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BandaLarga

as autoestradas da informação

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O maior aumento de impostos foi apenas disfarçado

carga fiscal de 2017 é igual à de 2015. Não houve reversão nenhuma o que há é um disfarce

Não pensem que exagero. Pensem antes naquilo que caracteriza mais este Orçamento: ele foi feito para aplacar as clientelas que dependem do Estado (os funcionários públicos em primeiro lugar, os pensionistas logo a seguir), fazendo-o à custa da transferência do ónus para a economia privada (de que será exemplo maior o possível agravamento do IRC) e para todos os que não têm organização para se rebelarem (é paradigmático como se pretende sobrecarregar os que utilizam recibos verdes, os mais desprotegidos de todos os trabalhadores).

Um exemplo na área da saúde, pois em 2015 o então ministro da Saúde Paulo Macedo aprovou um investimento de 5 milhões de euros no IPO de Lisboa para o alargamento de um bloco operatório, obra considerada urgente. Em 2017 o ministro das Finanças Mário Centeno ainda não libertou a verba. Como se brinca no corredor do hospital oncológico, “temos o papel, mas falta-nos um papel” – o papel que está “cativado”. O que significa que houve dinheiro para suportar os encargos adicionais com as 35 horas, mas não há dinheiro para investimentos urgentes no Serviço Nacional de Saúde.

E já morreram doentes em lista de espera ( 2506) para cirurgia, alguns da área oncológica.

Agora que já vamos no terceiro orçamento de Centeno/geringonça o que temos é que – e cito os números do próprio governo – a carga fiscal em 2017 será exactamente a mesma de 2015: 36,9%, o seu máximo histórico. Pagamos impostos diferentes, mas o “enorme aumento de impostos” não foi revertido, foi apenas disfarçado. Pior: a nova composição dessa carga fiscal penaliza mais as empresas, o que lhes retira competitividade mas se compreende, pois a empresas não votam.

 

A mesma política que nos levou à ruína

Crescem as exigências por parte do PCP e do BE. E será assim até ao momento em que os benefícios da partilha do poder forem inferiores aos prejuízos causados pelo exercício do mesmo.

As "reversões" e pequenos benefícios oficiais mascaram aquilo que no essencial é a continuidade da política da austeridade. Tem um aliado que é o crescimento económico que governo, Bloco e PC aproveitam para manter e reforçar o velho Estado despesista, gigantesco, ou seja a mesma política que nos levou à ruína.

Vai haver um momento em que as reivindicações do Bloco e do PCP deixam de ser compatíveis com aquilo que o estado lhes pode dar, por muita boa vontade que António Costa tenha. Catarina e Jerónimo já perceberam que esse momento vai mesmo chegar e não querem correr o risco de afugentar a base de apoio que ainda têm .

Está instalada a desconfiança sobre o que é melhor para cada uma das partes, quem ganha e quem perde mais com o inevitável divórcio, se o divórcio será amigável ou não.

PS : a partir de um texto de Luís Marques no Expresso

 

A factura das reversões vem de TGV

Os tribunais decidiram que o estado terá que indemnizar os privados no processo do TGV. 150 milhões nem menos o que abre caminho para mais facturas no caso das reversões das empresas de transportes.

O estado só porque muda o governo não pode rasgar contratos e compromissos. A factura é o custo do apoio dos partidos da extrema esquerda ao governo. E as recentes decisões dos tribunais no que diz respeito aos contratos com as escolas em associação vão no mesmo caminho. Tudo junto é uma nota preta.

Entretanto os famosos 600 milhões que tanto celeuma causaram que tinham que ser cortados na Segurança Social estão transformados nos 597 milhões agora cativados. Ninguém diz nada e o silêncio é de ouro, talvez porque em vez de corte se chame cativação.

Esfumadas as reversões nos salários e pensões o governo já fez saber que não haverá aumentos de salários em 2017. Os sindicatos nem querem ouvir falar de tal coisa, preparam-se manifestações e barulho na rua. Depois das férias com o orçamento de 2017 a austeridade por enquanto escondida rebentará nas mãos de quem vendeu o leite e o mel.

António Costa está a aprender à sua custa que palavra dada tem que ser mesmo palavra honrada. 

 

Paciência de corno

Como alguns observadores notam, Centeno anda a pedir paciência e tempo para que as medidas tomadas durante os últimos anos tenham fruto enquanto o governo, o PCP e o BE , revertem essas mesmas medidas, anulando-as. É a chamada paciência de corno.

Já se sabe que o são principio da governação que é ter coragem para mudar o que tem que ser mudado, ter paciência para manter o que não pode ser mudado e ter inteligência para fazer a opção certa, não é virtude deste governo. Porque o grande objectivo é manter-se o mais tempo possível na governação não é governar o país. Daí que dê ouvidos de mouco aos cada vez mais frequentes avisos que o caminho não é este.

Mas outro principio fundamental é que não se deve mexer na barriga do burro enquanto estiver a comer sob pena de uma parelha de coices. Ora PCP, BE e sindicatos estão à manjedoura há que ter paciência.

Os indicadores económicos são maus e o crescimento da economia é sistematicamente revisto em baixa. Há que ter paciência . Quem sabe da poda até diz que se não fosse a reposição dos stoks nas empresas o crescimento da economia no 1º trimestre teria sido negativo. Paciência.

A ministra da Justiça prepara-se para reverter uma boa reforma

O novo Mapa Judiciário teve agora o primeiro exame mostrando bons resultados mas, a actual ministra, cedendo aos lobbies vai estragar uma boa reforma com um novo Mapa Judiciário .

