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BandaLarga

as autoestradas da informação

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Uma coligação forçada pelo medo e não por adesão a um projecto

Em Portugal o PS coligou-se com o PCP e o BE com medo da direita e, em França, ganhou o movimento de Macron por medo de Le Pen. Joana Mortágua, diz e bem que em nenhum dos casos há uma adesão a um projecto . Cá e lá os horizontes políticos são poucochinhos segundo a bloquista. É o medo que faz andar a geringonça. Projecto nenhum.

O que a deputada se esquece de dizer é que em França o projecto, ou a falta dele, foi a eleições, apresentou-se ao eleitorado e ganhou. Não enganou ninguém. Já cá, o PS escondeu a ambição de formar governo com os partidos da extrema esquerda, assim enganando o eleitorado .

O PS, o PCP e o BE ao apresentarem-se ao eleitorado sem nunca terem mencionado a possibilidade de uma coligação,( que passaria, necessariamente, por um projecto a três) mostraram bem que o que os movia era o medo de perder. 

António Costa não vai gostar desta crónica de Joana Mortágua.

 

A flexisegurança - liberalizar e proteger

Ter uma política liberal no mercado de trabalho e uma generosa protecção no desemprego. Facilitar a contratação de novos trabalhadores e ao mesmo tempo não fazer do desemprego um drama.

É esta a matriz da política proposta por Macron em França e que há muito funciona nos países do norte da Europa. Uma economia liberal e um estado social .

Para issso é necessário que a França leve a efeito profundas reformas estruturais de modo a restabelecer a confiança com a Alemanha e esta possa, então, avançar com investimentos europeus e tornar possível o subsídio europeu de desemprego.

Após o Brexit e Trump, a França e a Alemanha são agora os líderes do mundo livre e têm que se entender para proteger a União Europeia e tornar mais forte a Zona Euro. Sem isso grassa o populismo na Europa . Não é proteccionismo, é ser inteligente e proteger-se do comércio internacional como fazem os US e a China.

Macron - uma terceira via

MACRON | UMA TERCEIRA VIA
Um governo dos centros, esquerda e direita, da paridade de género, de políticos com calo e de gente chegada à política vinda da sociedade civil. Emmanuel Macron quer mudar a França fazendo a síntese de contrários. O homem que adoptou uma das mais conhecidas frases de Karl Marx ("os filósofos apenas fizeram uma re-interpretação do mundo, trata-se agora de o transformar") não deseja a revolução proletária, obviamente, para transformar o mundo. Quer, antes, a «revolução reformista». Macron é partidário do diálogo em vez da dialética, da ultrapassagem da clássica oposição entre esquerda e direita pela da oposição entre progressistas e conservadores. Nesta sua visão, Marine Le Pen e a direita reacionária e Mélanchon e as esquerdas comunistas e protocomunistas inscrevem-se no campo das forças conservadoras e a centralidade reformadora no campo progressista.
Num interessante artigo/retrato intelectual do novo presidente francês (Le Monde, 16.Maio, Nicolas Truong: «Petite philosophie du macronisme»), é traçado o roteiro e descobertas as raízes do pensamento de Macron - que nos faz compreender o que há de novo, enquanto projeto político, no Eliseu. Em lugar dos clássicos e opostos progressismo versus liberalismo, tão caros à politica e aos politicos franceses, Macron levou consigo uma ideia síntese da ação política, um «progressismo liberal» a que Jacques Attali (que o recomendou a Hollande) chamou de «liberalismo pragmático e otimista». Nessa síntese caberiam, segundo outro autor, três correntes políticas: a social-democrata (que, a exemplo da Suécia, associa a flexibilidade do trabalho à segurança do percurso dos trabalhadores); a democracia cristã e o seu rigor orçamental; e o «liberalismo social», tal como Tony Blair aplicou nos anos de governo do Reino Unido. Ou seja - e o seu primeiro governo procura já dar uma imagem disso - um largo leque central, somatório da direita moderada, do centro liberal e do socialismo de direita.
Macron, que vem da filosofia antes de ter passado por (e para) as finanças e a economia, parte da colaboração (tornada devoção e admiração) e amizade, ainda jovem estudante, com o filósofo Paul Ricoeur - que rejeita o "ou isto ou aquilo" a favor do "isto E aquilo" - para estruturar o seu pensamento. Dele herda o método e a prática do pensar em conjunto as coisas heterogéneas. Depois passa a colaborar na revista Esprit, na qual publica, entre 2000 e 2011, seis artigos considerados de grande qualidade intelectual e da qual também ainda hoje é acionista. Fundada por Emmanuel Mounier, a revista foi sempre um aberto «forum de discussão» e, através do que nela escreveu, muitos viram em Macron «o futuro do personalismo» de Mounier, o filósofo que procurava, ao tempo, uma "terceira via" entre o capitalismo e o comunismo, no respeito da pessoa. Tal como Macron hoje procura a terceira via entre liberalismo e progressismo, através de uma síntese de opostos.
De Gaulle, o fundador desta V República, reformou a França em 100 dias. Emmanuel Macron, o seu nono presidente, quer reformar a França em poucos anos - e, para isso, tal como De Gaulle deseja e precisa de uma maioria -a «sua» maioria, a do seu movimento. Na base de uma França de origens múltiplas, sem verdadeiros ou maus franceses, «um verdadeiro projeto patriótico», como disse na sua campanha eleitoral. Uma França da era da globalização e da competição. O tempo dirá se, como De Gaulle, ele conseguiu, e como, reformar a França.

