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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Baixar a dívida é fundamental mas não está no orçamento

No quadro da Zona Euro o limiar da dívida pública que ajuda o crescimento da economia anda entre os 67% e os 100% conforme as características dos países. Na OCDE esse limiar anda nos 85%.

A dívida portuguesa monta a 128% do PIB e se a reduzíssemos para o tal limiar (digamos 90%) o crescimento da economia podia chegar aos 3,5%.

Faz todo o sentido colocar este objectivo no centro  das políticas económicas mas as exigências de PCP e BE não deixam . É o custo mais visível do apoio a António Costa.

O programa de compra de dívida do BCE tem permitido a Portugal pagar taxas de juro mais baixas e a reestruturação da dívida faz-se como se tem vindo a fazer. Amortizar a dívida mais cara do FMI e trocar dívida mais antiga e mais cara por dívida actual mais barata .

Enquanto não se atingir o rácio de 90% da dívida em relação ao PIB o objectivo orçamental  devia ser a "redução da dívida é fundamental " como disse Mário Centeno.

A má despesa afasta a boa .

O défice está sob controlo ? Está. Mas com uma degradação clara da qualidade da nossa despesa pública.

Não há dinheiro para o ensino superior

Mais uma baralhada das antigas. Aprovaram o orçamento mas não consta o investimento prometido para o ensino superior. Centeno e Heitor andam com contas às avessas e António Costa vai ter que dizer que não há dinheiro.

Depois do descongelamento das carreiras dos professores também os militares e as polícias pediram reuniões ao primeiro ministro que anda como os bombeiros no tempo dos fogos. Deixa arder alguns, empurra outros para a berma da estrada e apaga os que têm mesmo que ser apagados.

Não pode é continuar a dizer que temos as maiores vitórias do século. A degradação dos serviços públicos não escapa a ninguém. 

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A violência do discurso entre parceiros da maioria

O BE acusou o PS e o primeiro ministro de não ter palavra honrada. E o curioso é que ninguém no Parlamento se levantou para defender o PS e António Costa.

O discurso de Mariana Mortágua foi de uma violência extrema deixando no PS e no governo um registo que não se apagará. Há coisas que se dizem entre parceiros no silêncio dos gabinetes mas não no Parlamento. O BE quis que a distancia entre partidos ficasse bem definida na opinião pública.

O PCP centrou o seu discurso nas suas contribuições para o orçamento, dizendo que o documento é melhor graças às suas propostas aprovadas.

E a seguir temos a CGTP com a sua proposta dos 600 euros como salário mínimo e o descongelamento das carreiras para toda a administração pública.

E o PS declara que vai voltar-se para o PSD para conseguir consensos estruturais

Afinal os incêndios continuam a andar por aí...

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Já vamos em duas décadas perdidas

Mas agora o que interessa são as eleições em 2019 e o orçamento de 2018 é disso que trata.

Desde o início do século estagnámos, quando não divergimos, na comparação com a média da União Europeia. Ao nosso lado, uma série de países do Leste já nos passaram no rendimento per capita e outros preparam-se para o fazer. A nossa produtividade continua uma miséria, não descola da zona dos 75% da média comunitária e só os mais distraídos ou demagógicos podem depois reclamar pelos baixos salários que recebemos. O que é que queriam, com esta produtividade?

Continuamos a empurrar as reformas que podem fazer a diferença com a barriga, depois logo se vê de quem é a culpa que, aliás, morre solteira.

Enquanto se discute o orçamento o problema é o Infarmed

Rui Mendes Ferreira

1 h ·
 

Pensamento do dia: Chapeau Costa

E como num passe de magia, passámos a ter toda a comunicação social, comentadores paineleiros de profissão, politicos, e a generalidade do Tuga, a devotar a sua total atenção, a analisar, a dissecar, e a produzir comentários, à transferência do INFARMED para o Porto, e subitamente, já todos esqueceram, nem ninguém diz ou escreve nada mais, sobre o facto do actual governo ter conseguido colocar, novamente, o país numa situação de contas públicas presas por arames, e somente a um pequeno passo de eminente descalabro.

Neste momento, basta uma ligeira subida dos juros, ou um pequeno decréscimo no crescimento do PIB, e uma subida acentuada no preço do petróleo, para que o castelo de cartas, sobre o qual o actual governo tem vindo a construir a base da sua política económica, para entrarmos de imediato numa situação de incumprimento, de enorme deficit externo, e a necessitar novamente de recorrer a ajuda externa, vulgo: FMI ou UE, ou Troika,.

Mas eis que agora, andamos todos preocupados, é com as famílias dos 700 funcionários públicos que irão ser transferidos para o Porto e a fazer contas a quanto custará ao erário público essa transferência, e já ninguém repara que só em 2018, a redução para as 35 horas de trabalho semanal na função pública, vai custar aos contribuintes quase 300 milhões de euros. Repito, 300 milhões de euros só em 2018.

