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BandaLarga

as autoestradas da informação

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António Costa ainda vai a tempo de evitar o desastre anunciado ?

Em abstracto os problemas do país estão resolvidos em concreto não estão. A dívida continua insustentável, o controlo orçamental permanece frágil, garantido apenas pela "mão de ferro" de Centeno, por cativações que fariam corar de vergonha um governo de direita, pela ausência de investimento público e uma ou outra trapalhada pelo meio.

Em abstracto, Portugal estaria a caminho de ser um "paraíso na terra", um exemplo para o mundo e o refúgio de Madona. Em concreto, morrem mais de cem pessoas em incêndios, roubam-se armas de paióis militares sem ninguém saber como e o governo rumou para parte incerta, desorientado e acossado pelos seus amigos de ocasião.

António Costa comprou amigos de ocasião para garantir o poder. Chegou agora o momento de não conseguir satisfazer os apetites que alimentou, ou fazê-lo emitindo uma factura que o país não vai conseguir pagar.

Em abstracto a festa continua. Em concreto a festa acabou . Todos já o perceberam incluindo António Costa. Arrepiar caminho já é a única forma de evitar um desastre anunciado .

Neste caso concreto sem qualquer abstracção.

PS : Luís Marques : Expresso

A festa regressou

Guterres teve condições excepcionais que não soube aproveitar . Mas deixou o país em crise, em resultado de graves desequilíbrios macroeconómicos que não conseguiu contrariar e de que, na realidade o país nunca recuperou totalmente.

Guterres foi incapaz de combater a euforia e o facilitismo, alimentando-os. Deitou dinheiro para cima dos problemas, numa constante procura de agradar a tudo e a todos. Fugiu das dificuldades e das escolhas difíceis.

Quinze anos depois António Costa herdou de Passos Coelho uma economia a sair de um dos mais violentos ajustamentos de que há memória, que teve em 2012 o seu ponto crítico com uma retracção de -4 do PIB. A recuperação começou em 2014/5, ainda com Passos Coelho, e terá este ano a sua consagração.

A festa regressou. Mas há razões para isso ?

PS : Luis Marques - Expresso

A geringonça agora já tem o seu próprio passado

Até aqui do "novo" passado só faziam parte coisas boas. Agora inclui coisas más e algumas muito más. As que conhecemos, as que vamos conhecendo e as que conheceremos mais à frente.

Esta nova realidade apanhou de surpresa os três partidos da coligação. Basta olhar para a cara deles para perceber que algo mudou. Em pleno debate do estado da nação, e com este quadro em fundo, o BE propõe um período excepcional para vincular professores e o PC mais celeridade na resolução dos precários. Patético.

O "estado de graça" acabou. O tempo "esse grande escultor" vai fazendo o seu caminho, destapando a realidade escondida sob a retórica anti austeridade. Ela continua lá embora com outras vestes. Como lá continuam os problemas de sempre, o atraso de sempre e as novas habilidades para esconder a realidade. Tudo isso fazia parte do passado, um passado que nos persegue. A novidade é que agora faz parte também do passado desta coligação.

O grande inimigo deste governo como de todos os outros é o tempo. Durante dezoito meses António Costa e os seus aliados de esquerda alimentaram-se do passado, da herança de Passos Coelho, pintada e retocada com as cores negras da austeridade .

Agora será cada vez mais difícil invocar o anterior sempre que toma alguma medida ou acontece alguma coisa, seja ela boa ou má. E há sempre, agora como antes,  coisas que estão a acontecer ou vão acontecer.

PS : Luis Marques - Expresso

Mascarar o valor do défice sem mexer no essencial

"Essa gente" confunde reforma do estado, ou seja, cortes certeiros de desperdícios e gorduras, com cativações, uma forma ardilosa de mascarar o verdadeiro valor do défice sem mexer no essencial. Confunde-se assim o estrutural com o conjuntural, estratégia com táctica, consolidação orçamental sustentada com medidas temporárias à espera de um milagre.

Mas não há milagres quando se esconde o pó debaixo do tapete.

As tragédias que nos assolam nada têm a ver com a redução do défice, é antes o resultado de opções erradas e da manifesta incapacidade do poder  político para cumprir a sua missão de defender o interesse de todos e não apenas de alguns.

Podemos imaginar, por exemplo, como é que Medina Carreira trataria "essa gente" que se prepara para aprovar um relatório sobre a Caixa Geral de Depósitos  que atribui à crise internacional a derrocada do banco do estado.

"Essa gente" colocou durante anos a CGD ao serviço da política, que a usou para assaltar um banco privado, que nela colocou verdadeiros comissários políticos em "lugares-chave", que distribuiu dinheiro a uns amigalhaços do governo de ocasião.

É preciso uma democracia forte e um estado ao serviço dos mais desfavorecidos e esquecidos.

PS : Luis Marques - Expresso