A eleição de Macron renova Zona Euro

Pela mão do primeiro ministro espanhol voltam para cima da mesa as medidas que podem aprofundar e tornar coerente a Zona Euro. Não são novas mas são as que mais recorrentemente são discutidas.

Mariano Rajoy propõe a criação de ‘eurobonds’, títulos da dívida conjunta dos países do euro, que viriam reforçar a confiança na Zona Euro e eliminar os riscos de rutura da moeda única. Além disso, o Executivo espanhol acredita que é fundamental que seja criado um orçamento europeu e uma união bancária “digna desse nome”, bem como a criação de um Ministério das Finanças em comum para todos os países do Euro.

A situação é ainda mais urgente no que toca ao desemprego. Fortemente afetada com o dilema das elevadas taxas de desemprego, a Espanha quer criar um subsídio de desemprego comum e reformar o mecanismo de controlo das contas públicas, previsto no Pacto de Estabilidade e Crescimento.

Embora algumas ideias não sejam completamente novas, o Executivo espanhol defende que iriam dar “um novo folgo” às políticas europeias da Zona Euro. Alemanha também já veio abrir a porta a um orçamento de transferências.

Não podemos é ter no governo quem anda dia sim dia não a exigir a saída do Euro.

Macron é um liberal de esquerda

Para a esquerda Macron é um liberal de direita mas para os mais moderados é um liberal de esquerda . Mas o relevante é que se aprofundem as questões para se encontrarem soluções que sejam as melhores para o bem comum.

As suas propostas vão claramente no sentido de uma maior integração dos países da zona euro com a criação de um orçamento comum, de um parlamento, de um Ministro da Economia e Finanças e de um Fundo Europeu de Defesa que terá a adesão voluntária dos que quiserem subscrever. Macron não descura a necessidade de reforçar o projeto europeu a partir dos cidadãos, quer pelo incremento de estudantes Erasmus (objetivo de alcançar os 200.000 estudantes), quer pela realização de convenções de cidadãos sobre a Europa em vários países europeus. 

Na frente doméstica a tarefa de Macron será bastante mais difícil, dependendo bastante da maioria que conseguir (e se conseguir) nas legislativas. Em relação à dimensão, orgânica e centralização do Estado, Macron nada disse.

Há um conjunto de medidas avulsas anunciadas, mas só quando virmos o primeiro programa de estabilidade e orçamento poderemos ter uma visão estruturada e de conjunto, e saber se as medidas são, ou não, compagináveis do ponto de vista orçamental. De qualquer modo não existe ainda um programa robusto e há propostas boas, outras irrealistas ou perigosas. 

Para as legislativas "En Marche" leva já vantagem nas sondagens com muita gente socialista a engrossar o movimento, como o ex-primeiro ministro Valls.

 

 

 

Copos, mulheres e a ressaca

Os Franceses também gastam demasiado e em coisas erradas tal como Portugal.  Mas é preciso dar tempo a Macron, flexibilizar o défice, não colocar pressão, ajudar ao investimento e fazer crescer a economia.

Gabriel secundou o presidente da comissão ao defender que se dê mais espaço de manobra à França no domínio orçamental, recordando que quando a Alemanha, com o chanceler Gerhard Schroeder, aplicou as reformas estruturais da Agenda 2010, não cumpriu os limites do défice.

