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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Hard Brexit

As sedes das agências europeias ( financeira e dos medicamentos ) vão mesmo sair de Londres e o governo inglês não tem voto na matéria. Este assunto não faz parte das negociações.

Portugal candidata-se à Agência Europeia dos Medicamentos tendo já cá a Agência para a Segurança Marítima .

O pior que podia acontecer à União Europeia era o Reino Unido ficar melhor fora do que dentro. Beneficiar das vantagens e não ter desvantagem nenhuma . Isso todos queriam, a nossa extrema esquerda há muito que clama querer sair da União Europeia mas nas alturas dos apertos estende o boné a pedir renegociação da dívida e o apoio do programa de compra de dívida do BCE . Sem o qual programa diga-se, há muito que estaríamos a pagar juros bem mais altos . E se mesmo assim permanecemos no "lixo" seria lindo...

O Reino Unido está a sair da UE e não terá nada a dizer sobre a localização das agências da UE. A decisão de realocar a EMA e a EBA cabe aos outros 27 Estados-membros. Não faz parte das negociações do Brexit; é, antes, uma consequência do Brexit", frisou o porta-voz de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia

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Avança central de compras de medicamentos na Europa

Comprar grandes quantidades de medicamentos baixa o preço não só para os países consumidores mas também para a indústria. A redução é particularmente relevante nos medicamentos inovadores . Na oncologia, nas doenças crónicas e nas doenças raras.

A indústria farmacêutica está pouco receptiva a desenvolver produtos com pequeno consumo. Com vários países juntos a comprar grandes quantidades o custo baixa consideravelmente. 

Este debate poderá mesmo levar à criação de um processo europeu de compra de medicamentos, segundo o DN. Estarão presentes na reunião desta terça-feira, além de Portugal, Espanha, Áustria, Grécia, Irlanda, Malta, Holanda, Letónia, Eslovénia, Itália e Bélgica. 

Estamos trabalhar para termos uma cooperação mais intensa na área da avaliação e negociação, em termos de haver algumas situações de podermos negociar conjuntamente o financiamento de determinados medicamentos", diz, referindo que este processo tem quatro componentes: identificação conjunta das áreas e de quando vai aparecer inovação, avaliação conjunta ou coordenada dos medicamentos, negociações com vista ao financiamento e processos aquisitivos mais próximos.

Portugal com a sua reduzida dimensão poderá beneficiar em muito com este processo na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

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Preço dos medicamentos inovadores segundo o mérito

Tal como com as pessoas também os medicamentos devem ser pagos segundo os resultados. O medicamento cura, ou dá melhor qualidade de vida ou prolonga a vida então o preço deve ser estabelecido segundo o mérito. Não cura, não melhora a qualidade de vida e não prolonga a vida então o SNS não tem que pagar o medicamento.

De um lado as farmacêuticas que querem ganhar dinheiro do outro o SNS que quer tratar os doentes mas financeiramente sustentável.

Há dezenas de novas moléculas inovadoras para o cancro já aprovadas noutros países da Europa mas não  em Portugal . Claro que grandes países com dezenas de milhões de pessoas têm uma capacidade negocial que o nosso país não tem. Uma hipótese era os países da União Europeia juntarem-se e comprarem em conjunto. Um mercado de quinhentos milhões de pessoas garante às farmacêuticas programas de compras que baixam drasticamente os custos de investigação e produção. Veja-se o preço dos genéricos, o segredo é a produção em massa e a padronização das embalagens.

Recentemente a introdução de uma nova molécula para a Hepatite C mostrou-se eficaz a 97%. Há já milhares de pessoas curadas no nosso país. A negociação entre o Ministério da Saúde e as farmacêuticas assentou numa partilha de risco. Cura, paga-se. Não cura não se paga.

Mas não esquecer que o processo administrativo tem que ser célere e o acesso ao medicamento por parte do doente terapêuticamente optimizado.

Quem está a morrer que custo está disposto a suportar para se salvar ?

É a esta pergunta que as farmacêuticas respondem quando estabelecem um preço a um medicamento de que têm o monopólio. Interessa pouco o custo que muitas vezes não é assim tão alto. Mas o sistema de patentes leva ao monopólio e ao preço proibitivo.

A resposta a esta questão tem que ser tomada também em monopólio dos compradores. Todos os países compradores devem ser representados por uma comissão única por forma a chegarem a um preço justo e razoável. Por um lado temos a capacidade das farmacêuticas investigarem - o que custa muito dinheiro, anos de investigação para chegarem a uma molécula - e por outro lado a vida dos doentes.

