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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Portugal e União Europeia estão numa relação

A economia melhora, o desemprego baixa e 74% dos portugueses aprovam a integração de Portugal no Euro.

“Há um aspeto estrutural/demográfico que será relevante. Já temos esta moeda há 15 anos, as pessoas que hoje são inquiridas conhecem o euro há bastante tempo. Eventualmente, alguns nem se lembram do escudo ou nunca o usaram”, refere Filipe Garcia, da consultora IMF.
 
“Apesar dos altos e baixos que teve, o euro é um projeto genericamente bem conseguido, veio trazer estabilidade, aumentou o poder de compra e a abertura ao exterior. Se as coisas agora estão melhor, as pessoas tendem a aprovar o que têm. É natural.”
 

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A política faz-se de escolhas

Há muito que ser de esquerda ou ser de direita tem pouco significado. Para além do "mais estado/menos estado" redutor, o que verdadeiramente tem significado são as medidas que resultam melhor para beneficiar a vida das populações.

Um governo socialista levou o país à bancarrota cometendo erros que estamos a pagar duramente. Da mesma forma o resgate feito por um governo de direita errou ao querer ir além da Tróika e querer ser o melhor aluno de Bruxelas.

O actual governo socialista apoiado por dois partidos da extrema esquerda já aprovou dois orçamentos e os erros são já evidentes. E, tal como os outros dois anteriores, não é por ser de esquerda ou de direita, é porque tomou opções que se revelam erradas.

Continuou a austeridade com cativações na despesa e cortes irresponsáveis no investimento. O resultado está à vista. As funções do Estado estão gravemente diminuídas em vários sectores nucleares. Repôs rendimentos com o argumento que a economia cresceria com a procura interna para na realidade ir a reboque das exportações ( tal como o governo anterior).

E cresce ? É que a OCDE vem agora dizer que vamos crescer entre 1,8% e 2% quando em 2015 crescemos 1,5% e em 2016 crescemos 1,7% . E, segundo o próprio governo, em 2018 vamos crescer 1,8% e em 2019 cresceremos 1,6% .

Isto é crescer ? É que aqui na vizinha Espanha o crescimento é de 3% e até superior há já 3 anos. E Espanha tem uma dívida inferior à nossa, paga taxas de juros inferiores às que nós pagamos e o salário mínimo é bem melhor que o nosso. E o desemprego desce com criação de emprego .

Comparando, onde estão as razões para o nosso foguetório ? Acresce que a nossa dívida é de 134% e a média da dívida na Zona Euro é de 90%, estamos no "lixo" e  pagamos taxas bem mais elevadas.

As agências de rating já vieram avisar que o que estamos a conseguir é poucochinho .

Porque fugiste, António ?

 

Compare-se a direita em Espanha com a esquerda em Portugal

Infelizmente a realidade é a realidade o resto não passa de narrativas tão ao gosto do PS. Uma das grandes agência de notação publicou uma comparação da actual situação dos países mais atingidos pela crise. Leia-se sem preconceitos ideológicos e depois digam-me a que se devem os foguetes.

Apesar de algumas semelhanças, a agência vê diferenças consideráveis entre os dois países da Península Ibérica, destacando que Espanha lidera a recuperação, com maior crescimento de emprego, consumo e exportações, pelo que admite melhorar para positivo o ‘outlook’ (perspetiva) do ‘rating’ do país, atualmente em BBB+ (dentro de nível de investimento).

Já sobre Portugal, é dito que “avança mais lentamente do que Espanha”, mas que “deve manter-se no caminho da recuperação moderada”.

Quanto ao ‘rating’ de Portugal, a S&P diz que este continua “constrangido pela elevada dívida pública e privada” e por um “sistema bancário que permanece frágil”, o que dificulta a transmissão da política monetária e o estímulo ao investimento.

Quer dizer Portugal cresce menos ( a Espanha está a crescer 3%), cria menos emprego , tem uma dívida bem maior face ao PIB e paga três vezes mais em juros. E a Espanha vai ter melhoria na avaliação ( juros mais baixos) enquanto Portugal continua preso à maquina

De que te ris, António ?