"O meu pedido" é que como alemães não se proíba aos outros a flexibilidade de que a Alemanha beneficiou naquele momento, declarou o chefe da diplomacia alemã.

Neste sentido, indicou que o país também precisa de flexibilidade em termos do défice, enquanto aplica as reformas, adiantando que a consolidação fiscal é "a tarefa de uma geração" e defendendo que não se deve falar apenas de défice, mas também de crescimento.

Como se vê a nossa ressaca é que é bem pior .

Macron venceu Le Pen com argumentos liberais

Macron começou a ganhar quando não se escondeu, defendeu as suas ideias, defendeu a Europa e a democracia. Não teve medo do populismo, obrigou Le Pen a falar de políticas concretas e com isso mostrou que ela não as tinha.

A extrema direita tal como a extrema esquerda ao aproximarem-se do poder mostraram que a oratória que têm na oposição não corresponde a soluções credíveis. Veja-se o caso da dívida. A montanha pariu um rato .

Macron, às propostas de Le Pen chamou-lhe imbecilidades que é o que são, nem mais nem menos. Ver a extrema direita ser derrotada por argumentos liberais é significativo. Macron defendeu a Europa, as leis do trabalho, o mercado livre e a democracia e não fez nenhuma concessão à sua esquerda de que precisa dos votos.

Perante uma extrema esquerda que se juntou à extrema direita, Macron sublinhou que é na UE que a França encontrará um futuro promissor para os seus filhos .

Este debate devia ser mostrado a todos os que acreditam que a social democracia e o socialismo democrático são modelos mais eficazes que as manhãs que cantam . A realidade mostra-o todos os dias. 

Macron ganha debate a Le Pen

Uma sondagem logo após o debate aponta para a vitória de Macron com 63% dos votos contra 37% de Le Pen. Afinal os valores esperados para as eleições de domingo próximo.

Uma anterior sondagem indicava que 91% dos que votam Macron não tinham intenção de mudar o sentido do voto, o que se confirma com esta última sondagem .

Foi um debate feroz . Le Pen mostrou-se muito mal preparada na vertente económica, não sendo capaz de ultrapassar intenções vagas e inconsistentes. Já Macron teve dificuldades quando deixou o debate resvalar para a discussão de temas gerais .

O centro do debate foi a União Europeia. Le Pen não conseguiu ser convincente e não apresentou alternativas sólidas. O seu grande deslize foi quando colocou a hipótese de a França ter duas moedas. O Euro para as relações exteriores e o Franco para circular dentro de portas. Ora, isto levaria a um aumento de preço generalizado das importações o que Macron assinalou de imediato. Le Pen ficou nas covas.

Esperemos agora que a União Europeia siga esta via com as próximas eleições na Alemanha onde os dois candidatos são pró-europeus.

Itália pode vir a ser o próximo problema e a Grécia lá vai atravessando a via sacra executando os programas de austeridade que a extrema esquerda sempre disse que não faria.

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Macron reforça vantagem sobre Le Pen

A quatro dias do dia do voto Macron alarga vantagem e com 91% dos seus eleitores a anunciarem que não mudam o sentido do voto. A extrema esquerda perdeu uma boa oportunidade de mostrar ser uma participante generosa e activa na consolidação da democracia e da União Europeia. Hoje sabemos que estrema esquerda e extrema direita são inimigos da União Europeia e do mundo livre . Já não há dúvidas nem desculpas. 

Macron com 61% e Le Pen com 39%, com o primeiro a ter os seus apoios nas grandes cidades e a segunda no mundo rural e entre os trabalhadores da indústria. Mais uma prova que são as desigualdades e a falta de oportunidades que levam gente em desespero a apoiar o populismo. Trump é outra prova disso mesmo.

Cabe aos gananciosos perceber que o dinheiro não é tudo na vida e que não vale a pena correr o risco de um dia não saírem à rua .É que a indignação leva a decisões  pouco racionais.

E quem está de boa fé nunca mais esquecerá que em França a extrema esquerda hesitou até à última em apoiar o candidato do centro-direita e por cá os seus irmãos de luta (PCP e BE) atreveram-se a querer convencer-nos que o centro é igual à extrema direita fascista e antidemocrática.

Porque uns e outros pensam da mesma forma. Só se engana quem quer .