“Nenhuma vida deve ser considerada demasiado cara, mas nem todas as medidas médicas têm um custo aceitável para o benefício que proporcionam” .

Se o monopólio é proibido em outras actividades mal se compreende que se aceite na actividade farmacêutica.

 

O Serviço Nacional de Saúde é um dos melhores do mundo

O Observatório para a saúde pintou um quadro negro e ideológico sobre o SNS. Mas uma das mais reputadas empresas internacionais de avaliação (Boston Consulting Group) vem dizer que o nosso "SNS é um dos melhores do mundo." Tem problemas ? Claro. O primeiro deles todos é que dificilmente um país pobre pode ter um bom SNS. E isto é verdade para todo o mundo. Basta olhar em redor.

"Entre 2010-2012, Portugal foi o país da Europa Ocidental que aprovou o reembolso de um menor número de fármacos inovadores e o segundo que mais tempo demorou no processo daqueles que foram comparticipados, o que penalizou especialmente a disponibilização de medicamentos oncológicos", lê-se no comunicado."

É o que acontece quando o país está sob programa depois de estar perto da bancarrota. Se tivessem feito menos umas autoestradas em PPPs ruinosas, de certeza que sobraria dinheiro para pagar aos fornecedores do SNS.

A BCG deixa sete recomendações para melhorar o SNS. Uma delas é aumentar as verbas que são destinadas à saúde, outra passa pela alteração do modelo de financiamento dos hospitais públicos, através de modelos orientados para resultados. Também a relação com as farmacêuticas deve ser revista para promover a eficiência de preços, devendo fazer-se a "transição do actual modelo de preço fixo para um modelo de maior partilha de risco (isto é, baseado em ganhos mensuráveis em saúde)".

É sempre uma opção de prioridade esta questão de gastar dinheiro. Estamos abertos à mudança ?

 

O custo do medicamento para a Hepatite C foi só o inicio

Há um medicamento já no mercado que custa 1,1 milhões de euros por doente. Outro medicamento custa 260 mil euros por ano e tem que ser tomado toda a vida. Nos USA os médicos recusaram-se a utilizar um medicamento que custava 9,7 mil euros por mês. O laboratório reduziu o custo para metade mas mesmo assim custava o dobro do medicamento alternativo. O doente ganhava um mês e meio de vida.

O grande pico da inovação na área farmacêutica está previsto para daqui a dois anos. Só no cancro há oito mil moléculas que já estão a ser testadas em pessoas. Para outras doenças há 640 moléculas em estudo. Nenhum dos sistemas de saúde, por mais rico que seja o país, consegue suportar o arsenal terapêutico inovador. Há que mudar. O problema é que os antigos medicamentos, com provas dadas, desaparecem devido ao seu baixo preço. Por exemplo, a leucemia linfática aguda se tratada com medicamentos que existem há 50 anos, cura 80% dos casos. Mas todos vão querer aceder aos medicamentos inovadores.

Há um passo que os médicos gostavam de ver recuar. Manuel Antunes, cirurgião cardiotorácico diz : "Não podemos prolongar a vida cada vez mais, porque só tem valor quando pode ser vivida". E, actualmente, já há muitos milhares de seres humanos agarrados a máquinas que apenas lhes prolongam a morte. Não a vida! ( PS: a partir do Expresso)

Defender o Serviço Nacional de Saúde - 3

Após duras negociações o Estado vai poupar 160 milhões de euros em medicamentos este ano. Uma maioria significativa de empresas da indústria farmacêutica já assinou o acordo. Esperemos agora que as vozes do costume não venham dizer que poupar em medicamentos é sinónimo de matar doentes. Portugal está apenas a seguir o caminho há muito percorrido pelos países mais ricos, onde há políticas do medicamento, que abrangem a certificação de novos medicamentos, a descontinuidade de outros, a compra garantida de determinadas quantidades e a comparação de custos com países da nossa dimensão populacional e PIB .

É tudo muito difícil de mudar como se pode ver pela introdução dos genéricos( há tantos anos a funcionar nos outros países) e pela venda por unidade que, aliás, ainda não conseguimos implementar por oposição das farmácias. A manipulação dos medicamentos obriga à existência de logística que os farmacêuticos não querem suportar.

Até há bem pouco tempo a Associação Nacional de Farmácias punha e dispunha a seu prazer. Adivinhem quanto o estado poupa retirando do circuito uma entidade que não acrescentava nada ao produto mas era quem mais ganhava. Não esquecendo, evidentemente, o serviço social que as farmácias prestam junto das populações mais desfavorecidas. Mas nada está garantido, basta lembrar a recente guerra com o preço pornográfico proposto para o novo medicamento para a "hepatite C" . Não faltou quem, dentro do estado, se colocasse contra ao estado e ao lado da farmacêutica.