O Conselho Superior da Magistratura fez um primeiro balanço da reforma do mapa judicial implementado pelo Governo anterior. E, revela a TSF, a avaliação é muito positiva, com redução das pendências e da duração das ações. A Senhora Ministra da Justiça já o havia prometido e prepara-se para o anunciar: vai reverter o mapa judiciário, reabrindo tribunais em localidades onde eles foram encerrados. O país encontrará de certeza dinheiro para estragar uma reforma que, dizem os entendidos, até estava a correr bem.

Fica mais uma vez provado que para os interesses instalados no Estado os resultados contam pouco.



Governo prepara BE e PCP para más notícias

A realidade é bem mais dura . Centeno já reuniu com PCP e BE para os preparar para as cedências junto de Bruxelas. As instituições nacionais e internacionais reviram em baixa os índices macro-económicos e o 1º trimestre de 2016 foi particularmente mau .

Mário Centeno não terá dado pormenores, mas deixou o aviso: o cenário macroeconómico previsto no Programa de Estabilidade será pior que o antecipado até aqui, e não há margem para grandes embates com Bruxelas. Estas foram mensagens deixadas pelo ministro das Finanças nas reuniões que teve quarta-feira, em separado, com as equipas do Bloco de Esquerda e do PCP, avança a TSF.

A corda vai esticando. Até quando é a questão.

Um governo a olhar pelo rectrovisor

Para assegurar o apoio do PCP através da CGTP ( e dos seus sindicatos) o governo anda entretido a olhar para trás. Reverter as privatizações das empresas de transportes, da TAP .  O Banif e o BES envolvendo grandes fundos investidores. Tirando a confiança aos investidores externos . O governo em vez de tratar da economia e do investimento externo, anda a aumentar o consumo e com ele as importações.

"Em pouco mais de um mês, o governo conseguiu acabar com o investimento externo em Portugal. O pobre do ministro da Economia, Caldeira Cabral, farta-se de dar entrevistas a dizer que o investimento externo constitui a sua grande prioridade. Infelizmente, as suas funções acabaram antes de se iniciarem."

"O governo deveria ter sido pragmático e concentrar-se inteiramente na recuperação económica, com medidas para captar mais investimento externo e para promover o aumento das exportações. Em vez disso, afastou o investimento externo e está a promover o consumo interno. A economia nacional vai sofrer e o governo será penalizado por governar para o passado e não para o futuro."

Diz a porta voz do PS que o governo num só mês já mostrou que é possível governar diferente. Infelizmente é verdade.

Já estamos a reverter

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O Orçamento vai ter que mostrar como equilibramos as contas. A última vez que soubemos alguma coisa é que a economia cresceria acima dos 2,4% contra todas as previsões . E depois do BNIF e das devoluções a coisa é ainda mais difícil. Acabou o empobrecimento, diz António Costa, como se dependesse da sua vontade a criação de riqueza. Como é que se revertem as medidas de despesa e se controla o défice , com o crescimento da economia débil que está aí em cima previsto, é que é um exercíco assaz curioso.

Alguém vai ter culpa do que aí vem e não será o governo. Palpita-me.

A venda da TAP é um alívio para o PS

Um hipotético governo PS apoiado pelo PCP e pelo BE teria uma carga de trabalhos se a TAP não tivesse sido privatizada. Por um lado teria os seus apoiantes comunistas a pressioná-lo para suspender a venda e por outro teria Bruxelas e a falta de dinheiro para devolver aos compradores.

Entretanto, a TAP na situação financeira pré-falência em que se encontra não pode esperar. Não há dinheiro para os salários e para os combustíveis. Falta de pagamento de salários é sinónimo de greves, falta de combustível é sinal de aviões em terra. Um caos a que o governo ainda mal refeito da golpada eleitoral não seria capaz de deitar mão. A não ser que fizesse como aquela sua deputada ex-secretária de estado dos transportes que, não percebendo a diferença entre um órgão legislativo a que ela pertence e um órgão executivo - a empresa pública Parpública - escrevesse uma carta à CGD ordenando que injectasse uns milhões na companhia aérea ( não percebendo que não resolvia nada ).

Assim, vamos ter a indignação do PCP e do BE enquanto o PS vai dizendo que sim mas também. Custa muito dinheiro a reversão da privatização, não há dinheiro. E os comunistas apoiantes vão fazendo de conta que não percebem que o PS vai fazendo ouvidos de mercador. A guerra só chegará quando o governo cair até lá vamos ter este jogo de sombras.

Se não fosse o governo cair até os comíamos, carago ! ( diz o Arménio fuzilando Jerónimo com o olhar )

Bater com a cabeça na parede

Só haverá reversão das privatizações se não derem lugar ao aumento de custos para o estado. O que, obviamente, não é possível. Há custos associados aos concursos que têm que ser ressarcidos. E há lugar a indemnizações por incumprimentos de contratos. E há lugar à devolução de pagamentos já efectuados ao estado como no caso da TAP.

Esta é a posição do PS, com custos acrescidos não há reversão das meninas dos olhos da CGTP. Vamos assistir às primeiras escaramuças violentas com o estalinista Arménio Carlos.

O PS entende que os acordos nestas áreas têm de ser geridos segundo o princípio de que mudanças no que está feito não tragam custos adicionais para o Estado. O partido parece deixar em aberto a possibilidade de votar contra propostas de reversão que, na sua perspectiva, não sejam compensadoras para o Estado. O PCP já apresentou na Assembleia da República uma proposta para reverter as subconcessões dos transportes de Lisboa e Porto, bem como as privatizações da CP Carga e a fusão da Refer com a Estradas de Portugal.

Sempre que conhecemos mais pormenores dos acordos ficamos a perceber porque são secretos e foram assinados envergonhadamente.