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BandaLarga

as autoestradas da informação

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A dívida permanece a quarta maior do mundo

Juízinho ! É assim que a Europa reage à subida da notação da dívida, saindo do lixo. É preciso continuar o trabalho de consolidação orçamental.

Mário Centeno, já veio refrear os ânimos dos que estão sempre à espreita para conseguir maior despesa pública. Nos últimos tempos em Portugal só se fala em direitos, não em deveres. O regabofe está de volta. Temos a quarta maior maior dívida do mundo avisa Centeno.

É que Portugal foi ultrapassado pela Lituânia no que diz respeito ao PIB. É verdade a Lituânia já produz mais que nós. Fechamos os olhos aos dezassete países que estão a crescer mais que nós. Adeus vimo-nos por aí. Eles vão-se embora e nós afundamo-nos na nossa mediocridade. Numa política económica desastrosa.

António Costa também já veio dizer que esta notação vai beneficiar as taxas de juro mas que é preciso continuar Ou seja, o caminho de consolidação orçamental é para manter, no que pode ser lido como um recado aos parceiros do Governo – Bloco de Esquerda e PCP – com quem está a ser negociado a proposta de Orçamento do Estado para 2018. 

Cuidados e caldos de galinha .

 

Apesar do PCP e do BE

PCP e BE querem reverter a lei das relações do trabalho implementadas pelo anterior governo. Mas a actual lei é uma das principais razões que levaram à saída da dívida da classificação de "lixo". Como vai ser ?

Além disso, a S&P destaca que 2017 será o "quarto ano seguido de crescimento desde 2010". Para este ano, a agência espera que a economia cresça 2,8%, mais do que os 1,4% do ano passado e antes de abrandar para um crescimento de 2,3% esperado para 2018. "Esperamos que o desempenho económico continue a ser transversal, com um contributo positivo de todos os sectores", diz a agência.
E as exportações - a treta da Catarina - têm reforçado o contributo apesar do governo estar a governar para cumprir os ditâmes da Zona Euro, baixando o défice.

Afinal é possível a economia crescer ao mesmo tempo que se consolidam as contas públicas . E o défice que Jerónimo dizia que nunca lhe tinham explicado porque era necessário reduzir para menos de 3%.

Mas é preciso não esquecer que a grande redução do défice foi feita pelo anterior governo e que o crescimento da economia - cresce há 4 anos - abarca o anterior governo. O actual está há 2 anos a governar. 

É, claro, que tudo isto é amplamente beneficiado pela evolução positiva da Zona Euro e da União Europeia, ao contrário do que diziam comunistas e bloquistas.

PS :

Todos os que juravam a pés juntos que a dívida pública nunca poderia ser paga sem uma forte reestruturação (perdão de dívida), compreendem que a decisão da S&P, que tanto festejam, é a confirmação de que estavam errados, certo?
Afinal, a dívida é pagável. E, como bónus, é possível pagá-la e crescer.

Razões para a saída do "lixo "

Foram seis anos no "lixo", é natural que o país depois de tantos sacrifícios e de melhores contas públicas, saia do "lixo". Mas ainda assim foi uma surpresa.

O que parece é que está cada vez mais próximo o fim do programa de compra de dívida por parte do BCE, que tem sido o principal suporte dos juros baixos . Ora uma boa maneira de manter os juros baixos, retirando o BCE de cena, é justamente elevar a dívida acima do "lixo".

Alemães e Draghi há muito que andam de costas voltadas por causa da política de compra de dívida do BCE que inunda os mercados de dinheiro sem conseguir fazer subir a inflação para 2%. A tal ponto que os alemães já colocaram o assunto no Supremo Tribunal .

E a questão é saber o que vai acontecer quando esse mar de dinheiro for retirado dos mercados. Ninguém sabe e por isso o BCE já iniciou há alguns meses a redução dos montantes comprados, especialmente a Portugal.

Ora, se não fosse esta compensação ( BCEversusS&P) os juros a pagar por Portugal podiam regressar a níveis proibitivos.

Aqui está uma boa razão para esta agradável surpresa.

Portugal só sairá do lixo quando a dívida descer

As boas notícias são circunstanciais. Sem reformas estruturais a dívida não sairá do lixo.

E o tempo está a jogar contra o governo, nota-se pela agitação nos médicos, nos juízes, nos magistrados, na Autoeuropa e nos professores (o inefável e alucinado sindicalista Nogueira não consegue contê-los).

A bondosa DBRS vai mantendo o país com a cabeça fora de água mas as outras agências vão jogando o jogo de dois passos atrás e um para a frente. Só daqui a um ano é que sairemos do lixo quando o governo nos invade todos os dias com vitórias ? Algo não bate certo .

Entretanto a compra de dívida por parte do BCE vai terminar no fim do ano, os alemães já a discutem judicialmente . Se em tempos favoráveis não se fazem reformas estruturais, não se prepara o futuro, quando vierem tempos de vacas magras voltaremos ao mesmo de sempre.

Mas PCP e BE estão contra as reformas que mexem nos seus eleitorados, dificultando a governação,  Adivinham-se tempos difíceis até às legislativas de 2018 .

"Claro que há condições para, ao fim de seis anos, essa mudança acontecer e o país voltar a estar cotado pelas agências como um dos que têm qualidade e oferecem segurança a quem quer investir - um passo que pode determinar o continuamente adiado regresso do investimento a Portugal. E aí é que é o diabo. Com a dívida pública a engordar continuamente, não há agência (à exceção da sempre benevolente canadiana DBRS) que não desconfie da capacidade de manter os restantes números em boa evolução. Há cinco semestres consecutivos que a dívida está acima dos 130% e em julho voltou a agravar-se, atingindo os 249,165 mil milhões de euros. Isto numa altura em que o governo começa a negociar bombons orçamentais para os partidos que lhe asseguram a maioria parlamentar, com PCP e Bloco a exigir que o executivo de António Costa vá muito mais longe no alívio fiscal, nos aumentos das pensões, no descongelamento de carreiras da função pública..."

