problemas: a educação, a crise financeira e o atendimento da saúde pública.

A educação tem recebido pouca ajuda do Estado para organizar Bibliotecas, criar campos desportivos ou convidar pessoas sábias, fora do recinto estudantil, para suplementar o que sempre se ensina. Já estou farto, nos meus 50 anos de docência, de aceitar convites para falar em escolas, colégios secundários ou universidades. Mas, como o povo merece, nunca disse que não e sempre apareci. Apenas começava a falar, o cansaço desaparecia, passava a ser era para mim um grande prazer, apenas compensado pelos diálogos estabelecidos com estudantes e a minha pessoa. Costumava ir às escolas com menos alunos, até que a brilhante ideia de juntar sítios de estudos, apareceu, foi aprovado e os aglomerados escolares passaram a ser um sucesso, sobre o qual já tenho escrito e não vou repetir.

A seguir, medidas político financeiras para tratar de aumentar as entradas de dinheiro nas arcas do Estado, tema tratado por mim em imensos textos deste sítio de debate.

Confesso que hoje apareceu-me um terceiro problema: a gestão da saúde pública. Não apenas há imensos doentes, com ousem motivo, bem como poucos hospitais e equipamentos para tratar deles. Parece-me uma manha infantil, este assunto das doenças. O Estado importa-se até ao cúmulo do seu orçamento, para atender o melhor possível os denominados utentes. Mas, para tratar de uma doença no mesmo dia, é preciso, como tenho constatado nos Centros de saúde, aparecer a formar fila às 5 da manhã. Tenho constatado este facto no Centro Hospitalar de Cascais: os ditos doentes aparecem de madrugada, as portas do Centro Hospitalar abrem as nove, com uma fila de mais de duzentas pessoas àespera de ter senha. Os médicos que prestam serviços nos Centros, aparecem perto do meio-dia e nem têm tempo de tratar a fila multitudinária, que espera um dia e outro, vão-se embora e regressam: a senha não é válida, todo deve começar outra vez. Observei que há pessoas a vender as suas senhas, ou a pagar a quem as gere, para poder entrar. Triste espectáculo!

E o que dizer dos hospitais? São atendidos pelos melhores licenciados em medicina, mas estes licenciados são poucos para tanto público. Ser atendido num hospital pode demorar de três a cinco horas, para cinco minutos de atenção. Atenção, por vezes, extremamente simpática, como me tem acontecido, mas outras muito classistas.

Os favores e trocas existem entre o pessoal hospitalar. É preciso um troco de simpatias, uma invenção, para sermos atendidos pelo sistema público. Nem falar do privado. A atenção que tive hoje, por 2,35€, no sistema privado seria 250€. Com a crise económica que vivemos, quem pode pagar essa importância?

Observei mais de 300 utentes à espera de serem chamados, corredores cheios de pessoas, para os poucos médicos que entregam a sua saúde, saber, serenidade, espalhados por todos os hospitais do país.

Comentava este assunto com a minha mulher, e ela, que bem conhece Portugal, comentou que, pelos menos assim havia saúde pública, especialmente em época de crises.

Admito as senhoras e senhores médicos. Morar o dia inteiro em prédios que são hospitais, mal pintados, sem lugar para descansar as horas de espera. Bem como a simpática atenção de médico a utente.

Há os que entram no sistema privado. Há os que entregam o seu patriotismo a nacionalidade para trabalhar em péssimas condições.

Tenho morado em muitos países, apenas na Espanha e Portugal tenho observado a pobreza franciscana do sistema hospitalar.

Deve ser tudoo que o Estado possa usufruir para uma população tão grande e tão católica, que, as vezes se encomendam a Nossa Senhora de Fátima em vez de irem a um hospital. Pelo menos era o que comentava una senhora: foi ao seu Centro Médico, entrou sã e saiu doente. Apenas foi capaz de acender velas a uma imagem de Fátima, para sarar.

Pelo menos para um Etnospicólogo como eu, faz destas esperas intermináveis, trabalho de observação participante…

 

Raul Iturra

6 de Março de 2014.

lautaro@netcabo.pt

Texto revisto por Ana Paula Silva, como é habitual, a minha especialista em Antropologia da Educação e em Etnopsicologia que aprendera comigo em Licenciatura e Mestrado

 

 

As pessoas não querem saber se a saúde vem do publico, da privada ou do social

Tal como na Educação. Estão é interessados em saber se os serviços prestados são bons. Não entra na cabeça de ninguém que se financiem os maus serviços e se encerrem os bons. E são poucos os serviços em que o estado deve ter o monopólio da prestação.Se há uma capacidade crescente e de qualidade instalada no sector privado, cabe ao Estado integrá-la para uma melhor resposta aos cidadãos. Os princípios do SNS, de universalidade e equidade, não são postos em causa se houver convenções e acordos bem estruturados, que garantam concorrência, qualidade e o melhor preço. Esta discussão não pode ser ideológica, tem de ser pragmática. Não podemos ter um SNS assente em prestadores públicos só porque queremos ter um SNS organizado em carreiras. Se não arriscamos que o impacto do subfinanciamento destes prestadores o ponha em causa na sua universalidade e equidade, o que já se vê na existência continuada de listas de espera e no desinteresse crescente de alguma classe média, ainda que atenuado durante a crise.

Saúde mais próxima - Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Trata-se de uma roulotte, com dois jovens a organizar e três jovens enfermeiras e julgo que uma médica. Fazem o rasteio das doenças mais presentes. Análise no momento ao sangue, peso corporal, cintura e altura. E medem a tensão arterial. Hoje foi a minha vez. Esperei 15 minutos . Pessoal competente, muito interessado, amável. Vim cheio de conselhos.

Mais uma vez se prova que ajudar os cidadãos não é sinónimo de gastar muito dinheiro. Custa um décimo de uma rotunda e ajuda milhares de pessoas. AVC, diabetes, colesterol, doenças coronárias...

Pode encontrar aqui esta maravilhosa ideia. www.facebook.com/saudemaisproxima ou em http://saudemaisproxima.blogspot.com

 

 


Os jornais inventam, a maioria não sabe ler...

Vale tudo se o objectivo for lançar a confusão. Quanto pior, melhor, enquanto vão ensaiando umas lições de ética..."
Em comentário escrito enviado à comunicação social, o MS explica que o Estado pode optar pela não continuidade da prestação de serviços clínicos em PPP nestes hospitais, ao fim dos dez primeiros anos e, mesmo que prosseguisse com o contrato em PPP, os preços “não estão ainda negociados”. Por isso, defende, é “irrealista e pouco rigoroso estimar a esta distância os encargos associados” aos contratos em parceria público-privada.


A CGD já vendeu a área da saúde e agora está a vender os seguros

A CGD faz tudo menos o que devia. Financiar a economia, as PMEs, as exportações. Prestar o  seguro de colheita à agricultura. Cobrir os riscos nas exportações. Como não faz nada disso meteu-se na saúde onde, evidentemente, não tinha mais valia nenhuma a acrescentar. Vendeu tudo a uma empresa Brasileira que, ao que consta, também já foi comprada por uma outra americana. Agora está a preparar a venda da área de Seguros onde é líder.

Mais uma operação que cheira a privatização da própria Caixa para mais tarde. Se a CGD se dedicasse a financiar a economia, como banco de fomento, motor do desenvolvimento, seria importante mantê-la na área do estado, não o fazendo, foi dando argumentos a quem a quer privatizar.

E, até, já vem a caminho para a substituir um "banco de fomento" . Ao que consta!