 

Devemos calar e esperar pelo PEC IV de Sócrates ?

Uma das vantagens de Portugal integrar a União Europeia é que há um contínuo escrutínio do que que se faz por cá em termos de governação. Cá dentro a verdade oficial é que andamos sempre a dar lições ao mundo. Nós é que estamos certos. Mas a realidade encarrega-se de mostrar que nós é que estamos errados.

Agora é o BCE, o mesmo que anda com uma mão por baixo do menino a amparar, vem dizer que é "surpreendente" que Portugal e a Croácia não avancem com as reformas necessárias. Estamos sempre bem acompanhados. 

O apoio parlamentar de que o governo minoritário PS necessita de dois partidos anti-UE necessariamente impede a tomada de medidas pró- europeias. Sempre se soube que este era o custo de tal apoio. Nada na manga, valha a verdade. Não há almoços grátis e PCP e BE nunca o esconderam.

""Isto é particularmente surpreendente no caso de Portugal e Croácia, uma vez que estes países comprometeram-se a uma agenda de reformas ambiciosas em 2016" e que foi por isso que "a Comissão decidiu não aplicar o procedimento por desequilíbrios excessivos".

Como se vê o "lixo", os avisos, as taxas de juro elevadas, o crescimento da dívida e a sua (não) negociação, a fuga dos mercados na compra de dívida são mais que justificados e não se trata de injustiça nenhuma.

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Devemos calar e esperar pelo PEC IV de Sócrates ?

Portugal pode ocupar o lugar ( não desejado) da Grécia

Já em 2017 Portugal pode tornar-se o centro das preocupações dos mercados. A Grécia está a fazer reformas a troco de dinheiro e por isso está a beneficiar da negociação da dívida. Como António Costa fez exactamente o contrário - reverteu algumas das poucas reformas efectuadas -  não se vê como iremos negociar a dívida e como parar a subida contínua da taxa de juro que, aliás, continuará a subir no médio prazo.

E a economia da Grécia está a crescer e espera-se que chegue em 2017 a 2,5% resultado das reformas efectuadas nos últimos três anos. Por cá andamos nos 1,3% . E a Grécia ainda não beneficia do programa de compra de dívida do BCE mas poderá começar a beneficiar já em Janeiro de 2017 com a consequente baixa das taxas de juro.

Portugal pode tomar o lugar da Grécia como novo foco dos receios dos investidores em obrigações dados os riscos orçamentais”, escreve o influente banco suíço, acrescentando que “os riscos em Portugal e em Itália têm de ser monitorizados”.

“Monitorizados” foi, também, a expressão utilizada pelo Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para se referir ao desempenho do governo de António Costa, em Portugal. “O novo governo em Portugal, que tomou posse no final de 2015, começou a reverter algumas das medidas tomadas durante o programa de ajustamento. Os credores estão a monitorizar cuidadosamente se isso irá prejudicar a competitividade e a situação orçamental”, escreveu o MEE numa nota publicada esta semana.

Encarar a realidade

Ler estes dois textos mostra muito do que somos e do que nos diferencia do sucesso dos outros e do nosso próprio insucesso.

A Suécia fez há anos uma política de reformas e de poupança apoiada pelos principais partidos, a Lituânia sofreu o duríssimo abalo de cortes salariais e de despedimentos no Estado, a Irlanda seguiu um caminho idêntico num admirável espírito de união e todos estes países foram capazes de assumir colectivamente o seu destino. Para muitos de nós, encarar a realidade e aprender com ela é um exercício improvável – ainda ontem José Pacheco Pereira escrevia no PÚBLICO que a necessidade do ajustamento era uma invenção de “argumentos conservadores, destinados a impor às democracias uma noção da história que não depende da vontade e da escolha humana no presente”.

Entre a invenção de Pacheco Pereira e a realidade dos outros há a distância de sermos capazes de assumir colectivamente o nosso destino.