Em 20 anos, e numa estimativa conservadora, os custos acrescidos da redução para as 35 horas, irá custar aos contribuintes, entre 8 a 10 mil milhões de euros.
Vou repetir: as 35 horas, em 20 anos irão custar quase 10 mil milhões de euros, a adicionar a todos os custos já existentes.

E tb já ninguém se preocupa em ir fazer contas ou tentar perceber ou pelo menos só querer saber, que o sistema de promoções automáticas -sem que a isso corresponda qualquer aumento de responsablidades ou da carga de trabalho - que os professores e o demais sector publico ou já tem ou exige ter, irá gerar uma factura não só para um ano, mas sim uma factura anualmente crescente e perpétua, e que os custos de 630 milhões que nos falam, reportam só a um pagamento, e só a uma pequena parte do sector publico, e que depois passa a ser também um custo anual, crescente e perpétuo.

Já ninguém mais se preocupa em saber, só para vos dar uma ideia da grandeza dos custos futuros, de tal sistema de promoções automáticas, que, em 20 anos, irá gerar um acréscimo nas despesas com funcionários públicos, superior a 120 mil milhões de euros. Valor a adicionar às despesas já existentes.

Vou repetir: o actual sistema de promoções automáticas, que os professores e demais função pública exige, em 20 anos irá produzir um acréscimo nas despesas públicas, na ordem dos 120 mil milhões de euros. Se a isso somarmos os acréscimos dos custos das 35 horas, estamos a falar de 130 mil milhões de euros. E o mais grave, é que é uma despesa com crescimento anual e perpétua.

Para que enquadrem a brutal dimensão deste valores, representa mais de metade de toda a divida publica soberana. E estes valores, terão que ser pagos, ou por mais dívida pública, o que fará crescer ainda mais a dívida acumulada, ou então vão ter que ser pagos pelos contribuintes, através de recolha mais impostos, confiscados aos trabalhadores do sector privado, e às empresas, num aumento, anual, continuo e perpétuo, que iremos igualmente deixar em legado a todas as seguintes gerações de contribuintes.

Tudo isto, para que uma criatura, que não conseguiu ganhar umas eleições, que julgava conseguir ganhar com facilidade, consiga manter-se agarrado ao poder.

Mas eis que o Costa, consegue retirar mais um coelho da sua cartola do embuste, e consegue em mais um brilhante passe de mágica, colocar o país inteiro, a falar da ida do Infarmed para o Porto, e já ninguém mais se interessa com as despesas públicas, nem com o facto de nos estarem a arrastar novamente, para o caminho da miséria, da pobreza, e da escravatura do endividamento e da despesa pública.

E por isso, rendo-lhe aqui a minha sincera e merecida homenagem e, digo:
"tiro-te o meu "chapeau" camarada Costa".

O governo a cair na real

Na discussão do orçamento o governo disse hoje que não faz milagres quando se discutia o descongelamento das carreiras. Já todos sabíamos o governo é que só descobriu agora mas é tarde .

É tarde para arrepiar o discurso com credibilidade, as várias corporações do Estado já estão em pé de guerra. O tema é difícil porque ele choca de frente com a narrativa em que se tem baseado o Governo da "geringonça" - a de que a austeridade aplicada em Portugal nos últimos anos se deveu fundamentalmente à vontade da direita de aplicar o seu programa ideológico. Com a esquerda no poder, a austeridade seria removida, rapidamente e para a eternidade.

Como se o anterior governo não tivesse governado a partir de uma situação de pré-bancarrota, ajoelhado perante os credores internacionais . O que António Costa e os partidos da esquerda nos quiseram fazer crer é que a direita governou como governou por ser má, enquanto a esquerda é boa.

Mas agora não há dinheiro o governo não tem como dar tudo a todos como prometeu, mas atirar o encargo orçamental para o futuro é uma imoralidade, serão os próximos governos a suportar uma despesa enorme e eterna.

 

António Costa preparava-se para atear o fogo ao orçamento

Marcelo veio avisar, muito seriamente, que não é possível voltar à vida que nos empurrou para a bancarrota . É uma ilusão acreditar nisso.

António Costa veio hoje dizer o mesmo, é "impossível descongelar carreiras se queremos investir na saúde e na educação" .

Jerónimo de Sousa quer tudo para todos na função pública e Catarina Martins diz que ainda falta muito para acabar com a devolução dos rendimentos.

António Costa julgou que fugindo para férias e passando por entre os pingos da chuva conseguia levar a água ao seu moinho . Chegou à discussão do orçamento anda convencido disso, mostrando que não tinha aprendido nada. E veio com esta burrice injusta. Não há dinheiro para a limpeza na saúde onde se morre com a legionella nem para os mortos dos incêndios mas há dinheiro para as corporações.

O Presidente da República já o tinha travado em 15 de Outubro, a indignação popular encostou-o à realidade, as sondagens estão a descer e agora o orçamento deu-lhe o golpe final. Para agradar aos sindicatos comunistas dos seus parceiros parlamentares abriu a caixa mas não é capaz de suster os génios do mal.