Os interesses farmacêuticos chegam facilmente aos jornais

Cada vez mais cortes na saúde, mas o exemplo apresentado é uma completa mentira.:Começámos por saber que se evitava dar medicamentos mais caros, primeiro aos doentes oncológicos ou cardíacos, depois aos das artrites reumatóides. E agora é a hepatite C. Os doentes vão caindo em doenças mais graves (cirroses ou cancros), ou morrendo, enquanto o Estado quer negociar com as farmacêuticas o embaratecimento dos novos medicamentos de eficácia comprovada.

Como já foi devidamente explicado, não só pelo governo, é falso que se neguem medicamentos inovadores aos doentes. O que é preciso é que sejam mesmo inovadores o que, infelizmente, na maior parte das vezes não é o caso. O estado até já negociou com as farmacêuticas uma partilha de custos caso os medicamentos ditos inovadores não provem. Como os médicos alemães reconhecem " pura cobiça". Não há sistema nenhum que suporte o preço que a indústria exige , e muito menos com medicamentos que de forma alguma apresentam eficácia comprovada.

Mas há sempre quem esteja pronto para defender interesses estranhos contra o SNS. Desde comentadores ao bastonário da Ordem dos Médicos todos têm lugar garantido na comunicação social .Estas encomendas jornalísticas são pouco menos que pornográficas.

 

Saia uma dose de jornalismo de investigação

Uma operação montada por alguma imprensa sobre um medicamento que garante curar a hepatite C. Custa a módica quantia de 50 000 Euros a dose. É um problema de grande dificuldade ético-política. Ouve-se por aí "qualquer vida humana vale mais do que considerações economicistas". Há por aqui o dedo de uma qualquer empresa de comunicação e imagem ao serviço de uma qualquer empresa farmacêutica. O que não se desculpa é que a imprensa não faça o essencial do seu trabalho, que é o de interrogar e ouvir o contraditório. Acaso nos disseram qual o número potencial de doentes que podem vir a estar envolvidos? Que o custo total desta operação, estimado para o estado, poderá rondar as centenas de milhões de euros? Que só há um país onde o estado paga 100% deste medicamento? Acaso se interrogaram onde poderá o estado ir buscar o dinheiro? Cortar onde e com que consequências?

Preocuparam-se em saber de onde virão estas notícias que divulgam e com que interesse? Preocuparam-se se elas podem prejudicar as negociações entre o governo e os laboratórios para chegarem a um custo mais aceitável?

Nestas matérias dos direitos que todos têm ou deviam ter, nada é tão simples como parece. Se fosse só pagar sem preocupações da razoabilidade e sustentabilidade da despesa pública, era fácil. Claro que há sempre a hipótese de aumentar os impostos. ( a partir de um texto de MST- Expresso)

Os doentes e as farmacêuticas estão em campos opostos?

Uma pergunta a que não encontro resposta. Por um lado, sem os custos elevadíssimos da investigação não é possível a descoberta de novos medicamentos. Por outro lado como fazer chegar estes novos medicamentos a todos os doentes ? Financeiramente torna-se insustentável para os sistemas de saúde. E ter o medicamento que cura e deixar morrer o doente também não é solução. Serem os estados a investir nacionalizando a indústria é uma perigosa tentação. A burocracia estatal é inimiga da inovação, da iniciativa individual,  da capacidade de  investigação.

Um novo medicamento cura 95% dos casos de cancro do fígado e uma nova geração de medicamentos que actuam estimulando o sistema imunitário, mostram-se capazes de travar os cancros da pele e do pulmão já em estados avançados.

Os doentes querem ter acesso a estes medicamentos mas os accionistas das farmacêuticas querem o seu dinheiro remunerado. Que fazer ? Para já as grandes empresas farmacêuticas andam às compras ou reforçam o outsourcing, junto de pequenas e médias empresas inovadores que chegam primeiro e com menos custos aos novos princípios activos.

Fazer chegar a um número cada vez maior de doentes os medicamentos baixa os custos unitários mas aumenta o montante global a pagar. Como tornar esta equação possível vai exigir muito talento e muita capacidade de negociação. E irá contribuir para encontrar soluções para problemas sociais que actualmente se nos apresentam como contraditórios se não mesmo insolúveis. O mundo tem futuro em liberdade!