O que faz falta é avisar a malta

Desde a crise financeira, seis economias europeias conseguiram regressar à notação de investimento deixando para trás a notação de "lixo". E o que foi preciso para que as agências financeiras deixassem de "chantagear" esses países ? Um crescimento robusto e sustentável do PIB e uma descida gradual mas consistente da dívida pública. Duas coisas que Portugal não consegue fazer e que pelo menos nos dois próximos anos não fará se continuar no actual registo. O foguetório é isso mesmo. Foguetório.

E para mal do nossos pecados ainda temos a situação da Banca especialmente a situação da CGD e a venda do Novo Banco que ainda não sabemos como vão ser tratadas . Vai ao défice ? Vai à dívida ? Num caso e noutro é um piparote de todo o tamanho .

Como por outro lado a variação para cima das taxas de juro é certa com a retirada da compra de dívida do BCE, estamos como em Pedrógão Grande ( Deus nos valha) . Basta uma fagulha.

Por isso o melhor mesmo é proibir o foguetório e os balões de S. João e seguir os avisos de quem é prudente. É que ser prudente é ser amigo e as instituições já andam a prever que o crescimento do PIB ao nível deste ano é fogo de pouca dura. Para 2018 e 2019 já se espera um abrandamento.

Sem as reformas que o apoio da extrema esquerda não deixa fazer, o crescimento do PIB e a descida da dívida são como o SIRESP. Não comunicam .

 

Muitas vitórias mas continuamos no "lixo"

Desta vez foi a agência de notação financeira Moody's que decidiu manter a dívida portuguesa no lixo. Falam, falam, mas eu não os vejo fazer nada. Vitória atrás de vitória mas nada. Parece que vem aí a saída dos défices excessivos, anunciada hoje mesmo por António Costa para contrabalançar a manutenção do país no lixo.

Entre as restantes grandes agências, também a Fitch e a Standard & Poor’s colocam Portugal neste patamar e com perspectiva "estável". Apenas a canadiana DBRS tem a dívida soberana do país fora de "lixo", no último grau da categoria de investimento de qualidade – sendo que o "outlook" é "estável".

Ao ser a única agência que mantém Portugal acima de "lixo", a DBRS tem o poder de ligar ou desligar Portugal da máquina do Banco Central Europeu, uma vez que é a única actualmente que garante a elegibilidade da dívida nacional para os programas de compra do BCE.

As razões das agências de rating

O país não melhora na avaliação das agências de rating porque ao contrário do governo e seus seguidores não vê melhorias no que é realmente importante .

Para haver uma subida de "rating" ou um "outlook" positivo, o rácio de dívida tem de estar numa tendência de descida duradoura e sustentável. A nossa expectativa é que, com base nas políticas de que temos conhecimento e das estimativas que usamos, o rácio de dívida desça, mas de forma lenta. O factor crítico é que o rácio de dívida continua muito elevado e é por isso que somos conservadores.

Nós sublinhamos no relatório o que tem de acontecer para um "outlook" positivo ou uma melhoria do "rating". Tem de haver provas de uma sustentada redução do rácio de dívida. E isso tem de vir via crescimento e via saldo primário. Está com o mesmo equilíbrio em ambas as direcções, como da última vez, porque da última vez também tivemos o "outlook" estável. Mas, claro, a estrutura económica tem sido um pouco mais encorajadora nos meses mais recentes.

O que temos é poucochinho .

Um país ligado ao ventilador DBRS

Nem "coiso" nem sai de cima . O tão apregoado sucesso não é reconhecido por ninguém lá fora. A DBRS - a única agência que nos mantém acima do "lixo" - é o fio vital que nos mantém acima da linha que nos permite ir ao mercado e evitar novo resgate .

No relatório divulgado esta sexta-feira, 21 de Abril, a DBRS justifica a manutenção do "rating" da dívida de longo prazo de Portugal com vários factores positivos: ser membro da Zona Euro e aderir à estrutura de governança económica da União Europeia; possuir uma estrutura favorável da maturidade da dívida pública, bem como um pequeno excedente das contas correntes.

No entanto, deixa um alerta: "Portugal também se depara com desafios substanciais, incluindo os elevados níveis de endividamento no sector público e privado, o baixo potencial de crescimento, as pressões orçamentais e o elevado endividamento do sector corporativo".

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"Lixo " garantido até 2018 - juros continuam a subir

Bem podem alimentar narrativas que a realidade é o que é.

A maneira como as decisões das agências são tomadas é que, primeiro, há um outlook positivo e depois só na avaliação seguinte é que pode haver uma melhoria do rating. Não me parece que nesta ronda tenhamos uma melhoria do outlook. Já tivemos este ano informação da Moody’s e da Fitch sem subidas, e não me parece que a S&P o vá fazer”, disse em entrevista ao Público (acesso pago).

“Há três aspetos em que os relatórios das agências coincidem: o nível global de endividamento da economia como um todo é elevado, a dívida externa é das mais altas do mundo — eles já nem distinguem se a dívida é pública ou privada, olham muito mais de uma forma abrangente. O segundo fator é o crescimento e o terceiro o setor bancário, nomeadamente por causa do aspeto das responsabilidades contingentes”.