Só a Grécia e Portugal não estão a sair da crise

Não há volta a dar. Só a Grécia e Portugal, os países onde há governos de esquerda, não estão a sair da crise de forma sustentável.

A economia não cresce, a dívida pelo contrário cresce, os juros da dívida são muito mais elevados e estão presos à máquina de oxigénio das agências de rating. Nos cuidados intensivos. A bomba relógio está programada para Outubro quando a agência de rating DBRS - única que mantém o país acima do lixo - revir a classificação.

Com as reversões - exigência do PC e do BE para apoiarem o governo - os investidores fugiram e sem investimento não há criação de postos de trabalho e a economia não cresce. Enquanto isso, em Espanha, Irlanda e Chipre os dados económicos coloca-os na vanguarda do crescimento na Europa. 

O artigo elogia a forma como Portugal saiu em Maio de 2014 do programa de assistência financeira, depois de um período de austeridade. "O governo português teve de realizar medidas dolorosas de corte e estabilidade orçamental após uma política económica de desperdício".

A seguir a ambição e a salvação da carreira política de um homem deitaram tudo a perder apoiado por partidos anti-europa e anti-economia de mercado que, ao contrário do que dizem, não se arrependem.

A Espanha é um exemplo Portugal é um problema

A Espanha até é capaz de ir para eleições novamente mas navega para porto seguro. Não caiu no logro de eleger para governar partidos extremistas anti-europeus. E é preciso não esquecer que o ambiente internacional é o mesmo para os dois países.

Assim, de um lado está "o exemplo espanhol" que, "com determinadas reformas e um esforço suficiente para estabilizar o seu sistema bancário, virou a esquina de vez em 2013", afirma a agência na nota, exemplificando com o facto de "o investimento ter aumentado rapidamente, levando a um crescimento do PIB perto de 3% e a uma recuperação significativa do emprego." Recorde-se que Espanha pediu um resgate financeiro para a banca, não tendo tido repercussões no resto das políticas económicas e financeiras. 

Mas, sublinha o Berenberg, "o grande problema [de Portugal] é o crescimento interno. Apoiado por três pequenos partidos de extrema-esquerda, o Governo minoritário socialista que ascendeu ao poder em Novembro de 2015 inverteu algumas reformas-chave, aumentando o salário mínimo e o número de feriados. Para um país com um desemprego ainda elevado, esta é uma maneira de deter o investimento em vez de o promover."

A Berenberg questiona se Portugal estará prestes em entrar numa nova crise, depois de um "fraco crescimento económico de 0,2% no segundo trimestre" e de a agência DBRS "ter alertado para a possibilidade de rever o ‘rating’ de Portugal", o país fica numa situação fragilizada. "Uma descida de ‘rating’ da DBRS fará com que as obrigações soberanas de Portugal sejam ilegíveis para a compra do BCE", realça.  

O que separa Portugal da Espanha ?

Para lá de a economia espanhola estar a crescer a 3,5% e a portuguesa a menos de 1% ? A principal diferença é esta :

O Governo de Mariano Rajoy respondeu com medidas:

Madrid propõe subir "imposto sobre empresas" para evitar sanções da União Europeia:

"Vamos propor uma medida para o imposto sobre empresas (...), uma medida forte" para conseguir uma receita adicional de 6 mil milhões de euros, declarou, numa conferência de imprensa em Bruxelas, ao apresentar os seus argumentos para evitar uma multa da Comissão Europeia".

O Governo de António Costa disse isto:

"Portugal vai responder e espero que haja bom senso na Comissão"

O primeiro-ministro afirmou hoje que Portugal vai responder nos próximos dez dias, formalmente, à decisão do Conselho de Ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin) de aplicar sanções ao país, alegando que são "injustificadas" e "altamente contraproducentes". E acrescentou: "Espero e confio que, na Comissão, nomeadamente através do presidente Juncker, impere o bom senso que não houve na reunião do Eurogrupo."