O défice subiu 10% , a dívida ( a segunda mais alta da Europa) paga a taxa de juro mais elevada da Europa , o défice externo é o pior da Europa e, o primeiro ministro, preparava-se para deixar entrar pelo orçamento o que os eleitores não deixaram em eleições. Romper com o Tratado Orçamental Europeu.

Em apenas dois anos temos um país à deriva, com o poder na rua em manifestações dos sindicatos. É mau, muito mau.

Acabou o dinheiro acabou o estadista António Costa

A paz social um dos objectivos do governo foi-se com as exigências dos sindicatos ( PCP e BE). Os patrões preparam-se para na Concertação Social manter uma negociação dura e sem cedências. Exigem a baixa de impostos das empresas se houver subida do salário mínimo e nunca para 600 euros.

PCP e BE pressentiram a fraqueza do primeiro ministro após as mortes e as confusões dos últimos cinco meses e, como bons comunistas, não perdoaram . O governo é fraco e está muito aquém porque é do PS . Embrulha e vai-te curar.

O orçamento para 2018 em discussão deu a estocada final. Professores, policias, militares fazem exigências que dão origem a despesa que não cabe no orçamento. Mas isso que tira o sono a Costa e a Centeno é o lugar para onde os extremistas de esquerda melhor dormem.

Com tudo isto temos um primeiro ministro acossado interna e externamente. E as sondagens de toda a esquerda mexeram para baixo já em dois meses seguidos .

O que aí vem é bem mais difícil e Costa e Centeno não têm mais nada para dar para este peditório. Mas também não me importo de dizer, se tudo isto foi só para salvar a pele a António Costa, não valeu a pena.

 

Chegar ao topo da carreira e a uma remuneração base de 3 500 euros

Este governo não governa vai governando ao sabor das exigências de poderosas organizações de interesses.

Os professores não querem ser avaliados, eles cuja principal função é avaliar e fazem do passar do tempo a sua prioridade. Com o tempo chegam ao topo da carreira e a uma remuneração base de cerca de 3 500 euros. E querem convencer-nos que o seu(s) problema(s) são "o" problema.

Num país onde há tanta gente a viver mal mesmo trabalhando, o que temos é uma luta diária para abocanhar a "sua" parte do orçamento. PCP e BE andam numa luta desvairada a ver quem ergue a bandeira . Não dos trabalhadores que ganham miseravelmente mas dos professores. Compreende-se, são muitos e dão votos.

É verdade que António Costa está a ter o que merece - andou a vender as maiores vitórias do século - mas o país não aguenta muito tempo com orçamentos como o de 2018 . Tudo ou quase tudo o que nos levou à bancarrota está inscrito neste orçamento e a decisões iguais teremos resultados iguais. É fatal como o destino .

O próprio ministro das finanças avisa que não há folgas juntando-se a outros economistas e instituições . Requer-se prudência mas o que se vê é sindicalistas alucinados a exigirem, a ameaçarem, tocados pelos apoios partidários do governo.

Chegamos assim ao muito esperado. O governo dorme com o inimigo e cede em toda a linha também ele suspenso no tempo . PCP e BE pelos votos não conseguem legitimidade para impor a sua ideologia mas fazem-no pela chantagem política. O governo precisa deles.

E o Estado que falha nos incêndios, em Tancos, na legionella, que mantém o país na cauda do crescimento económico, que é incapaz de reduzir a dívida e que vai à boleia da Zona Euro nas coisas positivas, engorda novamente com mais pessoas, mais despesa e menos investimento.

O défice externo já é o segundo maior da Europa mas nisso ninguém fala. E a subida das taxas de juro são anunciadas cada vez com mais insistência . Mário Centeno procura ver-se livre deste pântano indo para a presidência do Eurogrupo.

Ao fim de apenas dois anos temos um governo a desfazer-se e um Estado a colapsar.

O PSD de bem com o governo e de mal com a esquerda ou ao contrário ?

O PSD vai deixar o problema da progressão das carreiras dos professores nas mãos do governo . E faz bem . O governo que se "desmerde" já que desta vez não tem como fugir .

De bem com o PS e de mal com o PCP e o BE  ou ao contrário ? Se quiser colocar o governo em dificuldades é colocar-se ao lado da extrema esquerda que está a guilhotinar o orçamento. PCP e BE sabem muito bem que não há folga orçamental . Se não há pão deem-lhes croissans, dizia a Austríaca em Versailhes quando o povo já se amotinava.

Claro que os dois partidos anti-Europa basicamente o que querem é testar até onde vai o governo no cumprimento das metas do Tratado Orçamental. Quem tem amigos destes não precisa de inimigos porque ambos os partidos estão grávidos de saber que António Costa e Mário Centeno não afrontarão a União Europeia e a Zona Euro.

Vamos pois ter um 2018 e um 2019 com uma luta doméstica ( agressão?) . Penoso, estão todos atados de pés e mãos. O primeiro que ceder, abrindo uma crise governamental desaparece do mapa eleitoral .

Prejudicial, porque se até agora não tomaram decisão nenhuma relevante e estrutural a partir de agora o governo "vai ser uma espécie de mortos-vivos".

Até que eleições antecipadas ou não nos despertem do pesadelo.